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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A chegada de imigrantes alemães em Pitangui

O processo imigratório no Brasil teve início nas primeiras décadas do séc. XIX e se manteve mais ou menos freqüente até as primeiras décadas do séc. XX. Em se tratando do estado de Minas Gerais, o movimento imigratório teve seu início com a aprovação da Lei nº 2.819 de 24 de outubro de 1881, que concedia favores pecuniários aos proprietários de fazendas que importassem trabalhadores para suas terras. No Relatório Provincial de 1888 é mencionada a intenção de trazer imigrantes de vários países, evitando desequilíbrios na administração pública como acontecera na Argentina e distribuí-los em núcleos pelas cidades que oferecessem melhores condições de adaptabilidade. São explícitas as preocupações quanto a formar “um centro de assimilação ethnica, onde se não obliterem nem pouco nem muito os característicos de nossa primitiva consangüinidade”. A chegada dos primeiros imigrantes se deu no mês de junho do mesmo ano, Não me foi possível obter maiores detalhes pois o relatório se encontra manuscrito e a má qualidade da reprodução prejudica muito a leitura.

Deste momento em diante o processo de imigração sofreu breves interrupções devido a doenças, crises financeiras e guerras. É justamente após a regularização do fluxo com o fim da 1ª Guerra Mundial que o governo do estado decide formar três núcleos na região oeste do estado: Raul Soares em Pará de Minas (1927), David Campista (1923) no centro de Bom Despacho e Álvaro da Silveira (1923) com terras em Bom Despacho e Pitangui, sendo o terreno cortado ao meio pelo Rio Lambari que fazia a divisa dos municípios.


A colônia Álvaro da Silveira foi criada com a partir da aquisição das terras da antiga fazenda do Capão e no final de sua implantação já eram 4.289 hectares, fazendo dela a maior das três colônias. Possuía ao todo 179 lotes, dos quais 102 estavam, em 1927, ocupados por famílias predominantemente alemãs, dentre elas os Hammerich, Engelman, Gimmpel, Bergerhoff, Falkenbuch, GÖlz, Bartels, Primus, Gottschalk, Steinbrecher, Korell, Motskus, Weisel, Kohnert, Hanke, Anuth, Darmstädter, Koslowski, Frei, Hunger, Frösler, Müller, Jung, Pfeifer, Schimidt, Walder, Schierm, Lutkenhaus, Escher, Richter, Fahner, Kraftzig e Köster. Estas famílias produziam arroz, feijão, milho, mandioca, cana, café e algodão.

Embora alojadas em casas feitas de tijolos , assoalhadas e dotadas de instalações sanitárias de conformidade com o plano adotado pela diretoria de higiene e profilaxia da época e contando ainda com um posto médico para combater verminoses e paludismo, foi a proximidade com o rio, que tornava crítica a proliferação de insetos, que determinou o fracasso do projeto. Os colonos eram extremamente vulneráveis ao contágio de doenças tropicais transmitidas por insetos como a malária (maleita/paludismo), febre amarela e também tifo. Sofrendo com doenças e com sabotagens praticadas por fazendeiros vizinhos, a maior parte das famílias abandonaram a colônia partindo para lugares com melhores condições de vida como as outras colônias e centros urbanos próximos. A cidade de Pitangui foi alvo deste êxodo. Não foi possível precisar quais famílias vieram ao todo, mas pelo menos uma fincou raízes definitivas na cidade.

Ao saber deste processo de colonização, procurei saber dos parentes e amigos próximos se alguém sabia alguma informação da colônia, dela ninguém sabia informação alguma, mas vários me informaram que existia no Lavrado um tal “Zé Alemão”. Não suportando a curiosidade, solicitei a um amigo que me levasse ao tal “Alemão” já pensando na possibilidade de se tratar de alguém que simplesmente possuía pele e olhos claros. Qual foi minha surpresa ao descobrir que o Sr. José Walder é descendente direto dos imigrantes que vieram para Álvaro da Silveira. Seu avô Guilherme Walder veio da cidade alemã de Marienhein com a esposa Gertrudes Vohswingel e os filhos Hulbert (pai de José Walder), Guilherme e Hildegard. Os três filhos de Guilherme Walder se casaram em Pitangui e só Hildegard não teve filhos. Abandonaram a colônia na década de 30 em busca de melhores condições para criar a família.



Família Walder na casa da Colônia Álvaro da Silveira



Segundo o Sr. José Walder, existiram outros alemães em Pitangui cujos descendentes se mudaram para outras cidades, um deles era um tal Eugênio (Eugene?) que trabalhava na manutenção da fábrica de tecidos.

Para os que estranharam a localização geográfica da colônia, informo que a região hoje pertence ao município de Leandro Ferreira, que se emancipou em 1963.



Guilherme Walder (Pai)



Guilherme Walder (filho) com esposa brasileira e filhos




Hulbert Walder (esquerda) pai do Sr. José Walder e um amigo


Cartão de pensionista de Hildegard Walder


Edital de casamento de Hildegard publicado em um jornal de Pitangui


Esta postagem só foi possível graças ao trabalho de pesquisa de Vandeir Santos,que nos enviou este magnífico material fotográfico,a reprodução do jornal "O Município de Pitangui" e o texto.


34 comentários:

  1. Olá Licínio,

    Maravilhoso e valioso relato que faz.
    Acho importantíssimo que essa história faça parte da cultura do nosso povo, conhecer sua origem e a descendência desse povo tão carente em identidade.Gratificante que ainda existam pessoas que deem importância para isso.

    Beijos e parabéns pelo belo e significativo trabalho que vem prestando a Pitangui.

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  2. Oi Selena,
    nosso amigo Vandeir Santos é o verdadeiro responsável por esta postagem, ele levantou todo o material.
    Estamos conseguindo agregar ao blog pessoas com interesses afins e está sendo muito legal.
    Agradeço em nome de todos do Daqui de Pitangui pelas palvras de incentivo e reconhecimento.

    Abraços.

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    1. Ola Licínio, fiquei muito interessado nessa materia, pois também sou um descendente da família alemã Walder!
      É muito interessante comparar esses dados com histórias que ouvi diretamente da minha avó, Dirce Escudeiro Walder.

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  3. Licínio,
    interessantíssima a história dos imgirantes alemães em Pitangui. Conheci o Sr. Guilherme (filho) e sua esposa Dona (assim a chamávamos).
    Foram meus vizinhos na rua Gustavo Xavier Capanema. Apesar da idade já avançada, Sr. Guilherme tinha um olhar terno (aliás, com belos olhos azuis)para todos nós, crianças, que fazíamos algazarra em frente a sua casa.
    Parabéns pela postagem!

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  4. Me considero mais "mineiro" que brasileiro. Minas é de uma complexidade cultural que atrai a atenção de quem a visita e consegue mergulhar em seus porões. Fico feliz com iniciativas como esta que misturam o ufanismo urbano com o resgate cultural. É como se estivesse ampliando cada vez mais as cidades mineiras. Parabéns Vandeir.

    Rogério Machado

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  5. Edilma,
    esta história foi revelada pelo amigo Vandeir Santos, que levantou todo esse material.
    Ah...um outro imigrante alemão de nome Eugênio que trabalhou na manutenção da fábrica de tecidos.Seria ele contemporâneo de seu pai?
    É tanta história,não?
    Abraços.

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  6. Belo trabalho de pesquisa do Vandeir! Caro Licínio, essa ótima postagem vem validar ainda mais a labuta prazeroza do resgate e da identificação cultural da nossa terra. Parabéns! 2010 promete. Grande abraço.

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  7. Léo,
    Enquanto for divertido estaremos tocando o blog a frente.
    Abraço.

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  8. ROGÉRIO WALDER DISSE:

    HUBERT WALDER É O MEU AVO QUE VEIO DA ALEMANHA PARA O BRASIL E MOROU NA CIDADE DE PITANGUI MG E NELA CONSTRUI SUA FAMILIA TENDO COMO ESPOSA BRASILEIRA:EMANUELA E DEVE SEUS FILHOS:JOSÉ WALDER,GERALDO WALDER,HUMBERTO WALDER,NEUSA WALDER,ANTONIO WALDER

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  9. Oiii...
    Achei mto legal sua iniciativa...
    Eu sou uma descendente da familia WALDER!!!
    Mto obrigado por estar relembrando a historia dessa familia q eu tenho mto orgulho...
    Abraços e se quiser nossa ajuda nos procure q temos + informaçoes...
    Rayanne Walder

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  10. Olá Rayanne,
    seja bem-vinda.
    Ficamos felizes em saber que você gostou da postagem. A iniciativa do Vandeir em resgatar esta história foi muito legal.
    Abraço.

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  11. Olá Rogério, seja bem-vindo.
    Obrigado pelas informações.
    braço.

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  12. OI...
    ,SOU ANDRÉIA WALDER ,NETA DE HUBERT WALDER.
    SOU FILHA DE GERALDO WALDER.(ALEMÃO)FIQUEI MUITO
    SURPRESA,EM FAZER UMA PESQUISA SOBRE MINHA FAMILIA
    DESCOBRI ESSA MATERIA.TENHO MUITO ORGUNHO DE FAZER
    PARTE DESSA HISTORIA,E DE SER PITANGUIENSE.

    HOJE MORO EM PARÁ DE MINAS.MAS AMO PITANGUI!
    OBRIGADO: ANDREIA WALDER CARVALHO.

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  13. Olá Andréia,
    seja bem vinda ao blog. A história de sua família é muito bacana, você deve ter muito orgulho disso.
    Apareça sempre.
    Abraço,

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  14. Gostaria de parabenizar pelo artigo e compartilhar um pouco mais de informação que aos poucos estou colocando nos artigos de wikipedia das Colônias Álvaro da Silveira e David Campista, no vizinho município de bom Despacho. Espero em breve fazer uma visita a Pitangui pra continuar a pesquisa que já fiz nos cartórios de Bom Despacho e Leandro Ferreira. Sou neto de integrantes das duas colônias.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Colônia_Álvaro_da_Silveira
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Colônia_David_Campista

    Cordial Abraço

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  15. Olá Gustavo,
    seja bem-vindo ao blog.
    O autor do artigo desta postagem é o nosso colaborador, Vandeir Santos.Caso queira usar nosso material gostaríamos que fosse citados os créditos ao autor.
    Iremos consultar seu material na Wikipedia.
    Vindo à Pitangui faça contato.
    Abraço.

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  16. Oi
    Meu nome é Mary sou filha do Zé Alemão
    amo Pitangui e fiquei contente com a iniciativa
    do blog.
    Parabens pelo otimo trabalho
    e pela divulgação da historia de nossa Familia.
    Obrigado!

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    1. Olá Mary,
      seja bem vinda ao blog.
      agradecemos o reconhecimento de nosso trabalho.
      Abraço.

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  17. Olá sou Andreia Lutkenhaus, filha de Marcio flavio Lutkenhaus, neta de Leao Lutkenhaus que era irmao de Rosinha Lutkenhaus, e casado com Julia Lutkenhaus, sempre tive curiosidade de saber a origem de minha familia, que é alemã, meu avo veio de uma cidade chamada colonia na Alemanha para trabahar no Brasil em Bom despacho, nao sei muitos detalhes e gostaria de descobrir mais sobre meus parentes alemaes, se voces souberem alguma informação entrem em contato comigo pelo email andreialutkenhaus@yahoo.com.br. Obrigada!

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    1. Oi Andreia,
      seja bem vinda ao blog.
      Vou tentar algum contato em Bom Despacho.Abraço.

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    2. Oi Andreia, tudo bem?? sou descendente direto de Bernardo Lutkenhaus, se quiser mais informações esadras@hotmail.com. aguardo

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  18. Em pesquisa na internet cheguei até este site. Meus bisavós chegaram possivelmente à Colônia Álvaro da Silveira a partir de 1921, vindos de Hamburgo na Alemanha. Na listagem achei o sobrenome deles, embora escrito com S em vez de Z. O original era MOTZKUS, mas achei MOTSKUS. Segundo meu pai conta, eles foram subsidiados para trabalharem em uma colônia em Bom Despacho/MG. Creio que sejam eles. Meus bisavós WILHEM MOTZKUS e HENRIETTE MOTZKUS. Se vocês têm mais alguma informação ou registros dessa família nessa colônia, por acaso poderiam me passar por favor no e-mail kadu.dobler@ig.com.br. Grato

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    1. Carlos,
      seja bem vindo ao blog.
      vou passar seu e-mail para nosso colaborador Vandeir Santos, ele é um conhecedor deste tema.
      Abraço.

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  19. Este comentário foi removido pelo autor.

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  20. Caro Licínio.
    Se não me trai a combalida memória, me lembro de ouvir do meu pai, Toim da Chica, e do saudoso Zé Moreno, histórias sobre esse senhor Eugênio. (parece-me que) Ele tinha uma oficina mecânica ao lado da casa onde morou o Tonico Caldas, na esquina da Av. Lima Guimarães, ao lado do bar do Ze Maria (bar escritório). Quem sabe o Verinho ou o Mano Caldas possam corroborar essa informação?
    Abraços e meus cumprimentos pela reportagem.

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    1. Olá Nego.
      Seja bem vindo ao blog.
      Agradeço as informações.
      Vou sugerir ao Vandeir Santos, autor desta pesquisa e postagem para procurar o Verinho e o Mano Caldas.
      Abraço.

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  21. Deviam fazer um relato mais profundo sobre os descendentes dessas colônias,pois já estam quase esquecidas. As cidades de Bom Despacho e Pitangui deveriam providenciar!

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    1. Olá!
      Agradecemos a sugestão.
      Gostaria de esclarecê-lo que esta postagem foi fruto de um trabalho profundo de pesquisa de Vandeir Santos, um dos articuladores do blog. O material que disponibilizamos aqui, era, até então, inédito. Nosso trabalho é voluntário e depende da disponibilidade de cada membro da equipe para desenvolver as pesquisas, já que cada um tem suas responsabilidades profissionais e residem em locais diferentes. Se você souber de fontes existentes sobre o tema, peço a gentileza de nos informar para que possamos estudá-las e avanças nas pesquisas sobre este tema.

      Um fraterno abraço.

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    2. O que você quer está sendo feito pela bomdespachense Maria Antônia Kohnert que já tem um livro pronto sobre o assunto aguardando patrocínio.
      Aguardemos.

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  22. Muito Bom, meus Bisavós Wilhelm Gölz e Martha Müllerchen viveram na Colônia Alvaro da silveira, eu tive o privilegio de não só tirar minha dupla nacionalidade, bem como ir a Alemanha conhecer os parentes de meus antepassados, apos um contato de um parente na Alemanha, Licínio conhece a História , pois participou dela. Obrigado

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    1. Olá Everton!
      Sim, acompanhamos seu esforço em busca de suas raízes genealógicas. É muito bacana saber que o blog, de certa forma, contribuiu para o êxito de seu esforço.

      Um fraterno abraço.

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  23. Boa noite, Licínio,

    estou procurando dados do meu trisavô Friedrich August Müller e cheguei na sua página.

    Você tem conhecimento de alguém com este nome, que emigrou da Alemanha, era engenheiro e foi para São João Del Rei?

    Maria D. de A. Müller (mullermariadrummond@gmail.com)

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    1. Olá Maria.

      Seja bem-vinda ao blog.
      Encaminhei o seu comentário para Vandeir Santos, colaborador do blog e pesquisador sobre o tema, espero que ele tenha algum dado que possa
      ajudá-la. Abraço.

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  24. Bom dia!
    Sou da família Escher, que veio de Stuttgart na Alemanha.
    Será que os Escher citados neste post são da minha família?
    Teria os nomes das pessoas?
    Abs

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