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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Patrimônio de Minas:Pitangui foi notícia no Estado de Minas de 24 de janeiro de 2011.

Na edição de 24 de janeiro de 2011, o jornal Estado de Minas apresentou matéria sobre o patrimônio histórico de Pitangui. O texto jornalístico foi produzido por Paulo Henrique Lobato. Reproduziremos abaixo a matéria.


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"Patrimônio de Minas
Com o prédio que abrigava museu abandonado há décadas, cerca de 70 peças sacras de valor incalculável estão trancadas longe dos olhos do público, em uma sala no centro de Pitangui.

Paulo Henrique Lobato
Enviado Especial

Pitangui - Um tesouro que preserva várias páginas da história do país, e cujo valor é incalculável está escondido dos cidadãos numa sala trancada a sete chaves, no centro de Pitangui a 130 quilômetros de Belo Horizonte. Cerca de 70 peças sacras - muitas com até 300 anos - precisaram ser transferidas para o local (cujo endereço será preservado por questão de segurança), devido à péssima estrutura do casarão que abrigava o Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares, erguido no centro do município conhecido como a Sétima Vila do Ouro, fundado em 1715, e cidade-mãe de pelo menos outras 40 cidades do centro-oeste de Minas Gerais, como Divinópolis, Pará de Minas e Nova Serrana.
O antigo casarão de dois andares que abrigava as imagens, erguido na segunda metade do século XIX,foi danificado em razão de um histórico de negligência que vem de mais de 50 anos. "A última grande reforma foi na década de 1960", afirma César Miranda, presidente do Instituto Histórico de Pitangui. A fachada, com seis janelas em cada pavimento, está comprometido por imensas trincas. Parte das cimalhas,que dão charme ao sobrado, também foi danificada pela ação do tempo. "O prédio está fechado há quase 20 anos", lamenta Ronan Ivaldo, presidente do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Pitangui.
A degradação produzida por décadas de descaso determinou a transferência do acervo sacro, pois, além do grande risco de roubo no sobrado centenário, as peças poderiam ser danificadas pela ação do tempo. "As imagens são fantásticas, mas não podem ficar expostas, pois o risco que correm é grande", acrescenta Ronan. Algumas , como a de São Benedito e a de Santa Efigênia, têm 1,5 metros e datam do início do século XVIII.Também chama atenção uma imagem de Nossa Senhora, da mesma altura datada da mesma época, que ficava na antiga matriz, destruída, no início do século passado, por um incêndio.
O acervo ainda conta com castiçais de prata e pertences de personalidades históricas, como Maria Tangará, mulher que teria mandado servir ao marido os dentes de uma escrava depois de ouvir do companheiro elogios acerca do sorriso da mucama."Todo esse acervo deveria estar no museu, para ser visto por qualquer pessoa",lamenta José Carlos de Oliveira Valério, um dos responsáveis pelas imagens.
O acervo ainda não tem data certa para ser exibido ao público, mas a espectativa é que isso ocorra até o fim de 2012. A esperança de que as peças voltem ao Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares vem do PAC das cidades históricas, do governo federal. O programa destinará, segundo o presidentedo Instituto Histórico de Pitangui, cerca de 1 milhão para a reforma do sobrado. 'Temos expectativa de que a obra comece este ano e seja concluida no segundo semestre de 2012", acrescenta o presidente do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural. O imponente casarão já abrigou a Casa de Câmara e Cadeia e a prefeitura. Foi transformado em museu em 1968.
A ALMA DO NEGÓCIO - A decadência do casarão que abriga o museu também obrigou o Instituto Histórico de Pitangui a transferir milhares de documentos que ajudam a contar a história dos costumes de Minas Gerais no Brasil colônia e império. Muitos papéis datam de 1720 e relatam casos curiosos para os dias de hoje, como os de moradores que adquiriam serviços ou produtos dos comerciantes da Sétima Vila do Ouro e davam como garantia a própria alama em caso de não quitarem o débito.
"É uma preciosidade, que conta a vida da cidade, do estado, do país",diz José Carlos de Oliveira Valério. Este acervo, porém, está aberto ao público e se encontra num prédio anexo ao Banco do Brasil. Os interessados em estudá-los precisam preencher um cadastro local. Os papéis, protegidos na época da transferência por produtos químicos, também voltarão ao prédio que abriga o Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares assim que o local for reformado."


FONTE:

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A leitura desta matéria jornalística me fez refletir sobre algumas questões:
  • Os documentos históricos que estão sendo recuperados precisarão ser microfilmados, pois devido ao desgate de alguns deles, não poderão ser manipulados,
  • Esperamos que o dinheiro que virá através do PAC das cidades históricas para a restauração do prédio do museu seja muito bem administrado e que se leve em consideração que os documentos escritos devem ficar em local aclimatado para a preservação dos mesmos.
  • Esperamos que o projeto de recuperação do museu seja desenvolvido pelos orgãos competentes, como o IEPHA e o IPHAN,
  • Deve-se contratar mão-de-obra especializada para trabalhar no museu, quando este estiver pronto para ser aberto à visitação pública,gente preparada e, mais importante, saibam da responsabilidadede se trabalhar em um museu.
  • Enfim, é nosso desejo ver o museu de Pitangui aberto ao público, pois, onde já se viu uma cidade histórica sem museu?

10 comentários:

  1. É bom saber que olhares estão sendo lançados sobre a nossa cidade, reconhecendo a importância do nosso acervo histórico. Conheci essas peças Sacras quando criança e é muito bom ter a perspectiva de vê-las novamente acessíveis. Também torço para que o Museu seja restaurado e que disponha de equipamentos e serviços necessários para um bom funcionamento e atendimento ao público (iclusive nos finais de semana e feriados).
    O Museu além de manter viva a nossa história, também é matéria prima para o Turismo...

    Licínio, parabéns pela postagem e pela pertinência das poderações finais!

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  2. Espero que a verba do PAC chegue antes do prédio cair !!!

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  3. "Onde já se viu uma cidade histórica sem museu?". Excelente pergunta. A resposta é: Pitangui. Uma cidade maravilhosa, dona de um patrimônio histórico demasiadamente importante e que, infelizmente, foi comandada ao longo de sua história por uma minhada de políticos corruptos que tem os próprios bolsos como única preocupação e que estão deixando o valor mais importante desta terra se perder no tempo. Não consigo entender como tantos administradores permitiram o absurdo que presenciamos hoje. A incompetência administrativa também faz parte desta vasta história (infelizmente).

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  4. Caro Ricardo,
    cabe a nós multiplicarmos ideias e mudarmos este estado de coisas, devemos acreditar que Pitangui vai ocupar o lugar que merece no cenário histórico e cultural deste país.

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  5. Seria muito bom se Pitangui tivesse um museu de portas abertas p/ o público, Pitangui tem muita história e não merece estar trancada em um lugar qualquer.

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  6. Caro Galo,
    seja bem vindo ao blog.
    Este é o desejo de todos nós. Pelo que foi mostrado nesta reportagem há uma luz no fim do túnel.
    Abraço.

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  7. Queridos irmãos mineiros de Pitangui,

    fico alegre em saber que a restauração do edifício onde funcionará, em condições ideais, o museu histórico de Pitangui não é um sonho distante. Tem os dias contados.

    Por outro lado, alegra-me mais ainda saber que - independentemente de um teto que a abrigue, a memória de Pitangui está viva no coração de seu povo e um exemplo inquestionável é este blog.

    Corre neste sentido o texto que publiquei hoje no blog Tencões & terentenas (http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2011/01/guardar-sao-joao-del-rei-no-coracao-mas.html) - em que o poeta e compositor Antonio Cícero fala que se guarda melhor ainda o que se guarda à vista e no coração.

    Um abraço para todos. Emilio.

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  8. Olá Emílio,
    estamos torcendo para que o museu de Pitangui volte a funcionar o mais breve possível.
    Vou conferir sua postagem.
    Abraço.

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  9. Caros moradores de Pitangui,

    Filho de pais pitanguienses, redigi esta matéria com o coração ferido, pois desde o tempo em que era criança (hj tenho 36 anos), ficava chateado em ver a situação do casarão na época em que passava férias em Pitangui.
    A intenção de fazer a matéria foi ajudar a cidade a ganhar um museu à altura de sua importância, pois, apesar de ser uma das sétimas vilas do ouro, Pitangui é a única do seleto e importante grupo que não tem um museu aberto ao público.
    Espero, daqui alguns meses, fazer outra matéria sobre a cidade, mas desta vez anunciando que o museu foi reaberto.
    Parabéns ao site e aos moradores, pessoas hospitaleiras e da melhor qualidade.

    PS: Ainda não entendi como a cidade-natal do fundador do Iphan, Gustavo Capanema, não teve uma atenção especial do órgão. Lamentável.

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  10. Prezado Paulo Henrique,
    seja bem vindo ao blog.
    Compartilhamos de sua angústia com relação ao Museu de Pitangui e entendemos a intenção de sua matéria, por isso a reproduzimos aqui.Pensamos que somente com a união de esforços conseguiremos ter um museu aberto ao público em Pitangui, porém,o problema não acaba aí,o prédio que acomodará o material que será exposto deve estar equipado adequadamente e com pessoal especializado em museologia e também em turismo receptivo.
    Com relação ao desinteresse de Gustavo Capanema com o patrimônio histórico em Pitangui tenho uma hipótese. Pelo que venho lendo sobre ele e suas relações políticas com Pitangui no decorrer de sua vida pública, penso que houve uma ruptura política entre ele e as lideranças políticas do município e, neste sentido Capanema não demonstrou interesse em cuidar do patrimônio de Pitangui.
    Obrigado pelo reconhecimento ao nosso trabalho, que, da mesma forma que o seu busca colocar Pitangui no lugar que merece no cenário histórico cultural brasileiro.
    Esperamos sua visita mais vezes.
    Um cordial abraço.

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