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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Os nossos becos

Foto: Léo Morato


AS RUAZINHAS

Eu amo de um amor que jamais poderei expressar
Essas pequena ruas com suas casas de porta e janela,
Ruas tão nuas
Que os lampiões fazem às vezes de álamos,
Com toda a vibratilidade dos álamos,
petrificada nos troncos imóveis de ferro
Ruas que me parecem tão distantes
E tão perto
A um tempo
Que eu as olho numa triste saudade de quem
já tivesse morrido,
Ruas como as que a gente vê em certos quadros,
Em certo filmes:
Meu Deus , aquele reflexo à noite, nas pedras
irregulares do calçamento,
Ou a ensolarada miséria daquele muro a
perder o reboco...
Para que eu vos ame tanto
Assim,
Minhas ruazinhas de encanto e desencanto,
É que expressais alguma coisa minha...
Só para mim!

(Mário Quintana, in Preparativos de Viagem pág. 31)

2 comentários:

  1. Esses becos também têm muita história, né Léo?
    Aconchego, encontros secretos, devaneios, conspirações...
    Abração.

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  2. Bastante presente nas cidades históricas, como Pitangui, os becos dão o charme especial, junto com as nossas praças, coretos, chafarizes e jardins. E são temas para músicas, causos e poemas, como esse do Mário Quintana.Valeu Licínio.

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