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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Palmeiras de Pitangui

Em 04 de agosto de 2010, postamos uma matéria comentando o livro de Monsenhor Bicalho, Palmeiras de Pitanguy, editado em 1948, em que o autor faz um relato das palmeiras existentes em Pitangui. Nesta postagem, transcrevemos a respeito das palmeiras que existiam onde hoje é a Câmara Municipal. A transcrição foi feita na íntegra, respeitando a grafia original editada.

Aos pitanguienses dedico estas páginas em troca de alguns cruzeiros para a Santa Casa de Pitangui, cuja construção teve o seu acabamento, há 100 anos 1847.
Monsenhor Bicalho/1948.




As palmeiras do Banco Hipotecário


As três palmeiras, imponentes, ao lado do antigo Banco Hipotecário.
Foto: Arquivo Público Mineiro.
Em 1884, ainda no regimen monárquico, o finado João Alves Machado indo ao Rio de Janeiro, ao regressar das côrtes, encantado com a formosura das esbeltas, palmeiras de D.João VI, arrancou do convívio aristocrático da Côrte, transplantando para Pitangui, três crianças – três palmeirinhas que por ele plantadas junto da Capela de Santa Rita, onde está hoje o Banco Hipotecário, cresceram e se tornaram moças, conservando o mesmo luxo da Metrópole, os mesmos hábitos de linhagem nobre fugindo sempre toda a relação com os coqueiros daqui, de família humilde, de vida diferente. Apesar de sua origem dessemelhante e de costumes fidalgos, adaptaram-se ao meio e se tornaram formosas e ricas, mais bem afortunadas que os naturais cuja vida de exíguos recursos os transtornou pobres, depauperados uns e doentios outros como os que moram perto da Capela da Cruz.

Aqui percebe-se, ainda, as três palmeiras.

É mesmo assim a condição da vida. Os estranhos são muitas vezes bem sucedidos que os naturais. Aqui conquanto hajam adquirido fortuna alguns cavalheiros cujos nomes não cito, para outros não melindrar, há peregrinas somas de tesouros estranhos do nosso “habitat”. Ao meu ver, as palmeiras tomaram a melhor posição na cidade. Foram residir num dos melhores pontos da nossa “urbs”.

“Um trecho d´horizonte
Que se avista bem
Da estação local
Lá em cima, além”



Aqui, só duas restaram.
Analisando as fotos anteriores, nessa foto, a palmeira do meio já não existia mais.

Tenha n’álma depois que te conheci, ó encantadora trindade, um murmúrio, uma alvorada, uma alacridade de qualquer coisa que ilumina a alma, um entusiasmo que me desperta alegria, das alegrias das manhãs de festas, das festas da ressurreição do meu espírito.


Aqui, infelizmente elas já não mais existem.
Foto: Léo Morato. 02/2009.

2 comentários:

  1. Belo post Dênio!!! Pelas imagens percebemos a transformação da paisagem urbana de Pitangui, através das décadas.Bela narrativa poética do Monsenhor Bicalho.

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  2. As palmeiras da terra brasilis sao mesmo maravilhosas! (Se eu tivesse nascido em outro país não saberia o que é ser feliz!)
    As fotos deste post são belíssimas, Dênio, em especial as do bando hipotecário! parabéns pela escolha! Mal vejo a hora de conhecer Pitangui e provar de tudo que vcs colocam neste blog!

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