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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pitangui no jornal Estado de Minas - Presente para celebrar 296 anos

O jornal Estado de Minas de hoje, traz uma matéria relatando a reforma do prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia de Pitangui. Segue abaixo a matéria disponível no site do jornal.



Pitangui, no Centro Oeste do estado, considerada a sétima vila do ouro, comemora aniversário com entrega das obras de revitalização do prédio histórico da Santa Casa de Misericórida.



Um símbolo da arquitetura e da solidariedade humana em Pitangui, na região Centro Oeste de Minas, está completamente restaurado para ser entregue à comunidade hoje, às 17h, como parte das comemorações dos 296 anos de elevação do arraial primitivo à categoria de “sétima vila do ouro” do estado. Depois de um ano e dois meses em obras, o prédio da Santa Casa de Misericórdia, na Praça Antônio dos Santos, no Bairro São Francisco, chama ainda mais atenção pela imponência e beleza dos traços originais realçados pelas cores vermelho e branco. Alvo nas últimas duas décadas de um processo acelerado de degradação, a construção de 1844 de propriedade da prefeitura será sede, agora, da Secretaria Municipal de Educação e Esportes.



Segundo o prefeito Evandro Rocha Mendes (PT), arquiteto, o imóvel estava abandonado, demandando a reconstrução do telhado, reforma da estrutura de madeira, das esquadrias e do piso, além de outros serviços para garantir sua integridade e segurança. “Trata-se de uma edificação muito importante para Pitangui, pois, como Santa Casa de Misericórdia, esse era o local de acolhimento dos moradores num tempo em que ainda não havia órgãos de assistência social, como o SUS”, disse. Os recursos de R$ 850 mil para o restauro são da prefeitura e do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Em 2008, o Estado de Minas registrou a situação precária do imóvel e mostrou a necessidade de recuperação do patrimônio.




As comemorações dos 296 anos começaram quarta-feira e vão até dia 19, com uma extensa programação que inclui mostra cultural fotográfica das etapas de restauração da Santa Casa, 27ª Expô Pitangui, shows, reunião da associação das cidades históricas, 3º encontro de carros antigos, inaugurações e outras atividades. O ponto alto será na quinta-feira, com desfile cívico de escolas. “Desde 2005, trabalhamos o projeto Pitangui rumo aos 300 anos. Durante muito tempo, a cidade ficou fora do circuito turístico e econômico e queremos recuperar nosso espaço entre as cidades coloniais mineiras”, disse Evandro. Os 300 anos de Pitangui como a sétima vila do ouro serão comemorados em 2015, “e queremos estar preparados, pois ocorrerá entre dois eventos de grande visibilidade mundial, que são a Copa do Mundo e as Olimpíadas”.


PRIMEIRO HOSPITAL O prédio em estilo colonial da antiga Santa Casa não fica no perímetro tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), “mas está inventariado pelo município, o que é um tipo de proteção”, diz a secretária municipal de Turismo, Cultura e Patrimônio Histórico de Pitangui, Maria Helena Maia Gouthier Caldas. Doado à prefeitura em 2007, pela paróquia de Pitangui, ligada à Arquidiocese de Divinópolis, o casarão tem área construída de 400 metros quadrados e estava desativado desde 1990. Na época, devido ao quadro de deterioração, o Ministério Público Estadual propôs a adoção de obras emergenciais para a estabilização do imóvel, o que foi feito pela prefeitura, de acordo com o presidente do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico, Ronan Ivaldo.

Um dos destaques da construção é uma pequena capela, que atrai olhares de moradores e visitantes pelo aspecto singelo. Quem passa na rua não deixa de notar a placa em mármore, datada de 1847, quando o primeiro hospital da cidade foi inaugurado. Lá está escrito: “Homenagem e gratidão cívica à imperecível memória do benemérito pitanguyense José Theodoro da Silva, fundador da Santa Casa de Misericórdia”. José Theodoro morreu em 1848 sem ver o funcionamento pleno da Santa Casa. Antes de morrer, no entanto, ele assistiu à bênção do prédio feita pelo bispo diocesano de Mariana, dom Antonio Ferreira Viçoso. Em 1872, foi aprovado o primeiro estatuto do hospital, só oficialmente instalado em 1879. Em 1945, surgiu uma nova edificação para abrigar o hospital, no terreno vizinho, passando o local a funcionar como creche, consultório e outros serviços de atendimento à comunidade.



Para entender os 300 anos de elevação à categoria de vila é preciso voltar no tempo. A descoberta do ouro despertou cobiça, atraiu gente e gerou uma terra sem lei nos arraiais mineradores, nos séculos 17 e 18. Para ordenar administrativamente os lugarejos, o governador da Capitania das Minas de Ouro e São Paulo, Antônio de Albuquerque, cria, em 1711, as primeiras vilas, que, na sequência, passam a funcionar como comarcas. Nesse cenário, nascem Mariana, elevada à vila em 8 de abril de 1711, Ouro Preto, ex-Vila Rica, em 8 de julho de 1711 – essas passam a responder à comarca de Ouro Preto – e Sabará, antiga Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabará, em 17 de julho de 1711, centro da comarca do Rio das Velhas. São João del-Rei muda de categoria em 1713 e se torna comarca do Rio das Mortes. A nova condição deu às vilas uma série de avanços políticos e administrativos, como a formação da câmara de vereadores. Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Serro foram os únicos povoamentos que chegaram à condição de vila por decisão da Coroa Portuguesa. Outros, como Pitangui, foram elevados por pedidos de paulistas que estavam na região. Caeté, na Grande Belo Horizonte, se tornou Vila Nova da Rainha em 14 de fevereiro de 1714. Passados 300 anos, as cidades ainda têm uma série de problemas, sendo que um dos mais difíceis é conciliar o crescimento urbano com a preservação do seu casario histórico.




Fotos:



Nicodemos,


Léo Morato


www.pitangui.mg.gov.br


www.estaminas.com.br

2 comentários:

  1. Parabéns pela postagem, Dênio! Eu como pitanguiense e Turismólogo tiro o chapéu e bato palmas para essa iniciativa. Reafirmo: se Pitangui tivesse se atentado à preservação do Patrimônio histórico-cultural há pelo menos 50 anos, talvez a cidade teria o mesmo reconhecimento histórico que Ouro Preto, São João Del Rey, Tiradentes ... e a economia estaria bombando por meio da atividade turística!!!

    Atualmente, não há nada mais moderno do que preservar e restaurar os bens históricos e promover a manutenção dos valores e culturais dos povos.

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  2. Convidamos aos leitores a relerem duas matérias aqui no Blog, sobre o mesmo tema:

    Restauração da Santa Casa. 11/2/2010.
    A Santa Casa Restaurada. 20/9/2010.
    Marcadores: Patrimônio Arquitetônico e Patrimônio Histórico.

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