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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

História da Indústria Têxtil em Pitangui

PARTE II: A FÁBRICA DO BRUMADO


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Em 1866 chegava à Pitangui Francisco José de Andrade Botelho, mineiro de Carrancas de Lavras, mas estabelecido na capital do império, onde era proprietário da casa comercial "Botelho, Irmão & Andrade". Naquele tempo Pitangui mantinha estreitas relações comerciais com o Rio de Janeiro através do comércio de gado,algodão e outros gêneros e Botelho decidira vir à "Velha Serrana" para firmar alguns contatos comerciais.


Francisco José de Andrade Botelho

Em Pitangui conheceu a jovem Francisca Álvares da Silva, filha de tradicional família, com quem se casou estreitando seus laços afetivos e comerciais no município. Neste sentido, decidiu instalar ali uma fábrica de tecidos, que no primeiro momento poderia ocorrer na fazenda "Ponte Alta", devido a aspectos favoráveis de sua localização, porém, diante à resistência do então proprietário das terras, Quintiliano Rodrigues Pereira, a fábrica foi instalada na localidade de Brumado, onde, desde o início do século XVIII deu-se grande exploração aurífera. A fundação da fábrica de tecidos do Brumado é considerada marco fundador do processo de industrialização na região do Alto São Francisco/Minas Gerais.
Segundo MELLO (1991), em 1882, com capital de 150:000$000, a fábrica possuía  20 teares e 1334 fusos ingleses, além de tinturaria a vapor movida por motor de 30 cavalos e, que poderia ter sua capacidade ampliada para 70 cavalos. Empregava em torno de 60 a 80 operários (entre adultos e crianças). Neste período a fábrica consumia em torno de 200 quilos de algodão produzidos em Pitangui, Pará de Minas e Sabará, com preço de mercado que variava entre 140 a 160 réis. Isso permitia uma produção diária de 600 metros de tecidos, além de linha que eram vendidos  em Pitangui, Pará de Minas, Oliveira, São João Del Rey, Abaeté, Araxá, Uberaba, Formiga, Tamanduá, Curvelo entre outras.Consta que anos antes, Botelho participou da fundação da primeira fábrica de tecidos de Minas Gerais, a "Indústria Machadense", localizada no distrito de Santo Antônio do Machado, hoje município de Machado, sul de Minas.
O acúmulo de dívidas comprometeu os negócios de Botelho, em 1886 ficou viúvo, vindo a falecer dois anos depois, em 23 de julho de 1888, sem deixar filhos. Seu cunhado e testamenteiro, Jacinto Álvares da Silva Campos o substituiu à frente da fábrica, mas por pouco tempo, negociando-a com Luiz Augusto Viana Barbosa pelo valor de cento e sessenta e seis contos de réis. Em 13 de dezembro de 1893 foi constituída a sociedade anônima denominada "Companhia Industrial Pitanguyense" a partir da aquisição da fábrica do Brumado.



FONTE:
MELLO, José Waldemar Teixeira de. Santanense,revolução filosófica e industrial em Sanct'Anna de São João Acima,coleção povos pitanguienses, v. I. Belo Horizonte:Rumos Editorial,1991.
http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.asp?id_projeto=27&ID_OBJETO=70017&tipo=ob&cp=000000&cb=, acessado em 02/01/2011.


Na próxima postagem sobre este tema  contaremos um pouco da história da Companhia Pitanguyense de Tecidos.

6 comentários:

  1. Parabéns pela postagem, Licínio. Mais uma vez você cumpre seu papel de nos manter informados sobre os personagens que marcaram a história de nossa cidade.

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  2. olá Ricardo Welbert,
    obrigado pelo incentivo, nossa missão aqui é revelar, principalmente aos pitanguienses, aspectos da história do município, que muitos desconhecem.é interessante como pessoas de outras regiões do país ficam maravilhadas com nossa história.Estamos nos tornando em uma das principais fontes de consulta sobre a história de Pitangui e do centro-oeste mineiro.
    Abração.

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  3. Muito bacana Licínio! É a história afirmando a nossa identidade. Um abraço.

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  4. Oi Léo,
    é isso aí...Pitangui ainda tem muitas histórias a nos revelar.
    Abração.

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