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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Histórias do Rio Pará

Sob a ponte do Pará. 

Como se fossem os dois lados da mesma moeda, as imagens abaixo retratam os extremos da história do rio Pará, um dos principais afluentes do Velho Chico. Nas mesmas fotografias,consequências da grande enchente de 1996 e da longa estiagem de 2016. Há 20 anos, a chuva forte alimentou o leito do rio a um nível jamais visto novamente. A correnteza derrubou a antiga ponte que ligava Pitangui a Martinho Campos. 



A estrutura continua esquecida nas águas do Pará até hoje, numa recordação de que a temporada de enchente já foi uma grande preocupação dos ribeirinhos. Duas décadas depois, o grande desafio de quem mora na região é vencer a longa estiagem. Montes de areia surgiram no leito, próximos à ponte vencida pela força d'água. Capins brotaram nos montes. Viraram pasto.Também lugares para visitantes sujões, que deixam embalagens vazias, papéis e guimbas de cigarro. A estes sugiro que fiquem espertos com o Caboclo d'Água.

Paulo Henrique Lobato - Jornalista.

Imagens e texto: Paulo Henrique Lobato.

sábado, 24 de setembro de 2016

A chaminé da Fábrica

A chaminé na paisagem pitanguiense. Foto: Dênio Caldas.

No mês de agosto passado nosso parceiro Dênio Caldas publicou uma postagem interessante sobre a Chaminé da Fábrica de Tecidos, vista e clicada de vários ângulos, em uma sequencia de fotos. A matéria gerou em nós, meninos na época, a lembrança do apito da fábrica. E nos adultos que trabalharam na Santanense, gerou emoções. No poema abaixo o professor Roberto Caroli descreveu muito bem estes sentimentos pitanguienses. Confira:

No horizonte, a chaminé. Foto: Léo Morato.

A chaminé
Através da janela da cozinha
da casa onde cresci, no lavrado,
eu sempre via a imponente chaminé!


Era uma visão magnífica!

Ficava imóvel e perdido em pensamentos,

analisando os detalhes 

daquele esplêndido edifício.

O soar da sirene da fábrica
nos serviam de relógio,
sempre pontual.
A fumaça que saía do cume da torre
ia de encontro às nuvens...

Eu criança, ficava fascinado!
Eu jovem, ficava intrigado!

A fábrica fechou,
o emprego acabou,
a sirene se calou.
A cidade que acordava com ela,
por um tempo até chorou...

No entanto, a vida continuou,
quem estava no olho da rua
outro trabalho encontrou.

Mas aquela chaminé
permanece imponentemente
sendo vista, sendo vista!

Não mais a vejo da mesma janela
que hoje já não existe.
Vejo-a sim,
de vários pontos da cidade.
Do alto, do baixo
de perto, de longe...

Lá está ela em evidente,
tornou-se, pra mim, monumento,
quiçá um cartão-postal.

Neste momento estou vendo-a
não mais de uma física janela,
mas sim de uma outra maneira.
É só eu fechar os olhos
que vejo-a nitidamente
com os olhos de minha alma...

(Roberto Caroli)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A nossa "periferia" histórica


Nos temas abordados durante os anos que antecederam a celebração do tricentenário de Pitangui, publicamos uma matéria sobre o cruzeiro no interior da Penha como sendo um exemplar do nosso patrimônio histórico, e que, como local de manifestação de fé do nosso povo, carecia de uma melhoria. Pois bem, as preces foram atendidas e a Prefeitura realizou uma reforma no local, uma iniciativa que sem dúvida valorizou aquele marco cultural.


Dentre as formas de turismo existentes (e ainda muito pouco explorado em Pitangui) é mais comum a visitação em grupos de pessoas, percorrendo o centro histórico e os atrativos mais conhecidos. Mas há também um turismo para fins de pesquisa, para a produção de conhecimento científico, para desvendar lacunas da história. Portanto, visitantes com este perfil, valorizam locais como o acervo do Instituto Histórico de Pitangui, o cruzeiro no interior do bairro da Penha e outros locais desgarrados da área central da cidade e que também são testemunhas importantes dos nossos processos históricos. Portanto, conhecer o passado auxilia na compreensão do presente e aponta rumos para projetar o futuro. 

 Fotos: Leonardo Morato.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Qual a vocação de Pitangui?



Neste período que antecede as eleições municipais de outubro, onde as campanhas eleitorais estão em atividade, é importante avaliar candidatos e propostas que sejam viáveis para a cidade. E ter conhecimento sobre quais são as vocações de Pitangui, pode auxiliar bastante na decisão do seu voto. Quais são as vocações de Pitangui? O cultivo e a produção agropecuária? O turismo em suas segmentações histórico cultural, ecológico esportivo e rural? A música? As atividades educacionais? Qual é a sua opinião? Apresentamos este vídeo onde pitanguienses que têm um grande carinho por Pitangui e que residem fora, expõem seus pontos de vista sobre as vocações da cidade.

Pitanguienses em Brasília. Foto: Léo Morato.

Este vídeo apresenta trechos da entrevista com Emerson Máximo Pereira e José Wilson Silva gravada em outubro de 2013, para o documentário produzido em parceria com William Santiago, lançado em maio de 2014, sobre os Pitanguienses em Brasília - Histórias, Lembranças e os 300 anos

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Pitangarás!

Mesmo com a ausência de nosso casal musical, a turma sonorizou e quiçá até mais se harmonizou, ontem à noite no Quintal do Prado, que voltou a receber a buliçosa rapaziada da Velha Serrana.

E que nem foi atrás das pretinhas, as apetitosas jabuticabinhas de um quintal, que graças a engenhosidade de Luiz Rafael, transformou-se num quase-harém de loiras gélidas, como convém - até pra quem se abstém. Como foi o caso de nosso vitalício Presidente que só tomou anal...cólica. Quiçá para preservar a sobriedade nesses tempos tão bicudos que atravessamos.

A freqüência de confrades, inobstante, surpreendeu-me, e certamente, e prazerosamente ao Luiz Rafael e sua equipe que por pouco não pegaram uma LER pelo esforço continuado de tanto abrir garrafas - e marcar comandas.

Assim, a mesa extensa e estendida para um grupo original duns vinte, logo ganhou extensões à medida que os retardatários iam chegando. Esses, sabemos ou suspeitamos, não querem querem perder a fala do Bonner, o porta-voz da cerco ao lulopetismo a todo custo. Parará, ou Paraná, por aí? Moroliza o país desta vez, ou ainda temos a temer...?

Mas a política rolou pouco na animada assembléia dos mais gatos pitanguienses de meio-século atrás. Sem querer excluir-me de culpa, só assinalo que era por demais jovem e só pensava naquilo: o seminário.

Mas o encontro rendeu bem uma trintena de presenças. Que formaram coro avantajado e estridente, para lamentar ausências. Justificadas todas, menos, naturalmente à do Ruggierus Magnus que estava ali pertinho de nós, em Viena, e não se movimentou para rever os tão diletos muy amigos que conquistou ao longo de décadas, e consolidou nos últimos meses, havendo inclusive sido anfitrião, em sua esplêndida e
acolhedora residência em Lagoa da Prata. Acho que andava atrás de um autógrafo de um filho da terra, um tal de Arnold...

Foi voz geral a queixa ao sumiço das postagens do Aluísio, que tanto divertem e inspiram os obreiros dos trabalhos manuais - de banheiro. Sugeriu-se até que se fizesse um abaixo-assinado de uma intimação para que o caçula dos Picões retornasse à lida. O próprio primogênito do clã, mais um Paulo pra toda obra, comprometeu-se a levar pessoalmente o clamor, assinalando manter a discrição necessária para evitar intercepção.

Nomear presenças aqui, acodido apenas pela lembrança, fatalmente levar-me-ia (olha o mesoclismo temeriano na linguagem...) a cometer injustiça ou esquecimentos indesculpáveis. Mas assinalo que foi muito bom ver novas adesões ao grupo, o que baixa a sua média etílica, etária, digo...e nos coloca todos na zona de conforto, que é também dar bons exemplos pros mais jovens no sendeiro do malte, lúpulo, cevada e fermento. To beer or not to beer, já dizia Shakespeare.

Tive o privilégio de sentar-me entre o comandante de nossos desatinos, Presidente Juarez, e o garantidor de nossos destinos, sobretudo quando alcoolizados, Coronel Praxedes, recém-incorporado ao grupo.

Queria fazer uma sugestão ao ínclito Presidente para que pense numa forma de valorizar a assiduidade nas presenças de confrades fiéis no úrtimo ao espírito de luma, corrijo-me, de luta. E nesse contexto, desejaria sinalizar a presença sempre constante, de um Marcondes, um Bécaud, um Mastroianni, um César, um Tony, e, hors concours, naturalmente um Viegas, entre outros. O troféu poderia ser anual, por um diploma...ou uma gargantilha...Que pensa, a quadrilha?

Paulo Miranda

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A partida de um grande empreendedor

Dirceu e D. Arlene. Carnaval de 2016.


No último domingo, dia 11 de setembro de 2016 Pitangui teve uma grande perda com a passagem do Sr. Joaquim Dirceu Xavier. O Dirceu do Bar, como era comumente conhecido foi redator do Jornal Município de Pitangui e por vários anos registrou os acontecimentos da cidade; foi comerciante na época dos armazéns em Pitangui, talento que certamente herdou do pai Joaquim Xavier; além de uma vida dedicada ao PEC - Pitangui Esporte Clube o Dirceu foi eleito vereador; e foi um homem ligado à cultura proporcionando importantes contribuições para a cidade como por exemplo: a condução do Cine Pitangui, do qual foi proprietário e do famoso Bar do Dirceu que era "point" certo da juventude e da boemia. 

Outra face empreendedora deste pitanguiense era a sua visão para o Turismo. Dirceu foi um dos primeiros a falar sobre esta atividade em Pitangui, como por exemplo na matéria sobre a festa da Cruz do Monte em 1978. Outra comprovação eram os quadros da Embratur (autarquia do Ministério do Turismo) com paisagens do Brasil , na parede do seu bar.

Dirceu e D. Arlene. Carnaval de 2016.
Fotos: Léo Morato

Dirceu era muito querido pelos amigos e pela família. Registramos aqui os nossos pesares aos familiares em forma de homenagem, reproduzindo nos links abaixo duas postagens sobre o Sr. Dirceu, ainda em vida. 

Dirceu Xavier - parte 1.                     Dirceu Xavier - parte 2.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

"Vovocê sabe de onde venho...?" Paulo Miranda





Embora com o corgo de bosta aos fundos de um quintal em agudo declive, o Vovozim é um moço e poço de cristalina pureza. E em sua vida fecunda de oito décadas e meia, aguda sabença abunda.

Sempre morador no Beco dos Canudos, que se converteu em Rua Chiquinho Teodoro por ato do legislativo municipal para homenagear um prócer do torrão, em detrimento de uma referência histórica (consta que o Canudos deriva de aglomeração de ex-soldados  desmobilizados e assentados depois da chacina de Canudos), Vovozim, que é José Rodrigues de pia, é cronista oral que muita fome de saber sacia. E vicia.

Enviuvado há vários anos, aposentado das lides da barbearia, Vovozim faz de um bar icônica crônica de cada dia. O estabalecimento, (in)cômodo único da parte frontal de sua casa é o quadro mais pungente do que a falta de mulher faz à vida (in)dagente. Pilhas de papel, sacos plásticos, poeira e outros desmazelos acumulam-se por detrás, à frente e sobre o balcão e medo de vassoura não parecem ter não. Talvez nem mesmo conhecimento do que é esse palavrão...

A memória do Zé todavia é que permanece limpinha, cristalina e transbordante. Em meio a uma meia dúzia de atônitos circunstantes, confirma-me a impressão que colhi, quase seis décadas faz de que por ali, com a rua tortuosa e nua houve um chafariz - bem debaixo, aliás, ali, de nosso nariz. Até então a cidade mal dispunha de água encanada, porquanto abundasse a enganada.

Das personagens que povoavam o sinuoso Beco dos Canudos há meio século, ou inda pra trás, fala com segurança, conhecimento e aisance dum connaîsseur, sem contudo se jactar de sua prodigiosa memória.

Quiçá por saber que mais prodigiosa é sua voz, aveludada e afinadinha quando entoa a capella versos ou canções de um passado mais que perfeito e que como no tango imortal de Gardel, el tiempo borró...

Seu Hino do Expedicionário, que ouviu pela primeira vez ao fim da segunda guerra mundial por uma única vez e lhe gravou letra e melodia, é digno de ser ouvido e reproduzido em nossas escolas. Havia patriotismo então. Inda mais quando enunciado por um jovem locutor como  Heron Domingues, que iria se celebrizar na emissão do Repórter Esso, anos a fio. E vovô se torna menino outra vez. Cercado de desconcertados marmanjos comovidos com seus trinados de brio e sensatez.

domingo, 11 de setembro de 2016

Pensando o Turismo

Verificando arquivos para embasar um trabalho sobre o Turismo em Pitangui encontramos este artigo escrito por mim (cursando a faculdade) há exatos 14 anos, em setembro de 2002, e publicado no Jornal O Independente na época. O texto traz uma abordagem geral, mas os conceitos e o conteúdo ainda estão atuais e cabem a reflexão de todos nós que acreditamos que o Turismo possa ser uma opção econômica e culturalmente viável para Pitangui. 

                       
Pitangui por Geovane Alves.


PATRIMÔNIO, TURISMO E COMUNIDADE

            Em 4 de julho de 1776, quando as treze Colônias inglesas declararam sua Independência, constituindo os Estados Unidos da América, a atual metrópole Nova Iorque, tinha 25 mil habitantes. Mas a maior cidade do continente americano estava no Brasil. Construída pela corrida do ouro nas Minas Gerais, a partir de 1691, Vila Rica abrigava 78 mil moradores, era a maior cidade da Colônia portuguesa e do novo continente, sua economia influenciava os grandes centros europeus. Entre 1740 e 1750, saía das minas brasileiras mais da metade do ouro produzido no mundo. Esse ouro criou fortunas na Europa e financiou a Revolução Industrial, que foi um grande marco na história da humanidade.
            Durante mais de cem anos, escoaram riquezas e circularam milhares de pessoas pelo interior do país e pelos caminhos que ligavam o sertão ao litoral. As cidades mineiras, além da forte economia, possuíam vida cultural  sintonizada com o mundo e ao mesmo tempo original. Construíram-se igrejas e casarões, esculpiram-se estátuas e monumentos, pintaram-se paredes e telas, escreveram-se poemas e peças teatrais, compuseram-se músicas como nunca havia sido feito antes nestas terras. Este legado do estilo Barroco (nascido na Itália), deixado às primeiras cidades mineiras, é um grande diferencial que as torna turisticamente atrativas.
O turismo é toda a estrutura que envolve o transporte, hospedagem, alimentação, comércio e serviços, lazer, entretenimento e informações colocadas à disposição do visitante. São várias as motivações que levam o turista a viajar, uma delas é a fuga do cotidiano para se conhecer algo diferente. Portanto, a conservação das caraterísticas originais de uma localidade é fundamental. A paisagem local é um testemunho da memória e dos processos históricos de um povo. Mas antes de despertar o interesse do turista, este cenário deve interessar e ser útil a seus habitantes, numa relação de estima e proteção.
            A administração municipal, sendo gestora das políticas públicas, deve promover e incentivar o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico (Art. 180 da CF de 1988). Importantes iniciativas já estão sendo concretizadas em Pitangui, o maior exemplo é o carnaval Temporão. Para que o desenvolvimento turístico aconteça de modo eficaz (maximizando os resultados positivos), é necessário haver a participação e o engajamento de toda a sociedade, em ações do gênero. Nesse contexto é primordial valorizar o patrimônio cultural da cidade, abrangendo a arquitetura, os recursos naturais, o artesanato, a música, os costumes e crenças populares, o esporte, a culinária e a história local.
            Devido aos recursos que utiliza e pelos resultados que produz, o turismo organizado pode ser considerado “a galinha dos ovos de ouro” em um município. Muitas das segmentações deste mercado, são passíveis de exploração em Pitangui, como: Turismo histórico-cultural, ecoturismo, turismo religioso, gastronômico, turismo rural, desportivo, entre outros. Apesar dessas possibilidades, o turismo não deve ser considerado somente como um fenômeno financeiro, de alta rentabilidade em curto prazo. Deve haver um plano de desenvolvimento sustentável (utilizando os recursos e atrativos, sem degradá-los, não comprometendo a utilização pelas gerações futuras), realizando um planejamento que venha a tratar cultura, turismo e meio ambiente no mesmo contexto do desenvolvimento econômico e social.

            Investindo-se em infraestrutura e formação profissional para a atividade turística, o município estará apto a promover a freqüência, permanência e satisfação do turista, gerando emprego, renda e qualidade de vida para a comunidade em geral, desenvolvendo a consciência de se preservar o valioso patrimônio cultural da cidade.

Leonardo Morato.

Fonte de Pesquisa: Revista Cidades Históricas do Sudeste. Pág. 18 – complemento do Jornal do Brasil de 29/10/2000.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Um pitanguiense em apuros em Beirute

     Título original: Se explodirem o carro, não sobra ninguém da família.

    Desço no aeroporto de Beirute e já encontro a cidade paralisada. Já sabia que havia combates isolados, tinha viajado várias vezes à bela metrópole durante aquela guerra, mas nunca tinha encontrado Beirute dividida. Numa dessas vezes, tive que fazer compras em pequenos estabelecimentos de comércio onde havia seguranças armados e verdadeiras trincheiras feitas com sacos de areia. Realmente, a situação estava se deteriorando. Ao desembarcar, fico sabendo que não adianta sair do aeroporto, porque não dá para atravessar do setor muçulmano para o setor cristão. E meu destino é Baabda, no setor cristão, onde se encontra a Embaixada do Brasil.

     Penso na alternativa de voltar dali mesmo, sem sair do aeroporto e pegar o próximo voo de volta a Jeddah, Arábia Saudita. Mas não sou de desanimar fácil e, meio que espartano, penso que daria um jeito de levar a mala diplomática à Embaixada. De prêmio, na certeza de que nem tudo estava contaminado pelo ódio e que ainda havia espaço para diversão nessa Paris do Oriente, pensei que, de repente, ainda daria até pra ir jantar e ver um show no Cassino du Liban à noite.
     Conversa daqui, conversa dali, e descubro um chofer muçulmano que diz poder levar-me até a divisa com a parte cristã. Já antecipa que vai ficar mais caro que a corrida normal umas dez vezes.
     - O senhor entende, a gasolina está escassa e cara. Veja as filas. Os perigos na rua, de dia ou de noite, são enormes. Quem trabalha de táxi agora é só quem precisa mesmo. Mas é possível levar o senhor até Baabda.
     Na época, dez libras libanesas era o preço que se pagava pela corrida. Naquele dia, ultrapassava  cento e vinte libras. E pagamento adiantado.
     Topo, que remédio! Afinal, já estava ali, não ia voltar sem cumprir a missão. O taxista me leva até a divisa dos setores, com rosto tenso, meio desatento ao trânsito, parecendo mais preocupado com qualquer movimento estranho nas calçadas. Mas a cidade está praticamente vazia, barricadas aqui e ali, com seguranças armados, com cara de pitbull.
     Depois de uma série de voltas e uns quinze minutos depois, o chofer estaciona o carro em frente a um muro e chama alguém. Atrás do muro, uma casa de dois andares. Desce um senhor. É o chofer cristão. São conhecidos, cumprimentam-se. O muçulmano me entrega ao novo responsável, falam em árabe rapidamente. Parecia filme de espionagem.
     Meu  novo condutor  pede um tempo em francês e desaparece pelo portão. Escuto o barulho dos passos subindo a escada, o abrir e o fechar de uma porta. Pouco depois, descem ele, uma mulher, um menino e duas meninas.
     -  Ma famille, aponta para a mulher e as crianças. A mulher, de chale, com o rosto semi encoberto.
     Uma das crianças é um menino de uns dez anos.  Senta-se à minha direita, fico espremido entre ele e seu pai. Menos mal que o táxi é um Mercedes preto, antigo e espaçoso, mas muito bem conservado, câmbio no volante.  Atrás sentam-se as três mulheres, silenciosas e desconfiadas.
     Vê-se logo que o garoto, ao contrário delas, é falador e curioso. Fala em francês fluente, com o típico sotaque libanês, mas, como gaguejo um pouco para responder, passa imediatamente ao inglês.
     -  Você é cristão?
     Acho aquilo estranho. E ele continua, antes de escutar minha resposta:
     - Eu sou. Olha aqui.
     E mostra uma medalhinha de Nossa Senhora no pescoço, outra dependurada na base do espelho retrovisor interno e também sua identidade. Com evidente orgulho, aponta para o campo onde consta religião cristã.
     - Eu também sou, respondo.
     Satisfeito, vira-se para o pai com um sorriso largo e traduz em árabe o que eu disse. O pai também mostra satisfação.
     Até aquele momento, contive a pergunta que não queria calar. Eu pagando o táxi para aquele monte de gente, espremido no banco da frente, no meio dos dois, sendo interrogado desde o momento que o garoto sentou-se ao meu lado.
     - Seu pai sempre traz vocês todos quando faz corridas? Vocês é que pedem? É comum isso aqui?
     - Não, senhor. É só quando tem guerra aqui. É que, se acontece alguma coisa ruim, morre toda a família e não fica nenhum órfão.
     Senti um frio na espinha, procuro não demonstrar emoção. O que é que eu estava fazendo ali?
     Hoje, posso dizer que sei. Tinha 26 anos intrépidos, e não havia comunicação instantânea como agora. Até Jeddah, Arábia Saudita, as notícias do Líbano chegavam com atraso, e o desenrolar da guerra civil era impossível prever. Sabia-se por meio das conversas dos viajantes, mas tudo com um atraso de, pelo menos, um dia.
     E seguimos em direção a Baabda. No caminho, o táxi pára pra abastecer. Muita fila. O país se destroça em uma guerra civil, uma das consequências é escassez de gasolina. Facções cristãs e muçulmanas se engalfinham, há atentados todos os dias, o de hoje vingando o atentado do dia anterior. Famílias se despedaçam, porque a vingança não é pessoal, é dirigida a qualquer membro da família ou da facção agressora. Muitos morrem sem saber o motivo. Os palestinos também fazem parte do imbroglio e são alvo dos cristãos e, dizem, até dos sauditas, que veem nos palestinos uma ameaça à estabilidade de sua monarquia.
     Vamos o mais rápido possível para Baabda, peço ao taxista. Vendo o que está acontecendo e o que pode acontecer, quero entregar a nossa mala diplomática e receber a que chegou de Brasília. E, num segundo, decidi a volta naquela noite mesmo, nada de pensar em hotel, restaurante e show no Cassino du Liban daquela vez. Havia um voo no início da noite, era sair de Beirute o mais rapidamente possível.
     Começamos a subir, Baabda está no começo da subida. De repente, o táxi pára, o chofer faz uma cara séria, aperta os olhos para ver melhor. Na ladeira, vem descendo um caminhão militar apinhado de soldados vestidos com camuflados na carroceria. Quando o caminhão chega a uns cinquenta metros do táxi, salta um dos militares e vem em nossa direção, fuzil apontado para nós. Penso – é o fim. Nunca mais vou comer sopa de fubá com couve e carne moída da mamãe, terminar a gravação das histórias de minha avó, escutar piadas do papai e  beijar minha mulher e meu filhinho tão novinho. Nunca mais jogar futebol e escutar música.
     O soldado vem se aproximando, alterno a direção do olhar para a cara do menino e a do pai e, se o soldado vai mesmo atirar em nós, não quero ver. Quero morrer de olhos fechados, saber como aconteceu tudo só lá em cima, no vestibular do Paraíso, na hora da triagem, com São Pedro e seus assistentes.
     Devagarzinho, as expressões do chofer e do garoto vão se alterando, mudando da extrema tensão para um sorriso largo, que prevalece no final. O soldado, já sorridente, se aproxima e vem até a janela do carro, o chofer abre o vidro. Os dois conversam animadamente em árabe. O menino traduz quase que simultaneamente em inglês.
     - É meu primo, sobrinho do meu pai. Está avisando que temos de mudar o caminho até a sua Embaixada, porque tem minas terrestres em todo lugar.
     Respiro fundo, o coração demora uma eternidade para bater de novo normalmente. Quase tenho um infarto. Pelo menos, fomos avisados das minas.
     Depois de algumas ladeiras mais, chegamos e encontramos a Embaixada fechada. Aperto a campainha, mala diplomática na mão esquerda. O segurança, Zelon, meu conhecido, meu cicerone em todas as vezes anteriores em Beirute, espreita pela cortina, me reconhece e abre. Vejo que está tenso, não faz nenhuma brincadeira. Vai logo dizendo:
     - Amigão, estamos em alerta máximo. Esta noite vieram milicianos cristãos perguntando se a gente podia fazer o favor de emprestar o nosso terraço para atirar num campo de refugiados palestinos lá embaixo.
     - E aí?
     - Claro que não! Como a gente podia autorizar isso? Então estamos com medo de alguma  retaliação deles. O mais fácil aqui é descontentar todo mundo. E ninguém manda em ninguém agora.
     Retruco rapidamente:
     - Cara, toma aí a nossa mala. Passa a minha que tou voando. Me deu pressa agora, nada de Cassino nem restaurante desta vez.
     Pela fresta da cortina, Zenon aponta para o táxi lotado estacionado em frente:
     - E esse monte de gente?
     - O menino disse que o pai só trabalha assim, porque, se explodirem o carro não sobra ninguém da família.
     - Você é doido?
     - Sou. Mas nem tanto. Tou vazando hoje no primeiro voo para Jeddah. Abraço no Amilton.
     No caminho de volta, o mesmo transbordo. Passo de novo às mãos do chofer muçulmano e volto ao aeroporto a tempo de pegar o voo da noite. Sorte que havia lugar. Os sonhados dias de descanso na outrora linda Beirute terão de ser adiados. Mal sabia que era a última vez que houve correio diplomático para Beirute. Uma semana depois, o aeroporto foi bombardeado. A troca de malas passou a ser feita em Atenas, até o sequestro de Entebe, quando mudou para Genebra.
     O  avião parte de volta para Jeddah, Arábia Saudita, então sede das missões diplomáticas naquele país. Enquanto o avião ganhava altitude, fui pensando que a guerra civil libanesa era coisa passageira, que, de alguma maneira, as partes entrariam num acordo rapidamente. Isso foi em 1976 e  só em  1990 os conflitos, daquele tempo, seriam resolvidos.


William Santiago

Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/contos/5698575



terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dona Zulma: uma vida dedicada a educação


Na postagem de hoje homenageamos a professora Zulma Lopes Cançado, que faleceu este ano. Dona Zulma, como era conhecida, dedicou a sua vida à educação no município de Pitangui. Em 2012 tive a oportunidade de entrevistá-la para um trabalho acadêmico quando estava cursando o Mestrado. 
Abaixo, reproduzo a entrevista na íntegra. O conteúdo da entrevista nos permite conhecer um pouca da trajetória docente de Dona Zulma e, também, um pouco da história da educação em Pitangui.



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Licínio: _ A senhora poderia me informar seu nome completo e o ano de nascimento?
D.Zulma: _ Zulma Lopes Cançado e nasci em 1925.
Licínio: _ Gostaria de iniciar a entrevista, perguntando sobre sua juventude como estudante. A senhora iniciou seus estudos primários em Pitangui?
D. Zulma: _ iniciei meus estudos na Onça (a entrevistada refere-se à cidade de Onça do Pitangui, próxima à Pitangui), onde estudei até os nove anos, quando me mudei para Pitangui e passei a estudar no... Como é que é? (tentando se lembrar do nome da escola) Grupo Escolar Professor José Valadares.
Licínio: _ Foi neste Grupo Escolar que a senhora fez o Curso Normal?
D.Zulma: _ Não.
Licínio: _ Em qual escola?
D. Zulma: _ Na Escola Estadual Monsenhor Arthur de Oliveira.
Licínio: _ Ah...Onde funcionou o antigo Colégio Normal de Pitangui?
D.Zulma: _ Sim, o antigo Colégio Normal, agora mudou de nome, né?
Licínio: _ O nível de ensino do Monsenhor Arthur atendia as expectativas da senhora enquanto estudante?
D. Zulma: _ atendia! Era muito bom, sabe? Professores muito bons. Naquela época não se estudava o Inglês...estudava Francês. É...
Licínio: _ Ah... Muito bem... E o Curso Normal tinha duração de quanto tempo?
D. Zulma: _ É... dois anos de admissão e três de Curso Normal.
Licínio: ­_  A senhora ingressou no Curso Normal em que ano? A senhora se lembra?
D. Zulma? _ Em 1900... (longa pausa tentando se lembrar da data). 1939!
Licínio: _ E quando a senhora se formou?
D. Zulma:_ Em 1943.
Licínio: A senhora poderia me falar como era o Curso Normal daquela época, o curso de formação de professoras? Além do francês, quais outras disciplinas compunham a grade curricular?
D. Zulma: _ Eu estudava Pedagogia, Língua Portuguesa, Matemática, Ciências... Minha professora era a minha Tia, muito enérgica.
Licínio: _ E como ela se chamava?
D. Zulma: _ Beatriz Lopes Cançado.
Licínio: _ A senhora, então, seguiu uma tradição familiar, havia outras mulheres professoras em sua família?
D. Zulma: _ Sim... tias, primas...
Licínio: _ Desde o início de seu Curso Normal, a senhora percebeu que tinha o desejo de lecionar?
D. Zulma: _ Não. Eu não queria lecionar, meu pai me obrigou. Ele me disse: não, você estudou agora vai trabalhar, vai dar aula. Eu entrei na Escola Normal, onde comecei a lecionar, nas classes anexas, três anos depois que me formei.
Licínio: _ Ah... a senhora, então, começou a lecionar na Escola Normal, na formação de professoras? A senhora não lecionava para crianças?
D. Zulma: _ Eu lecionava para crianças, de 1ª a 4ª série, nas classes anexas, que existiam no Curso Normal. As normalistas iam a minha sala fazer acompanhamento. O estágio para se formarem também, né!?
Licínio: _ Fazer o Curso Normal foi uma escolha pessoal ou teve outras motivações?
D. Zulma: _ Não, foram meu pai e minha mãe, que naquela época davam muito valor à educação, aí nós mudamos para Pitangui, meu pai comprou esta casa. Mas nós estudávamos lá naquela casa na beirada da estrada. Você sabe qual é? Aquele casarão lá no fundo?
Licínio: _ Sei.
D. Zulma: _ Pois é, meu pai era dono de lá, onde funcionava a escola primária, nós íamos a pé, depois eu fui estudar na Escola Normal. Depois de formada fiquei três anos em casa, mas meu pai disse que eu tinha que trabalhar, dar aula, então, eu fui...comecei a lecionar nas classes anexas da Escola Normal.
Licínio: _ Então a senhora iniciou sua carreira como professora em 1946?
D. Zulma: _ É.
Licínio: _ Pois bem, então eu gostaria a partir de agora saber como foram os primeiros anos de sua carreira docente, sua carreira de professora. A senhora encontrou dificuldades para atuar como professora nos primeiros anos de trabalho?
D. Zulma: _ Não, não encontrei não.
Licínio: _ A senhora me disse que começou a trabalhar no Monsenhor Arthur. A senhora trabalhou em outra escola?
D. Zulma: _ Em 1968 eu passei para ser diretora Escola no Lavrado, a Escola Estadual Jacinto Álvares, lá eu fui diretora por 17 anos. Mas, desde quando eu trabalhava nas classes anexas, eu não me colocava como uma simples repassadora de informação, eu gostava de abrir os temas para debate. (lendo) “Eu acreditava que a educação era a base para um país melhor... o ponto de partida para qualquer nação se desenvolver”.
Licínio: _ Desde aquela época a senhora já tinha esta visão da educação?
D. Zulma: _ Sim. Eu também dei aulas de religião, todos os conteúdos eu tentava relacioná-los com a realidade, não gostava de ser uma mera passadora de conhecimento.
Licínio: _ Me fale do ambiente de trabalho, da relação entre os profissionais da educação dentro da escola.
D. Zulma: Era um ambiente ótimo, muito bom, nós éramos quatro colegas...tinha quatro classes...1º, 2º, 3º e 4º ano
Licínio: Naquela época, como era a relação da escola e a família, era uma relação próxima, ou a família era alheia à escola?
D. Zulma: Era boa, eu marcava reunião com os pais e a maioria comparecia. Eles me diziam que eu era a melhor professora da escola. As mães iam lá para saber de seus filhos...eu dizia à professoras que elas deviam manter a disciplina...eu era muito respeitada pelos alunos...quando um dava problema as professoras diziam que iriam mandar lá pra baixo...pra minha sala... Você conhece o Lipinho? Ele foi meu aluno, dava problema e eu chamava lá...ele me escutava...eu voltava com ele para a sala de mãos dadas...muitos ficaram amigos da gente. Toda sexta feira tinha culto cívico na escola, nós levavamos eles lá pra baixo, rezávamos. Depois ampliaram o grupo, o governador veio inaugurar....foi o Rondon Pacheco.
Licínio: Foi quando o grupo se tornou escola estadual?
D. Zulma: Foi... antes, em 1968, meu cunhado que foi prefeito, Antero Rocha...você conhece? Pois então...ele é que criou o grupo.
Licínio: Então, nos primeiros anos era uma escola municipal?
D. Zulma: É...ele foi...ele foi... em 1971 ele foi instalado provisoriamente naquela casa do Raimundo... depois, com o Plano Nacional de Educação construíram o grupo como está hoje. O Gustavo Capanema veio no casamento de minha sobrinha e me disse que era preciso construir escolas para educar as crianças e prometeu ao meu cunhado que ajudaria a construir um grupo novo...foi uma rapidez menino...as obras começaram em março de 1971. Quando foi em agosto de1972 vieram me entregar a chave... já tava pronto.. Ele chamava Grupo Escolar Dr. Jacinto Álvares, que era tio do meu cunhado.
Licínio: E como a população recebeu o grupo novo?
D. Zulma: Nossa Senhora...você precisava ver a alegria da população, lá era um matagal, o Lavrado... (bairro onde se localiza a Escola Estadual Jacinto Álvares) aí todo mundo começou a construir lá.
Licínio: Começaram a comprar lotes?
D. Zulma: É... era uma alegria... eu acompanhava os alunos até a suas salas e no final das aulas até a porta da escola...todos os dias! As mães me agradeciam
Licínio: É uma dedicação muito bonita, mas devia exigir muito da senhora...
D. Zulma: É... tinha muito trabalho... A Amélia Marina você conhece, trabalha na escola da Maria Helena... pois é... ela era minha professora e me dizia: a senhora recebe os meninos todos os dias, leva nas salas e não se cansa.
Licínio: O Estado valorizava os profissionais da educação em termos de salários?
D Zulma: Eu acho que o estado nunca valorizou as professoras, mas elas eram mais tranquilas...não faziam greve... a maioria só tinha o magistério. Eu mesma só fiz o magistério. A escola era superlotada, todo mundo queria por o filho lá...por causa das professoras.
Licínio: E como era seu trabalho de diretora junto às professoras?
D. Zulma: Eu fazia muita reunião...dava suporte pra elas. (confidenciando):Teve uma vez que uma professora escreveu uma palavra errada no quadro, um aluno veio me dizer que ela não sabia escrever...para não deixar a professora em má situação disse a ele que ela fez isto para testar a turma...pra saber se todo mundo estava escrevendo direitinho (sorrindo).
Licínio: Quando a Senhora se aposentou?
D. Zulma: Eu já estava muito cansada, ninguém queria que eu me aposentasse, então eu pensei não só no meu descanso, mas também em dar a oportunidade para outros trabalharem em meu lugar. Então eu fui à Divinópolis caladinha e dei entrada nos papéis e a aposentadoria saiu rapidinho. As professoras que estavam comigo lá não sabiam. Depois minha irmã me disse que minha aposentadoria tinha saído.
Licínio: Mas porque a senhora fez isto escondida? O pessoal não queria que a senhora se aposentasse não?
D. Zulma: (rindo): não, minha aposentadoria saiu no dia 12 de julho de...como é que é? De 1985. Ah, quando eu cheguei na escola e contei todo mundo veio me dizer: a senhora não podia ter feito isto não, Foi uma reclamação, uma choradeira.
Licínio: Todos gostavam da liderança da senhora lá na escola, né?
D. Zulma: Graças a Deus!
Licínio: E a senhora acompanha o cenário da educação hoje em dia? E se a senhora pudesse comparar a sua época como professora com os dias de hoje, que comparação a senhora poderia fazer?
D. Zulma: Hoje é diferente de tudo, hoje os alunos não respeitam os professores. As professoras também estão muito mal preparadas. No meu tempo o menino não saia da sala de aula. Uma vez um aluno saiu da sala de aula e bateu o sino, eu o chamei e disse que ele não poderia fazer aquilo não. Amanhã na hora da saída eu vou te chamar pra você bater o sino. Ele foi quietinho para a sala. No dia seguinte eu o chamei, ele bateu o sino, não me deu mais trabalho. Mas tinha que ter compreensão, né? Eu acompanhava tudo, hoje... parece que não tem comando nas escolas.
Licínio: A senhora quer falar mais alguma coisa a respeito de sua experiência como educadora? 
D. Zulma: Ah...eu dei aula no Mobral quando meu cunhado foi prefeito...ganhei até uma medalha de Honra ao Mérito.
D. Zulma: do início aqui em Pitangui, em 1971, até acabar.