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quinta-feira, 30 de maio de 2013

BEIRA DE BALCÃO

Uma cidade é formada por seus cantos, encantos e características, mas sobretudo por sua gente. E gente tem história, tem suas crenças, hábitos, estórias e muitos causos. Em Pitangui muitos desses causos foram registrados pelo João Batista de Freitas - Jonba (com N mesmo) no Beira de Balcão - uma seção no Jornal Correio de Pitangui, que circulou na década de 1980. Para relembrar essas pessoas e episódios (fictícios e reais) do cotidiano pitanguiense iremos reproduzir periodicamente o Beira de Balcão e convidamos o Jonba e quem mais se habilitar, a escrever novos causos. Ah, os textos foram enviados pelo amigo William Santiago, a quem agradecemos e parabenizamos pelo aniversário neste 30 de maio!



BEIRA DE BALCÃO

É o lugar onde se fica sabendo de tudo. O ponto culminante da enciclopédia do interior, repertório cheio e constantemente renovado das histórias mais incríveis e que todos juram ser verdade, enfeitando a cada repasse com detalhes sutis, um ágio cobrado pelos atravessados do cotidiano, repórteres do jornal mais usado no mundo, o boca a boca.
Acredito que não vamos conseguir ser diferentes. Os “causos” contados aqui serão os mesmos contados em beira de balcão, nos bares da vida e das cidades do interior, ora com figuras pitorescas de nossa cidade com os seus apelidos, ora apenas os milagres sem aparecerem os santos, além dos outros, de outras cidades. Esclarecemos, entretanto, que nossa intenção não é de maneira alguma ridicularizar quem quer que seja; esta coluna vai falar só da capacidade incrível do ser humano se comportar nas mais diversas situações.
Pitangui recebeu do João Biléu a mais perfeita definição: “Se fechar com lona é circo, se fechar com muro vira hospício”.
As coisas mais absurdas acontecem aqui. É o único lugar em que um pára-quedista pula e cai dentro de uma cisterna, onde acontece trombada entre avião e caminhão, onde um papagaio derruba uma árvore (o Dirceu Nunes me contou na casa dele que o papagaio roletou uma árvore até que um vento forte a derrubou). E as pessoas? Quanta gente que ultrapassou os limites do inconcebível? Geraldinho da Veva, quando vivo, gostava de comprar bombas cabeça-de-negro para assustar cachorros e as colocava no bolso do eterno paletó de brim, junto com o fumo preto do cigarro. Uma tarde, na porta do açougue do Iraci, enquanto conversava com os amigos, vai fazer um cigarro e no lugar do fumo tira uma bomba e vai cortando sem perceber, reclamando: _ “Disgraçado do Remundão que me vendeu um fumo cheio de cordão”. Tonto, ele enrola na palha o “fumo”, faz o cigarro e acende. Foi um fumação danado, que acabou levando cílios, sobrancelhas e bigodes do Geraldinho.
Dele também é outro caso bom. Depois de beber bastante na venda do Martinho, em Velho do Taipa, resolveu vir a pé para Pitangui, já e noitinha, pela estrada velha. Cambaleando, veio enrolando um cigarro de palha e, quando o terminou, já no Bairro do Chapadão, parou para acendê-lo. O vento era forte e vinha na direção cidade-bairro, impedindo que a chama da binga ficasse acesa. Então ele virou as costas para o vento e acendeu o cigarro, continuando a andar normalmente. Quando descobriu, estava chegando novamente a Velho do Taipa. Tinha esquecido de desvirar.
Na presa, havia um velho muito sistemático. Vinha a pé para Pitangui, com um balaio cheio de cará nas costas e não aceitava carona. Quando lhe ofereciam xepa na vinda, ele respondia: _ “Não, obrigado, o balaio tá cheio e vai pesar o carro”. Na volta ele dizia: - “Não, obrigado, o balaio tá leve”.
Era respondão. Vendia os caras `noite e se justificava: “Não ando pelo relógio; como quando tenho fome; durmo quando tenho sono e trabalho quando tenho vontade”. Chegava nas casas lá pelas nove horas da noite, quando todos viam novela e oferecia: - “Olha o cará barbado”. Os donos da casa irritados diziam: “Isto é hora de vender cará?” E ele respondia: - “Estou vendendo, não estou mandando cozinhar!”

6 comentários:

  1. To quase me mijando aqui de tanto rir imaginando o tal Geraldinho acendendo o cigarro.

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  2. Caí na gargalhada ao ler o caso do vendedor de cará barbado. Durante os risos chegaram na minha porta e disseram pra mim: Uai, tá passando mal?

    Bacana mesmo. O tal JONBA bem que poderia continuar a postar os seus "causos".

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  3. Esqueci de me identificar:
    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiúza/Pitangui

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  4. Em breve divulgaremos mais um Beira de Balcão...

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