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segunda-feira, 14 de maio de 2012

HISTÓRIAS DO POVO DE PITANGUI


Causos de minha mãe – 3ª parte – A franga voadora

            Era mês de janeiro e o adro da igreja de São Francisco fervilhava de gente comemorando a festa de São Sebastião, era uma das principais festas da cidade e o evento era animado pelo leilão de prendas que os moradores de Pitangui e região doavam para a igreja. Doavam de tudo, leitões, frangos, bezerros e longe da comodidade atual, onde já se arremata a prenda assada e pronta para o consumo, naquela época eram todas prendas vivas!
            Acontece que no meio do material ofertado se achava uma franguinha muita raquítica, de penugem escura, tão esmilinguida a pobre coitada que até mesmo um pai-de-santo a recusaria pro despacho. Provavelmente doação de algum fiel desgostoso com alguma graça não alcançada ou mesmo disposto a se ver livre daquele zumbi de galinheiro. O animado Fernando Barbosa, também fazedor de Judas, era o leiloeiro oficial da festa e mesmo dedicando o máximo de sua competência na empreitada não obteve um centavo sequer por aquele refugo de despacho, ninguém queria a franguinha. Sem querer perder mais tempo com a desnutrida penosa, se livrou da ave enfiando-a na tuba da banda que aguardava o momento da apresentação.

FERNANDO BARBOSA - Foto de José da Costa Caldas

            Eis que chega o momento da celebração, todos se acomodam nos bancos na mais harmoniosa demonstração de fé. A banda sobe ao “camarote” logo acima da entrada e se coloca de prontidão para o início da missa. Neste momento o tocador da tuba enche o peito e solta o primeiro acorde. Foi como um tiro ! A franguinha saiu a mil da tuba, era como um filhote de jacu cruzando o teto da igreja. O ponto de aterrissagem da pobre ave veio a ser a careca desprotegida do velho Miguel Antônio que no susto invoca a proteção divina: “Me valha minha Nossa Senhora, recebi a graça do Divino Espírito Santo!” O pobre homem não viu que ao invés da pomba branca, símbolo do Divino Espírito Santo, lhe pousara na cabeça um protótipo de urubu desnutrido. Passado o susto, procurou-se o responsável pela travessura, Fernando Barbosa, num esforço sobre-humano para não se desmanchar em gargalhadas, se exime de qualquer responsabilidade alegando que o autor teria sido o arrematador da franga do qual não se lembrava mais. Voltaram todos então a se concentrar na missa, alguns provavelmente com câimbras na bexiga ao presenciar Miguel Antônio ser bombardeado pela franga esquelética.

Vandeir Santos
Nos seus 300 anos, as histórias e estradas de Pitangui também são Reais         

4 comentários:

  1. Fernando Barbosa, eta saudade dos meus tempos de garota, qdo ele me dizia ao me
    ver em uniforme de colégio- os oios dessa menina parecem cachaça, me deixam tontinho só de olhar pra eles...bons tempos q não voltam mais...Deus te guarde, meu velho amigo, saudades...
    Maria do Carmo Vasconcelos

    quinta-feira, setembro 27, 2012 12:27:14 AM

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  2. Afinal, uma hora, alguém tinha que soltar a franga...

    Paulo Miranda

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