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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Violões Jacyano, a arte de um luthier pitanguiense


Pitangui sempre teve um passado musical muito rico, desde o século XIX é possível encontrar referências ao gosto dos pitanguienses pelos acordes musicas. No conturbado período de rivalidades entre gonçalvistas e vasquistas, cada grupo contava com a sua própria banda e tinha o seu dia de apresentação na igreja. Em jornais da última década do século XIX é possível encontrar anúncios de aulas de canto ministradas por membros da família Nunes, os quais ainda são ativos musicalmente. Com tanta dedicação, é normal que além de tocadores surjam também quem se interesse pela fabricação dos instrumentos. A primeira referência que pode ser encontrada diz respeito à fabricação de violões por Pedro Francisco de Barros no início do século XX (o luthier em questão é tio-bisavô do vereador Alexandre Barros).

Anúncio de jornal do início do século XX - Fonte Arquivo judiciário de Pitangui

Embora o Sr. Pedro Barros não tenha deixado herdeiros de sua arte, Pitangui conta hoje com um artesão que vem se aprimorando na fabricação e reparos de instrumentos de corda. Trata-se do Sr. José Aparecido Coelho, ou simplesmente Coelho. Já mestre na arte de fabricação de móveis, Coelho resolveu fabricar violões e violas para aproveitar o tempo livre na marcenaria. O que começou como passatempo se tornou um ofício sério, cuja linha de produção hoje disputa espaço com a fabricação de móveis.

O músico Dênio Caldas observa Coelho no processo de laminação das peças que irão compor as laterais da caixa do violão. Foto: Vandeir Santos

Coelho iniciando o processo de colagem das lâminas para posterior moldagem. 
Foto: Vandeir Santos

Ele explica que o começo da fabricação começa pela escolha da madeira cuja fonte é geralmente sobras de demolição uma vez que as melhores variedades para o fabrico de instrumentos são nobres e de extração proibida. Uma vez laminada a madeira é deixada para secar definitivamente, pois mesmo uma madeira extraída há mais de um século ainda apresenta uma umidade natural que tem de ser eliminada. Após a união das lâminas elas são levadas ao gabarito para que adquiram a forma do instrumento, segundo Coelho esta é a etapa que lhe deu mais trabalho para o domínio da técnica. 

Coelho fazendo a moldagem das lâminas - Foto: Vandeir Santos

Moldagem concluída, o violão já tem forma definida. Foto: Vandeir Santos

Uma vez moldadas, as lâminas tem a sua borda nivelada e após esta etapa estão prontas para receber as tampas, formando a caixa do violão. É neste momento que se começa a definir as características técnicas do instrumento, se será viola ou violão, se as cordas serão de nylon ou aço, se o tensor será móvel ou fixo, etc. 

Coelho finalizando a montagem da caixa do violão. - Foto: Vandeir Santos

A próxima etapa é a confecção do braço que também necessita ser de madeira selecionada, passar pelo tempo de secagem, definição da forma, lixamento e acabamento para então receber as escalas e o tensor pré-determinados. Terminada a parte principal, são montados os demais acessórios e o instrumento é envernizado. Está pronto mais um instrumento genuinamente pitanguiense.

Início do processo de fabricação do braço do violão. Foto: Vandeir Santos

Finalização da montagem do Braço. Foto: Vandeir Santos

Instrumentos já finalizados, colocados a venda na loja situada ao lado da oficina. - Foto: Vandeir Santos


O Sr. Coelho nos informou ainda que fabrica instrumentos de acordo com as características físicas do músico. Dependendo do tamanho do braço, da mão ou de alguma deficiência em algum membro, basta o cliente expor a situação para que o instrumento saia de forma a permitir um manuseio confortável.  Coelho também se dedica ao reparo de instrumentos danificados. Sua oficina fica na Rua Quito Nunes, 66. O telefone de contato é o (37) 3271 3538.
No vídeo abaixo o músico pitanguiense Dênio Caldas experimenta um violão fabricado por José Aparecido Coelho cantando a música Pitangui de Giancarlo Scapolatempore:        



          Vandeir Santos

Nos seus 300 anos as estradas e histórias de Pitangui também são Reais

4 comentários:

  1. Excelente postagem, Vandeir. Dê uma conferida no link do vídeo, pois o mesmo não está sendo acessado direto da página da postagem.
    Abraço.

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  2. Parabéns pela matéria Vandeir ...
    O Coelho a cada dia vem acertando mais e mais nos instrumentos que fabrica. Outro dia tive a oportunidade de tocar num violão dele, que um amigo meu comprou, e o violão tá tinindo de bom. Parabéns ao Coelho e ao Vandeir pelo garimpo !

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  3. Parabéns, Vandeir! Excelente história, muito bem contada! Achei o texto, inclusive, televisivo. Isso me deu uma certa... hum... "ideia". :)

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  4. Excelentes texto e trabalho de pesquisa Vandeir! O Coelho é mesmo um mestre da marcenaria! Em um dos meus primeiros empregos em Pitangui, tive a oportunidade de trabalhar com ele (na fábrica e na loja)a quem sou muito grato! Parabéns Coelho! E se o Dênio aprovou o violão, tá aprovado. Viva a música Pitanguiense!!!

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