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segunda-feira, 13 de junho de 2011

As raízes pitanguienses da cidade de Patrocínio

A postagem de hoje busca relacionar duas cidades mineiras localizadas em regiões diferentes, mas que têm laços históricos em comum. Trata-se de Patrocínio (triângulo mineiro-Alto Paranaíba) e Pitangui (centro-oeste mineiro).O elo de ligação entre estas cidades está na atividade mineradora,ponto de partida para a ocupação da região das minas.


Mapa da Capitania de Minas Geraes, com a deviza de suas comarcas",
 concluído em 1778, trabalho de José Joaquim da Rocha


Como se sabe, a partir de finais do século XVII, bandeirantes que cruzavam os sertões mineiros em busca de metais preciosos iniciaram a ocupação do território. Por volta da terceira década do século XVIII, vários mineradores mineiros, inclusive de Pitangui, começaram a se transferir para a região das minas de Goiás. Acredita-se que Domingos Rodrigues do Prado, um dos líderes dos “Motins de Pitangui” tenha se refugiado naquela nova frente mineradora.


A grande circulação de pessoas e riquezas fez com que a coroa portuguesa, preocupada com a questão da fiscalização, determine, através de seus representantes legais na região mineradora, que se abra a estrada que ficaria conhecida como “Picada de Goiás”, ligando Pitangui à “Lagoa Seca”, atual Patrocínio.

Por volta de 1771, José Luiz Meneses Abranches Castelo Branco, sexto Conde de Valadares, então governador da capitania de Minas Gerais, determina que o capitão Inácio de Oliveira Campos (marido da lendária matriarca Joaquina de Pompéu) partisse para a região de Lagoa Seca, ali deveria criar uma fazenda (Fazenda Bromado dos Pavões) cuja produção deveria atender aos viajantes que cruzavam a “Picada de Goiás”. No período que ali esteve combateu indígenas e destruiu um quilombo localizado na região de Dourados. Muitos pitanguienses que se dirigiam para a região de Goiás fixaram-se próximo à Fazenda do Bromado dos Pavões.
A este respeito, nosso visitante, Tarcísio José Martins, nos informou que, na realidade, seria Bartolomeu Bueno do Prado (filho de Domingos Rodrigues do Prado) quem atacou o quilombo localizado na região do rio Dourados, dando-lhe o nome de rio Pernaíba em 07/09/1759. Este acontecimento atribuído à Bartolomeu Bueno do Prado pode ser confirmado nos mapas das "conquista", do Mestre de Campo Inácio Corrêa Pamplona, que registra que este quilombo fora destruído pelos "Boinos", ou seja, pelos Buenos. Ainda segundo Martins, Inácio de Oliveira Campos teria atacado o quilombo de "Catiguá" ou "Catiara"

A região é incorporada à capitânia de Goiás em 1789, para mais tarde, em 1816 ser novamente incorporada à capitania de Minas Gerais



FONTES:
APM SC 188, fl. 64/v, de 25/09/1779.
COSTA, Antonio Gilberto. Cartografia da conquista do território das Minas. Belo Horizonte : Ed. UFMG ; Lisboa [Portugal] : Kapa Editorial, 2004. 245p.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo garimpo, Licínio! Mais uma comprovação da importância e influência histórica de Pitangui.

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  2. Oi, amigos
    Pela documentação primária, quem atacou um quilombo no rio dos Dourados, dando-lhe o nome de Pernaíba, foi Bartolomeu Bueno do Prado (filho de Domingos Rodrigues do Prado) em 07.09.1759. isto, aliás, é confirmado também no mapa das "conquistas" de Pamplona que registra em 1784 que esse quilombo fora destruído pelos "Boinos", ou seja, pelos Buenos.
    Inácio de Oliveira Campos atacou foi o quilombo do Catiguá ou Catiara.
    Um abraço do
    Tarcísio José Martins

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  3. Oi Léo,
    ainda em tempo, a história de Pitangui tem muitos desdobramentos.
    Abraço.

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  4. Caro Tarcísio,
    seja bem vindo ao blog.
    Agradeço às informações e gostaria que você nos fornecesse as fontes para que pudéssemos compartilhá-las na postagem.
    Abraço.

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  5. Valeu, Lincínio
    O "Mapa da Conquista do Mestre de Campo Inácio Correia Pamplona,Regente chefe da Legião - 1784" pode ser encontrado no livro cartográfico "Cartografia de Minas Gerais - Da capitania à Província", da UFMG. Quanto às fontes primárias, cito-lhe o APM SC 188, fl. 64/v, de 25.09.1772, entre outros, já que Waldemar de Almeida Barbosa confundiu acontecimentos dentro da atual Serra do Salitre com fatos da atual Patrocínio, como se pode conferir em seu "Dicionário Histórico e Geográfico de Minas Gerais", p. 349.
    Um abraço a todos de Pitangui.
    TJ.

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  6. Olá Tarcísio,
    já complementei a postagem com suas informações e referências bibliográficas.
    Obrigado pela colaboração, que enriqueceu ainda mais a postagem.
    Abraço.

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