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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cachaça Barcelona

Fotos: Leonardo Morato.

Conforme anunciamos na semana passada, pretendemos rodar pelos arredores da cidade (quando for possível), para mostrar as belezas e peculiaridades da zona rural de Pitangui. Então, no sábado dia 23, atendendo ao convite, fomos até a Fazenda Santiago, na região atrás da serra da Cruz do Monte, visitar o Alambique da Barcelona, uma tradicional cachaça pitanguiense. Na propriedade fomos muitíssimos bem recebidos pelos anfitriões Batista Barcelos e sua esposa, a professora Edilma (visitante assídua do blog). Além de um bom bate papo sobre assuntos diversos, conhecemos e degustamos algumas das belezas da fazenda, visitamos o alambique e presenciamos o processo de fabricação da Barcelona.

Chegando na fazenda.

O Batista nos contou que a cachaça é produzida desde 1914, pelo seu avô, depois pelo seu pai, o senhor Zé Barcelos e atualmente a produção está sob a direção do seu irmão Ozanir, ou seja, a Barcelona já tem quase 100 anos de tradição.

A antiga Roda D'agua.

No alambique, proseamos com o senhor Denilson responsável pela fabricação artesanal da pinga, que nos relatou sobre o processo onde a temperatura e pressão do alambique precisam ser rigorasamente ajustados e controlados para que a “danada” saia no ponto.


O antigo moinho de cana.

A fabricação da água ardente é feita em 4 ou 5 etapas:
1 A cana-de-açucar é plantada utilizando espécies selecionadas pelo teor de açucar e pela facilidade de fermentação do caldo e é cortada em épocas específicas.


A cana no alambique.

2 A moagem da cana deve ser feita em até 36 horas após o corte e separa o bagaço do caldo (garapa) que é coado antes de ser armazenado. Existem moinhos elétricos e movidos por roda d'agua.


A garapa.

3 A fermentação é feita em grandes toneis de aço onde o caldo fica por um período médio de 24 horas. Geralmente utiliza-se água, fubá de milho ou farelo de arroz para auxiliar na fermentação da cana, agregando o teor alcóolico.


A caldeira que aquece o alambique.

4 A destilação consiste em apurar o liquido produzido na levedura (fermentação) devido a presença de toxinas, ácidos e bactérias. A destilação é feita em alambiques de cobre para apurar o grau alcóolico da cachaça que deve ter média de 38 a 42 graus, para isso separa-se os primeiros e últimos 10% da tiragem (cabeça e calda) para manter a qualidade.

O Batista e o produto final.

5 A última etapa que valoriza a cachaça, mas é facultativo ao gosto do fabricante e do consumidor, é o armazenamento e envelhecimento em toneis de madeira (carvalho, bálsamo, umburana, jequitibá, etc).

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Na fazenda, observamos o cuidado com a natureza e a consciência ambiental. O processo de fabricação aproveita 100% da cana, onde o bagaço é usado para alimentar o gado e sustentar o fogo da caldeira. E a água que sobra, é usada para irrigar a plantação de cana. Essa tarde de sábado foi muito prazeroza e gratificante tanto pela receptividade quanto pelas belezas da fazenda. Em breve mostraremos mais imagens e informações desse passeio e faremos uma abordagem histórica sobre o motim da cachaça ocorrido em Pitangui.

Pesquisa complementar: Revista Jornal do Brasil - Circuito da Cachaça de Minas. Impressão Vanguarda Rio S.A. Rio de Janeiro, 2001.


A cachaça pronta.

História ou "causo"?

Antigamente, no Brasil, para se ter melado os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o "azedo" do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e se formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente, era a cachaça já formada que pingava ( por isso o nome PINGA), e quando batiam nas suas costas marcadas com as chibatadas ardia muito, por isso o nome "AGUARDENTE". Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca os escravos viram que a tal goteira dava um barato, e passaram a repetir o processo constantemente. Hoje, como todos sabem, a pinga é símbolo nacional!

(Fonte não identificada).

13 comentários:

  1. Ahh..a boa e velha cachaça Barcelona!!! Post de altissima qualidade..assim como a cachaça!!

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  2. Léo,
    a visita à Fazenda Santiago foi muito bacana. Agradecemos à receptividade dos anfitriões Batista e Edilma. Foi uma verdadeira viagem no tempo conhecer o alambique.

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  3. Valeu André. Um comentário desse, vindo de um especialista no assunto (rrss), muito nos honra!!! Abração.

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  4. Concordo contigo professor! E aí, você faz a segunda parte do post.? Um abraço.

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  5. Ja estive la na fazenda! Tradição familiar que se perpetua por décadas!!!! Stefania

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  6. Olá Stefânia, seja bem vinda ao blog! Realmente o ar de tradição e bucolismo da fazenda, nos enche os olhos. Um abraço.

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  7. Olá Leonardo,adorei a postagem e posso lhe dizer que ainda não estive na fazenda mas essa branquinha eu já provei e "adorei".Parabéns aos primos Batista e Edilma e parabéns a voce pela postagem.Um abraço, Maria da Conceição
    Itaúna MG

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  8. Olá Leo,

    Muito legal a postagem (aliás, como todas). Foi muito prazeroso para nós, Batista e eu, recebermos vocês em nossa casa. Esperamos repetir a dose (literalmente, rsrs...), com um pouco mais de tempo, para também, continuar remexendo o baú. Estou certa de que encontraremos grandes histórias.

    Um abraço.

    Edilma.

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  9. Olá Conceição, bem vinda novamente! Em breve divulgaremos belas imagens da fazenda! Quanto à boa branquinha, ela faz parte da identidade nacional! Um abraço.

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  10. Oi Léo. Puxa parabéns pelo post.
    Nós temos um projeto sobre a cachaça - mapadacachaca.com.br
    Divulgamos seu post no nosso twitter e facebook!
    Depois me diga o que achou do site do Mapa da Cachaça.
    Seu blog me deixou com vontade de conhecer Pitangui!
    abraços
    Felipe

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  11. Olá Edilma. Nós é que agradecemos a recepção! Vamos marcar outra visita e demorar um pouco mais para conhecer novas histórias. Pretendemos divulgar mais fotos em breve. Um abraço, extensivo ao Batista.

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  12. Prezado Felipe, seja bem vido ao daquidepitangui!!! Em nome da equipe do Blog, muito obrigado por apreciar e divulgar o nosso trabalho. Pitangui é rica em história e possui diversos alambique que destilam essa iguaria brasileira! Venha nos visitar! Grande abraço.

    Reproduzo abaixo a sua divulgação:
    http://twitter.com/mapadacachaca
    Belo post sobre a Cachaça Barcelona, feito pelo pessoal do blog "Daqui de Pitangui". Para apreciar, pessoal! http://bit.ly/bjbWGJ about 5 hours ago via web

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  13. Que delícia! Até fiquei com vontade de tomar "uma".
    Excelente postagem, pessoal! Parabéns!

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