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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Marcio Paoliello e um pouco da história da Cia. de Tecidos Pitanguiense

Nesta postagem apresentaremos um pouco da história da Cia. de Tecidos Pitanguiense, através do relato do senhor Marcio Paoliello, que foi gerente da empresa no início da década de 1960. Marcio entrou em contato com a equipe do Blog em busca de informações sobre velhos amigos de Pitangui e, nos prestou um depoimento muito interessante, que nos permite conhecer um pouco mais da rotina da antiga Companhia de Tecidos. Eis o seu relato enviado por e-mail.

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Fonte: Acervo Marcio Paoliello


 Caro Licinio,


Procurei alguma foto da época que morei em Pitangui, mas ja se vão 50 anos, e não consegui localizar algo que possa interessar. Havia algumas fotos tiradas na época das assembleias de acionistas, tiradas junto a Diretoria e alguns pequenos acionistas residentes em Pitangui, mas ficaram guardadas no escritorio da fábrica. Segue uma foto pequena, que tirei na frente da casa onde morava e que pertencia a Cia, depois demolida e subbstituida por um galpão. O filho estava com 2 anos e era o unico que eu tinha naquela época, hoje engenheiro, casado e ja me deu uma neta com 19 anos. Quanto ao período que fui gerente, começou em meados de 1961 e terminou em 1963. Cheguei, vindo de S.João del Rei, onde ocupava tambem a gerência da Fiação Dom Bosco que produzia fios para a Pitanguiense. (metade pertencia a Santanense e metade a Pitanguiense). A época me pediram para assumir em Pitangui, pois a fabrica passava por reformas e precisavam de mim. Fui com a promessa de ficar apenas 3 anos, depois seria transferido para B.Hte.onde deveria assumir a gerencia de uma Estamparia, cuja construção ja havia começado. Foram 3 anois de muito trabalho, modernização da fabrica, reestruturação de empregados,as vezes obrigado a tomar atitudes firmes, pois havia muito vicio proprios de uma fabrica antiga cheia de operarios estabilizados Fui muito apoiado no meu trabalho pelo assistente admnistrativo Lodi e pelo Hygino, com os quais fiz grande amizade. Reformamos os filatorios, montamos uma tinturaria totalmente nova, e ja preparavamos a reforma dos teares. Infelizmente por motivos financeiros(Alta do dolar cujas maquinas eram importadas), a Estamparia foi cancelada. Assim, fiquei no dilema, continuar em Pitangui, ou procurar novas oportunidades. Preferi a 2a. opção, deixando a Cia, para começar nova vida por conta propria em outro lugar de maior futuro(Possuia algumas economias e imoveis), vendi tudo e me transferi para Gov. Valadares,onde inicei a vida por conta propria no ramo de Posto de gasolina. Hoje moro em Vitoria ES, ha 40 anos e possuo uma loja de materiais de construção, onde criei meus 4 filhos e tenho uma velhice feliz, graças a Deus.
Desculpe tomar seu tempo, mas queria explicar porque deixei a Cia.e saí de Pitangui.
Apesar de não continuar em Pitangui, deixei amigos daquela época que vc por ser jovem não os tenha conhecido, mas cito o Darcy filho do Iganacio, o Tulio e sua esposa Diléa,Dr. Longuinho, Dr.Waldemar (medico da fabrica), Da. Maria Lobato dona do Hotel Pitangui, etc, etc e outros tantos amigos. Fica a saudade de todos!
Alguns dados curiosos da fabrica: O chefe da fiação era conhecido como Zé Doce, da tecelagem Zé Mosquito, da sala de pano o Antonio Colher, o Tião da tinturaria e Jair da Fabrica de Brumado. A parte elétrica era comandada pelo Nestor Inclusive a Usina. 
Na época da seca (Maio, junho, julho), as aguas do rio Pará diminuiam e a usina não conseguia produzir energia suficiente ao consumo. Resultado, era obrigado a cortar a luz da cidade de Pitangui e vizinhas no horario de pico.Isso causava revolta nos moradores, mas eram ordens da Diretoria e tinha que cumprir, fazia parte de meu trabalho Não podia deixar a fabrica parar, pois cairia a produção e o prejuizo seria enorme. Enfim, como disse não foi um período facil e exigiu muito de mim.
Um detalhe, o apito da fabrica havia pertencido a um navio transatlântico chamado Madalena, que naufragou na entrada da baía da Guanabara en frente ao Pão de Açúcar. Era acionado em media 4 vezes por dia.
Desculpe mais uma vez, pela extensão desse e-mail, mas procurei sintetizar alguma cousa para vc.

Um Abraço,

Marcio Paoliello




Outras informações relevantes, que nos foram fornecidas por Marcio Paoliello.

Para seu conhecimento vao alguns dados da Pitanguiense no meu tempo:
 

Diretores: Cesar Gonçalves de Souza (o unico que atuava diretamente)
Romualdo Cançado- apenas figurativo
Ignacio Campos- Tambem figurativo
O Ignacio era o unico que morava em Pitangui.
Departamento comercial: Marco Tulio Guimarães
Assistente Administrativo: Osmundo Lodi
Gerente :Marcio Paoliello
Sub Gerente: Hygino Barçante
 

Produção da fabrica aproximadamente 1 milhão de metros de pano por mês. Fabricava Tecidos de algodão, xadrês, mescla e riscado. Possuia aproximadamente 600 empregados. Era muito importante para a cidade,a ponto de somente após o recolhimento dos impostos os órgãos publicos podiam realizar o pagamento de seus funcionarios.


8 comentários:

  1. Fico aqui pensando quantos iguais ao Márcio Paoliello poderiam contribuir desta forma para a história de Pitangui, de uma forma simples o Sr. Marcio contou não somente um fragmento da história da fábrica, mas também de sua vida e do cotidiano pitanguiense, uma realidade distante mas que foi o dia a dia dos pitanguienses. Seria interessante o Márcio vir a Pitangui nos 300 anos, participar das festividades, contribuir um pouco mais com a sua prodigiosa memória. É de gente assim que Pitangui precisa, gente que nem pitanguiense é, que embora distante sente saudades, se preocupa.

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    1. Realmente Vandeir, o relato do Sr. Marcio Paoliello é sensacional. Ele postou comentários em uma outra postagem sobre a Cia de Tecidos Pitanguiense, que vou anexar a esta postagem. Seus relatos contribuem muito para o resgate da história daquela empresa e da história de Pitangui.

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  2. Professor, parabéns pelo resgate histórico por meio do relato do sr. Márcio. Garimpos como esse contribuiem para dar forma e para manter viva a história da cidade. Quanta coisa interessante ainda deve restar na antiga Santanense de Pitangui para ser exposto em um museu da tecelagem. Aliás o próprio prédio poderia ser aproveitado como um espaço cultural multi uso (um Mercado Central de Pitangui). Um abraço.

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    1. Olá Leo,
      compartilho do mesmo pensamento. O relato do Sr. Marcio Paoliello é muito interessante e vem trazer à luz aspectos referentes a Cia de Tecidos Pitanguiense, que poucos se lembram.
      Quanto ao espaço físico da Cia. também pendo que poderia abrigar um centro cultural.
      Abraço.

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  3. Sensacional a postagem.
    O Sr. Marcio relatou fatos e citou nomes que o habilita a ser muitíssimo bem recebido em Pitangui se nos der a honra de uma visita por ocasião, ou antes, dos festejos do tricentenário da cidade.
    Que o Sr. Marcio venha e traga aquele seu garoto da fotografia bem como a sua querida neta.
    Conhecendo o passado entendemos o presente e, entendendo o presente caminhamos rumo ao futuro, acertando mais e errando menos.

    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiúza, Pitangui/MG

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    1. Olá Geraldo Wagner.
      O relato do Sr. Marcio é muito rico mesmo e nos permite entender um pouco o papel desta Cia. no contexto da sociedade pitanguiense daquele período. O resgate e análise do passado é fundamental para o entendimento do presente.
      Reiteramos o convite que você faz ao Marcio e família.

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  4. Olá, sr. Licínio!
    O senhor ainda teria o contato do sr. Márcio Paoliello.
    Estou realizando uma pesquisa sobre as fábricas têxteis de São João del Rei e ele foi uma figura importante nessa história.
    Seria de grande ajuda para o material que estou produzindo ter o depoimento dele.
    É possível?

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    1. Olá Tatiane.
      Seja bem vinda ao blog.
      Farei contato com ele pedindo permissão para repassar o e-mail. Peço-lhe que me disponibilize o seu e-mail também para que eu possa fazer contato sem utilizar os comentários desta postagem. Você pode mandar para o meu e-mail: ciberhistoria@gmail.com

      Abraço.

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