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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

1822 - Dica de Leitura


A dica de leitura de hoje, para quem também gosta de História, é o livro 1822 de Laurentino Gomes (mesmo autor de 1808). Além dos importantes acontecimentos do ano de 1822, como o Dia do Fico em 9 de janeiro e a Proclamação da Independência em 7 de setembro, o livro relata os principais fatos e as grandes adversidades vividas no país, que começava a formar a sua identidade, na regência de D.Pedro I.
Sobre o “Grito do Ipiranga” o livro cita a participação do Padre Belchior, vigário de Pitangui e conselheiro do Imperador, veja alguns trechos a seguir:

Em relação à montaria de D. Pedro o autor afirma que nem de longe se parecia com o belo alazão retratado no famoso quadro "O Grito do Ipiranga" e escreve:


“Outra testemunha, o padre mineiro Belchior Pinheiro de Oliveira cita ‘uma bela besta baia’. Em outras palavras, uma mula sem nenhum charme, porém forte e confiável” (GOMES, pág.30, 2010).

Sobre a comitiva de D. Pedro, o autor afirma:


"Eram todos muito jovens, a começar pelo próprio D. Pedro que completaria 24 anos um mês depois, no dia 12 de outubro. Padre Belchior, com a mesma idade, nascido em Diamantina, era vigário da cidade mineira de Pitangui, maçom e sobrinho de José Bonifácio" (GOMES, pág. 30, 2010).

No livro, é citado também que quatro anos mais tarde (1826) o Pe. Belchior escreveu um depoimento sobre o que havia testemunhado:

"D. Pedro tremendo de raiva arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-os na relva. Eu os apanhei e guardei. Depois virou-se para mim e disse:
- E agora, padre Belchior?
Eu respondi prontamente:
Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil será prisioneiro das cortes e, talvez, deserdado por elas. Não há outro caminho senão a independência e a separação.
D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros, em direção aos animais que se achavam à beira do caminho. De repente estacou no meio da estrada dizendo-me:
- Padre Belchior, eles o querem, eles terão a sua conta. As cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Pois verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações. Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre separado de Portugal.
Respondemos imediatamente com entusiasmo:
Viva a liberdade! Viva o Brasil separado! Viva D. Pedro!
O Príncipe virou-se para o ajudante de ordens e falou:
Diga à minha guarda que eu acabo de fazer a independência do Brasil.
Estamos separados de Portugal.
O tenente Canto e Melo cavalgou em direção a uma venda, onde se achavam quase todos os dragões da guarda". (GOMES, pág.36, 2010).

Em outra versão, no próprio livro, o Alferes Canto e Melo relata que D. Pedro proferiu a célebre frase:


- É tempo! Independência ou morte! Estamos separados de Portugal! (GOMES, pág.37, 2010).


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Mas como já disse o professor Licínio: "Para a nossa sorte na história não há verdades definitivas".

Fica aqui a nossa dica de Leitura de Hoje!

GOMES, Laurentino. 1822. Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado. 1ª ed. Rio de Janeiro, Editora Fronteira 2010.
Túmulo de Pe. Belchior no Adro da Igreja Matriz de Pitangui.
Foto: Paulo Campos.

4 comentários:

  1. Prezado Leonardo. Senti-me honrado pela recomendação e citação de trechos do livro "1822" no seu blog. Agradeço e lhe desejo um excelente Ano Novo. Abração. Laurentino Gomes

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  2. Muito nos honra a visita do grande jornalista e escritor Laurentino Gomes !!

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  3. Prezado Laurentino, o seu trabalho de pesquisa que também divulga parte de nossa história, muito nos orgulha! Seja bem vindo ao Daqui de Pitangui. Em nome da equipe do BLOG lhe desejo um Feliz e Próspero Ano Novo!

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  4. Já li 1808 e agora estou lendo 1822. Sensacional! Fantástico! O livro narra a história do Brasil numa facilidade que nenhum de meus professores de História (nem os livros da escola) conseguiram ter. A participação do padre Belchior foi interessantíssima. Em determinado trecho, Laurentino Gomes cita outro autor que nos recomenda duvidar das palavras ditas pelo padre Belchior em suas cartas, uma vez que ele poderia querer se colocar, na narrativa, de modo a valorizar historicamente sua figura. Ou seja: dizendo-se mais influente do que realmente era.

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