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terça-feira, 9 de março de 2010

A Formação da Identidade Pitanguiense - 1ª parte

O Bandeirante Paulista

Este artigo apresenta uma análise histórica do povoamento de Minas Gerais e visa fundamentar uma provável hipótese sobre a formação da identidade do povo de Pitangui, tendo como base os acontecimentos que deram origem à Guerra dos Emboabas e os resultados dela decorrentes.


O Tratado de Tordesilhas

Entradas e Bandeiras


Eram as expedições que, partindo de núcleos de povoamento no litoral, penetravam o interior do país. Tinham por objetivos combater e capturar índios selvagens para comercializá-los como escravos e a procura de riquezas minerais. Essas Entradas (que tiveram início por volta do ano de 1554) não obtiveram muito êxito no ponto de vista econômico. Mas abriram picadas e utilizaram caminhos criados pelos índios primitivos, antes mesmo do descobrimento do Brasil. Não respeitaram o Tratado de Tordesilhas e ultrapassaram a linha que dividia o domínio de Portugal e da Espanha, na América. Com isso, proporcionaram mais tarde o aumento do território brasileiro e ajudaram a manter as nossas fronteiras, com a expulsão das Missões Jesuítas (de origem espanhola) nas nossas terras. Já as Bandeiras eram expedições militares organizadas com rígida disciplina imposta pelo seu chefe. Nelas, iam soldados, escravos, aventureiros, mulheres, índios, padres, entre outros e levavam alimentos, munições e animais domésticos. Os primeiros Bandeirantes vestiam-se de acordo com a época, usando longas botas, roupas acochoadas de algodão e coletes de couro para a proteção contra as flexas de tribos selvagens. Suas armas eram as espingardas de canos curtos e as facas, que também servian de utensílio na alimentação.


A faca utilizada pelos Bandeirantes

A Descoberta do Ouro

Pelo Bandeirantismo (fenômeno tipicamente paulista) foi descoberto o ouro na então denominada "Região das Minas”, após superarem as dificuldades geográficas da região. O adjetivo Gerais, foi acrescentado depois que o ouro fora descoberto em quase toda a extensão de seu território. A partir da descoberta das Minas, em 1693, na região de Cataguazes, iniciou-se a corrida pelo ouro e vinha gente de toda parte. A “Febre do Ouro” gerou a primeira grande migração da Europa para o interior brasileiro, chegando ao ponto de Portugal baixar um decreto, proibindo a emigração para o Brasil. Em pouco mais de cem anos (fins do século XVII ao início do século XIX) a população da Colônia aumentou de 300.000 para 3 milhões de habitantes.

Escravos trabalhando em uma Mina de Ouro

O Povoamento das Gerais

Os primeiros Bandeirantes descobridores das Minas de Ouro definiam como Emboabas os novos entrantes. Essa classe era composta pela elite paulista, os portugueses (renóis), os oficiais Del Rey (militares), os eclesiais, além de escravos e serviçais. O nome Emboaba deriva-se de “mboab”, nome que os índios Tupis davam a uma ave que tinha os pés e pernas cobertos de penas. E daí veio a atribuição do nome aos portugueses que calçavam longas botas, enquantos os bandeirantes já estabelecidos na terra, vestiam trajes mais rústicos. Por sinal essa “transformação” na forma de vestir, ocorreu pela convivência e adesão aos hábitos dos nativos (índios) e pela própria atividade mineradora.



Os novos entrantes na região (Os Emboabas).

Continua ...

2 comentários:

  1. Olá Léo,
    ótima postagem. A busca do entendimento da formação de Pitangui nos remete aos primórdio da ocupação das Minas Gerais.
    Abraço.

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  2. Valeu Licínio, com a parte 2 o entendimento ficará mais completo. Até amanhã.

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