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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Histórias do povo de Pitangui


Causos de minha mãe – 1ª parte – O “conversório” atrás da serra

            Minha mãe nasceu no distrito de Campo Grande, a cerca de 12km de Pitangui. Caçula de uma família de 10 irmãos, cresceu naquela localidade onde se casou em 1948. A mudança para a cidade se deu no início da década de 50 e os fatos aqui relatados ocorreram um pouco antes, quanto ainda morava nas terras da fazenda do Mandasaia.

MAPA DO LOCAL. FONTE: GOOGLE EARTH

        Certo dia, após ajudar a sogra a preparar o almoço, partiram as duas para a cidade a fim de visitar amigos na Chácara Saldanha. Por volta do meio dia, ao chegarem ao pé da serra da Cruz do Monte, lado oposto ao da cidade, iniciaram a subida e logo pararam em uma grota existente após uma curva a direita, pois minha avó havia resolvido matar sua sede com a água que corria naquele local. Foi quando começaram a escutar o choro forte de uma criança em meio a um grupo de pessoas que conversavam entre si, era um “conversório” onde não se podia definir o que se conversava. Minha avó sugere a minha mãe que apressassem o passo, para que chegassem ao alto da serra junto com aquele povo, pois andar em grupo ajudava a “não ver o caminho passar”. A distância dali até o alto da Cruz do Monte é de pouco menos de 1km. Mesmo andando rápido chegaram ao alto da serra sozinhas e verificaram que ali não havia ninguém, o conversório e o choro haviam terminado e não havia naquele lugar nenhuma evidência da presença das pessoas que poderiam ter produzido aquele som. De imediato apenas estranharam o fato, mas não viram ali nada de anormal, mesmo sabendo que não havia trilhas paralelas a estrada. Mais tarde é que minha mãe se lembrou dos casos contados por seu pai, que inúmeras vezes escutara a mesma coisa. Em conversas de família duas primas também me afirmaram ter escutado a conversação, porém sem o choro. Existem aqueles que associam este tipo de ocorrência a tesouros enterrados por escravos, sendo a manifestação uma forma de afastar os curiosos do local da fortuna que agora estaria protegida pelos espíritos destes escravos.

MARCOS BARRICA INSPECIONANDO O LOCAL DA OCORRÊNCIA
FOTO: VANDEIR SANTOS

     Atualmente não há relatos de pessoas que tenham escutado alguma coisa estranha naquele local, muito provavelmente o deslocamento motorizado não permite aos transeuntes manterem vivos os causos da terra. Recentemente minha mãe nos levou (eu e Marcos Barrica) ao local, mas nada de anormal foi constatado.

Vandeir Santos

Nos seus 300 anos, as histórias e estradas de Pitangui também são Reais

3 comentários:

  1. Tambem já ouvi varias historias sobre esse lugar, choros, barulhos de carros de boi no meio do mato, arvores que pegam fogo do nada, e por ai vai, coisas que só enriquecem nosso folclore. Parabens pela postagem Vandeir

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  2. Olá Vandeir, muito obrigado pela sua visita ao meu blog! Agora respondendo à sua pergunta, realmente ainda não uso um detector de metais, mas pretendo adquirir um, pois como poderá ver numa postagem que farei em breve,acabo de descobrir um NOVO local que pela quantidade de capsulas e projéteis de munições que encontrei, deve ter sido palco de intensos combates, e assim poderei desenterrar e preservar esse pedacinho de nossa valorosa história.
    Um abraço e apareça sempre que quiser!!

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  3. Que história bacana, Vandeir! Acabo de dar um "Ctrl-C + Ctrl-V" para o meu livro sobre povoados rurais de Pitangui. Abraço e parabéns pelo relato. :)

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