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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Poema de Corgozinho Filho dedicado a Vasco Azevedo

























Vasco Azevedo
Nesta postagem apresento um poema de Corgozinho Filho dedicado a seu amigo Vasco Azevedo, jornalista e político pitanguiense. O poema foi extraído do livro "Pipilos - Primeiros Versos", publicado originalmente em 1897. Corgozinho Filho e Vasco Azavedo foram contemporâneos em Pitangui. A respeito de Vasco Azevedo, estamos preparando para breve uma postagem sobre este ilustre pitanguiense. Aguardem.



O poema "O Trabalho" foi escrito em 1896, um ano antes da publicação de "Pipilos..."


O TRABALHO
(A Vasco Azevedo)

VAMOS! Lutar! Lutar! O Sol surgindo,
Em carícias de luz acorda a Terra;
De vale em vale, vai de serra em serra,
Qual clarim de rebate, o sol luzindo.

É dia; as aves cantam: sai zumbindo
O inseto; nos redis a ovelha berra;
As iriadas pétalas descerra
À luz a flor, as pétalas abrindo.

Passa cantando em busca da lavoura
Quem na terra labuta, enquanto estoura
Na ardente fragoa o retumbar do malho.

A batalha da vida é rubra e acesa:
Unem-se o Sol e a Terra e a Natureza,
Celebrando a epopéia do trabalho.


II

Como é suave ao viajor cansado
À fresca sombra amiga recostar,
E do caminho imenso caminhando
Os fatigados membros repousar!

Como é suave ao caminheiro ardente
Beber da linfa pura no deserto,
Quando flameja o sol ardentemente,
Emurchecendo a flor no campo aberto!

Como é suave ao homem que trabalha,
Lobrigar doce raio d’esperança,
Que n´o conforta em meio de batalha,
Que no lutar infrene não se cansa!

Como é suave ter, depois da vida,
Uma outra vida mais alegra e pura,
Em que o homem recebe então devida
Recompensa, num éden de ventura!

Oh! Trabalharemos, pois ! A vida é breve;
Enquanto a força máscula se expande,
Lutemos todos! Que o trabalho é leve,
Quando o seu prêmio prometido é grande...

1896.





FONTE:
FILHO, João Alves Corgozinho. Pipilos,Primeiros Versos:Canção,2ª ed. Divinópolis, M.G.:Mais Gráfica e Editora,2004.

2 comentários:

  1. O que me chamou mais atenção no poema é o acreditar na transforção, pela força do trabalho. Os personagens mais ilustres do nosso passado, foram aqueles que sonharam alto.
    Bela postagem, professor!

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  2. Léo,
    este otimismo nos versos de Corgozinho Filho são alimento para a alma daqueles que não temem a labuta.
    Abraços.

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