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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Outras riquezas minerais de Pitangui - Parte I

Esta é a primeira de uma série de reportagens que abordarão outras riquezas minerais que Pitangui produz ou produziu além do ouro. Em alguns casos o local de exploração já não se encontra mais em terras pitanguienses, já que ao longo dos anos os distritos onde se localizavam as jazidas se emanciparam, como por exemplo Conceição do Pará e Leandro Ferreira. Muitos dados aqui expostos podem estar incompletos visto que foram obtidos através de pesquisas na internet e qualquer informação que possa complementar o trabalho será bem vinda.


Parte 1 – Manganês
Após ser informado por Jairo Freitas que na terra de sua família existiu uma mina de manganês, pesquisei na internet por maiores detalhes e me deparei com decretos da década de 40 e 60 que autorizavam a pesquisa do minério em terras pitanguienses.
O manganês (Mn) é um metal acinzentado, duro, muito frágil e capaz de suportar altas temperaturas. É bastante utilizado na fabricação do aço, proporcionando maior dureza a esta liga, e também na fabricação de pilhas.

Sr. João Francisco de Freitas e Vandeir no caminho que leva a antiga mina

A existência do mineral em Pitangui é conhecida desde 1812 quando pela Vila passou o geólogo alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege que relata o terreno da Vila: “...com muitos pontos negros de manganês, que se encontram freqüentemente no caminho em pedaços, como amêndoas.”
É somente com o incremento da indústria metalúrgica no séc. XX, mais especificamente na década de 40, que se dá o início da extração do manganês pitanguiense. Na internet é possível encontrar 9 decretos autorizando a exploração do manganês no município:

Após os devidos contatos, parti junto com meu amigo Lucas Navarro (Tuzica) em busca da antiga jazida indicada por Jairo Freitas. O local fica a 14,5 km de Pitangui em linha reta, sentido nordeste, e a 24 km através da estrada que leva a Coqueiros. O Sr. João Francisco de Freitas nos recebeu de forma muito cordial em sua fazenda e imediatamente se prontificou a nos levar até o local onde o minério era extraído a cerca de 1,5 km da sede. Ele disse se lembrar perfeitamente da estrutura que o Sr. Fernando de Souza Melo Viana (Decretos 9.873/17.799) montou nas terras de seu pai, João Batista de Freitas, para o beneficiamento do manganês. Além do equipamento destinado a classificação do minério, existiu também no local uma pequena vila composta de cerca de 20 casas para os funcionários e um armazém destinado o abastecimento do pessoal. Após o beneficiamento, de acordo com a granulometria, o minério era classificado como sendo de 1ª, de 2ª e em pó e era embarcado em caminhões que levavam até 4 toneladas de carga até a estação de trem de Pitangui onde já haviam vagões específicos para o transporte do minério até a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira em João Monlevade. Vale ressaltar que até então o acesso a região dos Coqueiros se dava somente através da estrada carreira (trânsito exclusivo de carros de boi) e que a exploração tornou obrigatória a ampliação da estrada para viabilizar o tráfego dos caminhões.
Afloramento do minério na antiga jazida

Conforme já havia observado Eschwege, o manganês que se vê na região não se encontra concentrado, como observado em grandes minas de minério de ferro, percebe-se que ele aflora em pontos distintos. É bem provável que esta característica tenha tornado inviável a continuidade da exploração do manganês presente no município, não havendo atualmente nenhuma atividade extrativa deste mineral em Pitangui.
Vandeir Santos

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