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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Velho cansado, menino sabido.


Nestes tempos de mudanças, de expectativas e de muito trabalho a ser continuado e iniciado, chegou até nós este conto, (ou seria um "causo"?). O texto aborda sobre dois personagens pitanguienses (reais ou fictícios) e, na nossa interpretação fala também da necessidade de somar esforços e continuar a caminhada rumo aos 300 anos. Mas a conclusão deve ficar a critério de cada leitor. Boa leitura!

Mata do Céu - cenário deste conto. Foto: Léo Morato.


Ufa! Quanto trabalho e quase em vão.

Andou um tempo atrás aqui pela nossa região um menino encantador e encantado. Inteligente e astuto como ele só. Quem teve ocasião de se encontrar com ele, ficou deslumbrado. E até parece que ele ia ficar por aqui, assim nós esperávamos. Ele parecia satisfeito e em casa. Mas tinha uma coisa curiosa, ele olhava pra gente atentamente e parecia até que estava cubicando a gente. Estava nos avaliando. Até ai não tem importância. Menino quando vê quem não conhece, faz isso mesmo. Quem de nós não fez isto em criança? Mas mal sabia o menino que o velho também fazia o mesmo. Olhar pra cá, olhar pra lá. Pareciam os dois estarem contentes com o resultado da análise mútua. Era só aguardar o resultado. Quando cuida que não, o menino desapareceu, ninguém sabe por que e nem para onde.

Um não chegou a se dar pela falta do outro. Estavam absortos nas suas considerações.
Mas aconteceu uma coisa curiosa: o velho julgou ter intuído um papel para o menino desempenhar. E o menino também tinha rastreado o caminho do velho e, de modo geral achou a avaliação positiva. Apenas pequenos reparos e a coisa está pronta. Este velho, pensou o menino, é como um jardim muito bem estruturado. É só cuidar e continuar o cultivo, com pouco a acrescentar. Mas agora é para a gente ficar pasmado: o velho não se considerou assim. É, para ser aceito nos dias de hoje,pensou, tenho que me modificar, tomar outros ares. E assim fez. Agora vou de novo encontrar este menino e tenho certeza de que ele vai se maravilhar.
Ia o velho andando lá pelo lado da Estrada Real, cheio de si com suas adaptações. Passara pela Igreja da Penha, subia o Morro do Pau Grande. Em sentido contrário, vinha faceiro um menino, parecia que vinha da Mata do Céu, tão feliz e radiante vinha ele. O velho a custo o reconheceu e falou é agora. Qual não foi sua surpresa. O menino passou de liso, fez-lhe apenas um tímido e ligeiro cumprimento. O velho pensou: é o menino, ainda mais encantador. E por que não parou? Ô menino, volta aqui. Você não me conhece mais? Me desculpa, mas quem é o Sinhô?

Eu sou o seu velho amigo. Mas o que? Não acredito. Como o Sinhô ta mudado. Tá fantasiado! Pra que isto? Ah, eu tou cansado. Todo mundo fala que tudo mudou e eu não acompanhei. Tou parado no tempo. Cansei de tanto ouvir isto e resolvi mudar de jeito. Achei que ia te deslumbrar! E qual o meu desencanto, você menino, mal e mal me cumprimentou! O que fazer? Eu não ti reconheci. Ficou tão estranho e vulgar, me perdoe. Com este novo visual o Sinhô se descaracterizou, ainda bem que foi só por fora. Arranca esta máscara e este nariz de palhaço. Volta a ser o que é. Vamos nos dar as mãos e caminhar juntos, sem deixar a trilha dos nossos pais e avós os bandeirantes. Vamos prosseguir naquela trilha bendita e de futuro. Nada de mudança de rumo. Rumo sim, rumo aos 300 anos. E assim estão caminhando o Velho e o Menino, ambos Pitangui. Quem tiver olhos veja... e siga!

Um comentário:

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