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domingo, 26 de junho de 2011

Teatro em Pitangui: Júlia de Freitas Orwert

Na quinta feira, 23, tive um encontro com Júlia de Freitas Orwert (tia de nossa amiga Edilma Aguiar), pitanguiense que está radicada no Rio de Janeiro há 51 anos, mas que não se esquece de suas raízes. Ela aproveitou o feriado de Corpus Cristi e veio com a neta e bisnetos reencontrar irmãs, sobrinhas e demais parentes, além de velhos amigos.
De memória surpreendente, aos 83 anos, esbanjando simpatia, descreveu passagens de sua vida em Pitangui com riqueza de detalhes. Júlia, também chamada pelos amigos por Lêsa participou do Grupo de Teatro CTPENSE, sendo uma das principais articuladoras da trupe, juntamente com o Dininho, com quem formava uma dupla consagrada pelo público.

Foto: Licínio Filho

Ainda jovem, percebeu que tinha o teatro na alma, destacando-se nas encenações dos "Casamentos na Roça", durante as festas juninas da cidade, onde fazia o papel da noiva, contracenando com Eli Nunes, que fazia o papel do noivo.
Ela nos conta que entrou para o teatro por acaso. Em meados da década de 1950 era funcionária da Companhia de Tecidos Pitanguiense, quando em uma festa em comemoração ao dia do trabalhador, 1° de maio, foi convidada para recitar um poema de autoria do então diretor da empresa, Dr. Lima Guimarães, sendo aplaudida de pé e recebendo elogios de vários presentes, inclusive do próprio Lima Guimarães. Daí para o palco foi um pulo, pois na tecelagem operários organizavam um grupo de teatro com o apoio da empresa, que cedia o espaço para os ensaios e apresentações. Transitavam entre a comédia e o drama com desembaraço e rapidamente conquistaram a platéia pitanguiense, ávida por lazer.


Foto: acervo William Santiago
No fim da década de 1950, o Grupo CTPENSE já havia encenado vários textos consagrados como "A Cigana me enganou", de Paulo de Magalhães; "O Segredo do Padre Jeremias", de Ferreira Neto e "Cala a boca Etelvina"; inspirado na chanchada de mesmo nome e que fez sucesso nos cinemas, com Derci Gonçalves no papel principal. Tiveram a oportunidade de se apresentar em várias cidades do Centro-oeste mineiro. Ela se lembra de um episódio em Pompéu, quando ali se apresentaram. Na mesma data um circo também fazia temporada naquela cidade. Houve o temor de não haver platéia para a peça, mas aconteceu justamente o contrário, o teatro lotou e tiveram que fazer apresentação extra, conta orgulhosa. Encenavam de 3 a 4 peças por ano e durante os ensaios Júlia trazia o texto na ponta da língua (o dela e dos demais atores), afirma.
Naquele tempo, segundo Júlia, corria a notícia que o Santo Antônio da capela da Penha chorava sangue, fato que atraiu uma equipe de jornalistas do "Diário de Minas" até Pitangui para fazerem uma matéria sobre este fato. Durante a permanência, procurando conhecer a vida noturna da cidade, foram assistir a uma peça encenada pelo Grupo de Teatro CTPENSE. Ficaram surpreendidos com a versatilidade e talento de Lêsa e Dininho, sugerindo aos dois  que fossem à Belo Horizonte fazer um teste na TV Itacolomi, pertencente aos Diários Associados e, que retransmitia a programação da extinta Rede Tupi de Televisão para Minas Gerais. Júlia tinha em torno de 29 anos nesta época e a dupla não levou muito a sério a sugestão. 


Foto: Edilma Aguiar
Por essa época houve uma cisão no Grupo de Teatro CTPENSE, uma parte do grupo seguiu com Dininho e ela continuou atuando. A última peça em que participou foi a comédia "Família Terremoto", ao lado de Terezinha Lacerda, que teve ótima aceitação do público.
Em 1960 se casou e mudou para o Rio de Janeiro. Desde então, envolveu-se em outras atividades, afastando-se dos palcos. Diz que frequenta pouco o teatro, pois não gosta da vulgaridade de alguns textos, que se afastam muito das comédias de costumes de sua época.

Foto: Licínio Filho

Júlia nos revelou que gostaria de atuar novamente na companhia do Dininho. Para ela, Dininho era um ator sem igual e, que o entrosamento dos dois em cena era admirável. A conversa se estendeu por quase duas horas e ao final nos despedimos com a promessa de nos reencontrarmos para mais uma deliciosa prosa.

13 comentários:

  1. Caro Licínio,

    Obrigada pelo carinho, pela atenção e pela fidelidade com que você relatou as memórias tão preciosas para mim e para muitos pitanguienses.
    Você é muito amável.
    Até o pr;oximo encontro.
    Um beijo.

    Julia de Freitas Orwert.

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  2. Cara Julia,
    eu, em nome da equipe do blog, agradeço por me receber para tão agradável entrevista. Seu depoimento contribuiu substancialmente para o resgate da memória do teatro em Pitangui e também nos permitiu prestar uma homenagem a você e a todos aqueles que se lançaram nas artes cênicas.
    Foi um prazer conhecê-la, até breve.
    Um fraterno abraço.

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  3. Amigo Licínio,

    Gostei muito da postagem!! Tia Leza é mesmo uma grande figura, não é? Ela gostou muito de você e da conversa agradável que tiveram. Vamos programar outros encontros para um pouco mais de "boa prosa".

    Um abraço.

    Edilma.

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  4. Oi Edilma,
    fico feliz por ter gostado da postagem. Adorei ter conhecido a Júlia, uma pessoa fantástica. Vai ser muito bom reencontrá-la para mais uma "boa prosa".
    Abraço.

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  5. Licínio, que entrevista maravilhosa. A Júlia Freitas é muito simpática, intelectual e merecedora de aplausos.

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  6. Oi Girlene,
    a entrevista foi muito bacana mesmo, Júlia tem uma memória privilegiada. Ela é uma pessoa muito agradável e com uma história de vida muito bonita.
    Abraço.

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  7. Eu fiquei conhecendo a D.Lêza no final de semana e percebi, mesmo tendo conversado por pouco tempo, que ela tem um astral elevado e dá valor a todo tipo de arte. Imagino como deveria ser bom, os tempos do teatro em Pitangui.

    Dênio Caldas

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  8. Boa postagem Licínio! Pelo que pude perceber a D. Júlia é uma grande Pitanguiense, que representa muito bem a nossa terra, por onde ela vai!

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  9. Olá Licinio,
    Parabens pela entrevista com dona Júlia de Freitas, pessoa interessante envolvida com a arte e o passado histórico de Pitangui, certamente é uma riqueza tê-la no presente revivendo o passado de tanto encantamento.
    Obrigada por aparecer no meu cantinho, andei sumida pois estava viajando, mas meu coração continua batendo por Pitangui.
    Um abraço,
    Dalinha

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  10. Oi Dalinha,
    estávamos sentindo a sua falta.
    A Júlia é uma pessoa incrível que tivemos o prazer de conhecer,uma parte da história de Pitangui.
    Sempre visito seu blog para me deliciar com suas postagens. Ficamos felizes com sua consideração e carinho por Pitangui.
    Abraço.

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  11. Olá Licínio,quanto tempo não lhe escrevo,embora sempre entro no blog,pois adoro tudo que se refere a minha terrinha querida.Mas hoje não podia deixar de lhe dar meus parabéns pela entrevista com minha tia Júlia querida a quem eu devo muito.Ela é realmente incrível.Espero vê-la outras vezes aqui no glog.Um grande abraço.Maria da Conceição.Itaúna MG

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  12. Olá Conceição,
    estávamos sentindo a sua falta por aqui.Foi muito gratificante entrevistar a sua tia, uma pessoa muito interessante. Também estamos torcendo para ter nova oportunidade de entrevistá-la.
    Abraço.

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  13. "Ela aproveitou o feriado de Corpus Cristi e veio com a neta e bisnetos reencontrar irmãs, sobrinhas e demais parentes, além de velhos amigos..."

    "...Júlia de Freitas Orwert (tia de nossa amiga Edilma Aguiar), pitanguiense que está radicada no Rio de Janeiro há 51 anos..."

    Inestimável a colaboração deste blog para incentivar outros muitos pitanguieses ausentes para reencontrarem suas raízes aqui na tricentenária Pitangui.

    Voltem, voltem e tragam os filhos e netos como fêz a Sra. Júlia; vão encontrar uma cidade mais maravilhosa ainda e reencontrar a felicidade também.

    Parabens a todos pela postagem.

    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiuúza, Pitangui/MG

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