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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os Motins em Pitangui

No início do século XVIII, grupos de bandeirantes paulistas, muitos deles com envolvimento na Guerra dos Embobas (1707-1709), iniciaram a ocupação da região centro-oeste da Comarca do Rio das Velhas. Segundo Taunay, citado emTorres:1966,

"lá se encontravam alguns dos mais notórios bandeirantes das Minas, como Jerônimo e Valentim Pedroso de Barros, Manuel Dias da Silva, Domingos Rodrigues do Prado, Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo Anhanguera, Sulpício Pedroso Xavier e muitos outros."

Estes bandeirantes haviam abandonado a região do conflito denominado Guerra dos Emboabas e se embrenharam pelo sertão do oeste, onde encontraram ouro por volta de 1709, dando início ao povoamento da região.


Mapa sobre as expedições dos bandeirantes paulistas

Desde os primeiros dias as autoridades portuguesas em Minas encontravam grandes dificuldades em manter aquela região sob a jurisdição municipal de Sabará, onde havia grande número de reinóis (portugueses). O isolamento geográfico de Pitangui permitiu o surgimento de lideranças que adotaram uma postura de enfrentamento em relação às autoridades metropolitanas. Pitangui era tida como abrigo de rebeldes e insubordinados, localidade turbolenta. É claro que esta era a visão de representantes da coroa portuguesa que não admitiam nenhuma forma de resistência ou contestação à presença das autoridades régias.

Não tardou surgir conflitos, no decorrer das primeiras décadas do século XVIII, muitos temiam percorrer a região. Em 1720, Domingos Rodrigues do Prado liderou o mais famoso e talvês sangrento motin em Pitangui, já no governo do Conde de Assumar. Segundo registros históricos, próximo ao rio São João ocorreu feroz batalha entre forças comandadas por Domingos Rodrigues do Prado e as tropas régias, com baixas entre as forças beligerantes. O líder da Revolta de Pitangui nunca foi capturado, pelo menos não existem registros oficiais sobre a sua captura.

FONTES:

CUNHA,Paulistas no "Sertão" das Gerais:os motins de Pitangui, acessado em http://www.fafich.ufmg.br/temporalidades/pdfs/1p55.pdf em 12/12/2009. TORRES, João Camilo de Oliveira. História de Minas Gerais,v.1.2ªed.,Difusão Pan-Americana do Livro, Belo Horizonte,1966.






segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Chester à moda de Minas



Como já ficou tradicional no blog, no início de cada mês postamos uma receita típica da cozinha mineira. Aproveitando as comemorações de final de ano, trazemos mais uma receita deliciosa. Siga as orientações e bom apetite, saúde, paz e prosperidade para todos.


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CHESTER À MODA DE MINAS



INGREDIENTES:
  • 1 Chester de 3 kg.
  • 3 colheres (sopa) de alho e sal
  • meio copo (tipo americano) de vinho branco suave
  • 1 copo (tipo americano) de água
  • 1 colher (café) de nóz-moscada
  • 1 colher (sopa, rasa) de ervas finas moídas
  • 200g. de azeitonas sem caroço
  • 1 cabeça de cebola fatiada
  • 3 colheres (sopa) de margarina
  • 3 litros de água
  • suco de dois limões

PARA A DECORAÇÃO:
  • folhas de alface
  • cheiro verde
  • 1 cacho de uvas rosadas
  • 20 cerejas

MATERIAL:
  • papel alumínio

COMO FAZER:

De véspera, tirar o chester da embalagem e retirar os miúdos que estão na parte interna da ave. Em seguida, para limpar bem, deixá-la de molho com trê litros de água e suco de dois limões, de um dia para o outro, na geladeira. O caldo será desprezado. No dia seguinte, três horas antes de assar a ave, colocar em um recipiente o alho, o sal, as ervas finas, o vinho branco suave, um copo de água, a nóz moscada e misturar bem.
Por último, acrescentar as azeitonas e a cebola. Misturar. Com uma faca de ponta fina, fazer 20 furos em diversas partes do chester. Com uma colher (sobremesa) regar esses furos com o caldo do tempero e preencher com as azeitonas e a cebola.
Em seguida, untar o chester com margarina. Cobrir com papel alumínio e levar ao forno por uma hora. Retirar o papel e deixar mais 30 minutos no forno, até dourar. Servir assado com farofa e decorar com alface, cheiro verde, uvas e cerejas.

FONTE:
Sabores de Minas v. 39. Suplemento do Jornal "Estado de Minas".

sábado, 5 de dezembro de 2009

Escultura de Amílcar de Castro em Pitangui

Foto: Vandeir Santos

Há uns anos atrás, quando trabalhei como professor substituto na EPAMIG, em Pitangui, me surpreendi com uma "descoberta". Em uma área em frente ao prédio central da escola havia uma escultura que pude constatar ser de autoria do grande escultor mineiro Amílcar de Castro. Na escola as pessoas ignoravam, e penso que continuam ignorando a importância daquela escultura. Dênio Caldas e Vandeir Santos estiveram na "Escola Agrícola" para conhecerem a escultura e fizeram registros fotográficos. Infelizmente, a escultura se encontra em precário estado de conservação.


Dênio diante a escultura - Foto: Vandeir Santos


"O que caracteriza um artista é ele olhar para dentro de si mesmo . Toda experiência em arte é um experimentar-se, é a experiência de si mesmo, é uma pesquisa em você mesmo. Você não pode fazer experiências com os outros. Este silêncio do olhar para dentro à procura da origem das coisas é o grande problema da arte. Procurando a origem você fica original, e não, querendo fazer uma coisa diferente. É por isso que eu acho que criar está junto com viver, que arte e vida são a mesma coisa."

Amílcar de Castro



Foto: Vandeir Santos



Conheça um pouco da história de Amílcar de Castro

Amílcar Augusto Pereira de Castro (Paraisópolis, 6 de junho de 1920Belo Horizonte, 21 de novembro de 2002) foi um escultor, artista plástico e designer gráfico brasileiro. Foi o introdutor da reforma gráfica do Jornal do Brasil nos anos 1950, que revolucionou o diagramação, e design de jornais como um todo, no Brasil.

Estabeleceu-se em Belo Horizonte em 1934 e formou-se em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1945.

Freqüentou a Escola Guignard entre 1944 e 1950, onde estudou desenho com Alberto da Veiga Guignard e escultura figurativa com Franz Weissmann. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1953, iniciando sua carreira de diagramador nas revistas Manchete e A Cigarra. Participou do Grupo Neoconcreto no Rio de Janeiro (1959-1961), e elaborou a reforma gráfica do Jornal do Brasil (1957/59). Durante os anos 60 fez a diagramação dos jornais Correio da Manhã, Última Hora, Estado de Minas, Jornal da Tarde e A Província do Pará, entre outros, além de ter trabalhado como diagramador de livros na Editora Vozes.

Após receber uma bolsa da Fundação Guggenheim e o Prêmio Viagem ao Exterior no XV Salão Nacional de Arte Moderna, em 1967, viajou para os Estados Unidos, fixando-se em Nova Jérsei. Em 1971 retornou a Belo Horizonte, dedicando-se a atividades artísticas e educacionais. Dirigiu a Fundação Escola Guignard (1974/77), onde ensinou expressão bidimensional e tridimensional. Foi professor de composição e escultura na EBA/UFMG (1979/90) e de escultura na FAOP (1979).

Amilcar de Castro é considerado pelos críticos e historiadores da arte um dos escultores construtivos mais representativos da arte brasileira contemporânea.

FONTE: WIKIPÉDIA

VISITE A PÁGINA OFICIAL SOBRE AMÍLCAR DE CASTRO CLICANDO AQUI.

Por acaso, encontrei este vídeo sobre a escultura de Amílcar de Castro na praça da Assembléia Legislativa, em Belo Horizonte. No vídeo há um depoimento de uma cidadão pitanguiense, Sávio Nunes de Freitas, então no 4º período do curso de Ciências Sociais.




Um pouco de nossa cidade


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pistas sobre a "Entrada Real" de Pitangui

Vandeir Santos, pesquisador da história de Pitangui e amigo do blog, nos apresenta um material bastante interessante sobre a "Entrada Real" de Pitangui que reproduzimos abaixo:


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A “ENTRADA REAL” DE PITANGUI

Silvio Gabriel Diniz em “Pesquisando a História de Pitangui” nos transcreve a topografia da Vila no início do séc. XIX e nos presenteia com preciosos detalhes que hoje nos permite entender como era a cidade naquele tempo. Os trechos abaixo nos mostra como se dava a entrada na Vila através da Estrada Real que partia de Sabará.

Pág. 199 “Rua de Santo Antonio Era a antiga estrada para a Vila, vindo-se do Brumado... Vinha essa terminar no Alto do Adão, onde se comunicava com a de João Cordeiro.”

Neste ponto vale lembrar o que está registrado no Livro de Guardamoria na página 19 (verso): “... a água do Ribeiro do Bromado, junto a estrada real, no açude...” (pág. 35)

Continuemos no trajeto de entrada na Vila através do 2º trecho representado pela Rua da Ponte de João Cordeiro, depois denominada de São José e atualmente chamada de Cel. João Carvalho.

Na petição que Manuel Mendes de Siqueira Bastos dirigiu ao senado em 1784 consta: ”... que ele é hoje senhor de umas casas novas, sitas na ladeira que desce para a Ponte chamada de João Cordeiro, estrada geral desta vila...” (pág. 197)

Ao descrever a Rua da Ponte de João Cordeiro, Silvio nos faz o seguinte relato: “Começava essa rua na ladeira situada entre o sobrado do Capitão Antonio Mendes da Silva e a casa de Manuel Mendes Siqueira, vindo da Rua do Pilar” (pág. 196)

A Rua do Pilar tem a seguinte descrição na pág. 204 “ Rua do Pilar – principia do largo de Santa Rita, subindo, e acaba na casa que faz esquina na rua São José.”

Se considerarmos que “A primitiva Casa da Câmara e Cadeia tinha a frente para o nascente. Ficava fronteira a Capela de Santa Rita.” (pág. 183 de PHP) e que “Seu núcleo (da vila) principal era a chamada Praça da Cadeia, onde foi levantado o Pelourinho na instalação da Vila e se construiu a primeira Casa da Câmara e Cadeia.” (pág. 179), chegamos ao ponto final da “Entrada Real” de Pitangui.

Portanto, quem quiser refazer o antigo trajeto de entrada na vila deve entrar pelo trevo do Bairro Santo Antônio, pegando a esquerda na Rua Santo Antônio, virar na 3ª a direita na Rua Coronel João Carvalho (Rua São José), percorrer cerca de 500 metros e virar a esquerda na rua Dr. Jacinto Álvares, chegando ao lado da matriz passa ser contra-mão para quem está de carro, sendo necessário contornar a igreja.A partir da esquina da matriz continuar no mesmo sentido indo até o final na esquina da Rua da Câmara com Rua Martinho Campos, onde então se localizava a Casa da Câmara e Cadeia, núcleo da Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui.