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domingo, 5 de agosto de 2012

Descobrindo Eugênio Silva

No sábado,04, me encontrei com os amigos Carlos Antônio dos Santos e seu sobrinho, o jornalista Paulo Henrique Lobato, para uma ótima prosa. Papo vai, papo vem e Paulo Henrique nos fala sobre um grande fotógrafo e jornalista nascido em Pitangui chamado Eugênio Silva e nos contou um pouco da trajetória profissional deste  pitanguiense e da dificuldade de se encontrar material a seu respeito. Na ocasião, Paulo sugeriu que eu fizesse uma postagem sobre Eugênio Silva. Pois esta conversa me motivou a pesquisar sobre esta personagem ilustre do jornalismo brasileiro no intuito de apresentá-lo aos seus conterrâneos. Taí Paulo, esta postagem é pra você.

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Eugênio Silva nasceu no então distrito de Pitangui denominado Cercado (hoje Nova Serrana) em 25 de dezembro de 1921 e faleceu em 23 de novembro de 2001, aos 79 anos. Filho do fazendeiro Miguel Honório da Silva, casado com Maria Angélica da Conceição era o mais velho entre os 8 irmãos. Quando sua mãe faleceu, aos 35 anos, o pai resolveu mudar-se com os filhos para Belo Horizonte, onde montou uma lenharia.
Nesta época, Eugênio Silva tinha 17 anos e já tinha experiência no trabalho em tipografia e redação adquiridas durante o período que morou em Divinópolis na companhia de um primo, Ataliba Lago, proprietário de uma gráfica e de um semanário chamado "Voz do Sertão", que recebia recursos da prefeitura local. Quando foi para Belo Horizonte, em 1936, ajudar o pai conseguiu emprego em duas lojas de materiais fotográficos, nascia ali sua paixão pela fotografia. Nesta época, costumava fotografar partidas de futebol e as expunha na loja para serem vendidas.
Em  1940 foi levado pelo amigo e também fotógrafo do "Estado de Minas" Nivaldo Correia para trabalhar naquele jornal, que tinha como chefe de redação Geraldo Teixeira da Costa, influente personagem do jornalismo mineiro. O jornal "Estado de Minas" passaria a integrar os Diários Associados de Assis Chateaubriand, que também era proprietário da revista de maior circulação no país,"O Cruzeiro". Em 1944, um processo envolvendo o médium Chico Xavier levou a grande imprensa nacional para Pedro Leopoldo na tentativa de entrevistá-lo. 
O jornalista David Nasser junto com o fotógrafo Jean Manzon vieram a Minas Gerais cobrir este acontecimento para a revista "O Cruzeiro", passaram pela redação do "Estado de Minas", onde conheceram Eugênio Silva, queriam uma entrevista ou uma foto de Chico Xavier, pegaram um flash emprestado e partiram para Pedro Leopoldo onde conseguiram entrevistar e fotografar Chico Xavier, o material foi publicado na revista e gerou grande repercussão. Eugênio Silva estava diante de dois ícones do jornalismo brasileiro  e sonhava em um dia trabalhar com eles naquela revista, o que ocorreu anos mais tarde.
O fotógrafo Eugênio Silva e o repórter Álvares da Silva
 cobrindo a viagem de Guimarães Rosa.

Em abril de 1947 Eugênio Silva estreou na revista "O Cruzeiro" com a  matéria "Caravana da fome", com texto de Geraldo Teixeira da Costa. Sua contratação efetiva por aquela revista se deu em 1948 devido a algumas fotos consideradas difíceis que ele conseguiu fazer. No início da década de 1950 teve oportunidade de fotografar o escritor mineiro João Guimarães Rosa quando este saiu na famosa viagem percorrendo os sertões mineiros, viagem esta que inspirou o escritor a escrever o clássico "Grandes Sertões: Veredas". Assim como o livro, as fotos de Eugênio Silva sobre a viagem de Guimarães Rosa se tornaram clássicas.

Guimarães Rosa fotografado por Eugênio Silva

Eugênio Silva foi diretor da sucursal da revista "O Cruzeiro" em Belo Horizonte e no final da década de 1980 exerceu o cargo de assessor do Departamento de Comunicação da Rádio Inconfidência, também em Belo Horizonte.


FONTE:
http://revcom.com.br/rc/Menu_MDC_O-Cruzeiro-Eugenio-Silva.htm, acessado em 04/08/2012.
http://50anosdetextos.com.br/2012/dia-de-lembrar-tres-amigos/, acessado em 04/08/2012.
CARVALHO, Luiz Maklouf. Cobras Criadas. David Nasser e o Cruzeiro. São Paulo: Senac Editora, 2001.

9 comentários:

  1. Professor, estou honrado... Mas mais satisfeito de ver a postagem em homenagem ao Eugênio. Foi um jornalista e tanto. Aprendi mais uma: não sabia que ele nasceu na hoje Nova Serrana. Parabéns pela postagem. Obrigado.
    Paulo Henrique Lobato

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  2. Eu é que tenho a agradecer, Paulo. Na Verdade, sua sugestão foi um presente, ontem foi aniversário do blog.
    Valeu, meu caro!

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  3. Uma boa dica, materializada com uma pesquisa de excelente conteúdo!

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    1. A possibilidade de pesquisar este fotógrafo e sua história, então desconhecida por mim, foi um presente para o blog em seu mês de aniversário, né Léo?

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    2. Prezado Licínio, meu nome é Ricardo Silva, filho mais velho de Eugênio Silva, sobre quem você e seus amigos homenagearam recentemente. Foi uma grande alegria para mim, meus irmãos e minha mãe, dona Filhinha, que mês que vem completa 93 anos. Todos nós nos sentimos honrados e nos colocamos a disposição para mais informações sobre nosso querido Eugênio. Meus telefones: 8866 8053 ou 32979590. Até breve.

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    3. Caro Ricardo,
      seja bem vindo ao blog.
      Fico muito feliz em recebê-lo. Nossa proposta aqui é resgatar a memória de Pitangui e apresentar a seus habitantes e demais visitantes deste blog acontecimentos, lugares e pessoas relacionadas a sua história.
      Nunca poderia imaginar que o autor das célebres fotos de Guimarães Rosa pudesse ser um pitanguiense (pitanguiense sim, pois quando seu pai nasceu, o Cercado ainda pertencia ao município de Pitangui). Foi uma descoberta encantadora através de um agradável bate papo com o jornalista Paulo Henrique Lobato. Fui para casa instigado a pesquisar sobre Eugênio Silva e entrei madrugada a dentro.Ele escreveu uma bela página na história do jornalismo brasileiro.
      Agora recebo sua visita e em nome dos demais articuladores do blog agradece imensamente o reconhecimento por parte de você e sua família do nosso trabalho, isso nos dá mais força para prosseguir.
      Como deixei claro na postagem, minha intenção é apresentar este jornalista aos seus conterrâneos e penso que há ainda muita coisa a se dizer sobre ele e sua trajetória no jornalismo brasileiro e creio que você e sua família poderão colaborar muito para isto. Farei contato em breve para podermos conversar.
      Até breve.
      Um fraterno abraço.

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    4. Caro Ricardo Silva,
      me esqueci de deixar os meus contatos pessoais:
      ciberhistoria@gmail.com
      (37)99922339
      Abraço.

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  4. Prezados Ricardo e Licínio,

    Tive a honra e o prazer de conhecer e trabalhar ao lado de Eugênio Silva, na Rádio Inconfidência entre os anos de 1992 e 1995. Foi naquele período mais que um amigo, foi um professor e um grande conselheiro. Trago para toda a minha vida ensinamentos dele, que me foram muito úteis até aqui, e com certeza serão até os meus últimos dias. Eugênio Silva tinha um caráter irretocável, e uma sabedoria indescritível, além de um excelente contador de "causos", como por exemplo o dia em que ele passou a roda do carro em cima do pé do policial que o parou em uma blitze...

    Foi um prazer ler esse post e me lembrar do querido amigo.

    Abraços

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    Respostas
    1. Olá José Roberto.
      Seja bem-vindo.
      É muito bom ter contato com quem conviveu com Eugênio Silva. Esta postagem trouxe a tona seu legado na imprensa brasileira. Ficamos felizes com sua visita e depoimento, pois, trabalhamos com o resgate da memória histórica.
      Um fraterno abraço.

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