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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pitaculta

Desde quando comecei a me interessar por questões histórico - culturais em Pitangui, no fim dos anos de 1990, ouvia falar sobre o Pitaculta, mas não tive a oportunidade de saber mais sobre esse movimento. Recentemente, em contato com o amigo e pitanguiense William Santiago (pessoa de grande estirpe e que representa muito bem Pitangui por onde passa), conseguimos informações valiosíssimas e vamos compartilhá-las aqui no blog.
William no Consulado do Brasil em Encarnación - Paraguai
Em seu retorno a Pitangui (depois de um tempo fora do país), o Willian Santiago teve a idéia e a coragem de fundar o Pitaculta - Movimento Pitanguiense de Ação Cultural, em 1986, com o intuito de romper o ostracismo e promover a efervecência cultural em Pitangui.

"A idéia não era basear o movimento naquelas atividades elitistas, mas pensar e agir a cultura no sentido amplo. (Naquela época), esperar das autoridades de uma cidade pequena que se preocupassem com o aspecto cultural era sonhar alto demais. O que era preciso fazer era ajuntar os artistas (pintores, músicos, escritores, escultores, etc.) e criar uma entidade que poderia vir a ser o embrião de um departamento (ou secretaria) de cultura , lazer e turismo em Pitangui".

O movimento tinha livro de ata e registro em cartório para dar sustentação jurídica e viabilizar recursos que custeassem os projetos. O seu primeiro presidente foi o JONBA João Batista de Freitas, o segundo foi Roberto Carlos de Oliveira, poeta, conhecido como Roberto Caroli.
As principais iniciativas do Pitaculta foram: o Festival de Música, a Semana de Artesanato e Pintura e o Poecontos (concurso de Contos e Poesia). Quem ganhou o Festival de Música foi o Kiko Lara com a música "Clara", dele e do Ricardo Nazar. O segundo e o terceiro lugares foram do compositor Eugênio Gomes, de Lavras, com as músicas "Vênus Platinada" e "Casarão".

Prefácio do livro publicado com os trabalhos premiados no Poecontos
Além do Pitaculta, o William fundou o Jornal Correio de Pitangui . Para se dedicar ao trabalho e para que outras pessoas dessem sequência ao projeto, foi deixando o movimento aos poucos. Por motivo desconhecido o Pitaculta encerrou suas atividades em 1987, após a realização do II Poecontos (será que foi por falta de incentivo e reconhecimento?).
Finalizando o bate papo, pedi ao William a sua opinião sobre a cultura em Pitangui nos dias de hoje. Ele enfatizou que não tem acompanhado por estar fora da cidade, mas deixou um relato que nos leva a uma boa reflexão:
"Acho que hoje existem mais possibilidades, como rádio, televisão, internet, coisas que não havia em 1986 na região, mas, ao mesmo tempo, seria preciso redefinir o que é essa "cultura" que estamos procurando, para que e a quem serve”.
Na minha opinião, caro William, a cultura deve ter o papel de inclusão, de participação, de afirmar as tradições, de elevar a nossa alto estima como povo, como cidadãos. A cultura é a prática no dia-a-dia, é a convivência prazeroza entre as pessoas, é celebração!
Com base nos relatos acima, aí está um grande acontecimento cultural organizado em Pitangui, que merece ser lembrado. Essa, também é uma página importante da nossa história recente, que temos que continuar a escrever.

4 comentários:

  1. Léo,
    Pitangui precisa conhecer e valorizar movimentos como o Pitaculta, que teve uma proposta bastante arrojada.Os articuladores deste movimento merecem nosso reconhecimento, parabéns a todos.
    Bela postagem, meu amigo.
    Abraço.

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  2. Concordo Licínio, o movimento foi muito importante e serve como referência para que iniciativas culturais daquela época sejam realizadas hoje também. Porque não um Festival de Música, com artistas locais, em uma parceria público-privada!?!

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  3. Tenho orgulho de ter participado do Pitaculta, lembro das reuniões, Festival da canção, poencontos ,semana do artesanato.

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  4. Deve ter sido muito bom ter participado diretamente do Pitaculta, não é Soraya? Obrigado pela visita!

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