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quinta-feira, 4 de março de 2010

Ao redor de um Chafariz, muitas páginas de nossa história*.

Pitangui é uma pequena cidade setecentista do interior de Minas Gerais, especificamente do centro-oeste mineiro, conhecida como a “Sétima Vila do Ouro”. Fundada por bandeirantes paulistas, remanescentes da Guerra dos Emboabas (1708-1709), que se embrenharam pelo sertão mineiro, foi também palco de revoltas entre 1717 – 1721, como a liderada por Domingos Rodrigues do Prado em 1720 (ANASTASIA, 1998).

Dentre os monumentos que compõem o seu conjunto arquitetônico, destaca-se o Chafariz erguido na Praça Getúlio Vargas, em 1835,um dos mais importantes, sendo sua construção ligada à proclamação do Ato Adicional à Constituição de 1834 (WERNET,1984).O monumento apresenta algumas características que chamam a atenção.



Em seu frontispício, estão esculpidos o brasão do império acompanhado da frase ‘Viva a Constituiçam’, sendo esta considerada uma alusão ao ato adicional à Constituição de 1834, além das típicas carrancas que ornamentavam suas bicas d'água.

Segundo SILVA (2008), os chafarizes foram construídos para suprir o abastecimento de água das cidades coloniais mineiras, tornando-se um espaço de socialização para os escravos, que se dirigiam àqueles locais com frequência.



Apesar de boa parte da população não se preocupar com esse patrimônio, há em meio à sociedade pitanguiense grupos que incentivam a preservação deste, levando em consideração sua importância no acervo histórico da cidade, uma vez que em torno do Chafariz está uma parte da história local que pode ser relacionada com um acontecimento mais amplo, que repercutiu na história do Brasil.

Portanto, a preservação deste monumento, e de outros vários outros existentes em Pitangui é muito importante para que a história da cidade seja preservada. Monumentos como o Chafariz da Praça Getúlio Vargas são testemunhos da história desta cidade. Como bem afirma MARTINS FILHO (2005),valorizá-los e estudá-los é uma forma de manter viva a identidade de seus habitantes, não permitindo que sejam esquecidas as suas raízes.


Referências Bibliográficas:

ANASTASIA, Carla Maria Junho. Vassalos Rebeldes: violência coletiva nas minas da primeira metade do século XVIII.Coleção Horizontes Históricos. 1ª ed. São Paulo: Com Arte, 1998.

MARTINS FILHO, Amílcar Vianna. Como escrever a história de sua cidade. 1ª ed. Belo Horizonte: Instituto Cultural Amílcar Martins, 2005.

O Chafariz da Praça Getúlio Vargas. Disponível em: http://daquidepitangui.blogspot.com/. Acesso em 15/10/2009.

SILVA, Fabiano Gomes da. Chafarizes e Máscaras: Pequena Referência à Participação Africana na Produção Artística Mineira. In: PAIVA,Eduardo França, IVO, Isnara Pereira(ORGs.). Escravidão, mestiçagem e histórias comparadas. 1ª ed. São Paulo: Annablume, 2008. p. 139 – 159.

WERNET, Augustin. O Período Regência. Coleção História Popular. 2ª ed. São Paulo: Global. 1984.



*Texto produzido pela equipe Conselheiro, composta por alunos do CEPFS, para a 4ª fase da Primeira Olimpíada Nacional de História do Brasil, promovida pelo Laboratório Experimental da UNICAMP e realizada em 13/12/2009, em Campinas/S.P..

4 comentários:

  1. Boa postagem Licínio!!! A Educação Patrimonial nas escolas é fundamental para a garantia de um futuro para o nosso passado. Parabéns aos estudantes!

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  2. Oi Léo,
    em nome da equipe Conselheiro agradeço as palavras.
    Abração.

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  3. COMPLEMENTANDO.
    "A primeira água potável captada e trazida para o centro da cidade, foi a do Mato da Pedreira. Veio por meio de bicames toscos de madeira nalguns lugares e noutros por meio de telhões de barros. Fêz-se na Praça da Matriz uma caixa dágua de pedras bem argamassadas. Tal reservatório recebeu um frontão artístico de pedra de cantaria, bem trabalhado por operários canteiros, vindos de Portugal para as obras da Matriz de Nossa Senhora do pilar. No centro do frontão, foi burilado na pedra, em alto relevo, em boa heráldica, um escudo, encimado por um globo. O escudo e o globo foram envolvidos por uma constelação de estrelas e estrelinhas contornantes. No centro do escudo está o letreiro: - "Viva a Constituiçam". Seria esta então a Consituição Colonial Brasileira, de 25 de março de 1824. Por último, encontra-se também, abaixo, esculpida em alto relevo, na pedra a dedicatória da edilidade pitanguiense daquela época - "A Câmara Municipal de 1835". Para servidão dágua, na parte ínfima do frontão, deixaram duas caras humanas, salientes, com canudos na boca. E destas caras ou caretas humanas, bem redondas e expressivas é que jorrava água em abundância, naqueles bons tempos da água em fartura. Agora predomina a seca !"
    A História de Pitangui - Monsenhor Vicente Soares - Vandeir

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  4. Valeu pelas informações Vandeir, elas são importantes e esclarecedoras.
    Abraço.

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