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segunda-feira, 2 de março de 2015

Pensando o Turismo nos 300 Anos de Pitangui


A atividade turística é um grande conjunto de serviços e de ações que envolvem o planejamento e a organização das viagens, abrangendo os meios de transporte, as opções de alimentação, de hospedagem e as diversas formas de lazer, colocadas à disposição do visitante.
Na busca por entretenimento e ou aquisição de conhecimentos, o turista realiza compras, interage com a população, tornando-se um consumidor dos serviços e da cultura local, contribuindo positivamente com a economia do núcleo receptor. Portanto, o desenvolvimento de infraestruturas, de meios de planejamento e prestação de serviço, deve se aprimorar constantemente para acompanhar a evolução deste mercado.
Antenado com este importante recorte histórico - Os 300 Anos de Pitangui - e engajado nas causas culturais da cidade, o Blog Daqui de Pitangui apresenta abaixo o escopo de um projeto cultural e turístico de integração regional Pitangui – Pompéu. A proposta a ser desenvolvida em médio prazo, visa valorizar e divulgar o potencial histórico da região constituindo um micro circuito turístico.
Entendemos que esta proposta inicial está em conformidade com os trabalhos das Comissões dos 300 Anos, instituídas pela Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Pitangui, pois abrange não só o âmbito da História, mas também das Tradições, do Folclore, das Riquezas, das Comunidades Rurais, das Belas Artes, da Religiosidade e poderá ser desenvolvida juntamente com os Conselhos Municipais de Cultura, de Turismo, com o Instituto Cultural Joaquina do Pompéu e outras entidades afins às duas cidades e aos 300 anos da Sétima Vila do Ouro das Minas Gerais.
 Leonardo Morato - Turismólogo.
Clique na imagem para ampliá-la.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

O Centenário da Vó Paulina



Além dos 300 anos da instituição da Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui, a família Silva tem mais uma importante motivo para celebrar neste ano de 2015. Hoje a mãe, a avó, a bisavó, a tetravó Paulina da Conceição Marciano completaria 100 anos de existência.

Vó Paulina & Vô Wilson com os filhos Nazareno, Margarida, M. Raimunda e Nazaret.

Nascida em 28/2/1914 e falecida em 01/12/1972 a matriarca da família Silva, gerou 12 filhos (um deles faleceu recém-nascido), que originaram 29 netos, 38 bisnetos e 6 tetranetos, até agora, além de várias noras e genros. Portanto, neste dia 28/2/2015 aos 300 anos de Pitangui, a família está reunida em oração e com os corações em festa para lembrar a memória da Vó Paulina.

Vô Wilson & Vó Paulina.

Só os netos mais velhos é que tiveram o privilégio de conhecê-la, já que Paulina faleceu precocemente aos 58 anos. Mas pelo que escutamos e presenciamos de nossas mães, tios e tias a vó Paulina foi companheira fiel, prestativa e comprometida com o vô Wilson e com a família, deixando um legado de amor, simplicidade, união e ternura.


Vó Paulina.

Particularmente não a conheci nesta vida, apenas sinto a sua presença espiritual, então não vou ter muita coisa para contar, aliás, caiu um cisco no meu olho agora (coisa estranha né) então vou encerrando por aqui. Afinal, hoje é de festa, de comemorar o 1º Centenário de Paulina Marciano, com uma Missa solene às 10 horas da manhã na Capela da Penha. 

Fotos: álbum da Família Silva.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Tímido Zé, ou time do Zé?

Sô Zé Emídio de Castro.
Foto: Léo Morato 9/6/10.

Uma cidade não feita de só por suas ruas, praças, comércios e prédios públicos. Ela é feita sobre tudo por sua gente, seus costumes, suas histórias. E por falar nisso, quem não tem uma boa lembrança sobre a convivência com o Sr. Zé Emídio em uma das várias facetas deste cidadão de bem? Seja no futebol, na escola, na religião, no convívio social o Sô Zé sempre foi uma boa referência, principalmente para os mais jovens. Nesta postagem apresentamos mais uma crônica pitanguiense, que hoje aborda sobre o Zé Emídio.

 Clube Atlético Pitanguiense. Década de 1950.
Em pé: Sô Zé Emídio, Verinho, Lindolfo Giriza, Hermes, Arésio Palica, Sabará e Múcio do Cardoso.
Agachados: Cate do Ildefonso, Silas, Divino, Messias e Tarcísio Palica.

Por Paulo Miranda.

Não conheci menino de minha Velha Serrana que não enchesse a boca ao confessar seu sonho de jogar no time do Zé. O Zé, e esta abreviação bastava, eram muitos, mas o que se bastava, e contava, era o José Emídio de Castro, que acabava ficando mais sonoro como Zé Emílio, ou Zeemilho. E olhando bem essa forma final e cabal, me dou conta agora que parece até um nome holandês, daqueles do futebol-carrossel que encantou o mundo nos anos setenta, Jesus Cruyif! Tiraram o Brasil da reta e do treta com um show de bola na semifinal da Copa de 1974, apesar do nosso loirinho Marinho, que até apanhou do Leão, nada mansinho.

Então, vamos de Zeemilho. Um biafro, baixim, jeito de arrogante e puxa saco dos ricos. Podia-se falar, pensar ou cochichar o que se quisesse, mas o Zé era um laborioso, um virtuoso, um vitorioso, um ídolo, um pai - ou um tio, vai.

Seu time tinha mais branquinhos e mauricinhos, é verdade. Treinavam no campo do Atlético, o time da elite da cidade, o que no entanto, não impedia a ascensão de meninos da periferia ou de variada etnia. Contudo era mais por capricho, ressentimento ou impotência que se criticava o Seu Zé. Que ele se consolasse com o Zagallo, o Telê e até com o Rinus Michel, que tiveram também os seus dias aziagos.

E vitória em cima de vitória, de exibições de gala iam comemorando os meninos do Zeemilho. Havia uma constelação deles, uma geração se sucedendo a outra. Eu peguei o tempo do Tiãozinho, um Maradona antes do Dieguito, o Matosinhos, o Ivan, mais terrível que o Tostão do IAPI, o Derlúcio, um digno sucessor nacional pra Obdulio Varela... e muitos outros. E isso sem contar os que já haviam subido pro time titular do Atlético, ou só pras arquibancadas, pra agora ver a juventude de bola cheia.

Não nego que tentei lá minha sorte, abandonando temporariamente as peladas rueiras, botando chuteiras pra ver se embicava naquelas aclamadas fileiras. Mas não deu, apesar do esforço meu. Precisava classe, algo mais. E uma das poucas alegrias que experimentei com o Zeemilho de testemuha foi um jogo-treino em que meu time, já formado de dissidentes e de descrentes, fez um gol no time dele. E de cobrança de falta de meu pé direito. Vivi um carnaval, estava vingado e ainda arrastei mala. Por uns quinze minutos, se muito, entretanto.

Logo o seu Zé reorganizou o time, botou um reforço, justamente o Bis, meu ex-colega de grupo escolar, e pronto: com pouco tava liquidada a fatura, em favor deles: 2 a 1. Mas como aqueles quinze minutos valeram e me lavaram a alma naquele piso onde a poeira costumava chegar às canelas, e se afundar nelas.

Mas uma coisa aprendi com o Zé: como dar passes direcionados com o mínimo de erro. E lá o vejo, de botinas surradas, usando o lado interno do pé, sem que barro ou poeira interfiram na direção do chute. Simples, não? Ele gritaria com sua voz um tanto esganiçada, mas atenta, e mais atenta, a molecada.

E não sei como o Zé ainda achava tanto tempo para dar oito horas diárias na fábrica de tecidos, frequentar igreja e movimentos paroquiais de orientação de jovens, monitorar retiros espirituais, viajar nos fins de semana com seu esquadrão de ouro, parar no meio da rua para ouvir uma piada ou puxar uma orelha, cuidar da família que crescia a cada dia, atender curso noturno até se formar no colegial - e vai ver até que, no recreio, ainda querer fazer peru, comigo no meio.
Publicado originalmente em: http://www.recantodasletras.com.br/homenagens/5110403

 
                               
https://www.youtube.com/watch?v=HRTKFlONFLg

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

De lá do Batatal

Paisagens de Pitangui.
Fotos: Léo Morato / Dênio Caldas.

Nas imagens de hoje mostramos mais um ângulo da cidade, com destaque para os imponentes Casarão da Tangará e a Igreja de São Francisco de Assis.


Os tons de azul, branco e cinza deram um colorido diferenciado ao cenário pitanguiense naquele início de tarde no domingo de carnaval.

Os bastidores das fotos: os clicks foram feitos na descida do Morro do Batatal (durante os preparativos da Lavagem do Bandeirante) na Penha num bate papo com o parceiro Dênio Caldas que falou: "Olha esse ângulo, esta é a Pitangui que eu vejo"!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Os 300 de Pitangui



E por falar nos 300 anos de Pitangui, foram nomeadas Comissões para o desenvolvimento dos trabalhos históricos, culturais e sociais afins. Em janeiro noticiamos o evento promovido pela Comissão da Religiosidade, que abriu oficialmente os trabalhos do tricentenário. Na postagem de hoje divulgamos um vídeo sobre o evento, produzido pelo Renato Miranda, com a participação do Paulo Miranda, que tem sido frequente aqui no Blog Daqui de Pitangui. O documentário além de resumir fielmente o que foi a celebração constitui-se como um documento histórico para as futuras gerações. Viva a produção cultural made in Pitangui! 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A 6ª Lavagem do Bandeirante

Quarta feira de Cinzas no país. Depois de alguns dias curtindo o carnaval e olhando a cidade por trás das câmeras, estamos de volta para contar um pouco sobre a 6ª Lavagem do Bandeirante. Se tivesse que resumir em uma frase o evento deste ano, no tricentenário de Pitangui diríamos: Teve muito "bão"!
Para quem não conhece esta festa popular daqui de Pitangui, a Lavagem do Bandeirante, foi idealizada há seis anos pelo Vandeir Santos (pesquisador da história de Pitangui) e sob coordenação da equipe deste Blog, é realizada desde 2010 com o apoio e a participação de muitos. A proposta do evento é resgatar o carnaval de rua, promover uma atividade cultural com ênfase nas origens históricas de Pitangui, considerando que esta 7ª Vila do Ouro de Minas Gerais foi descoberta e povoada por bandeirantes paulistas, na primeira década do século XVIII. Ou seja, lavar a estátua do bandeirante é dar um banho na história de Pitangui!

A Lavagem vem se tornando tradicional no carnaval de Pitangui como um evento lúdico, cultural e acima de tudo bastante democrático haja vista a participação de pessoas de diversas idades, cores, crenças e classes sociais. Este ano o caminhão pipa não participou da festa e a novidade foi a utilização de uma mangueira acoplada a um chuveiro para dar banho no bandeirante com pouca água, em razão da seca.


A exemplo dos anos anteriores a festa aconteceu num clima de alegria, descontração e amizade e nenhum incidente foi identificado. Visando aprimorar as próximas edições deixamos o e-mail: daquidepitangui@gmail.com à disposição de quem queira apresentar propostas, sugestões e parcerias que contribuam para o planejamento e a realização da Lavagem do Bandeirante 2016.


Pela atuação voluntária e sem fins lucrativos deste Blog, a participação de colaboradores culturais, formadores de opinião e do público em geral é imprescindível para a realização do evento, portanto deixamos aqui o nosso muito obrigado a vocês que apoiaram e participaram de mais uma edição!

Apoio Cultural: Loja da Magá; Restaurante Varandão; Ótica Perfect (BH); Pitanguienses em Brasília; Quatri Comunicação; Célio Leiteiro; Alexandre, Neilvaldo e João de Barros; Cachaça Souza Paiol; Dep. Federal Newton Cardoso Jr.; Marcílio Valadares, Antônio Lemos (Prefeitura e Secret. de Cultura).


Apoio social: Lira Musical Viriato Bahia; Marco Antônio (Barrica); Jornalistas Ricardo Welbert, Paulo Henrique Lobato, jornal O Independente; fotógrafos Ricardo Caldas, Zé Alexandre e Vicente Oliveira. Radialistas Tina Barcelos e Acir Antão (Itatiaia).
Fotos: Blog Daqui de Pitangui.

Saiba mais sobre a Lavagem do Bandeirante em: https://www.facebook.com/lavagemdobandeirante?ref=aymt_homepage_panel

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Pitangui será homenageada no carnaval de Belo Horizonte

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Canto da Alvorada, homenageará Pitangui na passarela do carnaval de Belo Horizonte. Com o enredo "300 anos do Pays do Pitanguy", a Escola será a primeira a desfilar na terça feira de carnaval, às 20:00 hs, na Avenida Afonso Pena. Numa breve conversa com a diretora da Escola, Maria Elisa, ela nos relatou que os 300 anos de Pitangui pesou na escolha do enredo, pela importância da história da nossa cidade no cenário nacional. Segue abaixo um vídeo da entrevista da diretoria da Escola, no programa do Acir Antão da Rádio Itatiaia, no final de semana em que foi definido o enredo da Escola.



Vídeo: Dênio Caldas.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Carnaval dos 300 Anos

A Prefeitura Municipal de Pitangui informa que irá disponibilizar ônibus saindo do centro da cidade até o Parque de Exposições (local do evento), com saídas a partir das 21:30 horas e a entrada é franca (fonte: Prefeitura Municipal/facebook).

A programação do Carnaval de 2015 - Pitangui 300 Anos está bastante diversificada e promete casa cheia. Confira as opções da festa do Rei Momo em Pitangui e alguns serviços. Para saber sobre a disponibilidade de vagas nos hotéis e pousadas da cidade, acesse os links no final desta página. Venha se divertir e curtir um carnaval de paz a alegria, sem esquecer de economizar a água.








A Lavagem do Bandeirante acontece no bairro da Penha no domingo de carnaval à partir das 15 horas. O evento é uma realização do Blog Daqui de Pitangui, com o objetivo de promover o resgate do carnaval de rua, valorizando as tradições históricas e culturais da cidade. Para saber mais acesse o marcador de postagem Lavagem do Bandeirante e curta a nossa página no facebook:  https://www.facebook.com/lavagemdobandeirante


A SAP informa que no dia 17/02, terça- feira de carnaval, Pitangui será homenageada pelos seus 300 anos pela Escola de Samba Canto da Alvorada com o samba enredo "Os 300 anos do Pays do Pitanguy", desfilando no carnaval de BH, na avenida Afonso Pena, às 20:00h. Será a primeira Escola a entrar na avenida. Todos estão convidados a participarem!

OBS: a programação informada foi obtida nas redes sociais e está aberta para a inclusão e divulgação de outros eventos e serviços referentes a este carnaval. Deixe um comentário na postagem e ou envie um e-mail para daquidepitangui@gmail.com Bom carnaval!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

" Grupo Escoteiro Padre Belchior"

Na postagem de hoje apresentamos matéria publicada no jornal "Correio de Pitanguy", na segunda quinzena de outubro, de 1987, a respeito da criação do "Grupo Escoteiro Padre Belchior", em Pitangui, por iniciativa do Tenente Praxedes, da polícia militar, então lotado na cidade. Clique na imagem abaixo para ampliá-la e saber mais detalhes sobre os precursores do escotismo em Pitangui. 
Pensamos ser importante divulgar as ideias do escotismo, no momento em que um novo grupo está prestes a ser formado na cidade e merece o nosso apoio.





Para saber mais sobre a história do escotismo clique na imagem abaixo:


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A Rua do Alto

Rua Velho da Taipa.
Data e autor desconhecidos.
 
Seguindo a temática das ruas de Pitangui, publicamos mais uma crônica do Paulo Miranda, que comunga conosco sobre a importância de se registrar a história oral para a preservação da memória coletiva de Pitangui. E sobre este logradouro o Bocão já dizia (cantava): “Quem vem aqui neste alto, guarda saudades daqui. É a parte mais alegre neste nosso Pitangui. Vive, sorri e diverte-se com gente daqui e dali. Cantemos com saudade agora dos que se foram e ficaram para a história”. 
 
Estabelecimento na Rua Velho da Taipa.
Foto: Léo Morato - junho de 2014.
 
A Rua do Alto

Por Paulo Miranda.
 
Embora já nomeada e emplacada por ato solene da edilidade municipal da Velha Serrana, a rua Velho da Taipa continuava a ser tratada com mais familiaridade de rua do Alto. E não sem um bom par de razões: o povo não fora consultado e o município já tinha um distrito inteiro com esse nome, dotado até de estação ferroviária, às margens nada plácidas do caudaloso Rio Pará. E já bastava de homenagem ao Velho da Taipa, aquela figura quase mitológica em que se buscava converter um velho e sua taipa.

E como ficava no ponto mais alto da cidade, justamente a orlar a sua entrada - para quem viesse de Beagá - rua do Alto continuou sendo, e será. Com seu comércio de periferia, e casinhas a riviria, a rua se estendia, por quase um quilômetro eu diria, ou por meia milha, melhor conhecedor dela aduziria.

E dela, da rua do Alto, saiam as muitas artérias que levavam ao eixo mais central, ainda que descambado e descalibrado, daquele burgo que já fora em poesia e prosa cantado: a rua Nova, a São José, a da Paciência - esta última, calçada de pés-de-moleque a realçar sua colonial imponência. E havia também a rua do meretrício, logo ali naquele início de cidade pra mostrar que também o vício é de idade incerta, e de certa solenidade.

Contudo, a não ser a visita a algum parente distante, no sangue e no espaço, ou a um passeio bissexto, pouca gente se animava a sair de seu meio e bater pernas na rua do Alto. Comprar carne no açougue do Iracy - só pra ver o mostrador daquele relógio despertador cujo ponteiro estilizado era desenhado feito a perna de um jogador - do Flamengo! - com uma bolinha na ponta a fazer embaixadas até perder a conta? Ou tomar uma pinga com ristilo e estilo no bararmazém do Remundão, com a desculpa de comprar uma rapadura? Ou comprar pão quase artesanal do Zé do Santo? Nem portanto...

E no entanto, vez ou outra, por lá passei, e por que razões bem já nem sei. Cena que me chamava atenção então era ver emergir, dum lote vago, com uma casinha no fundo, quase suave, Maria-Ave, aquele homem com uma enorme cabeça, que por detrás de um tronco de árvore seca se escondia, tão logo o contato ocular do eventual transeunte num ajunte com seu dono se fazia, ele que na verdade não resistia espiar quem pela sua rua passasse, ele que, disforme, de casa sair nem podia. Na certa temia a caçoada, o assédio à sua figura mas, obstinado, o coitado, queria só ver a gente - e por detrás do toco, pra provar que não era louco. Nem um pouco.