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quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Mão-de-obra escrava nas Minas

As primeiras rodas de Capoeira
Imagem de J.M. Rugendas.


Nessa agradável labuta de pesquisar as origens de Pitangui, estamos adquirindo o hábito de frequentar os sebos, na busca de livros sobre a história de Minas Gerais. Na última visita a uma dessas lojas de livros usados e antigos, identificamos um material interesante para compartilhar nesse 13 de maio, aos 122 anos da Lei Áurea, que aboliu a escravidão (formal) no Brasil em 1888. É imporante ressaltar que os relatos apresentados abaixo têm por objetivo abordar a importante participação dos negros na formação da identidade do povo mineiro.


As Vilas do Ouro

Ao se divulgar o descobrimento do ouro, moradores das capitanias vizinhas dirigiam-se para a região das jazidas fazendo-se acompanhar pelos familiares e serviçais. Chegaram assim os primeiros escravos negros. Na época (século XVIII), possuir um escravo, além das serventias nos trabalhos braçais, conferia status aos donos. E a obtenção de um lote de terras ou sesmaria estava relacionada ao número de escravos que se possuia. Existia portanto, um escalão social com diversas nuances. As moradias variavam dos ranchos às boas casas de telhado nas vilas e arraiais mas progressistas. Basta dizer que em 1711 os núcleos de Nossa Senhora do Carmo (Mariana), Vila Rica (Ouro Preto), Nossa Senhora da Conceição de Sabará e São João Del Rey, em 1714 Vila Nova da Rainha (Caeté) e em 1715 Pitangui, foram elevados à categoria de vilas a vista do progresso alcançado.


Escravos garimpando o ouro
Imagem de J.M. Rugendas.


Para efeito da cobrança do quinto do ouro, o número de escravos e o comércio fora contabilizado em 1742:
em Vila Rica -14.293 escravos – à razão de 2 oitavas e 40 réis;

em Vila do Carmo – 16.978 escravos; 305 lojas e vendas;

em Vila Real – 8.140 escravos; 153 lojas e vendas;

em Vila de Pitangui – 704 escravos; 18 lojas e vendas;

em Vila de Caeté – 6.366 escravos; 1800 lojas e vendas;

em São João Del Rey – 3.355; 60 lojas e vendas;

em Vila de São Josepe (Tiradentes) – .3.505 escravos; 73 lojas e vendas;

em Serro Frio – 2.522; 46 lojas e vendas;

em Vila Nova da Rainha – 6.225; 149 lojas e vendas;

em Vila da Piedade – 865 escravos; 19 lojas e vendas;

em Vila do Príncipe – 2.522 escravos; 46 lojas e vendas;

Cada escravo recolhia diariamente uma oitava de ouro. No primeiro semestre de 1742, em Vila Rica recolheu -se 39.122 quintos de ouro (2 quintos e 72 por escravo) e em Pitangui apenas 2053 quintos, proporcionalmente igual a Vila Rica (2 quintos e 72 por escravos).

Talvez o pequeno número de escravos registrados e o baixo recolhimento dos quintos, foi devido a conhecida insubordinação dos moradores da Vila de Pitangui, que gerou anteriormente grandes motins que influenciaram diretamente na criação da Capitania das Minas de Ouro, separando-a da Capitania de São Paulo, em 1720.

Fonte de Pesquisa: SALVADOR, Gonçalves José. Os Cristãos-Novos em Minas Gerais Durante o Ciclo do Ouro (1695-1755) Relações com a Inglaterra. Ed. Pioneira. S. Bernardo do Campo, 1992.

3 comentários:

  1. Olá Léo,
    muito interessante esta postagem, a questão sobre a população escrava negra em Pitangui ainda está por ser estudada.
    Abraços.

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  2. Valeu professor! É verdade, há muito a ser descoberto sobre essa parte da nossa história.Pena que a bibliografia sobre o tema, é um pouco escassa. Sucesso nas novas pesquisas!!!

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  3. muito intrssante,legal p/ caranba

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