Seguidores

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pitangui e as ações municipais para a Instrução Publica, no início da República

Reproduzo abaixo, um fragmento de artigo que escrevi e, que foi apresentado no VVXII Simpósio Nacional de História, promovido pela  Associação Nacional de História (ANPUH), realizado em Natal/RN, em julho de 2013. Este artigo faz parte de minha dissertação para o Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Viçosa, cujo título é "Município, tradição e modernidade: a instrução pública e os limites do projeto hegemônico republicano em Minas Gerais (1892-1907). Para desenvolver este trabalho usei como referência as ações das autoridades municipais em Pitangui, no que se refere à organização da instrução pública durante o período proposto pelo recorte temporal da pesquisa.

-------------------------------------------
Pitangui e as ações municipais para a Instrução Primária 


Mesmo diante das limitações orçamentárias para a educação podemos perceber que as municipalidades, apesar das disparidades financeiras existentes entre si, paulatinamente respondiam à convocação do Executivo mineiro no que diz respeito à promoção da instrução pública, conforme constatamos no livro de registros da Câmara Municipal de Pitangui, cidade do centro-oeste mineiro, onde também foi desenvolvida parte das pesquisas documentais para este trabalho. Nestes documentos encontramos os registros de pagamentos feitos pelo chefe do Executivo local, que despachava naquela casa legislativa, relacionados à instrução pública, como, por exemplo, o pagamento feito por guia pela “Agência Executiva Municipal”, no valor de 120$000 (Cento e vinte mil réis), efetuado em 17 de abril de 1903, ao “Senhor Cel. Américo Bahia da Rocha, proveniente de allugueis da casa onde funciona a escola de meninas [...]” (CÂMARA MUNICIPAL DE PITANGUY, 1903, p. 4). 

Para ler o artigo, na íntegra, acesse os Anais XXVII Simpósio Nacional de História através do link abaixo:


domingo, 13 de abril de 2014

O ataque das abelhas (parte 2)

Igreja de São Francisco.
Foto: Léo Morato.
 
Que nos desculpem os Santos, mas se tem algo que fazemos aqui no Blog é a mistura do sagrado com o profano, para contar sobre os fatos e histórias de Pitangui, típicos da cultura popular. O ataque das abelhas aconteceu num domingo de Ramos, no adro da Igreja de São Francisco, lá na década de 1980. O causo foi contado por aqui e saiu até no jornal Estado de Minas, mas foi apenas uma versão e hoje divulgamos mais uma. Se você ou algum conhecido estiveram presentes neste episódio, compartilhe conosco para que a história oral seja documentada.


A(s) Igreja(s) vista(s) do Beco.
Foto: Léo Morato.
 
Por William Santiago.
Amanheceu um dia lindo no Domingo de Ramos. Robinho já estava desde as 8 da manhã tomando uma cervejinha na porta da venda do Zé Vovô. A sogra sai de casa, arrumadinha, cheirando a leite de rosas, uma sombrinha no braço, o calor promete ser brabo. Está toda pronta para a procissão e a missa de Ramos na Igreja de São Francisco. Não esconde a ansiedade em rever a igreja de seu coração e de poder participar daquela fervorosa celebração da quaresma. No entanto, seu sorriso se desfaz ao ver o genro bebendo, já àquela hora da manhã.
- Robinho, é por isso que as coisas não dão certo nem pra você nem pra Mari. O casamento de vocês tá andando pra trás. Cadê a religião? Num dia desses, ela já tinha que ter te acordado e te levado pra acompanhar a procissão e assistir à missa. Nem ramo pra benzer ela apanha mais! Fico muito triste, mas Deus ainda vai trazer vocês de volta pra Deus. Tenho fé.
Ele não perde tempo pra tirar sua casquinha:
- Que isso, sogrinha. Tá tão bão aqui! Se eu fosse a senhora, sentava aqui nessa cadeira e a gente ia jogar conversa fora até na hora do almoço, tomando uma cervejinha.
A sogra nem responde. Dá-lhe as costas, sai pisando duro, com raiva do genro, vira a ponta do Beco e desce a Rua São José, rumo da Ladeira do Vinício.
Umas três horas depois, chega um táxi lotado, freia de uma vez na porta da casa da sogra. Ela sobe, amparada pelos outros passageiros do táxi, a cabeça coberta com uma toalha. Logo o alvoroço, os vizinhos todos se ajuntam em frente da casa, os mais íntimos tafuiam pela porta da frente. Cada um dá a sua versão do fato, falando todo mundo ao mesmo tempo.
Robinho, os olhos avermelhados, está sentado na mesma cadeira, na mesma mesa. De diferente no cenário é que já passou da cerveja pra pinga. Já de farol baixo, não entende nada do que está passando. Tenta firmar a vista, a cabeça dá uma vacilada, ele quase escorrega da cadeira. Mas está curioso,quer assuntar o que está havendo. Tenta levantar-se, muda de ideia, senta de novo. Na confusão que se armou, não dá pra saber. O Beco dos Canudos, que estava vazio, de repente se enche de curiosos e ninguém lhe presta atenção. Vira-se para o lado, pede socorro ao Zé Vovô.
- ÔOO Zé, qqqq que tá aa acontecendo?
- Deu um enxame de abelha na igreja do São Francisco, na hora da missa de Ramos, e ela tá toda picada. A cara inchou, tá desse tamanho,mas o médico já tá chegando.
E ele, gaguejando um pouco, se ajeitando a toda hora pra não cair da cadeira, sentencia filosoficamente:

sábado, 12 de abril de 2014

Ainda em tempo: aniversário da Escola Estadual Monsenhor Arthur de Oliveira

No último dia 31 de março, a Escola Estadual Monsenhor Arthur de Oliveira completou 94 anos de existência. No dia do aniversário eu estava fora da cidade e não pude fazer uma postagem, por falta de material.  Mas, nada melhor do que amigos, que estão sempre prontos a ajudar. Conversando com Alcyoni Rios, que trabalha na secretaria do E.E.M.A.O., via redes sociais, pedi que ela me enviasse um pequeno histórico daquele estabelecimento de ensino, o que ela fez prontamente, mas que só agora consegui postar, pois, o tempo tem sido tomado por uma série de outros afazeres.Junto com o texto produzido por Alcyone Rios apresentaremos materiais de nosso arquivo. Enfim, consegui organizar a postagem e, em nome da equipe do Blog "Daqui de Pitanguy" felicito Professores, funcionários administrativos, de serviços gerais e alunos pelo aniversário da escola. 


---------------------------------
HISTÓRICO

Entre os educandários mais antigos, tradicionais e famosos de Minas Gerais encontra-se a Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira, que desde a sua fundação em 31 de março de 1919, pelo então Vigário Padre Artur de Oliveira.




            A fundação da Escola Estadual Monsenhor Artur de Oliveira se deu sob forma de externato misto e internato masculino e recebeu o nome de Gymnásio de Pitanguy.
Em 1919, ao ginásio foi anexado o Curso Normal, passando o estabelecimento a denominar-se Escola Normal de Pitanguie em 10 de fevereiro de 1922, pelo decreto n. 6.762 a Escola Normal de Pitangui foi equiparada à Escola Normal de Belo Horizonte.



Em 1929, o estabelecimento educacional foi então reconhecido pelo Governo Estadual do Estado de Minas Gerais.
Em 31 de dezembro de 1945, o estabelecimento passou a denominar-se Escola Normal “Monsenhor Artur de Oliveira”, de acordo com o decreto n. 2181 e em 1946 foram instituídos dois tipos de ensino: o Curso Ginasial e o segundo Ciclo do Ensino Normal, de acordo com o Decreto-Lei n. 1873.



Em 11 de dezembro de 1955, o Governo Estadual, pela Lei n. 1395, criou o Curso Científico sendo que o mesmo passou a ser administrado na escola a partir do ano letivo de 1967.
Em março de 1966, o Colégio Comercial “Professora Maria Dolabela” foi oficializado e, funcionando no mesmo prédio do Ginásio Escola Normal de Pitangui, é a ele anexado sob o nome de Colégio Estadual “Monsenhor Artur de Oliveira”, para mais tarde, já em definitivo, ser chamada de Escola Estadual “Monsenhor Artur de Oliveira”.
O curso Científico, Curso de Magistério de 1º Grau e o Técnico em Contabilidade foram extintos em 1998, permanecendo o Ensino Médio Geral.


Hoje a escola oferece além do Ensino Médio e Aprofundamento de Estudos, e Ensino Médio - Educação deJovens e Adultos (EJA).

Alcyoni Rios

Veja também a postagem de Vandeir Santos sobre o aniversário do E.E.M.A.O. acessando o link abaixo:


sexta-feira, 11 de abril de 2014

O início da fotografia 3x4 em Pitangui

     Registrar a imagem de uma ou várias pessoas era um capricho ao alcance de poucos e quando surgiu era uma novidade que atraia a curiosidade de quem até então só podia se valer da habilidade de um excelente pintor para que sua imagem ficasse para a posteridade.
     A fotografia chega primeiramente nas cidades litorâneas, como uma novidade do estrangeiro e no fim do século XIX já era uma arte presente no interior brasileiro e com a popularização no início do século XX, obter uma foto já não era um privilégio dos mais abastados. Aproveitando esta acessibilidade o governo baixa o decreto nº 21.076 de de 24 de fevereiro de 1932 que criava o 5° modelo de título eleitoral que desta vez incluía a fotografia 3 x 4: 


CAPÍTULO I
DO MODO DA INSCRIÇÃO

     Art. 40. O pedido de inscrição é acompanhado: 
a)de três fotografias do alistando;
b)da prova de qualificação, quando requerida (artigo 38, § 2).

      Parágrafo único. As fotografias, com as dimensões aproximadas de três centímetros por quatro, apresentarão a imagem nítida da cabeça descoberta, tomada de frente. 

     Uma quantidade considerável destas inscrições se encontra guardada no Arquivo Público de Pitangui e ao procurar por documentos relativos a minha família me deparei com um detalhe muito interessante. Se com a evolução das técnicas fotográficas a foto 3x4 exigia um fundo neutro, uma iluminação equilibrada, e uma pose formal quebrada, quando muito, por um leve sorriso, no início praticamente não existia nenhuma regra que não fosse a existência de luz bastante para que o registro pudesse ser feito. Desta forma é possível observar que não existia nenhuma preocupação com a preparação do ambiente, provavelmente o equipamento era montado ali mesmo onde se fazia a inscrição, afinal era apenas uma foto para documento. Sendo assim, observa-se que atrás do eleitor existem pessoas conversando, lendo ou aguardando a fez de ser fotografado.
     Em algumas fotos que se desprenderam dos documentos é possível identifica-las como sendo de autoria do Jaafar, fotógrafo que atuava em Pitangui desde 1893.

Eleitora Anézia Fernandes - Arquivo Público de Pitangui

Eleitor João da Matta Rocha - Arquivo Público de Pitangui

Eleitor Vicente Teixeira Bueno - Arquivo Público de Pitangui
     
Publicidade em jornal pitanguiense - Arquivo Público de Pitangui

  Vandeir Alves dos Santos

Nos seus 300 anos as estradas e histórias de Pitangui também são Reais


     

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ao redor do templo nasceu a cidade (3ª parte)

A Matriz e as torres da Igreja de São Francisco.

Esta é a terceira parte da pesquisa histórica que aborda sobre a relação direta entre a edificação de capelas e igrejas no Ciclo do Ouro em Minas Gerais e o processo de urbanização na Capitania. Neste capítulo falaremos sobre a expansão física (fases da construção) das igrejas e da evolução social, administrativa e religiosa, realizadas por meio das irmandades leigas.
 A antiga Matriz e o cortejo religioso. Foto: autor desconhecido.
A evolução física dos templos partia do modelo da igreja de São Roque de Lisboa composto de três partes: o quadrado, o altar mor ao fundo e uma torre lateral ou central. A seguir a planta evolui ganhando as três peças fundamentais: nave, capela mor e sacristia atrás. Depois surgem os dois corredores (grandes paredes laterais) que levam à sacristia ou ao consistório colocados ao lado da capela mor. Essas peças marginais têm relação com as irmandades que necessitavam de espaço para a realização de reuniões mesárias e assembleias. Quanto ao frontispício (fachada) seguia-se o modelo de “um retângulo posto ao alto, três janelas no coro, uma porta de entrada”. Outra característica comum é que as igrejas foram construídas ao longo de muitos anos por etapas, concluídas de acordo com as possibilidades financeiras das irmandades, que viviam de doações. (SALLES, 1982, págs. 49, 50, 51).
 Igreja de São Francisco (reforma 2012). A nave e o frontispício.
Do ponto de vista religioso, administrativo e social as irmandades exerceram um papel preponderante para a igreja e para o Estado, desde o início da ocupação do solo mineiro. A Coroa Portuguesa estimulava a criação destas organizações, para que os seus integrantes custeassem a construção dos templos. Em outras regiões da Colônia, as ordens religiosas europeias como os Jesuítas, Beneditinos, Carmelitas, Franciscanos, etc. é que financiavam a construção de suas igrejas e eram proibidas de se instalar na região mineradora, no século XVIII. A vida religiosa em Minas era fortemente influenciada pelas irmandades leigas que, por meio de esmolas, realizavam obras de caridade e assistência, construíam os templos e compravam os utensílios necessários ao culto. Ou seja, de certa forma as irmandades eram um braço do Estado.

A segmentação social estendia-se à igreja, onde os primeiros colonizadores fundavam a Irmandade do Santíssimo Sacramento reunindo os “homens bons da terra” (a elite) que se encarregavam da construção da Matriz. Em seguida criava-se a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos que era composta por negros e mestiços, mas que também aceitava outros membros que geralmente exerciam funções administrativas pelo fato de saberem ler e escrever. Com a prosperidade nas Minas, outras classes e seguimentos sociais se consolidavam, originando novas irmandades e os altares laterais eram construídos nas igrejas. Mas devido às divergências e antagonismos as corporações desvinculavam-se das Matrizes e construíam suas próprias capelas, conforme relatou o historiador Fritz Teixeira de Salles (1982, pág. 49): “Desenvolve-se a mineração e nasce o grupo dos pardos, consequente das incessantes mestiçagens de renóis com escravas ou índios com brancos. Surgem, então, a irmandade dos pardos e dos pretos nativos, Amparo ou Mercês (esta de crioulos). Continua o processo de estratificação e a classe dos comerciantes (a única profissão economicamente estável) se consolida num status e nascem, então, as Ordens Terceiras, do Carmo e S. Francisco. Estávamos já então, entre 1740, 1750 ou 60”.
S. Francisco (reforma 2012). O altar mor e os corredores que levam à sacristia...

Dentro de seu campo de atuação, as irmandades contratavam artistas para a confecção dos altares de suas capelas e remuneravam sacerdotes pelas incumbências religiosas. Registros historiográficos abordam sobre a ascensão econômica de alguns eclesiásticos, que, pela função social e administrativa da igreja, também exerciam atividades comerciais. Em seu testamento, datado de 1787, o Padre Antônio Pereira Marques, português, morador da Vila de Pitangui declarou: “Deixo à Irmandade do Senhor dos Passos desta vila trinta oitavas de ouro de esmola (...)” (CATÃO, 2011, pág. 176).
Com a decadência do ouro no início do século XIX, ocorre o declínio das Ordens Terceiras e de suas capelas, ocasionando o retorno da população às Matrizes. Em Pitangui, no início do século XX, ocorreu um processo similar. Esta afirmação tem como base o artigo do arquiteto Evandro Rocha Mendes, publicado no jornal Correio de Pitanguy (outubro de 1990) sobre o pós incêndio de 1914. Mendes relatou que o processo de reconstrução da Matriz de Nossa Senhora do Pilar (1915 – 1921) em estilo eclético, dentro de um conceito modernista da época, pode ter influenciado a demolição de quatro capelas em Pitangui (possuidoras de um valioso acervo artístico) entre os anos de 1917 e 1927.

Matriz antiga. Capela do Rosário (no alto) e de N.S. da Conceição (em baixo)
 demolidas no início do séc. XX. Foto: Autor desconhecido.

Esse processo histórico demonstra que: a constituição da malha eclesiástica está diretamente relacionada com a fundação e o desenvolvimento de arraiais e vilas; que as irmandades leigas exerceram um importante papel para a organização social nas vilas setecentistas de Minas; e que a rivalidade e as disputas entre elas influenciaram os estilos de construção das igrejas e o próprio Barroco Mineiro. Em tempo de Quaresma, no ano em que o incêndio da Matriz do Pilar completou 100 anos, identificar quais eram, quais são, como atuavam e ainda atuam as irmandades existentes em Pitangui, será pauta para um próximo trabalho de pesquisa.
Semana Santa de 2011.
Texto e fotos: Leonardo Morato.
 
 
Fonte:
- SALES, Fritz Teixeira. Vila Rica do Pilar - Um Roteiro de Ouro Preto. Editora da Universidade de São Paulo / Editora Itatiaia. Belo Horizonte, 1982.
- CATÃO Leandro Pena (Org.) Pitangui Colonial – História e Memória. Editora Crisálida. Belo Horizonte, 2011.
- Jornal Correio de Pitanguy - edição de nº 83, ano IV, 2ª quinzena de outubro de 1990.
 
Links relacionados (leitura complementar):

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O registro de imigrantes em Pitangui

     Ao colaborar com a reorganização de áreas secundárias do Arquivo Público de Pitangui me deparei com um livro muito interessante. Com o fim da escravidão e com o incentivo do processo de imigração houve um aumento significativo da presença de estrangeiros no país. Com o objetivo de colocar estes imigrantes em condição de igualdade com os brasileiros o governo republicano baixou o decreto nº 58-A de 14 de dezembro de 1889 onde orientava a todas as municipalidades a obter destes estrangeiros uma declaração de opção de nacionalidade onde poderiam se declarar estrangeiros ou naturalizados brasileiros.
     São 63 declarações de pessoas oriundas de 5 nações: Portugal, Itália, Espanha, Inglaterra e Paraguai. Todos optaram pela nacionalidade de origem. A inexistência dos libaneses neste livro se deve ao fato deles terem chegado a Pitangui no início do século XX, dez anos depois do decreto.

             Decreto nº 58-A, de 14 de Dezembro de 1889

     Providencia sobre a naturalização dos estrangeiros residentes na República.
     O Governo Provisório dos Estados Unidos do Brazil, constituído pelo Exército e Armada, em nome da Nação, considerando que o inolvidável acontecimento do dia 15 de novembro de 1889, assignalando o glorioso advento da Republica Brasileira, firmou os princípios de igualdade e fraternidade que prendem os povos educados no regime da liberdade e augmentam a somma dos esforços necessários ás conquistas do progresso e civilização da humanidade, resolve decretar:
     Art. 1º São considerados cidadãos brasileiros todos os estrangeiros que já residiam no Brazil no dia 15 de novembro de 1889, salvo declaração em contrário feita perante a respectiva municipalidade, no prazo de seis mezes da publicação deste decreto.
     Art. 2º Todos os estrangeiros que tiverem residência no paiz durante dous annos, desde a data do presente decreto, serão considerados brazileiros, salvo os que se excluirem desse direito mediante a declaração de que trata o art. 1º.
     Art. 3º Os estrangeiros naturalizados por este decreto gozarão de todos os direitos civis e politicos dos cidadãos natos, podendo desempenhar todos os cargos publicos, excepto o de Chefe do Estado.
     Art. 4º A declaração a que se referem os arts.1º e 2º, será tomada perante o secretário da municipalidade ou corporação que provisoriamente a substitua, em livro especialmente destinado a tal fim, e assignada pelo declarante e pelo mesmo secretário ou representante da alludida corporação.
     Art. 5º Ficam revogadas as disposições em contrário.
Sala das sessões do Governo Provisório, 14 de dezembro de 1889, 1º da Republica.
Manoel Deodoro da Fonseca.
Aristides da Silveira Lobo.
Segue abaixo a relação dos estrangeiros:


     Na relação abaixo verifica-se que não há a declaração de opção de Braz Megale e nem de Januário Valério, italianos que já se encontravam em Pitangui na época do decreto, é provável que tendo aceitado a nacionalidade brasileira eles não se achavam na obrigação de registrar a opção.



Vandeir Santos

Nos seus 300 anos as estradas e histórias de Pitangui também são Reais

sábado, 5 de abril de 2014

Os primórdios da música pitanguiense


No livro "A música na história de Minas colonial"(1989), a autora Maria da Conceição Rezende (musicóloga da UFMG), aborda os primórdios da música em Minas Gerais. Apesar da dificuldade de fontes, Maria da Conceição apresenta informações relevantes para a compreensão da música mineira. Pitangui está presente nos relatos da autora.


A “Escola” de Pitangui

No oeste mineiro a “escola” abrange a sede de Pitangui (ex Vila de N. Sra da Piedade de Pitangui) e Itapecerica (ex Vila de Tamanduá)
É certo que os bandeirantes paulistas, partindo de Taubaté no ano de 1693, e aportados em Pitangui em 1695, procurando riquezas em solos inexplorados, miravam de longe o Morro da Esperança, Abaeté, Pium-í e o rumo de Goiás.

Seguiam o Rio São Francisco, a fim de descobrir a sua bacia e riquezas adjacentes. Sobre o Rio São Francisco escreveu o Dr. Teófilo de Almeida:
“O Jesuíta Pe. João Azpilcueta, de Navarra, que veio com Tomé de Souza, escrevendo a seu provicial, dizia em 1555: “Fomos até um rio, muito caldal, por nome Pará que, segundo os índios informaram é o Rio São Francisco”. Os índios conheciam, portanto, como Rio Pará, significado rio mar, rio grande. O nome de São Francisco é ocasionado por onomástico e o nome de Rio Pará ficou para o seu afluente. O Rio Pará, o cico, querido e caudaloso rio dos pitanguienses, tem sua origem no então Arraial de Noassa Senhora das Dores do Desterro, de Entre Rios de Minas” (Bibliografia: Dicionário Histórico e Geográfico de Waldemar de Almeida Barbosa, verbete Pitangui).

Quanto à música colonial de Pitangui, esta referência ao jesuíta Pe João Azpicueta, de Navarra, na Espanha, torna-se básica para a história dos primórdios da música em Minas Gerais; este ilustre jesuíta era músico e usava um organeto para firmar a entoação do canto que era ensinado aos “curumins” (filhos de índios) com a finalidade de entrar nos aldeamentos para a catequese. O Pe. J. Azpilcueta foi o primeiro jesuíta a pisar em Minas Gerais e foi a Companhia de Jesus que introduziu a cultura em Minas colonial.
Atualmente o acervo de música de Pitangui está na Casa do Pilar, em Ouro Preto. O Sr. Ranulfo Nunes foi um de seus guardiães.

Os Representantes

É importante lembrar que foi Sabará a sede da imensa comarca do Rio das Velhas; a Vila Real de Sabará é de 1711, sendo uma das três primeiras da Capitania. Eram-lhe agregadas: Vila de Pitangui e mais 7 entre arraiais, freguesias e a Vila de Caeté.
Enquanto “escola”, Pitangui bem afastada de Sabará, teve uma atividade musical autônoma, sendo irradiada até Itapecerica, antiga Vila do Tamanduá, em 1790, pertencente à Comarca do Rio das Mortes.
Poucas informações temos, pois em 1915 o incêndio destruiu completamente a igreja com os livros próprios.

Segundo pesquisa de F. Curt Lange sobre “A Música na Vila Real do Sabará”, encontra-se a citação “Relação dos Professores da Arte da Música”, sediados na Comarca de Sabará, que obtiveram seu ingresso na Irmandade de Santa Cecília de Vila Rica, nos anos 1816-17.

Nesta relação foram citados os seguintes músicos de Pitangui:

Caetano José Delfim
Manuel Duarte Queiroz
Francisco Ferreira Alberto
Manuel Caetano da Fonseca
Reginaldo Pereira de Barros
Domingos Antônio Pereira
Felipe Anônio Peres
Domingos Jos´-e Pinto
José Rodriguez Dominguez de Meirelles
Antônio Francisco Rodriguez
Marcos Rodrigues Sobreira
Joaquim José da Silva
José Joaquim da Silva
Joaquim José Vieira Pinto

O chefe da “escola” de Pitangui foi José Rodriguez Dominguez de Meirelles. Deste famoso compositor, chegou até nós uma pequena parcela de sua obra da qual cita-se:
- Ofício de Domingo de Ramos (1810)
- Ofício de quarta-feira santa (Zelus Domus)
- Ofício de quinta-feira santa (Astiterunt Reges)
- Ofício de Finados
- Trezena de Santo Antônio (Christium Dei Filium)
- Ária a solo “Ó lingua benedicta”
- Antífona portuguesa de Santa Rita
- Antífona de São José

A música em Pitangui - visão atual

Transcrevemos, linhas abaixo, o que escreveu em “escavações” – página 60, o Comendador Gomes da Silva: 

“Um dos característicos que mais se acentuam nos filhos de Pitangui, é o seu gênio musical.”

Raramente se encontra um pitanguiense que seja profano na arte inimitável de Carlos Gomes. E alguns dentre eles, como Soares da Silva, Major Nunes, Gomes da Silva (pai) e outros, deixam perpetuados seus nomes, cuja lembrança, melancolicamente saudosa, será de contínuo evocada pelas inebriantes e sublimes composições, que decorreram de suas penas inspiradas e cintilantes. Tinha razão Quim Antônio. Quando Pitangui era menor, e seus filhos na emigravam, a cidade era famosa de “terra da boa música”. Porém, a verdadeira música, a clássica, despontou entre nossos antepassados com os gênios privilegiados e artísticos de José Soares da Silva e José Nunes de Carvalho. Este e seu irmão Joaquim Nunes de Carvalho (Quim Nunes), vieram, ainda jovens, de Mateus Leme e aqui constituíram família. Já o povo  não cansava de repetir o aforismo: “Filho de Nunes já nasce músico”. Advogados provectos e maestros consumados, José Soares e José Nunes tiveram seus nomes aureolados de glória. Suas composições clássicas alcançaram ressonância no Brasil e no velho mundo ultramarino.

Fonte: REZENDE, Maria Conceição. A música na história de Minas – Belo Horizonte, Itatiaia, Brasília, DF : INL, 1989.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ta nervoso? Vá pescar! - Campeonato Brasileiro de Pesca em Água Doce

          Nos dias 5 e 6 de abril terá lugar no Restaurante e Pousada do Avelino, BR 352, Km 453 (ao lado da ponte sobre o rio Pará) o campeonato brasileiro de pesca em água doce. O evento é promovido pelo Clube Xingu de Pesca, Federação de Pesca e Atividades Subaquáticas e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Pitangui. A prova consta no calendário anual da Confederação Brasileira de Pesca.



O telefone para contato é (37) 9979 6510/ 3258 0102/ 3271 1879
GPS: 19°30'28.4"S 45°00'01.5"W-19.507886, -45.000419

Inscrições: http://clubexingudepesca.wix.com/index#!evento-2014/cnzy

Vandeir Santos

domingo, 30 de março de 2014

Projeto: Pitanguy Agora São Outros 300

     Idealizado pela advogada pitanguiense Judith Aurora Gonçalves Viegas o projeto é desenvolvido pela Sociedade Filhos Tricentenários, grupo da sociedade civil formado por pitanguienses com residência em Pitangui e outras localidades, bem como pessoas da região que se interessem em contribuir com serviços, informações, manifestações culturais e artísticas que enriqueçam e agreguem valor as comemorações populares dos 300 anos da elevação a vila da Sétima Vila do Ouro de Minas Gerais, ocorrida em 1715.

      A comissão organizadora é formada por Judith Viegas, pelo advogado e pesquisador da história de Pitangui Marcos Antônio  de Faria (Barrica); pela diretora do Instituto Esther Valério, Maria José Valério Calderaro Teixeira; pela professora universitária Adelan Maria Brandão; pelo tecnólogo e pesquisador da história de Pitangui Vandeir Alves dos Santos  e pelo advogado Paulo Roberto Lobato.


Logo do projeto desenvolvida pelo web-designer Luis Cláudio e reformulada pelo analista de sistemas Saulo Faria


     O projeto tem por finalidade preparar parcela da população por meio da rede de educação formal da cidade e município, bem como promover ocupação das praças da cidade com eventos culturais, proporcionando conhecimento, integração e participação nos acontecimentos comemorativos dos 300 anos de pitangui.

     O projeto já se encontra registrado em cartório e o primeiro evento está marcado para o mês de junho de 2014 na Pousada Monsenhor Vicente, praça Getúlio Vargas, 12, sede provisória do projeto, onde qualquer cidadão poderá se inscrever como voluntário na organização do aniversário de 300 anos de Pitangui. Contato: 37 3271 4949 e 37 9971 0724. E-mail: contato@pousadamonsenhorvicente.com.br e pitanguioutros300@gmail.com

Vandeir Alves dos Santos

Nos seus 300 anos as estradas e histórias de Pitangui também são Reais