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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Poesia & Memória

Recebemos este belo poema de Cássio Campos, pitanguiense que reside em Campos dos Goytacases, interior do estado do Rio de Janeiro, que resgata memórias tenras de sua infância em Pitangui.

SENTIDOS

Na hora do café, no trabalho inquiriram-me,

incomodados, pela luz

apagada na copa.

Eu não entendi a aflição!

Porque no entardecer

já frio entre as dezessete e dezoito

tudo me transportava ao quintal da vovó.

Juro que pude ouvir o bater das asas

que se fazia no galinheiro

Vi os galhos

longos e curvos

da goiabeira que quase tocavam o chão

pedregulhado e fétido sem ser

insuportável.

Lembrei-me do fogão

a lenha, da serpentina

Senti nas palmas das mãos as folhas

secas que atiçavam as chamas

Os primos e os tios já viriam tomar banho.

Por causa do racionamento.

Vovó sorria

silenciosamente

as travessuras d'algum bicho

de estimação

ou da televisão ligada.

Só por isso eu não senti falta da lâmpada

acesa, pois naquele breu me iluminava

a minha infância.


Cássio de Campos

3 comentários:

  1. Bacana, Licínio! Mais um Pitanguiense "canta a sua aldeia". E pelo jeito o time do blog ganhou mais um reforço! Seja bem vindo Cássio.

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  2. Cássio, parabéns pelos belos versos que retratam a vida interioriana ... com certeza a vida pitanguiense ...

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  3. Pois é amigos, aos poucos vamos descobrindo estes pitanguienses pelo mundo.

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