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domingo, 4 de outubro de 2009

O Morro do Batatal

Morro do Batatal. Foto: Léo Morato

Uma das grandes dificuldades de Dom Braz Baltazar da Silveira - Governador da Capitania de Minas Gerais, empossado em 21 de setembro de 1713 - na implantacão da ordem nos dias turbulentos da aurora de Minas Gerais provinha da situação de Pitangui, reduto de paulistas emigrados dos distritos assolados pela Guerra dos Emboabas. Lá se encontravam alguns dos mais notórios bandeirantes das Minas, como Domingos Rodrigues do Prado, Bartolomeu Bueno de Siqueira e muitos outros. Haviam descoberto jazigos auríferos, vários dos quais muito ricos, como o do Batatal e feito saber aos renóis e forasteiros que lhes não permitiam a presença por lá, ameaçando-os das maiores violências. Durante muito tempo os paulistas se mantiveram em Pitangui, fazendo novas descobertas e crescendo de forças. E por outro lado conflitos surgiam, ora com outros descobridores, ora com autoridades (contra o pagamento do quinto do ouro), culminando em uma verdadeira batalha, em janeiro de 1720 às margens do Rio São João.

A descida do Morro. Foto: Licínio Filho

O ouro começou a ser descoberto quando Portugal assinou o Tratado de Methuen, em 1703, com a Inglaterra, garantindo uma série de privilégios aos comerciantes britânicos. Portugal abria seu próprio mercado e o de suas colônias, às manufaturas britânicas (e o pagamento era feito com ouro do Brasil). Calcula-se que Inglaterra e Holanda (campeãs do contrabando do ouro) apossaram-se por meios lícitos e ilícitos de mais da metade do ouro referente ao “quinto real”, que Portugal deveria receber do Brasil, naquela época.
Foto: Léo Morato

Durante mais de cem anos, pelo interior mineiro e pelos caminhos que ligavam o sertão ao litoral (Estrada Real), escoaram riquezas e circularam milhares de pessoas. Entre 1740 e 1750, saía das minas brasileiras mais da metade do ouro produzido no mundo. Esse ouro criou fortunas na Europa e financiou a Revolução Industrial, que transformou a história da humanidade.
Texto adaptado das seguintes fontes: TORRES, João Camilo de Oliveira. História de Minas Gerais. Vol. 1. Pág. 141, 142, 143 e 163. 2ª ed. Belo Horizonte. Difusão Pan – Americana do Livro. 1962. // GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. Pág 66 e 67. 37ª ed. São Paulo. Editora Paz e Terra. 1996. // Revista Cidades Históricas do Sudeste. Pág. 18 – complemento do Jornal do Brasil de 29/10/2000.


Festa do Bambeia 2009. Foto: Léo Morato

Com base no texto e em outros fatos, é fácil constatarmos a importante participação de Pitangui na história do Brasil e identificarmos a representatividade do Morro do Batatal. É preciso e possível “resgatar o nosso ouro” por meio da preservação das tradições pitanguienses e do incentivo ao turismo histórico cultural, que pode gerar novos empregos e renda na cidade. Em julho deste ano, houve a brilhante iniciativa do resgate da “Festa do Bambeia”, subindo o Batatal em homenagem a Santo Antônio da Penha, um evento que não acontecia há 10 anos. Entretanto, para que haja a constante valorização desse nosso patrimônio, é necessário realizar mais ações do gênero e direcionar investimentos em infra-estrtutura. Uma boa notícia é que, segundo o Departamento de Cultura da Prefeitura de Pitangui, existe um projeto de Sinalização Turística em andamento, elaborado em parceira com a Associação das Cidades Históricas de Minas, pleiteando recursos junto ao Ministério do Turismo.
Bairro da Penha. Estátua em homenagem aos Bandeirantes.
Foto: Licínio Filho

Acredito que o caminho é esse: iniciativas da soci
edade pitanguiense e investimento público em prol de Pitangui. Pois valorizando e investindo em nosso patrimônio cultural, quem sabe em um futuro próximo, com a soma de esforços, possamos alcançar o reconhecimento que Pitangui merece?!

4 comentários:

  1. Oi Léo,
    bela postagem com um suporte historiográfico bacana. Tomei a liberdade de dar uma clareada na foto da festa do "Bambeia".
    Abração.

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  2. Isso aí Licínio!É sempre bom falar da importância histórica da nossa terra. Até +.

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  3. Muito boa esta postagem sobre o Morro do Batatal!
    Texto de leitura agradável, mostrando as raízes da sétima vila do ouro.
    Sou de Juiz de Fora e quando visitei a cidade, em setembro de 2012, ouvi de um morador que o nome do morro se deve ao fato de que as primeiras pepitas de ouro encontradas na área eram tantas e tão grandes que pareciam batatas. Isso é verdade ou mais uma “lenda histórica urbana”?

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  4. Prezado Sylvio, esta versão procede sim. Em breve faremos novas postagens abordando sobre as minas do Batatal que compreende uma grande área anexa ao morro. Nestes tempos de Ctrl C Ctrl V, continuamos enveredados nas trincheiras da pesquisa histórica para valorizar as raízes de Pitangui. Obrigado pela visita.

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