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sábado, 25 de abril de 2015

O espírito e o médium eletricista

    Além de um lugar para se cortar cabelo e fazer a barba, a barbearia do Vela, como é popularmente conhecido o Edson Martins dos Santos, é o principal centro da conversa fiada em Pitangui. Enquanto se espera pela vez de ser atendido se escuta de tudo daqueles que aguardam a vez do atendimento.  Além dos delirantes relatos dos tesouros perdidos que povoam a imaginação do Vela, a viagem na maionese dos clientes nos permite contato com todo tipo de relato.

Barbearia do Vela - Foto: Vandeir Santos

     O mais interessante que escutei fala de uma idosa pitanguiense que falecendo teve a casa reformada e alugada pelos herdeiros. Até então nada demais se não fosse o fato do inquilino ser médium, tinha a capacidade de se interagir com o além. O problema é que a falecida dona do imóvel não havia até então “encontrado a luz”, vivia a vagar pela casa importunando o atual habitante do imóvel desligando a televisão, abrindo torneiras, fechando portas e derrubando objetos. Acostumado com as coisas do outro mundo o locatário relevava os fenômenos e se limitava a rezar pela salvação da pobre alma.


     Mesmo aqueles que compreendem as razões do mundo espiritual tem seus limites e isto não era diferente com aquele inquilino. Certa noite a fantasma surtou e não satisfeita com as proezas diurnas resolveu perturbar o sono do rapaz fazendo dele montaria. Para azar dela, o atual ocupante do seu quarto talvez tenha sido ocupante de um consultório de proctologia em alguma vida passada e vendo que suas rezas não surtiram nenhum efeito em acalmar o revoltoso espírito e que o mesmo se tornava cada dia mais ousado não pensou duas vezes e emendou um “fio-terra trifásico” na alma penada. Não se sabe se foi a intensidade da corrente ou da tensão mas o curto-circuito transcendental gerado no fiofó da véia causou um clarão forte o suficiente para que ela imediatamente enxergasse o caminho do paraíso. Nunca mais voltou.

Vandeir Santos


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Um passado recente de presente



Nesta raridade compartilhada no facebook somos presenteados com belas imagens de Pitangui. Algumas cenas se destacam: o calçamento de pedras, a existência de alguns casarões que hoje não estão mais de pé, alguns personagens tradicionais da cidade, etc. Por outro lado vemos também que alguns imóveis estão hoje em melhor estado de conservação, como por exemplo a antiga Santa Casa, além de alguns que passam por um processo de restauro, como o prédio onde funcionou o museu - conquistas que vieram a partir do processo de Tombamento do Centro Histórico.  Ao final do vídeo o conterrâneo Giancarlo Scapolatempore canta Pitangui, música de sua autoria que retrata muito bem a cidade que enxergamos. Estamos buscando informações sobre a data exata do vídeo que aparenta ser da década de 1980.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Uma Virada Cultural em 50 dias (?)


Daqui a exatos cinquenta dias celebraremos uma importante data histórica: os 300 anos da Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui, instituída em 9 de junho de 1715. Portanto, inicia-se uma breve e esperada contagem regressiva. Nos últimos anos tem-se intensificado as discussões, reflexões e opiniões (a exemplo deste blog) sobre a grandiosidade desta data. Não só pelas comemorações do dia, mas principalmente por ser um momento de reafirmação e de posicionamento do Pitanguiense diante de sua história. Temos presenciado variadas iniciativas artísticas e de promoção histórico-cultural em torno dos 300 anos de Pitangui. E considerando que o conceito de Cultura é amplo, diversificado e talvez subjetivo todas estas iniciativas são válidas. Mas neste contexto é importante refletir sobre o que ficará de legado após os 300 Anos. A cultura de raiz está sendo priorizada? A tradicional música de Pitangui tem tido o espaço adequado? O que temos produzido? Teremos uma “virada cultural” nos 300 anos? Claro que é preciso pensar globalmente e agir localmente, conectando-se com as tendências do mundo, mas priorizar a nossa identidade e incentivar a produção “made in Pitangui” é essencial. As expectativas são diversas, mas independentemente do que virá, estaremos presentes vivenciando esta atmosférica quase mística em torno do tricentenário, pelas praças, pelas ruas, pelas ladeiras, pelos botecos, esquinas, salões, igrejas e ou em algum "feudo cultural" na cidade!


Neste 21 de abril, dia de afirmação do espírito libertário e por que não das tradições mineiras, (re)divulgamos o documentário Pitanguienses em Brasília, cidade que completa 55 anos hoje,  mostrando histórias, lembranças e expectativas de alguns conterrâneos - dentre eles alguns pioneiros na construção da capital - sobre este recorte histórico especial para todos nós {os 300 anos de Pitangui}.




segunda-feira, 20 de abril de 2015

Artesanato dos 300 anos

   Com uma visão empreendedora a professora Clélia Megale pensou em uma forma de contribuir com as comemorações dos 300 anos de Pitangui confeccionando em gesso miniaturas do chafariz e da igreja São Francisco que possuem fitas magnéticas para uso como imãs de geladeira. 





   Clélia já está planejando aumentar o número de opções e já encomendou moldes de outras construções religiosas da cidade. Detalhes dos modelos e valores podem ser obtidas pelo telefone 037 9999 5343.

Vandeir Santos


sábado, 18 de abril de 2015

Fatos sobre o (Prof.) Morato

                          Prof. Morato em uma matéria no Município de Pitangui.
(Imagens ilustrativa)
O que seria de nossa memória coletiva se não fosse a história oral, que contada retrata o passado, e quando registrada, divulgada, torna-se um importante registro documental. Na crônica de hoje o Paulo Miranda nos traz novos fatos sobre a vida do saudoso professor Morato.
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O ato de Morato



 Por Paulo Miranda.
O Professor Morato era, destacadamente, a sumidade mais fervilhante do corpo docente do GENEP, o meu ginásio dos anos sessenta. Mais do que ensinar História do Brasil, o Professor parecia encarná-la naquele microcosmo encastoado nas serranias da Velha Serrana.

Cabral, Joaquim José da Silva Xavier, os Andradas, o Regente Feijó, ficavam confinados aos compêndios impressos, enquanto o lente Morato, com sua voz cavernosa e retumbante, duas vezes prefeito do burgo, passeava pela História de seu amado torrão natal, incorporando-se em seus fatos e fados.

Uma de suas predileções recorrentes era falar dos nhambiquaras, os temíveis autóctones que haviam povoado a região antes de se iniciar o ciclo do ouro dos fins do século XVII. Se exibisse àquela incrédula plateia estudantil uma cicatriz qualquer, dizendo que fora duma flechada, iria ser aplaudido de pé. Mas, modesto, nada mostrava, senão a profundidade de seus conhecimentos e a vastidão de sua cabeleira.

Quando falava do incêndio da matriz antiga, ocorrido em 1914, chegava a se emocionar, travestindo se de um Sansão ao carregar aquelas imagens sacras e pedras enormes que voltariam a servir para assentar a nova e imponente matriz da Senhora do Pilar.

Durante o breve período de seu magistério que experimentei - ele logo seria chamado a dirigir a imprensa oficial do Estado, em Belo Horizonte - não me lembra ter visto uma única prova sua que tivesse retornado às mãos dos examinados, todos, todos, com louvor aprovados.

Assim, quando meu tio Antônio, semi-letrado e experimentador contumaz de todo um repertório tentativo de ofícios manuais, de tecelão a faiscador de ouro, abordou-me um dia junto a cerca de tela do quintal que separava a nossa casa da de vovó, para se apresentar como candidato ao lugar do Professor Morato, eu reagi, com perplexidade:

- Mas tio, praquilo é preciso de preparo, de diploma sobre o assunto...

Ao que ele respondeu:

- Uê, mais num é pra contá história lá pros minino? Isso eu sei tanto ou mais do que ele.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pitanguy: Três Séculos de História (Parte II)

 Fotos: Blog Daqui de Pitangui.

Prestigiando as iniciativas culturais pró Pitangui, estivemos no Museu Mineiro na última terça feira em Belo Horizonte, para conferir a exposição Pitanguy: Três Séculos de História.


Com designer arrojado o espaço de exposições temporárias do museu comportou muito bem esta mostra do rico e diversificado acervo histórico de Pitangui, abrangendo jornais, livros, fotografias e documentos sobre a 7ª Vila de Minas.
  

Além dos aspectos físicos e visuais destacamos a acolhida e a receptividade da equipe responsável pelo museu e pela exposição, fazendo com que nos sentíssemos literalmente em casa. 

Um bate papo informal sobre Pitangui.

Paulo Henrique Lobato, Léo Morato, Dênio Caldas e Vandeir Santos.

Parabenizamos aos envolvidos direta ou indiretamente por esta iniciativa que ressalta Pitangui e muito nos orgulha. lembramos que a exposição Pitanguy: Três Séculos de História continua até o próximo dia 8 de maio. Prestigie!


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Exposição Pitanguy: Três séculos de História

        Aqueles que tiveram a oportunidade de comparecer ao Museu Mineiro na noite do dia 10 de abril puderam presenciar o zelo com que a Secretaria Estadual de Cultura apresentou aos visitantes a história da Sétima Vila do Ouro das Minas Gerais na abertura da exposição Pitanguy: Três Séculos de História. O evento contou com a presença do secretário estadual de cultura Ângelo Oswaldo, do deputado federal Newton Cardoso Júnior, do secretário municipal de cultura Antônio Lemos, de escritores pitanguienses e de  outros cidadãos da Velha Serrana que vieram à Capital prestigiar este importante evento.


Espaço destinado a documentos e fotos - Foto: Vandeir Santos

Espaço destinado a reprodução de antigos jornais do município
Foto: Vandeir Santos

Pitanguienses juntos ao secretário Ângelo Oswaldo e ao deputado federal Newton Júnior
Foto: Vandeir Santos
  

    Documentos, fotos, livros e reproduções de jornais estão expostos de forma tecnicamente perfeita, proporcionando conforto e prazer aos que se fizerem presentes para conhecer um pouco da nossa história. Um trabalho a altura da importância do momento e do valor que a ocasião exige.

Cidadãos, escritores, representantes da SAP, do IHP, e do Blog daquidepitangui
presentes ao evento. Foto: Mariana Megale

A cobertura televisiva pode ser vista neste link

Vandeir Santos




segunda-feira, 13 de abril de 2015

Uma referência para os 300 anos

     Na noite da última quinta-feira, dia 09 de abril, os amantes da boa música em Belo Horizonte tiveram a oportunidade de escutar a magnífica interpretação do pitanguiense José Carlos Xavier que cantou clássicos da MPB no palco do Teatro Bradesco.

José Carlos Xavier - Foto: Vandeir Santos

     Para que não houvesse incoerência entre a qualidade das músicas, o ambiente do show e a selecionada plateia, José Carlos montou uma primorosa produção, digna de quem privilegia a verdadeira e boa cultura. O músico se apresentou ao lado do pianista Lincoln Meirelles e de seu sobrinho, o também músico, Rafael Martins Xavier.

Rafael Martins e José Carlos Xavier - A excelência cultural pitanguiense em BH
Foto: Vandeir Santos

     A apresentação serve de referência aos festejos dos 300 anos, onde até o momento se vê apenas representantes da cultura massificada. Assim como se pensa neste tipo de música é importante que se dê espaço ao MPB e principalmente aos músicos de Pitangui que estão alinhados com o que é reconhecidamente aceito como sendo músicas de boa qualidade.

Lincoln Meirelles, José Carlos Xavier e Rafael Martins
Foto: Vandeir Santos

     Uma cidade com um passado musical riquíssimo e que atualmente conta com músicos como Ricardo Nazar, José Carlos Xavier, Giancarlo Scapolatempore, Reynaldo, Trio Caldas, Sula Rachid, Mara Nazar (que não se limitam apenas a interpretar como também a compor melodias que retratam a essência da Sétima Vila) não pode deixar de prestigiar as pérolas nativas nas comemorações do seu tricentenário. Assim como a música de povão, a já reconhecida Música Popular Pitanguiense deverá ter o seu espaço garantido.

     Portanto, é de se esperar mais que simples músicas que balançam as bundas votantes neste aniversário de 300 anos, que escutemos aquilo que balança o espírito e embala a alma pitanguiense.

Vandeir Santos


sábado, 11 de abril de 2015

Na Penha

Telhado, janela e luminária.
 
Na postagem de hoje mostramos detalhes e lugares no histórico  Largo da Penha em Pitangui: capela, casario e paisagens! Fotos: Léo Morato / Blog Daqui de Pitangui.
 
 Sinos, torres e serras.

A cruz e mata do céu.

 Há capela!

 Interior.

Simetria.
 
 Arte.
 
Fé.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O ouro de Pitangui

     Ainda durante a sua primeira década de exploração, o ouro pitanguiense começou a demonstrar sinais de escassez. Não que o metal tivesse acabado, o que aconteceu foi que os bandeirantes retiraram o ouro de aluvião, o ouro que durante milhares de anos desceram das encostas e se depositaram nas várzeas e leitos de córregos. Minas como a do Batatal exigiam um processo muito complexo que demandava explosivos (na época utilizaram pólvora) e pilões movidos a água para moagem do minério.

Pepita de 2 gramas encontrada na área urbana de Onça - Foto: Vandeir Santos

     Com o fim do ouro fácil a mineração entrou em decadência o que não quer dizer que a atividade paralisou totalmente, sempre existiram pessoas que de forma informal ou não buscaram o ouro ainda escondido nas serras pitanguienses. Meu irmão se lembra do Zé da Rita que após as chuvas juntava o cascalho que havia escorrido da Penha pela atual rua Rodolfo Cecílio  e o bateava no córrego da Lavagem, conseguindo assim retirar o pó de ouro e algumas diminutas pepitas do minério.

Pequenas pepitas encontradas na estrada da caixa dágua da Copasa em Onça
Foto: Vandeir Santos

     A tradição oral e alguns relatos literários ainda mencionam a ansiedade de garotos que após as chuvas se lançavam nas enxurradas em busca de pequenas pepitas que logo se transformavam em guloseimas após a venda para o Juca Ourives. Existe o relato de que um morador da rua Martinho Campos abriu sob sua casa um espaço para a estocagem de lenha (meados do século passado) e que amontou a terra no passeio. Assim que choveu a terra foi lavada e apareceram minúsculas faíscas de ouro que fizeram a alegria da meninada.

Pepitas encontradas na área urbana de Onça. A maior pesa 4 gramas - Foto: Vandeir Santos

  A pavimentação das ruas eliminou essa possibilidade de se encontrar o ouro pitanguiense, mas em Onça e no Brumado, onde ainda existem trechos de ruas sem pavimentação, ainda é possível, com sorte, encontrar pequenas pepitas. Carlinhos, morador de Onça, é um desses “garimpeiros urbanos” que aproveita o período das chuvas para correr as enxurradas. A chuva é necessária para que a pepita seja lavada e seu amarelo se torne visível, em seu estado bruto passa despercebida com a cor da terra na qual se encontra. Em uma outra situação um morador de Onça encontrou uma pepita de 4 gramas ao capinar um terreno dentro da área urbana da cidade, situação muito rara tanto pelo tamanho da pepita quanto pelo fato de ter sido descoberta sem a pré-lavagem da terra.
     Ao andarem pelos caminhos de Pitangui fiquem atentos, de repente vocês podem pisar na sorte e nem se dar conta disso.


Vandeir Santos