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sábado, 3 de dezembro de 2011

Pesquisadores alemães e brasileiros em Pitangui na década de 1970 - Parte 1

Vandeir Santos nos brinda com mais uma sensacional matéria, fruto de mais um trabalho de pesquisa desenvolvido por ele. Trata-se da presença de uma equipe de geólogos alemães e brasileiros, que estiveram em Pitangui na primeira metade da década de 1970, Saiba mais detalhes lendo o artigo abaixo:


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 Residência na rua Visconde de Rio Branco nº 161,
 utilizadas como base técnica da equipe de pesquisas.

No dia 2 maio de 1973 a rotina pitanguiense sofreu uma brusca mudança, aviões já não eram novidade para a população,mas a chegada de um helicóptero surpreendeu a cidade. Não era um simples aparelho, tratava-se de um Sikorsky S-58T, um enorme helicóptero de 13,46 metros de comprimento, 4,37 metros de altura que pesava, vazio, 3.583 quilos e ainda podia transportar mais de 2 toneladas de carga. Voava a 196 km/h a uma altura de 2.896 metros. Mas o que um aparelho desses estaria fazendo em Pitangui ?


 Estruturas do heliporto montado no bairro Chapadão.


No início da década de 70 do século passado o Brasil havia assinado com a Alemanha um tratado de cooperação tecnológica na área de geofísica o que resultou no Convênio de Geofísica Brasil-Alemanha. Para o Brasil vieram 50 técnicos alemães, sendo que 10 deles trabalharam em Pitangui. O município já havia sofrido prospecções mecânicas por parte de técnicos da Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais - CPRM, o resultado destas pesquisas fizeram com que a região fosse escolhida para ser a primeira no Brasil a sofrer uma varredura pelo que existia de mais moderno no mundo em matéria de prospecção aerogeofísica. As pesquisas em Pitangui duraram de agosto a novembro de 1973, sendo que nos meses de setembro/outubro não houve trabalho devido a problemas mecânicos no helicóptero. De maio a agosto o equipamento passou por adaptações e aferições, sendo que neste período algumas áreas próximas a Pará de Minas sofreram análises radiométricas.


Helicóptero com a sonda HEM ao lado.

O acordo previa a compra de um helicóptero Sikorsky modelo S-58 que foi equipado em 1972 pela Barringer Research Limited, Toronto (Canadá) com um complexo sistema de análise aerogeofísica. A aeronave foi modificada pela United Aircraft em Montreal para a versão S-58T onde o motor a combustão de 12 cilindros foi substituído por uma turbina dupla geminada que conferiu ao helicóptero mais potência e segurança. Para sua operação em Pitangui a pista de pouso do Chapadão teve 160 m2 asfaltados (primeira obra de asfaltamento do município) e foram construídos um depósito de combustível, um almoxarifado, oficina de manutenção e uma estação de rádio. Na cidade uma casa na rua Visconde de Rio Branco foi alugada para a avaliação preliminar dos registros, revelação de filmes, reconstrução das linhas de vôo e para reparo dos equipamentos eletrônicos. A tripulação do helicóptero era composta de no mínimo 3 pessoas, o piloto e um navegador na cabine de comando e um operador no compartimento de passageiros para o manejo dos equipamentos geofísicos. Em algumas ocasiões voaram até 3 operadores, neste caso eram um ou dois brasileiros recebendo treinamento na operação dos instrumentos de análise.


Região do Pontal no rio Pará onde as pesquisas
posteriores identificaram grande variedade de minerais.


A equipe alemã era composta de 10 profissionais sendo: Dr. K. P. Sengpiel, Geofísico chefe do grupo; H. J. Rehli, Engenheiro Eletrônico chefe do setor de eletrônica; K. H. Meinhardt, Engenheiro Operacional operador de eletrônica; W. Kahnt, Engenheiro Operacional operador de eletrônica; H. Plessow, Piloto; B. Radermacher, Piloto; J. Scheiwein, Mecânico; D. kossmehl, Navegador (a partir de Nov. 1973); K. Maekler, Compilador; D. Jochkann, Compilador. No meses de julho/agosto estiveram em Pitangui os técnicos canadenses Mcneill e Cox fazendo ajustes no equipamento.


Equipe elaborando as linhas de vôo.


A equipe brasileira era um pouco maior sendo: J. I. Alexandre, Geofísico chefe do grupo; G. S. Oliveira, Engenheiro de Minas geofísico assistente; J. Lara Filho, Geólogo estagiário de geofísica; A. J. Borges, estagiário do DNPM; P. C. Mello, Engenheiro Operacional chefe do setor de eletrônica; N. L. Silva, Eletrônico operador de eletrônica; A. J. Vaghi, Piloto; A. N. de Oliveira, Mecânico; J. P. Filho, Prospector; G. A. D. de Aguiar, Prospector; D. M. Soares, D. Palhares, J. Mafforte Sobrinho, P. Caldeira e R. C. Santos, motoristas e mais 5 auxiliares para trabalho no aeroporto.


Painel de controle dos instrumentos geofísicos instalados no helicóptero.


A aeronave era equipada com um sistema geofísico múltiplo que consistia de dois sistemas eletromagnéticos, um gama espectômetro e um magnetômetro de prótons. E contava ainda com mais três instrumentos complementares: uma câmera de vôo, um radar-altímetro e um intervalômetro. Estes instrumentos trabalhavam de forma simultânea e ininterrupta durante o vôo.

O principal instrumento do helicóptero era o Sistema Eletromagnético HEM Harringer 003 e era constituído por uma sonda de aproximadamente 9 metros que ficava suspensa por um cabo de 30 a 60 metros. Na ponta da sonda ficava instalada o emissor com a bobina transmissora que gerava um campo eletromagnético que penetrava no solo induzindo uma corrente elétrica que era captada pela bobina receptora na outra extremidade da sonda. Se o helicóptero sobrevoasse uma região rica em depósitos minerais, que são bons condutores, a bobina receptora recebia um sinal mais forte que era interpretado pelos equipamentos dentro do helicóptero.

Posição de funcionamento da sonda HEM durante os vôos.

A altitude vôo variava de acordo com a região, mas sempre dentro da faixa que ia de 90 a 105 metros sobre o solo, o que deixava a sonda a uma altura de 30 a 45 metros em relação ao terreno pesquisado. A velocidade de vôo se limitava ao máximo de 150km/h devido a interferências mecânicas que velocidades maiores poderiam causar na sonda.


Helicóptero com os sensores de magnetometria e VLF


Fonte: Relatório “Detalhamento Aerogeofísico por Helicóptero – Área de Pitangui – Minas Gerais – Convênio geofísico Brasil-Alemanha – CPRM

Na segunda parte desta matéria abordaremos o que realmente foi encontrado em Pitangui. Solicitamos aos que souberem de algum fato relacionado a presença dos técnicos em Pitangui ou possuírem fotos do trabalho aqui realizado que, por favor, me enviem no e-mail vandeir.santos@yahoo.com.br. Obrigado.

Todas as fotos desta primeira parte fazem parte do relatório do CPRM



Vandeir Alves dos Santos

Nos seus 300 anos, as histórias e estradas de Pitangui também são Reais

8 comentários:

  1. Mais uma importante postagem amigo Vandeir! Parabens ! Pois sei bem como a busca pelas fotos e documentos nao foi facil!!!

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  2. Fantástico!!! Parabéns Vandeir. Excelente matéria.

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  3. Bravo! Amigo Vandeir. Excelente matéria! Estou ansioso para saber mais detalhes na próxima postagem. É por isso que eu digo: "Vandeir Jones". Que bom que você gosta de Pitangui. Parabéns pela postagem .

    Nicodemos Rosa.

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  4. Vandeir, parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa, apresentando muita riqueza de informações!
    Ótimo post Licínio.

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  5. Vandeir, parabens pela matéria!

    Aguardo ansiosamente pela segunda parte da matéria.

    Abraços

    Lucas Navarro

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  6. Fantástico, Vandeir! Coincidentemente, estou escrevendo uma reportagem a respeito dessa pesquisa dos alemães. Conversaremos sobre isso por e-mail. Sua dedicação em pesquisar para o blog é fabulosa. Parabéns!

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  7. VANDEIR,
    VOCÊ É MESMO UM ESCAVADOR COMPULSIVO!AINDA BEM QUE TEMOS ABNEGADOS COMO VOCÊ E NÓS QUE AMAMOS PITANGUI, FICAMOS NO LUCRO!BELO TRABALHO E OBRIGADO PELO EMPENHO.
    ABÇ, RÉGIS LOBATO

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  8. Meu pai foi intéprete dos alemães no período em que eles estavam aqui. Eu e meu irmão íamos muito à casa ali da Rua Visconde do Rio branco com ele e, uma curiosidade: Acho que eu, meu irmão e meu pai fomos os únicos pitanguienses a dar uma voltinha naquele helicóptero!

    Valéria Schmitt

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