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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Em busca da Ponte do Barulho

Silvio Gabriel Diniz em sua obra Pesquisando a História de Pitangui nos diz o seguinte no roda-pé da página 145 ao abordar o motim de 1720:
"Êsse local está situado em frente à hoje chamada Ponte do Barulho. O apelido da ponte nada tem a ver com a Revolta de 1720. Sua história é outra e prende-se às dificuldades para obter-se permissão de tirar terra necessária ao aterro da ponte. A ponte situa-se no Rio de São João, abaixo da barra do Córrego da Onça."

Vandeir Santos e Marcos Faria conversam sobre a história da ponte
É de certa forma desconfortável que discordo do Silvio, o mais sério pesquisador da história de Pitangui, o local que ele descreve não resiste a uma análise estratégica e nem documental se considerarmos os detalhes descritos nas cartas que o governador da província escreve ao rei após o conflito.
Discordâncias a parte, consideremos como correta a teoria do Silvio. Restava-nos, no entanto, saber o local exato da tal ponte. Em conversa com o Sr. João Viegas, o mesmo havia me informado que a ponte ficava um pouco acima da atual (a que da acesso a Fazenda Condessa). No sábado dia 13/08 estivemos no local juntamente com o Vela, barbeiro de Pitangui, o qual nos indicou como lugar da ponte um local um pouco acima de uma fazenda situada na margem esquerda do rio, próximo ao entroncamento que nos leva ao povoado de São João de Cima. Considerando que o conflito se deu na margem direita ficamos de retornar na segunda para conhecer melhor o local, já que a noite caia e não era possível avançar nas pesquisas.

Claudio Faria ao lado da estrutura da ponte.




Na segunda a tarde, juntamente com Cláudio Faria (Cláudio da Copasa) e Marcos Faria (Barrica) nos dirigimos para a margem direita do rio São João. Com o uso de um GPS foi possível saber que o local que exploraríamos estava a 12,4 quilômetros do centro de Pitangui, distância dentro das duas léguas (13,2km) descritas pelo governador ao rei, considerando as tolerâncias. Logo de início foi fácil perceber a necessidade de terra para o aterro da ponte conforme descreveu Silvio, o terreno, em pleno mês de agosto, se apresenta cheio de atoleiros, com pequenos mangues margeando o rio e com os pés de unhas-de-gato se entrelaçando. Não é fácil chegar à margem do rio naquele ponto. Vencidas as barreiras chegamos ao lugar mostrado pelo Vela, no entanto, não havia ali sinal nenhum da ponte. Já cansado e arranhado propus retorno, mas Cláudio e Barrica resolveram explorar a margem um pouco mais e para nossa felicidade Cláudio encontra a cabeceira da ponte uns 100 metros rio abaixo.
Trata-se de uma estrutura de alvenaria com cerca de 5 metros de largura distante uns 7 metros da margem do rio, situada exatamente em frente à fazenda que fica na margem esquerda. Sua posição geográfica é 19º45’03.9”S e 44º49’05,8”O. Na margem direita ainda é possível ver dois esteios de aroeira já dentro d’água. Esta ponte servia para a união do povoado de São João de Cima com a antiga estrada carreira (Estrada Real) e também com a Estação Ferroviária de Onça, localizada não muito longe dali.
Analisando o terreno chega-se a conclusão de que a Estrada Real situava-se na encosta da serra provavelmente onde posteriormente foi feita a estrada de ferro, não seria lógico fazer uma estrada no terreno pantanoso que margeia o rio. A serra forma um declive suave até o rio, daí minha discordância com o Silvio, estrategicamente falando ali não era o melhor lugar para fazer barricada e esperar as tropas do ouvidor. Próximos dali existem lugares muito melhores. De qualquer forma, na falta de evidências concretas, fica valendo a teoria do Silvio.


Vandeir Alves dos Santos


Nos seus 300 anos, as histórias e estradas de Pitangui também são Reais

2 comentários:

  1. Bela postagem Vandeir! Estamos meio parados, precisamos explorar mais!

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  2. Empreitada interessante, pessoal! Taí uma história que merece ser investigada, para que o local seja aproveitado cultural e turisticamente falando.

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