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terça-feira, 2 de agosto de 2011

"Daqui de Pitangui" Ano II - Antigas formas de demarcação territorial em Pitangui

Mais um artigo muito interessante de Vandeir Santos sobre as formas de demarcação de terras em Pitangui, no iniício da ocupação da região. Esta postagem faz parte de uma série que produziremos em comemoração ao segundo aniversário do blog "Daqui de Pitangui".


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Antes da invenção do arame farpado pelos norte-americanos no fim do século XIX a demarcação de terras era normalmente feita através de cerca-baiana (consistia de mourões interligados com madeira como um curral, porém de forma mais rústica), valões, muros de pedra – como o existente no alto da serra da Cruz do Monte – ou através de postes de madeira, simples ou em forma de cruz. Em seu livro Pesquisando a História de Pitangui Silvio Gabriel Diniz descreve a carta de sesmaria dada a Bernardo José Marques da seguinte forma: “... servindo de divisa dois moirões que se enterraram no lugar de um rancho velho que foi de João Fernandes e outro na beira do caminho que vai para Manuel de Sousa, e assim como um pau de jequitibá que está na capoeira da parte do dito rancho velho...” (página 113).


Detalhe do númeral entalhado no mourão
Foto Vandeir Santos


Mourão número 2
Foto: Vandeir Santos

Entalhe no mourão número 2 mostrando o sentido do mourão número 3
Foto: Vandeir Santos

Na região de Brumado, na divisa das terras da fazenda Rio Rancho ainda é possível encontrar dois mourões de aroeira numerados que certamente foram utilizados para a demarcação de terras. Eles nos foram mostrados pelo Sr. Antônio Augusto de Faria, o Buzina, quando de nossas buscas pela Igreja do Mota. São postes altos com quase três metros de altura. O primeiro encontra-se com o numeral 1 perfeitamente lavrado em uma de suas faces, já o segundo, a cerca de 1,7 km do primeiro, se encontra meio deteriorado pelo tempo e o numeral parece ser o 0, no entanto o Sr. Antônio afirma se tratar do número 2, pois era nítido no passado. Em uma de suas faces existe um corte em ângulo que aponta para o mourão de número 3 que se situava a leste do segundo, mas foi arrancado e seu paradeiro é desconhecido.



Agradecemos ao Sr. Antônio Augusto de Faria, o Buzina, por nos proporcionar mais este contato com a história pitanguiense.


Sr. Antônio Augusto de Faria, o Buzina, junto ao mourão nº 1
Foto: Vandeir Santos


Vandeir Alves dos Santos

4 comentários:

  1. Fantástica a matéria!!! Sem comentários!!!Parabéns!

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  2. Excelente postagem, permitindo assim as pessoas ganharem mais conhecimentos e entendimentos sobre as antigas formas de demarcação territorial de nossa cidade, que são de enorme valor para a nossa história e sociedade.

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  3. Olá Equipe Daqui de Pintangui,

    A Hepatite B é uma doença silenciosa que, em sua forma crônica, atinge mais de dois milhões de brasileiros. Apesar de ser uma doença comum, nem todos conhecem as formas de transmissão ou prevenção, como a vacina, que está disponível nos postos de saúde. Para diminuir os riscos e consequências da Hepatite B, precisamos reforçar a divulgação das informações básicas. Por isso, contamos com sua ajuda. Entre em contato para receber todo o material da campanha!

    Muito obrigada,
    Ministério da Saúde
    comunicacao@saude.gov.br

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    Respostas
    1. É interessante perceber como algumas coisas simples, como um entalhe diferente na madeira de um mourão, pode passar desapercebidamente aos nossos olhos. Aposto que, após ver esta postagem, muita gente passou (e vai passar) a observar melhor os mourões das roças.

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