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sábado, 19 de junho de 2010

Correspondências de Gustavo Capanema

No livro "Tempos de Capanema" (2000) encontramos a reprodução de algumas correspondências de Gustavo Capanema com personalidades da política e da cultura brasileira e internacional, mas uma correspondência me chamou a atenção. Trata-se de uma carta enviada à sua mãe, Dona Marciana Júlia Freitas Capanema, datada de 1931. Nela Capanema mostra sua preocupação com a saúde do irmão, Corinto, e da mãe,mas também revela um pouco da política brasileira daqueles dias, marcada pela troca de favores, típico das práticas clientelísticas. Capanema também deixa claro o interesse em manter sua família em Pitangui para atender aos seus interesses políticos. Reproduzo abaixo a carta na íntegra.




"Belo Horizonte, 12.1.1931

Minha mãe,
Um abraço. Acabo de receber a sua carta. Fiquei muito magoado com as notícias que a senhora me dá, não só de seu mal-estar como também da doença do Corinto. Aí vai um pouco de dinheiro.
Peço-lhe que me mande dizer com urgência onde está meu pai, pois o lugar dele já está arranjado. Ele deve vir morar em Pitangui, onde a senhora e ele deverão ter casa. O João e Alice deverão instalar-se logo em Pitangui. O João está contratado para professor da Escola Normal, devendo a nomeação dele para diretor sair nestes poucos dias.
Meu pai irá para o cargo de escrivão da Coletoria Federal, tendo eu já arranjado um lugar para o Vital aqui em Belo Horizonte.
O Corinto deverá submeter-se a rigoroso tratamento, para o que seria bom que consultasse um especialista daqui. Fala ao Alisinho para trazê-lo aqui.
Quero ver se arranjo para o José um lugar no Banco do Brasil, aqui na agência de Belo Horizonte. O Alisinho quer ser nomeado para o lugar do Nêm Vilaça, mas não estou com vontade de fazer isso. Se me for possível, arranjarei um lugar para ele aqui.
Seja como for, a nossa família deve ficar instalada em Pitangui. Lá é que deve estar o nosso centro. Eu quero muito a Pitangui e não desejo separ-me daquele povo. Além disso, tenho lá interesses políticos. É principalmente por isso que preciso ter em Pitangui um ponto de descanso, ou um centro de informação e trabalho.
Espero que tudo isso se fará logo. Até que se normalize a situação, peço-lhe que me comunique todas as suas necessidade, para eu arranjar jeito para afastá-las.
Adeus. Abençoe o seu filho,
Gustavo"
FONTE:
SCHWARTZMAN,Simon;BOMENY,Helena Maria Bousquet;COSTA,Vanda Maria Ribeiro. Tempos de Capanema. p. 297, São Paulo: Paz e Terra:Fundação Getúlio Vargas,2000.

6 comentários:

  1. Percebe-se o poder político e as redes clientelares de Gustavo Capanema. Infelizmente nada fez por Pitangui. Parabéns pela postagem professor.

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  2. Creio que a elite política de Pitangui não soube tirar proveito em benefício do município, afinal Capanema criou o IPHAN. Nas fontes onde consultei existem várias cartas de moradores de Pitangui, que eram do círculo de amizade de Capanema, pedindo emprego, mas ninguém pede uma melhoria para a cidade. Difícil,né?

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  3. ... pois é... meus amigos e se os nossos representantes atuais atraíssem os olhares do IPHAN para "o lugar onde o Gustavo Capanema nasceu"!?!? O nosso patrimônio cultural e o turismo..., agradecem. Fica registrada a minha sugestão.

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  4. A ação do poder público na vida e no dia a dia de nosso pais era uma coisa incrivel, é de lá que muita coisa estranha que ainda acontece hoje, se fez corriqueira!!!!

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    1. Lamentavelmente, Gustavo Capanema não fez absolutamente nada por Pitangui.

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