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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Invasão do Fórum em 1896: O Último Motim de Pitangui.

Mais uma valiosa colaboração de Vandeir Santos, Confira.

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O ano de 1892 representou um marco importante na vida do jovem jornalista Vasco Azevedo, aos 25 anos ele assumia o cargo de agente executivo (prefeito) e presidente da Câmara da cidade de Pitangui. Chefe político prestigioso, consegue reeleger-se em 1894 com um total de 1.100 votos, obtidos com a ajuda de inúmeros correligionários, membros de parte da elite da época, que compunham o partido vasquista. Era um bom político mas não se pode dizer o mesmo como administrador, deixou de realizar obras, que aos olhos de muitos eram inadiáveis e ao mesmo tempo autorizou gastos considerados por outros como supérfluos. Ausentava-se com freqüência para resolver assuntos particulares ou para tratar de questões político-administrativas da região, o que era malvisto e murmurado pelos opositores.

Se Vasco tinha o apoio de famílias ilustres de Pitangui, a oposição não era menos amparada. Famílias como a Nunes de Carvalho, a Lacerda da Rocha, a Álvares da Silva e outras compunham o grupo de oposição ao governo municipal e a estas somaram - se, com o decorrer do tempo, famílias vasquistas descontentes como os Cordeiros Valadares e os Bahia da Rocha.

A Proclamação da República alterou os procedimentos administrativos, tornando obrigatória uma sessão do executivo para prestação de contas do ano findo. Não perdeu tempo a oposição em mobilizar todos os aliados da região para acompanhar a reunião que estava marcada para o dia 31 de janeiro de 1896 no edifício do Fórum. Queriam os opositores aproveitar a ocasião para não consentir que os “extravios, as defraudações do erário municipal, o espesinhamento das leis, em geral, continuassem acoimados e impunes...”

Os vasquistas pressentiram a estratégia da oposição, chegando inclusive a providenciar armas, mas não foram rápidos o suficiente para impedir que o grupo contrário tomasse o Fórum na noite do dia 30. Reforçados pelos contingentes de Onça, Brumado, Conceição do Pará, Pompéu, Maravilhas, Cercado (Nova Serrana) e Abadia (Martinho Campos) a tropa comandada pelo Major José Nunes de Carvalho se antecipa a reação dos correligionários de Vasco Azevedo, se apossam do prédio, formam uma comissão e aguardam o dia seguinte. Em virtude da situação desfavorável em que se encontravam, com os sediciosos solicitando a renúncia de toda a Câmara, Vasco Azevedo e os vereadores de sua base política não comparecem para o início dos trabalhos.

Ainda no dia 31 a Comissão Popular recebe um ofício assinado pelos vereadores da maioria onde, em vista das circunstâncias, renunciam aos seus cargos. No mesmo dia Vasco, em companhia de Romualdo Xavier Lopes Cançado, parte para Ouro Preto, a fim de providenciar força policial para restabelecer a normalidade na cidade.

Com a renúncia coletiva dos vereadores e com a ausência do representante do executivo, a Comissão ainda de posse do prédio, lavra ata no dia 1º de fevereiro aclamando Agente Executivo e Presidente da Câmara, o Sr. Antônio Mourão Lopes Cançado e convocando os demais suplentes para ocupar as vacâncias.



Foto tirada no dia da absolvição dos responsáveis pela invasão do Fórum de Pitangui.

Click na imagem acima para ampliá-la.

Imagem gentilmente cedida pelo vereador Alexandre Barros



A exemplo do que ocorrera 176 anos antes, no dia 13 de fevereiro forças do governo entram novamente na cidade, agora é o Tenente Benjamin Ferreira Lopes com 17 ou 20 praças. Desta vez não houve resistência a missão das autoridades, os vereadores e Vasco Azevedo reassumem os seus cargos sem que houvesse nenhum ato de hostilidade. No dia 1º de março chega à cidade o chefe de polícia Dr. Alfredo Pinto Vieira de Melo, que dá início ao processo de culpa pelos “graves e momentosos” acontecimentos do dia 31 de janeiro, são indiciados os réus Major José Nunes de Carvalho, J. J. Cordeiro Valadares, Major Francisco Bahia da Rocha, Alexandre de Lacerda Rocha, Joaquim Nunes de Carvalho Quito, Antonio Mourão Lopes Cançado, Antero Álvares Silva, Antonio Orsini e Inácio Cordeiro Valadares. O julgamento foi no fórum de Pará de Minas de onde os réus saíram absolvidos e de certa forma vitoriosos, pois se por um lado não conseguiram a renúncia efetiva do executivo, abalaram profundamente a política vasquista.

Não sejamos ingênuos em pensar que o acontecimento foi fruto do mais puro civismo, que os revoltosos utilizaram os seus direitos de cidadão para fazer prevalecer a ordem e a justiça. O que se viu foi uma demonstração de oportunismo político, onde a oposição manipulou a massa para fazer vingar o seu desejo de poder. Afinal nada se provou contra Vasco Azevedo. Por outro lado, quando assume o governo em 1ª de janeiro de 1897, o Dr. José Gonçalves de Souza alega não ter encontrado os livros da Câmara...


FONTE:


DINIZ, Sílvio Gabriel. O Gonçalvismo em Pitangui. Revista Brasileira de Estudos Políticos. 1969.

10 comentários:

  1. A respeito das disputas políticas entre Gonçavistas e Vasquistas, em breve postarei material sobre os troncos familiares de Pitangui ligados à Joaquina de Pompéu.

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  2. Parabens, eu como bisneto me sinto honrado.
    Vasco Ariston de Carvalho Azevedo ( 4 geração dos Vasco de Pitangui)

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  3. Olá Vasco,
    seja bem vindo ao blog.
    Sua família escreveu o nome na história de Pitangui e você deve ter orgulho do nome que carrega.
    Obrigado pelo comentário.
    Abraço.

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  4. Obrigado Lícinio,
    Para dar algumas noticias. Vasco Azevedo, teve três filhos, Vasco Azevedo Filho (meu avô), Silviano Azevedo e Aurora Azevedo.
    Vasco Azevedo Filho teve 14 filhos e o primeiro Vasco Neto. Vasco Filho foi deputado, construi a Rio Bahia e ajudou na construção de Brasilia. Vasco Neto também foi deputado, professor emérito da UFBA e esta vivo e muitos projetos dele ainda de engenheiro estão sendo reativados. Silviano teve 6 filhos e recentemente minha prima escreveu a história dele e da familia saindo de pitangui, me passe o seu endereço para enviar. A familia de Tio Silviano ainda tem casa em Pitangui. Visitei a igreja do São Francisco e vi o túmulo do meu bisavó. Me mande o seu endereço no vascoariston@gmail.com e peço a Francina para te enviar o livro. A 5 geração dos Vasco já tem vários representantes, Vasco Otavio Filho, Vasco Jean (meu), Vasco Luis meu primo teve 2 filhos Vasco e assim vai.
    Abraços,
    Vasco Ariston de Carvalho Azevedo

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  5. Vasco,
    eu é que agradeço por sua contribuição neste comentário. ficarei honrado em receber um exemplar do livro e irei divulgá-lo por aqui.
    A leitura deste livro gerará mais postagens sobre sua família por aqui.
    Abraços.

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  6. licinio, obrigado por me faser voltar ao passado...
    cada foto...
    cada lugar...
    tudo eu tenho uma historia pra contar,me desculpe se comentei dimais...
    quando vi o willian então...me lembrei qntos anos morei em frente a casa do dininho, era muito amiga do êninho e lélé...
    hj vivo aqui so na lembrança , como era bom viver ai...como é bom o povo mineiro...sinto muita saudade de muitas amigas que nunca mais tive contato e gostaria de ter. ja procurei em redes sociais mas não encontrei.
    parabens mais uma vez por fazer-me voltar ao passado .

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  7. Olá Eliane,
    seja bem vinda ao blog.
    O William é nosso amigo e frequentador do blog, reside hoje no Paraguai.
    Você terá a oportunidade de matar muitas saudades lendo nossas postagens, fique à vontade.
    Abração.

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  8. sou pesquisador dos diniz, garcial leal, castro e outras familias.
    gostaria de saber se realmente todos os livros de casamento e batismo foram perdidos em 1914 no incendio e gostaria de saber se existem processos de inventarios antigos no forum ou se perderam ou estao em contagem.
    tambem gostaria de saber voces tem os nomes dos vereadores de pitangui desde os primeiros vereadorees,
    escrevam para meus sites www capitaodomingos wordpress com e www eusougarcialeal wordpress com

    paulo cesar de castro silveira

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  9. Olá Paulo,
    seja bem vindo ao blog.Os documentos religiosos se perderam com o incêndio de 1914, os processos e inventários já estão disponíveis (século XVIII e XIX) para consultas no Instituto Histórico de Pitangui.
    Ainda não temos a relação de nomes de vereadores.
    Vamos visitar suás páginas.Nos colocamos à disposição para auxiliá-lo.
    Abraço

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  10. Por acaso há aí em Pitangui foto do dr. Vasco Azevedo Filho? Ele foi engenheiro chefe de uma estrada aqui em Lima Duarte no ano de 1939, e seu nome foi gravado em uma rocha.
    Gostaria de anexar a foto do digno engenheiro às pesquisas que faço aqui.
    caso seja possível, envie-me por email: marcusilva.70@gmail.com
    Desde já, obrigado

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