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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A capoeira de Pitangui

A roda na estação cultural.
Fotos: Léo Morato

O 20 de novembro é comemorado no Brasil como o Dia da Consciência Negra. A data representa a inserção do negro na sociedade e nos chama à reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da identidade nacional. Foi estabelecida em homenagem a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares que morreu em 20 novembro de 1695. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também uma forma coletiva de manutenção da cultura africana no Brasil.


Os berimbaus: Gunga, médio e viola.

Como forma de celebrar esta importante data, falamos sobre a capoeira de Pitangui, que teve início na cidade há cerca de 18 anos quando foi trazida pelo “Naldinho” que começou a ensinar a arte no bairro do São Francisco. Hoje a capoeira é representada pelo Grupo Abadá, sob direção dos irmãos Ronaldo e Léo. Cerca de 100 pessoas (entre crianças, jovens e adultos) praticam a capoeira que pode ser considerada arte, dança, luta, esporte, educação e cultura.

Os professores Ronaldo e Léo.
A capoeira que está inserida nos projetos do CRAS – Centro de Referência de Assitência Social, procura ensinar valores como cidadania, consciência ambiental, respeito ao próximo, disciplina, contribuindo para a formação das crianças em situação de vulnerabilidade social. O grupo está estendendo as atividades a algumas comunidades rurais e além das rodas de capoeira, promove eventos como caminhadas ecológicas, campanhas de concientização ambiental e trabalhos socias.

A capoeira na praça.

Um pouco de história:
A capoeira começa no século XVI, quando o Brasil era colônia de Portugal. E a mão-de-obra escrava era muito utilizada, principalmente nos engenhos de açúcar. Os africanos perceberam a necessidade de desenvolver formas de proteção contra a violência e repressão dos colonizadores senhores de terra e dos capitães-do-mato.

A dança nos terreiros das fazendas.

Como eram proibidos de praticar qualquer tipo de luta, desenvolveram a capoeira misturando o ritmo e os movimentos de suas danças com a luta. Surgia assim a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança, que foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos. A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas e tinha como funções principais à manutenção da cultura e o alívio do estresse do trabalho. As lutas ocorriam também em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira, daí surgiu o nome.
O jogo da Capoeira é acompanhado por instrumentos musicais, comandados pela figura máxima do berimbau, o qual dá o tom e comanda o ritmo para a execução das cantigas, é ele que comanda o toque a ser executado. A capoeira apresenta diversos toques que são executados de acordo com a ocasião. De 1865 a 1870 acontece a guerra do Paraguay, onde muitos capoeiras foram enviados para a frente de batalha e voltaram como heróis pelo sangue frio e astúcia que demonstraram nos campos de batalha.


Raízes da capoeira.

Até o ano de 1930, a capoeira ficou proibida no Brasil, pois era vista como uma prática violenta e subversiva. Em 1930 o mestre Bimba, apresentou a luta para o então presidente Getúlio Vargas que gostou da arte e a legalizou. Bimba “tirou” a capoeira das ruas e a colocou nas academias, onde os ensinamentos foram aprimorados e a capoeira começou a ser vista e praticada por pessoas de outras camadas socias. Em 1973 é reconhecida oficialmente como esporte nacional. Daí em diante não pára de crescer e se expandir adquirindo cada vez mais adeptos no Brasil e em todo o mundo. A capoeira tem dois estilos básicos o Angola (jogo lento no chão) do mestre Pastinha e o regional (jogo mais rápido) do mestre bimba. Atualmente o estilo contemporâneo une a Angola e Regional.


A capoeira na década de 30.

2 comentários:

  1. Léo, a capoeira é uma grande manifestação da cultura afro-brasileira e em Pitangui tem vários adéptos.Desejo que em todos os dias do ano o povo brasileiro lembre-se de nosso caráter mestiço, que o racismo e qualquer outra forma de preconceito seja banido de nossa sociedade.
    Abração.

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  2. Concordo Licínio! Assim como os índios e europeus, os negros africanos também colaboraram muito para a formação do povo brasileiro. Somos todos iguais! Abração.

    Mais informações em: www.culturanegra.palmares.gov.br

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