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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Outros fatos na Vila de Pitangui




O texto de hoje é embasado no livro A Prova 7 – Origens, publicado pela Câmara Municipal de Divinópolis-MG, em maio de 1998. A obra trata das origens históricas de Itapecerica e revela alguns fatos ocorridos em Pitangui, no século XVIII, destacando a sua representatividade para a região.
A descoberta do ouro no fim do século VXII atraiu muitos exploradores e aventureiros de todas as partes para as Minas Gerais. “A região possivelmente, teria servido de esconderijo para militantes de um movimento anti-emboaba que se restabelecia no pós-guerra, em Pitangui (então reconhecida como Vila Turbulenta)”.
"Por aqui (Itapecerica) passou em 1737, a Bandeira do Cel. Matias Barbosa da Silva com suas quase 400 pessoas, entre sertanistas, exploradores, mineiros, batedores, oficiais, camaradas e escravos que abriram a Picada de Goiás”. Essas Picadas eram ramificações da Estrada Real, já que serviam de escoamento do ouro e para o trânsito de mercadorias e pessoas, entre o sertão e o litoral.
A formação desta Bandeira – que durou três meses e abriu a Picada (caminho) de São João Del Rey até Paracatu – chegou célere aos ouvidos da Vila de Pitangui. Então, o sertanista Domingos de Brito tratou de arregimentar gente para abrir uma Picada entre Pitangui e Paracatu, para fazer um caminho mais rápido a Goiás.

O típico Bandeirante no séc. XVIII.
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Na Bandeira vinda de São João Del Rey havia o desbravador Tomaz Teixeira (com grande habilidade de comunicação e conhecedor de dialetos indígenas). Por orientação de índios, Tomaz foi a Pitangui para adquirir alguns produtos e encomendar (como era de costume) uma imagem de são Francisco de Paula, padroeiro da paragem (pousada, rancho) do Itapecerica (que significa caminho de pedra na correnteza do rio). Na Vila, inteirou-se de notícias dos abridores da Picada Pitangui – Paracatu e devido as visitas constantes, fez boas amizades e conheceu o Capitão de Entradas Francisco de Araújo e Sá. Os dois formaram sociedade e tomaram posse de um grande território nas imediações da Itapecerica (1743), as terras não haviam sido registradas pelo chefe da Bandeira (Matias Barbosa) assinado misteriosamente em 1742.
Nesta época o movimento começou a diminuir na região, devido às ameças de índios e escravos fugidos e concentrados no Quilombo do Ambrósio (um grande lider negro, considerado um Rei por seus seguidores). O governo da Capitania agiu logo e estabeleceu uma entrada (em 1746) para dizimar os índios selvagens e os negros aquilombados.
Tomaz Teixeira tratou de se articular com as autoridades de Pitangui, onde se respirava um ar de independência e brasilidade – herança da Guerra dos Emboadas - e conseguiu uma Portaria para o estabelecimento de um sítio para proteger os negros de maior valia e disposição (que eram os escravos libertos e prestavam bons serviços braçais). Em 1748, com o consentimento das autoridades religiosas erguia-se um orago (capela dedicada ao padroeiro) e um cruzeiro na paragem da Itapecerica. À época o capelão de Pitangui rezou a primeira missa no local.



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Cada região tem sempre dois ou mais municípios responsáveis por sua configuração territorial. Seus desmembramentos formam a malha da divisão político-administrativa regional. No Centro-Oeste destacam-se Pitangui e Itapecerica. O município de Itapecerica, criado em 1789, se desdobra em Formiga, Campo Belo, Divinópolis, Camacho, Pedra do Indaiá e São Sebastião do Oeste. Pitangui., instalado em 1715, se desdobra em Pará de Minas, Dores do Indaiá, Martinho Campos, Pompeu, Maravilhas, Nova Serrana, Papagaios, Conceição do Pará, Leandro Ferreira, entre outras”. Fonte:www.asminasgerais.com.br

8 comentários:

  1. Cada dia que passa eu fico mais contente com o blog!! Todo dia uma coisa diferente, sempre uma historia da nossa cidade muitas vezes desconhecida da maioria!! Parabéns!!! Que vcs continuem esse trabalho maravilhoso sobre a nossa cidade maravilhosa!!!

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  2. Olá André,
    seja bem vindo. Ficamos felizes com as palavras de apoio que estamos recebendo de nossos visitantes.
    Nos esforçamos para sempre apresentarmos um outro olhar sobre Pitangui.
    Abraço.

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  3. Caro André, faço minhas, as palavras do prof. Licínio!!! Enquanto mais e mais pessoas se interessarem pelas raízes de nossa cidade, o blog estará cumprindo o seu papel. E olha que temos muita coisa ainda por descobrir!
    Um abraço.

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  4. O Léo como turismólogo é um ótimo garimpeiro !!!!! Parabéns pela postagem !!

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  5. Tá tudo no mesmo balaio... história, cultura, culinária, natureza, música, arquitetura,etc, são matérias prima para o Turismo e vice-versa. E se é para o bem da cidade, vamos garimpando! Valeu Dênio. Agradeço a você e ao Licínio, por eu fazer parte deste projeto!!!!

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  6. Prezados amigos
    Pitangui tem os arquivos judiciário e administrativo mais importantes para a História do Centro-Oeste Mineiro. Por isto, sugiro que publiquem sempre as fontes documentais do que escrevem sobre a nossa história, pois, assim, além de fugirem da ficção, estariam a divulgar esse Patrimônio Cultural de Pitangui, de Minas e do Brasil.
    Quanto à Guerra Quilombola de 1746, com certeza NÃO havia “índios selvagens” naquele quilombo LOCALIZADO em região da atual cidade de Cristais-MG que, além disto, não tinha só escravos fugidos, mas também pretos forros e brancos pobres, todos estes fugidos do sistema tributário da Capitação. Confira as fontes primárias disto, publicadas na matéria “Quilombo do Ambrósio – 1746”, localizável através do Google.
    Um abraço do
    Tarcísio José Martins

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  7. Prezado Tarcisio, ainda em tempo, obrigado pela visita e participação no Daqui de Pitangui. Particularmente sou bastante rigoro com relação às fontes de pesquisa, direitos autorias e etc, portanto, como pode ser observado no primeiro parágrafo do texto (em azul) a fonte está idenficada. Mas reescrevo abaixo nas normas da ABNT: Fonte de pesquisa: A Prova 7 – Origens. Câmara Municipal de Divinópolis, pág. 31. maio de 1998. Com relação à temática Quilombo do Ambrósio (que não é o objeto de estudo e pequisa deste blog)as informações foram obtidas no livro, cuja referência foi citada.
    Um abraço.

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  8. Valeu, mano.
    Quanto a ABNT, tudo bem. Mas, quanto a saber se o fato é VERDADEIRO (documentado), essa prova é meramente BIBLIOGRÁFICA não satisfaz, pois não cita fonte documental. Aliás, sobre a História de Minas o que há de livros escrevendo coisas inventadas daria uma imensa fogueira.
    Sobre o Quilombo do Ambrósio, peço que me ajude a divulgar a minha contenda com os embustes do IPHAN.
    In
    http://www.mgquilombo.com.br/site/Artigos/bens-quilombolas-materias-e-imateriais/iphan-impostura-e-prepotencia-historicas-arrogantes-e-nebulosas.html

    Um abraço do
    Tarcísio

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