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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fernando Brant

Na edição de ontem do jornal Estado de Minas, no Caderno de Cultura, Fernando Brant, filho do Sr. Moacir Brant e da pitanguiense Dona Iolanda Rocha Brant, conta sobre o livro que sua madrinha acabou de lançar, relatando histórias de Pitangui. A madrinha do Fernando é a Dona Amália, mãe do Prefeito Evandro Rocha Mendes. Fernando tem outras crônicas falando a respeito de suas passagens por Pitangui que mostraremos noutras ocasiões.
Degustem as palavras do grande poeta e bom apetite a todos !!!!!

Fernando Brant.
Foto: Jornal Estado de Minas.


Carlos Drummond de Andrade disse que não sabia que sua história era mais bonita que a de Robinson Crusoé. É comum poetas poetarem sobre sua infância, eles que sonham a vida inteira como se meninos fossem. A fantasia é o território deles, mas pode ser de todos nós. Fui buscar minha neta na escolinha e ela me chegou, cheia de sorrisos e abraços, com um livro entre os braços. Eram os desenhos que ela fizera sobre o balé que dançara, a história da dona Baratinha, que tinha fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Viajei naquela magia de cores e alegria que só as crianças têm.

Voei em seu mundo e me senti feliz. Minha madrinha também tem um livro para mostrar. São suas lembranças de menina em Pitangui, no Centro-Oeste, a sétima vila do ouro de Minas. Ela fala de lembranças de sua cidade e escrevi algumas palavras para compor a sua obra: “Tia Amália, como se estivesse ao pé do fogão em uma noite interiorana longínqua, abre o coração e busca na memória os acontecimentos de sua vida de menina e moça. Era a Pitangui dos jogos de rua, das festas inocentes, do footing, dos mendigos que vinham até as casas nos dias de sábado para receber comida e esmola. Tempo de maria-fumaça, tempo de uma existência que ela, generosa, resolve preservar e nos contar. Tempo de uma menina e moça feliz”.

Aí, passeio pelas histórias de Portinari, o menino de Brodósqui. Estudante em Paris, em 1929, depois de visitar museus e conviver com a intelectualidade, concluiu que queria mesmo era pintar a cidade natal. “Pintar aquela gente com aquela roupa e aquela cor. Tenho saudades de Brodósqui – pequenininha, 200 casas brancas de um andar, no alto de um morro espiando para todos os lugares”. No livro O menino de Brodósqui, Cândido Portinari relembra suas travessuras e brincadeiras de criança. Para o dia: bola de gude, pião, arco, avião, papagaio, diabolô, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol. Para a noite: pique, barra-manteiga e carniça. E o padre, recém-chegado à cidadezinha, introduziu um outro jogo que, como esses, também trouxe felicidade à minha meninice: o bente altas.

Acompanham essas lembranças reproduções de pinturas e desenhos deslumbrantes, imagens maravilhosas de um Brasil criativo e humano: Meninos na gangorra (“sabe por que pinto tanto menina e menino em gangorra e balanço? Para botá-los no ar, feito anjos”); Natividade; Meninos soltando papagaios; O sonho; Banda de música; Fuga para o Egito; Menina de tranças; Banda de Brodósqui; Festa de São João; Futebol; Circo; Os despejados; Brodósqui (“onde está aquele eu que ficou no povoado?”); Futebol II; Café; Menino com estilingue; Menino com carneiro; Menino com diabolô. E vários retratos de sua neta, Denise.

O homem, o pintor, o poeta. O Brasil, a infância, o operário criador da arte. Portinari é para amar e emocionar.

3 comentários:

  1. Oi Dênio...
    já tive notícias deste livro, que espero podermos divulgar por aqui. Quanto às crônicas de Fernando Brant, estaremos aguardando as postagens.
    Abração.

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  2. Meus amigos, eu já vi um exemplar de um livro da D. Amália na Bibliotca Municipal, será que se trata do mesmo livro?
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    Façamos então a nossa Brodósqui, contanto, cantando, escrevendo, fotografando e saboreando Pitangui!!!

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