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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O Arrastão (parte 2)


Divulgamos hoje a segunda parte da postagem sobre o Arrastão, uma tradição pitanguiense! As fotos foram enviadas pelo Rodrigo Francis e a narrativa aborda sobre as origens do evento e destaca um de seus fundadores: o saudoso Cézar Caldas, um ilustre pitanguiense! O texto é composto por partes de uma justa homenagem feita pelo Zé Luiz, amigo e parceiro do Cézar no Programa Peixoto Jr e na vida. Aos amigos Rodrigo e Zé Luiz o nosso muito obrigado!


* Por José Luiz Peixoto.

Estamos aqui hoje para uma homenagem a um cara único, uma pessoa, diferenciada, insubstituível, que plantou e com certeza está colhendo bondades. E a melhor maneira de homenageá-lo na minha opinião é reviver momentos, casos, brincadeiras e até mesmos aquelas sacanagenzinhas inocentes que marcaram os bons momentos.

O Cezar era um cara diferente em tudo! Ele tinha uma incrível capacidade de não deixar se abalar pelos óbices que a vida lhe impunha no dia-a-dia. Uma outra característica bem própria do Cezar era improvisar. Ele detestava programar as coisas, na base do tudo certinho... Era incrível....Adorava as coisas de última hora. Era conhecido entre os amigos como o “rei do improviso”. Dificilmente a gente conseguia planejar um passeio ou um programa qualquer com ele, sempre faltando poucas horas ligava e dizia: vamo! Eu perguntava pra onde? e ele respondia: depois ocê fica sabendo, passo na sua casa as 4 horas e vê se não atrasa!!!

O maior dos pecados para o Cézar era ouvir dizer que fulano de tal não gostava de Pitangui, ou ainda, ouvir de um pitanguiense, que um dia mudou daqui, falar mal da cidade. Ai amigo, um abraço, ele subia nos tamancos pra valer, sem rodeios e na lata... Não gostar de Pitangui pra ele era tudo de ruim, era o pior defeito de uma pessoa. Isso pra ele não tinha perdão. Ele amou muito a nossa Pitangui.



Acho o que mais marcou o Cezar entre seus amigos foram suas pegadinhas e as pequenas sacanagens, era professor nessa arte. E em se tratando de CÉZAR E DE ARRASTÃO eu só poderia falar dos casos e das alegrias vividas lado a lado com ele. E nada melhor que reviver alguns casos.

Antes porém, pra quem ainda não conhece... um pouco da história do nosso Arrastão, que defino como sendo um “movimento social, etílico-cultural, que agrega homens de bem, mais ou menos descamisolados”, eu diria que a idéia do Arrastão aconteceu nos anos 90 num período de turbulência profissional do Cezar e do Márcio... A coisa estava realmente preta naquela época, um clima de incertezas tomou conta de todos, pepinos e abacaxis se completavam no dia-a-dia. E foi inspirados na sabedoria de que nos momentos de crise que acontecem as grandes idéias, que o Cézar e o Márcio em plena terça-feira, por volta das 2 da tarde, na base do deixa a vida me levar e do mais puro improviso, partiram com amigos para o rancho do saudoso Tasso, para festejarem com cerveja, tira-gosto, viola, alegria e muita conversa fiada mais um dia de aperto. E o programa foi tão bom e salutar que as soluções para os problemas aos poucos aconteceram, todos prosperam e foram felizes pra sempre.

Bem, agora colocando mais um pouco de Cezar no assunto, vamos lá... Dentre os muitos casos acontecidos eu gostaria de lembrar por exemplo, um do saudoso professor Antônio de Oliveira...

O querido professor era um dos caroneiros do Cézar e foi um freqüentador assíduo do Arrastão. Era juntamente com o Velho Moreno, os cantantes oficiais do Arrastão, cada um defendendo o seu repertório, sempre acompanhados pelo violão meia boca do Zé Maria Badia. E o Cézar não perdoava, todo arrastão a mesma história: cutucar o professor para que ele cantasse aquele sucesso da Carmem Miranda que no refrão dizia: “mamãe eu quero mamar, mamãe eu quero mamar, pra no final uma galera de mamados em coro dizer : “Vai mamar no boi”... isso era tudo de bom pra gente . Que saudade!!!! Na volta do Arrastão é que vinha a sacanagem com o professor... o Cézar sempre parava o carro longe da casa dele abria a porta e dizia: a Fatinha tá ansiosa me esperando professor, aqui tá bão pro senhor né, só pra ouvir do Antônio de Oliveira um sonoro: “vai tomar no... não foi aqui que você me pegou”... era uma farra... isso acontecia toda terça-feira.

Gostaria também de lembrar do Zé Moreno que era o nosso Guru...

Depois de cantar o “Ébrio” o Zé Moreno, claro, cutucado pelo Cezar, contava em todo arrastão a mesma história, aquela da sua ida no show do seu maior ídolo Vicente Celestino....dizia o nosso Zé Moreno com aquela voz possante “Deixa eu dizer pra você uma coisa: Por volta de 1938, em São João Del Rey, graças ao meu Tio Paulo, pude ver de perto o Vicente Celestino, eu era um jovem estudante do Colégio Santo Antônio, sem um tostão no bolso. Tio Paulo me chamou e me deu 400 réis ou cruzeiros sei lá. Eu tremi igual vara verde, comprei o ingresso sentei na primeira fila do teatro, foi o dia mais feliz da minha vida de rapazinho, finalizava o velho Moreno. Só que dependendo do grau o Zé Moreno errava a data, dizendo ora por volta de 1939, ora por volta de 1937, no que o Cezar piava sutilmente: é 38 Sô Zé, no que o Zô Zé Moreno, nervoso retrucava com aquele vozeirão: “ora... Caldas, cê quer saber mais que eu que tava lá”. Isso era uma constante em todo Arrastão...

E não poderia deixar de lembrar o Programa Peixoto Júnior e dessa parceria nossa que durou 13 anos sempre aos sábados eu diria que ficou essa:

O Cézar quando queria ele sabia como mexer direto na ferida e na hora certa só pra sacanear. Adorava me ver estressado no programa e quanto mais estressado ele mais se deliciava... Era comum ele aprontar comigo quando eu estava no ar totalmente focado na leitura de um texto. Aí eu percebia a manha, ele começava a me beirar com desculpa daqui e dali e repente ele saia de fininho deixando pra trás um puta peido, dos mais ardidos, daqueles fermentados com força na farra da sexta feira véspera do programa. Ele soltava a bomba e vazava e eu tinha que continuar falando e respirando aquela carniça toda. Mas a vigança era imediata e tudo acabava no zero a zero, afinal sempre saboreávamos dos mesmos comes e bebes.


Cezar, foi um desses homens que pelo conjunto de sua obra, pelos maravilhosos exemplos aqui plantados, pelo elevado senso de justiça e amor as nobres causas... se tornou absolutamente imprescindível aos seus amigos e a Pitangui... Por onde passou ele foi brilhante deixando como legado lições de amizade, solidariedade, trabalho, justiça, honestidade e honradez.

Acho que o Cezar tem que ser celebrado assim, de forma descontraída, bem humorada, fraterna, em ambiente como esse, igualmente amigo e de muita alegria.... ele foi assim, portanto, sejamos: fraternos, amigos, irmãos, vamos contar casos... vamos rir bastante... vamos ser um novo Cezar a cada dia...

* [Partes da] HOMENAGEM AO CEZAR REALIZADA NO DIA 27/08/2011, NA SEDE OFICIAL DO ARRASTÃO – CASA DO DR. ARTHUR .

4 comentários:

  1. Esse era o papai, ou melhor, esse era o PAI! até hoje nos enchendo de orgulho! Agradeço em nome de todos aqui de casa e principalmente pela mamãe.Adorei as fotos (não as tinha)e o texto define exatamente quem meu pai foi... O CÉZAR NÃO DEVE SER LEMBRADO, ELE DEVE SER CELEBRADO! Amigos administradores do Blog, obrigada! Zé, mais uma vez, obrigada! A saudade aperta ainda mais.

    "Quando eu olho meu olho ali no espelho, tem alguém que me olha e não sou eu. Vive dentro do meu olho vermelho.É o olhar do meu pai que já morreu...A MISSÃO DO MEU PAI JÁ FOI CUMPRIDA, VOU CUMPRIR A MISSÃO QUE DEUS ME DEU..."

    LETÍCIA VIEGAS CALDAS

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  2. Contá outro causo procês: em meados de 2004 teve uma festança de formatura do Ricardo Caldas (meu irmão também)la na "Churrascaria Tangará)e no momento das formalidades, discurso, balão e tal, eu fiquei meio deslocado. Foi então que ouvi "Ô Léo, vem pra cá, sô. E aí como vão as modas, o que C tá aprontando de bão?" Era o Cézar e o Zé Luiz me incluindo na conversa dos amigos. Por essas e outras, não é a toa que sou fã desse pessoal!!!

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