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domingo, 24 de julho de 2011

Missa no "Cemitério dos Escravos" em Pompéu Velho

No domingo, 10 de julho, tive a oportunidade de conhecer o Cemitério dos Escravos, em Pompéu Velho. Segundo consta, este cemitério era destinado ao sepultamento dos escravos de Joaquina de Pompéu, que viveu nesta localidade, onde mantinha um imponente casarão.


Há poucos vestígios dos túmulos dos escravos, que deviam ser sepultados em covas comuns, sem lápide, apenas uma cruz de madeira, como forma de dar um enterro cristão àqueles desafortunados. Uma pequena capela e o cruzeiro fincado na terra são os principais marcos da existência do lugar, hoje cercado por um muro pré - fabricado.



A missa, que ocorrreu ali naquele domingo não faz parte de nenhuma tradição ou pertence ao calendário religioso local, sua origem está em uma promessa feita por uma antiga moradora da região, avó da mãe de minha esposa. Contarei um pouco desta história nas linhas abaixo.


Tudo teve origem há muitos anos, quando Policena Valadares (também conhecida como "Purcena"), avó de minha sogra, Policena Guimarães (Du), fez a promessa de celebrar uma missa no cemitério dos escravos, em Pompéu Velho, pois acreditava que assim afastaria tormentos e problemas familiares, que naquela época envolviam alguns de seus parentes. Policena Valadares faleceu sem cumprir a promessa.


E nas voltas do mundo, olha o que o destino preparou: anos se passaram desde a morte de "Purcena" e uma nova personagem emerge para dar continuidade a esta história. Odete Kariny dos Santos Teixeira, filha do Zé Vitor. Odete, desde pequena ouvia nas rodas de conversa de sua casa a história de "Purcena", que era tia de sua madrasta, Conceição. A mãe de Conceição, conhecida por todos por "Dona Véia", conhecia e contava a história da promessa de "Purcena".Odete cresceu e a história da promessa não paga ficou gravada em seu imaginário.



Na década de 1990, Odete foi estudar na Escola Agrícola (ITAC), quando conheceu José Maria Guimarães Cordeiro, seu colega de sala de aula e, que se tornaria seu futuro esposo. José Maria, por sua vez, é filho de Policena Guimarães (Du), neta de "Purcena".



Novas rodas de conversas familiares se formaram e a história da promessa não cumprida veio à tona novamente, em uma daquelas noites onde o baú da memória é revirado pelo avesso e lembranças quase arquétipicas são resgatadas. Foi Odete quem remexeu estas lembranças reavivando também a mémoria de Du. Muitos acreditavam que esta promesa nunca fora feita, mas ali, naquele momento,Odete e Du confirmaram a veracidade da mesma.
Odete sugeriu à Du, sua sogra, que a promessa deveria ser paga e, então, as duas resolveram organizar a missa no "Cemitério dos Escravos", em Pompéu Velho, como era o desejo de "Purcena". No dia 10 de julho a promessa foi cumprida postumamente.
Eu, que estive lá, senti uma energia serena vibrando naquele lugar, no meio do cerrado, com um céu de um azul celestial, como diria Caetano Veloso. Como são misteriosas as coisas do sagrado.



12 comentários:

  1. Nossa história é muito rica !!
    Parabéns pelo garimpo, Professor.

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  2. Fantástico Licínio, conheço o local em minhas andanças pela região... Muito bacana...

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  3. O Dênio,
    as famílias pitanguienses com suas ramificaçãoes devem estar prenhas de histórias, nós seremos os parteiros que as trarão á luz.

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  4. Oi Alexandre,
    esta visita ao cemitério dos escravos foi muito bacana mesmo. Ainda quero fotografar o túmulo de Joaquina em Pompéu Velho.
    Abraço.

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  5. Grande Licínio! Estive neste cemitério há uns 30 anos (putz, tô muito velho), justamente num dia de finados, chuvoso, pra variar. É que meu avô, por parte de mãe, está enterrado no cemitério de Pompéu Velho. Um abraço do Thales

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  6. Olá Thales,
    seja bem vindo ao blog.
    Os cemitérios de Pompéu Velho são muito interessantes pelo aspecto histórico.
    Onde seu avô está enterrado tem o túmulo da Joaquina de Pompéu e, que será tema de uma postagem futura.
    Apareça sempre.
    Abraço.

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  7. Parabéns Licínio. A Odete Kariny é danada!!! Sempre perseverante e de atitude.
    Vocês me fizeram relembrar momentos em que vivi com meu pai nas visitas que fazíamos ao Cemitério do Pompéu velho (como meu pai Adair Lopes dizia) onde esta enterrado meus avós paternos e outros familiares. Papai falava sempre do cemitério dos escravos.
    Vale a pena postar uma foto do túmulo da Dona Joaquina onde consta as iniciais do seu nome completo. Quantos famílias são descendentes de Dona Joaquina!!!
    Um grande abraço.
    Luci Maria Lopes de Abreu Lobato

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  8. Oi Luci,
    seja bem vinda ao blog, é muito bom tê-la por aqui.
    A Odete é danada mesmo...rsrsrs...só ela para resgatar esta história,né?
    Eu conheço o cemitério onde está enterrada a Joaquina e pretendo, para breve, uma postagem sobre o seu túmulo.
    Obrigado pelo econhecimento ao nosso trabalho.
    Nos visite mais vezes.
    Abraço.

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  9. Nossa, fiquei emocionada lendo isso, sua narrativa me transportou para esse lugar, imagino esse céu azul e o silêncio do cerrado, chego a sentir saudade, como se tivesse vivido naquele tempo!

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  10. Olá Simone, seja bem-vinda!
    Atmosfera daquele lugar era fantástica, uma experiência quase mística.

    Abraço.

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  11. Nasci em Pompéu, meu Pai era descendente de Maria Joaquina e eles tem o cemitério do lado do cemitério dos escravos. A última vez que fui faz 23 anos no sepultamento do meu Pai.

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    Respostas
    1. Olá Anônimo.
      Eu conheço este cemitério, a família de meu sogro é de Pompéu Velho e, quando alguém da família falece também é enterrado lá.
      Abraço.

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