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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Manifestações patrióticas em Pitangui do século XIX

Durante a segunda metade do século XIX, os acontecimentos ligados às relações internacionais do governo brasileiro foram acompanhados com atenção pela população de Pitangui, que envolvida por uma áurea de patriotismo, se mobilizava em apoio ao governo imperial de D. Pedro II.

Sobre estes acontecimentos, uma obra importantíssima é o livro “Escavações ou Apontamentos Históricos da Cidade de Pitangui”, de autoria de Joaquim Antônio Gomes da Silva (1890). Esta obra, rara,descreve com detalhes alguns acontecimentos importantes em Pitangui na segunda metade do século XIX. Em especial, apresentaremos as manifestações de patriotismo, no contexto das relações internacionais brasileira, que ocorreram na cidade naquele período, das quais Gomes da Silva foi testemunha ocular, inclusive tendo participação efetiva.

Primeiramente iremos contextualizar os acontecimentos envolvendo o Brasil e suas relações internacionais e em seguida apresentaremos segundo relato de Gomes da Silva, as reações da população de Pitangui aos acontecimentos .


As Relações Internacionais e o Brasil na segunda metade do século XIX.

Durante o Segundo Império, o Brasil viveu momentos de tensão com países vizinhos, como também com a Inglaterra, principal parceira econômica do país naquele período.

Desde o início do século XIX, a Inglaterra exercia forte pressão sobre o governo brasileiro para por fim à escravidão. As relações entre os dois países se agravaram em 1861, com o naufrágio do navio inglês "Prince Of Wales", no litoral do Rio Grande do Sul, dando origem a um incidente diplomático que ficou conhecido como a "Questão Christie". A situação se tornou ainda mais grave quando, em 1863, uma esquadra inglesa aprisionou návios mercantes brasileiros em alto-mar. Tal fato levou D. Pedro II a romper relações diplomáticas com a Inglaterra.

Clique na imagem abaixo e entenda melhor a "Questão Christie"


Caricatura da época sobre a

"Questão Christie"


Apesar de distante da capital do Império, a população de Pitangui acompanhou atentamente este incidente envolvendo as duas nações. Segundo Gomes da Silva:

"Para os pitanguienses o amor da pátria foi sempre uma religião, que devotamente cultivavam com afanaso devotamento."

Diante dos acontecimentos, no dia 02 de fevereiro de 1863, lideranças locais reunidas com a população da cidade no paço municipal, criaram a sociedade "Amor da Pátria", a fim de angariar recursos no município para ajudar ao governo imperial na defesa do Brasil contra a ameaça externa.

Eminentes figuras da sociedade pitanguiense discursaram emersos no fervor patriótico, entre eles, o próprio Joaquim Antônio Gomes da Silva. Foi criada uma comissão que conseguiu levantar a quantia de 2.110$000 (contos de réis), que posteriormente foram doados ao governo imperial, por ocasião da Guerra do Paraguai (1864 - 1870). A respeito desta guerra, apresentaremos abaixo como a população de Pitangui se mobilizou em apoio à causa nacional.

A Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai (1864 - 1870) foi o maior conflito armado da América do Sul e uma das guerras mais sangrentas do século XIX. A guerra, motivada por disputas pelo controle da bacia do rio da Prata, envolveu Brasil, Argentina e Uruguai, que formaram uma aliança militar (Tríplice Aliança) contra o Paraguai.


Clique no mapa abaixo e entenda melhor o que foi a Guerra do Paraguai


Mapa retratando a região do conflito


Ainda, segundo Gomes da Silva, no dia 07 de fevereiro de 1865, a cidade recebia a notícia das primeiras vitórias das tropas brasileiras na região do Prata. À noite, as lideranças políticas da cidade convocaram a população, através da sociedade "Amor da Pátria" para uma manifestação patriótica, quando foi criada uma comissão responsável pelo alistamento de voluntários para combaterem no conflito platino, além de disponibilizar os recursos financeiros angariados 2 anos antes, ao governo imperial. Em meio a discursos inflamados, um cidadão de nome Antônio da Silva Barbosa foi o primeiro a se alistar voluntariamente. Entre os dias 07 e 21 de fevereiro de 1865 inscreveram-se 52 voluntários.



Foto de um cabo desconhecido pertencente

ao 1º batalhão de Voluntários da Pátria



No dia 22 de março, em reunião da sociedade "Amor da Pátria", compareceu a "jovem D. Rosinha Azevedo", filha do tesoureiro daquela sociedade, tenente Pedro de Azevedo Souza Filho, empunhando uma bandeira com caracteres em ouro, com as armas do Brasil, a coroa imperial e os dizeres "VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA DE PITANGUI". No dia 24, esta bandeira foi entregue ao sargento José Bahia da Rocha, comandante daquele destacamento de Voluntários da Pátria, em ato solene.

No dia 25 de março "o dia da partida, o dia das saudades, o dia das lágrimas...Os olhos que não choravam traziam as lágrimas nas almas..." , os voluntários de Pitangui partiam, chegando ao Rio de Janeiro em 28 de abril daquele ano.

O Museu Histórico de Pitangui guarda algumas peças usadas por combatentes pitanguienses na Guerra do Paraguai.Quando ele voltar a ser aberto à visitação publica poderemos apreciar este valioso acervo.


FONTE:

SILVA, Joaquim Antônio Gomes da. Escavaçoes ou Apontamentos Históricos da Cidade de Pitangui. 1890.

3 comentários:

  1. Parabéns pela postagem Licínio, muita riqueza de informação! Fica claro o espírito aguerrido e empreendedor do pitanguiense. Como conversamos, estou trabalhando em uma pesquisa sobre a provável origem dessas características da nossa gente. Em breve trarei notícias.

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  2. Valeu Léo,
    a obra de Gomes da Silva me chamou muito a atenção, pois demonstrou que em Pitangui as pessoas estavam antenadas com os acontecimentos de grande expressão no Império.
    Leia a dissertação do Wagner Cunha, pois ela trás informações que podem auxiliá-lo em sua pesquisa.
    Abraços.

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  3. Licínio,

    Não seria interessante disponibilizar para os interessados a cópia do texto do Joaquim Antônio ? Estou na metade da digitação da obra, mas para aqueles que quiserem o original seria interessante a disponibilização. Não sei se seria possível disponibilizar no blog mas poderia ser enviado mediante solicitação.

    Um abraço,

    Vandeir

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