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sábado, 21 de maio de 2011

Moacir Brant

Apresentamos a seguir uma crônica do Fernando Brant, publicada no Estado de Minas no dia 16/5, falando sobre a vida do pai (in memorian) por ocasião da comemoração do seu centenário. Eis uma bela história e um importante capítulo aconteceu em Pitangui, pois Sr. Moacir conheceu a pitanguiense Dona Iolanda Rocha, aqui na cidade ... e o Fernando descreve o encontro com uma poesia que nos faz ver esse epsódio. Segue a crônica :




Fernando Brant




Os 100 anos de meu pai




Ele queria estar aqui hoje. Cercado pelos que amou. Chegou mesmo a nos pedir que o ajudássemos a chegar vivo ao dia 16 de maio de 2011. A única contribuição que poderíamos lhe dar era nossa demonstração constante de afeto e companheirismo. Era um desejo puro repleto de alegria de viver.

Mas todos nós sabíamos, e ele mais do que nós, que essas decisões não nos pertencem. De qualquer forma, ele costumava convidar pessoas para comemorarem com ele esta data. Fez o que lhe foi possível e foi bem-aventurado, pois, quando a sua hora bateu, ele estava em pleno voo de felicidade, longe da frieza dos internamentos em hospitais. Foi-se subitamente, acredito que sem sofrimento, durante o sono.

Dizia que a simples presença de champanhe ou espumante já tornava agradável qualquer ambiente. Aprendeu esse bom humor vivendo. A infância em Diamantina e em Belo Horizonte, a perda prematura da mãe, a luta pelo estudo, contra a timidez. Jovem professor de brasileiros como Carlos Castello Branco, entrou para o serviço da Justiça e a ele se entregou de corpo e alma. Eram tempos de salários parcos e que atrasavam. Os 10 filhos se acostumaram com sua dedicação ao trabalho, seu esforço para nos educar e o senso de justiça que nos marcou indelevelmente.

Contou com a companhia, por 64 anos, de uma moça, Yolanda, que conheceu um dia na noite da praça central de Pitangui. Sua insegurança talvez não nos tornasse possíveis: não fora um empurrão de um amigo, talvez ele nunca se declarasse à nossa mãe.

É o que conto em um musical que eu e o Tavinho Moura estamos preparando: “Ele me olha de um jeito/ que me dá mil arrepios não sabia que as moças/ sentiam esse tal frio/ mas ele me olha de um jeito/ como o sol que traz o dia se o seu jeito é tão sério/ seus olhos não têm limite que força que tem um olhar/ de um homem olhando moça com amor e com carinho/ com entrega e sem troça que força tem esse olhar/ que me pede e me ordena que me suplica o que quero/ lhe dar para toda a vida?”.

Ele não está presente, mas está. Não só no retrato que nos observa na sala de jantar. É que está incorporado em cada um de nós. Por isso é que nos reunimos, na data em que faria 100 anos, para comemorar a sua vida e o legado que nos deixou. Orações, para recordar o cristão que sempre foi, o distribuidor de bondade, amor e justiça. Cerimônia simples, familiar.
A seguir, espumantes estouram e vinhos aparecem ao lado das cervejas. Para a festa de alguém que amou tanto a vida, descartamos a tristeza e vamos no rumo da alegria. Vivo, vivemos, o pai e sua presença.

3 comentários:

  1. Pois amigo Dênio...
    está vida fugaz é recheada de "Encontros e Despedidas".
    Belo texto do Brant.
    Abraço.

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  2. Gostei da crônica... admiro-o também pelas suas composições musicais que curto de montão como: Travessia, Maria Maria, Canção da América, Paisagem da Janela e Nos bailes da vida, na voz lindissima de Milton Nascimento, do qual sou grande fã.

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  3. Bela crônica que nos faz lembrar do lado romântico da cidade. Ao ler no texto a parte que fala sobre o encontro em Pitangui, imediatamente veio à cabeça a Praça do Jardim daquele tempo.
    Parabéns pelo post,Dênio!

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