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domingo, 26 de dezembro de 2010

História da Indústria Têxtil em Pitangui

A partir de hoje postarei alguns artigos sobre a história da indústria têxtil em Pitangui.
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PARTE I – ORIGENS
Durante o período colonial a produção têxtil na região das Minas Gerais ocorria em escala doméstica, de forma artesanal. Os acordos firmados entre Portugal e Inglaterra a partir da segunda metade do século XVII prejudicaram o desenvolvimento de um setor manufatureiro tanto em Portugal quanto no Brasil, que atendendo à lógica mercantilista, em vigor naquele momento histórico, assumia o papel de fornecedor de matérias primas e consumidor de manufaturados vindos da metrópole.
Em meados do século XVIII, durante o reinado de D. José I, assumia o cargo de Secretário de Estado do Reino (1750-1777) Sebastião José de Carvalho e Melo, o primeiro Conde de Oeiras e Marquês de Pombal. Representante do Despotismo Esclarecido em Portugal, colocou em prática uma série de medidas que buscavam criar alternativas econômicas que diminuíssem a dependência de Portugal em relação à Inglaterra. Neste sentido, procurou dinamizar a produção portuguesa em relação à concorrência estrangeira - em especial a inglesa -, desenvolveu o comércio colonial visando o enriquecimento da metrópole e estimulou a produção manufatureira, possibilitando que em Minas Gerais iniciasse uma produção têxtil rudimentar, pois não havia na colônia capital privado para alavancar esta atividade.
Com a morte de D. Jose I, assume o poder D. Maria I, a louca, que destitui Pombal do cargo e, em 05 de janeiro de 1785 assina o Alvará proibindo a produção manufatureira no Brasil. Com a determinação de D. Maria, todos os teares foram imobilizados e recolhidos. Em Pitangui e em outras localidades mineiras houve resistência e a produção têxtil permaneceu clandestinamente. Só com a chegada da corte portuguesa ao Brasil em 1808 a produção têxtil foi retomada, com a revogação do Alvará de 1785.
No decorrer do século XIX a produção têxtil em Minas Gerais se dividia em dois processos produtivos: a produção doméstica e a produção fabril. Em Pitangui, o primeiro processo produtivo já vinha se desenvolvendo desde o século XVIII, já que havia matéria prima oferecida pela produção algodoeira local. Uma parte desta produção era enviada para outros mercados como o Rio de Janeiro e Bahia, enquanto outra parte era consumida internamente. Corroborando com o exposto aqui MELLO (1991) afirma que em 1812 Eschwege encontrou em Pitangui uma ativa produção de fiação e tecelagem e que a vila, juntamente com Minas Nova era um importante centro de venda de algodão, que era enviado para o Rio de Janeiro, com destino final o mercado inglês.
A produção têxtil doméstica ainda permaneceu ativa até a década de 1960, como bem comprova o folclorista Saul Martins em sua obra “A indústria Caseira em Pitangui” (1966), que ao percorrer o município de Pitangui identificou e registrou várias famílias que ainda sobreviviam da produção doméstica de fios e tecidos.
Fonte:
MARTINS, Saul. A Indústria Caseira em Pitangui. Série Artesanato.Belo Horizonte,Imprensa Oficial:1966.
Na próxima postagem falarei sobre a fábrica do Brumado.

4 comentários:

  1. Belo trabalho de pesquisa, professor! Muito interessante! São os acontecimentos e a fundamentação histórica, explicando fatos de um passado recente (a Cia de Tecidos) e uma vocação de Pitangui. E por falar nisso, o grandioso espaço onde funcionava a Fábrica, está sendo utilizado para algum fim?
    Um abraço.

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  2. Oi Léo,
    é interessante saber sobre esta indústria têxtil doméstica existente em Pitangui até uns 40 anos atrás e também o pioneorismo de nossa cidade na produção industrial de tecidos.
    Hoje a Santanense utiliza a antiga fábrica como despósito.

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  3. Bela postagem professor. A família teve contato com a família que administrava a Cia de Tecidos de Pitangui, os Guimarães. Minha mãe e meus tios contam muitas histórias daquela época.
    Parabéns pelo garimpo !!

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