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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Temos a faca e o queijo nas mãos...


...é só saber cortar e por a mesa.
Por indicação do parceiro Dênio Caldas, divulgamos uma matéria veiculada no jornal Estado de Minas, na seção Opinião, publicada no último dia 18 de agosto. No artigo, o autor expõe seu pensamento sobre a importância de se reconhecer, valorizar, preservar e organizar os patrimônios e expressões culturais (materiais e imateriais) como forma de manter viva a memória e as tradições para as futuras gerações. Outra questão enfatizada é a importância de uma equipe formada por especialistas para o sucesso da gestão cultural pela municipalidade. A cultura não é um fim em si mesmo, é um meio para preservar a identidade de um povo, para interagir pessoas, promover o turismo e para fomentar diversos setores e atividades da economia local. Nós acreditamos na grandeza da nossa história, das nossas raízes culturais e que os 300 anos de Pitangui possam ser celebrados em grande estilo! Para tanto, o planejamento e a execução das ações culturais também precisam ser tratados como prioridade e os anos que antecedem 2015 serão fundamentais. Boa leitura! 

                                          Lira Musical: Patrimônio Cultural. Foto: Léo Morato.

Patrimônio das cidades
Futuros prefeitos que formarem equipes sensíveis vão saber selecionar e promover a riqueza cultural de seu município


Marco Silva
Professor, consultor e autor
de livros educacionais

Publicação: 18/08/2012 04:00

Para boa parte dos mineiros, a nossa história se resume ao passado das chamadas cidades históricas. Por mais belas, importantes, significativas e indispensáveis que sejam para o estado e o Brasil, cidades representativas do ciclo do ouro, como Mariana, Tiradentes e Ouro Preto, entre outras, não demonstram sozinhas toda a nossa riqueza histórica e cultural. Com 853 municípios, o passado e o presente de Minas é ainda bem mais amplo, heterogêneo e rico.

Apesar disso, muitos municípios sequer têm um levantamento de sua própria história realizado com técnicas modernas de pesquisa historiográfica. Na maior parte deles, manifestações folclóricas e artísticas, construções representativas de uma época, grupos e pessoas importantes para a coletividade não são valorizados e muitos já caíram no esquecimento.
Por outro lado, quando existe um bom levantamento da história municipal é muito comum que ela não seja alvo de uma exploração didática e pedagógica satisfatórias. Muitos municípios não possuem um site ou publicações impressas que apresentem informações confiáveis e elementares de cunho econômico, político, histórico e cultural aos moradores, turistas e pessoas interessadas. Uma das tristes consequências desse processo atinge a educação formal. Nesses lugares, professores e estudantes encontram muitas dificuldades para estudar a própria história do município em que vivem, temática obrigatória nos currículos escolares.

Além de investir na pesquisa e divulgação da história dos municípios, os futuros prefeitos precisam compreender, valorizar, promover e salvaguardar o patrimônio cultural. Atualmente os antropólogos e historiadores entendem a cultura como o conjunto de conhecimentos, crenças, artes, leis, costumes, hábitos, tradições e valores de um grupo de pessoas ou de determinada comunidade independentemente de qualquer posição social, política e econômica que ocupem. Assim, as manifestações mais significativas da cultura de um povo, dos municípios mais minúsculos aos superpopulosos, materializadas em objetos tangíveis ou expressas nos chamados bens intangíveis, formam esse patrimônio cultural.

O som do toque dos sinos das igrejas em muitas cidades mineiras, por exemplo, anuncia há séculos rituais religiosos e celebrações como festas de santos, semana santa, Natal, casamentos e a tradicional marcação das horas. Por ser um modo particular de comunicação entre a Igreja e a comunidade e servir de orientação para a população, faz parte da lista de bens intangíveis registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Como expressões da cultura, essa e outras experiências são dinâmicas e, por isso, passíveis de mudanças. O repicar dos sinos pode muito bem se modificar ou não ser mais utilizado com o passar dos anos. Entretanto, o registro é uma forma de valorizar esse patrimônio cultural no presente e de garantir que outros saberão no futuro como os sineiros faziam hoje.

Imóveis e móveis compõem os bens tangíveis. Essa lista inclui construções suntuosas ou muito simples, edifícios públicos e privados, aglomerados de casas e até bairros inteiros, aldeias, fotografias, pinturas, documentos escritos, filmes, enfim, tudo aquilo que representa de forma significativa a cultura no passado ou no presente e que por isso podem e devem ser tombados.

Como é impossível preservar mentalmente todo o passado, a nossa memória individual ou coletiva apaga sistematicamente o registro da maior parte do que foi vivido. Por isso nossas lembranças sempre serão parciais. Entretanto, quando elegemos bens culturais que são registrados ou tombados, estamos criando suportes que auxiliam na preservação da memória coletiva. É como se a sociedade dissesse por meio desses bens às futuras gerações: “Lembrem, reflitam, pensem sobre isso que foi importante em nossa cultura”.

O toque dos sinos, as esculturas de Aleijadinho, as 204 comunidades quilombolas de Minas, por exemplo, são expressões culturais, de um jeito específico de ser e viver. Por meio delas sabemos da influência católica na formação dos mineiros, do engenho inventivo que transformou a pedra-sabão numa arte sublime ou da resistência dos afro-brasileiros à escravidão e à discriminação racial.

Existem ainda muitos bens para se registrar e tombar em Minas. Os futuros prefeitos que formarem equipes comprometidas e sensíveis saberão selecionar, valorizar e promover o patrimônio cultural de seu município. As cidades mineiras ainda têm muito para contar do seu povo, da sua cultura e da sua história.

Capela da Penha: Patrimônio Cultural.
Foto: Léo Morato.

5 comentários:

  1. Vamos torcer para que os candidatos que concorrem as eleições municipais deste ano tenham sensibilidade para as questões abordadas nesta matéria do "Estado de Minas".

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    1. Concordo com você. Um grande passo já foi dado com o tombamento do patrimônio histórico, temos continuar na divulgação de nossa cidade votando naqueles que valorizam nossa história.

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    2. Prezado(a) visitante realmente foi um passo importante o tombamento do centro histórico, ainda que tardio! Assim como a comunicação pública evoluiu muito de uns anos para cá. Mas a gestão cultural precisa ser bem mais abrangente, aprimorando inclusive os mecanismos para receber, prestar informações e conduzir os visitantes. Almejamos que a gestão da cultura a partir de 2013 seja conduzida por uma equipe capacitada e com a cabeça aberta, para obtermos resultados significativos nos 300 anos e depois deles.
      Leonardo Morato
      Turismólogo / Administrador.

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  2. Concordo com o Licínio, e que os candidatos eleitos tomem atitudes que contribuam na divulgação da história de Pitangui bem como na preservação do patrimônio da cidade.

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  3. Pois é meus amigos, eu também torço para que haja avanços significativos nas iniciativas e na gestão cultural em Pitangui! A sociedade está mais participativa, mais atenta e irá cobrar resultados!

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