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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Riqueza Interior - Affonso Romano de Sant'Anna



O escritor Affonso Romano de Sant'Anna, mineiro de Belo Horizonte, que tão bem retrata o cotidiano das Minas Gerais, fez essa bela crônica a respeito do centro-oeste mineiro na edição de ontem do jornal Estado de Minas.



Esta foi a profecia que o botânico Sainte Hillaire fez sobre o Centro-Oeste de Minas em 1819:



"Cidades florescentes tomarão o lugar de cabanas miseráveis, onde apenas eu encontrei abrigo, e nesse porvir os seus habitantes hão de ver nos escritos dos viajantes não só como as cidades principiaram, mas também como nasceram os menores lugarejos. Tomadas de espanto as gentes saberão que onde ressoa o ruído dos martelos e das mais complicadas máquinas, só se ouvia outrora o coaxar de batráquios e o canto dos pássaros; onde imensas plantações cobrirem a terra, dantes cresciam árvores, admiráveis, muitas delas inúteis pela abundância. Olhando regiões percorridas por locomotivas, talvez por veículos ainda mais possantes, os homens vão sorrir, ao ler que noutros tempos se considerava feliz quem durante um dia inteiro lograva avançar quadro ou cinco léguas”.



Referia-se a essa região que agora inclui Itaúna (do historiador João Dornas Filho), Dores de Indaiá (do poeta Emilio Moura e do cientista politico Bolivar Lamounier), Divinópolis (da poeta Adélia Prado), Pitangui (de Gustavo Capanema), Papagaio (do escritor Bartolomeu Campos Queirós). Enfim, essa parte de Minas por onde passaram paulistas buscando o ouro no século XVIII e os tropeiros que iam para Goiás. Aí reluzem nomes poéticos como Cristais, Luz, Maravilha, Fidalga, Lagoa da Prata e, em Santo Antônio do Monte, espantosamente, há uma feérica e portentosa indústria de fogos de artificio que iluminam as festas dos boi-bumbá em Parintins, na Amazônia.


Se ali perto, na Serra da Canastra está a nascente do Velho Chico, é também dessa região a mulher que pariu praticamente toda a política brasileira. Refiro-me à mítica Joaquina do Pompéu, matriz de inúmeros politicos brasileiros de antes de 1964: Benedito, Magalhães Pinto, Francisco Campos, Roberto Campos, Affonso Arinos de Mello Franco, Gustavo Capanema e dizem que até Getulio Vargas. Por irônica fatalidade, até a politica depois de 1964 passa por ela, já que um dos seus oito sobrenomes, herdado de nobres portugueses, era Castelo Branco.Casada aos 12 anos, suas 11 fazendas eram maiores que muitos países europeus. Quando a corte portuguesa refugiou-se no Brasil, em 1808, ela mandou carne, feijão e farinha para alimentar os 15 mil novos habitantes que não tinham o que comer.Não é de hoje que o interior abastece as capitais com comida e gente de qualidade.


Quer saber mais a respeito do escritor ? Acesse : affonsoromano.com.br




As fontes e fotografias da postagens foram

extraídas dos sites : estaminas.com.br e affonsoromano.com.br

5 comentários:

  1. Belo achado, Dênio! Adorei o texto de Affonso Romano. Faço apenas uma observação: na abertura do texto você diz "fez essa bela crônica (...) na edição de ontem do referido jornal", mas não coloca antes que jornal seria. Somente ao final da leitura, quando deparei com o endereço da fonte, descobri que a informação veio do Estado de Minas. Abraço!

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  2. Valeu Ricardo

    Dênio Caldas

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  3. De nada, amigo! Estou aqui, no aguardo de mais uma postagem. =)

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  4. Boa pedida, Dênio. Parabéns pela postagem!!! Gosto muito do aspecto regional e coletivo, abordado pelo Affonso Romano.

    Sensacional o fechamento do texto: "Não é de hoje que o interior abastece as capitais com comida e gente de qualidade".

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  5. Deixo uma dica de vídeo aos nossos visitantes, para ilustrar o texto.

    http://www.youtube.com/watch?v=QBdHXm2tEzQ

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