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domingo, 16 de junho de 2013

A olaria dos tijolos de ouro na casa de Mãe Joana


          Durante este último feriado diversas pessoas me indagaram sobre o funcionamento da “olaria” no pasto do Toin Benedito, que nos últimos meses vem trabalhando em um ritmo frenético dia e noite produzindo até então para a população pitanguiense somente poluição sonora.  Mesmo com o alvará de funcionamento e a licença ambiental cassados a empresa não se intimida e de forma atrevida mantém a destruição do sítio arqueológico do Batatal.  Percebe-se que o ritmo acelerado visa a retirada de todo o ouro possível para depois vestirem a carapuça de olaria e começar a produzir os tais tijolos ecológicos.

Os arqueólogos Warley Delgado e Marta de Castro sobre um monte de rejeitos do século 18 no Batatal
 que muito provavelmente já não existe. Percebe-se que Waley faz uso de um GPS, futuramente 
será possível ver como ficou este exato local depois da destruição.

        Amigos, eu não sou o prefeito de Pitangui, não sou secretário de pasta alguma, muito menos ocupo um cargo no Justiça, minha relação com a cidade se limita a ser sócio do Instituto Histórico já que estudo a fundo a história da cidade e a participação de minha família nela desde os idos do século 18. Tenho por Pitangui uma consideração que talvez 90% dos seus filhos não tem e talvez nunca terão. Minha preocupação com a cidade vai além da politicagem podre que sempre atrasou o seu progresso, vai além da visão mercenária de uma oligarquia que nunca valorizou o passado da cidade, vai muito, muito além da inércia daqueles que poderiam fazer muito mais por Pitangui do que tem feito até agora, PRINCIPALMENTE no caso do Batatal.

          Um ex-funcionário da Jaguar Mining me disse que a empresa tem os resultados de duas prospecções que foram feitas no local (quando ainda era de concessão da Morro Velho), cujos resultados demonstraram TER OURO naquela área. Me disse ainda que na época das prospecções (década de 80) o diretor da Morro Velho sugeriu ao funcionário que procurasse o prefeito e propusesse a criação de um centro esportivo no local a troco da “limpeza” do terreno, exatamente o jogo de empresa boazinha que vemos agora.

        No jornal Estado de Minas do dia 11 de junho, terça-feira, página 18, veio com uma matéria sob o título: Mineração Clandestina, que aborda a atividade de uma empresa, também boazinha, que a pretexto de estar contendo a erosão em um barranco às margens da BR 040 estava retirando minério de ferro e transportando para uma siderúrgica de Divinópolis. Na matéria há o seguinte trecho:

Jornal Estado de Minas, 11/06/13, página 18

      Aí está o exemplo de quando a coisa é tratada de forma séria e por pessoas competentes. Mediante uma ação de investigação e posterior tomada de ação a exploração irregular foi interrompida. E quanto a Pitangui, o que EFETIVAMENTE foi feito até o momento para interromper o processo de destruição do nosso sítio arqueológico? O advogado Dr. Mario Lúcio Campos, com experiência ma área de extração mineral disse em conversa com Marcos Antônio Faria (Barrica) que resolveria o problema em poucas horas tendo em vista os absurdos ilegais que se observam no local. Estaria o Dr. Mario Lúcio delirando ou estamos diante de um festival de incompetência?

          O mesmo ex-funcionário da Jaguar, um geólogo, não compreende como a empresa está em atividade extrativista em plena área urbana, situação que já desanimou até a própria Jaguar, isto porque sendo uma empresa séria não pensou na “viabilidades” promovida por sedutores royaltes conforme se vê no celular corporativo que pertenceu a um secretário da administração passada.  Ele ainda afirma que ao questionar a situação com o atual prefeito, ouviu do mesmo de forma enérgica que no dia seguinte providenciaria a prisão dos responsáveis, promessas falidas como essa ouvi diversas vezes, que viria a PM, O GATE, A Força de Segurança Nacional, o Exército, etc., só faltaram falar que a Cuca, o Boitatá e a Mula sem Cabeça viriam em socorro ao nosso sítio arqueológico.

          Aí está o problema, a prefeitura e o poder público NÃO fizeram o bastante, de forma alguma esgotaram todos os recursos ou mergulharam de cabeça no problema. O Batatal é a origem da colonização de todo o centro-oeste e trata-se de um sítio arqueológico importantíssimo para a região, mas tem gente que não está, ou não quer estar, consciente disso. Penso no que até o momento impediu o prefeito de assinar o tombamento provisório aprovado pelo Conselho do Patrimônio Histórico da cidade. Qual o(s) interesse(s) no atraso desta assinatura?

         Para piorar a situação a notícia de que um empresário do ramo imobiliário estaria envolvido no negócio lançou nuvens mais negras ainda sobre o Batatal. Uma vez destruído o sítio arqueológico a área seria alvo da especulação imobiliária já que as atuais atividades estariam “aplainando” o terreno que é muito irregular por se tratar de uma área com características extrativistas do século 18. Seria a pá de cal no Batatal.

         Assim como a maioria dos casarões, o Batatal se tornará pó, primeiro de ouro, depois de rejeito e posteriormente tijolo, que será utilizado para transformar, nos seus 300 anos,  a Sétima Vila do ouro na Primeira Casa de Mãe Joana das Minas Gerais.

Vandeir Alves dos Santos


Para os que quiserem se lembrar do Batatal tal como era antes da destruição, basta acessar o endereço: www.triangulodasgeraes.blogspot.com.br  e procurar pela postagem de segunda-feira, 21 de janeiro de 2013 e assistir ao vídeo do 2º bloco, onde alternadamente são exibidas cenas do Batatal ainda intacto.

7 comentários:

  1. Infelizmente amigo Vandeir Santos vivemos em uma sociedade, mais especificamente a Pitanguiense, que reclama que a cidade não tem atrativos, não tem nada que traga visitantes ou mesmo para a população que aqui habita. Mas o que se pode esperar, se não cuidam de preservar o seu passado, o que pretendem para o futuro? Entregam de mão beijada nosso patrimonio e nossa historia, e ainda apoiados por um poder publico na "minha" opinião OMISSO e sem compromisso algum com Pitangui e sua historia.Será mesmo que todos estão acreditanto que o que acontece naquele terreno irá trazer algum beneficio a não ser para os proprietários e pra quem entregou de graça a historia, passado, presente e futuro? Acorda Pitangui, a seculos que nossas riquezas são levadas embora e o que fica é somente o prejuizo, isso é historico! Cada povo merece o governo que tem! E quando terminarem de destruir tudo por lá, que fiquemos então com a destruição como premio de consolação!

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  2. É triste ver a história de Pitangui sendo desrespeitada e lançada ao esquecimento. A destruição das Minas do Batatal (na surdina) lembra os casarões que, na década de 1980 e 90 "iam" ao chão na calada da noite. Mais uma vez os interesses pessoais sobrepõem os direitos coletivos? Quantas atividades poderiam ser realizadas no local, com a construção de um Parque ecológico e histórico(para visitação escolar, caminhas, eventos musicais, mostras de fotografia, visitação turística). E a mina da Lavagem, que fica abaixo das Minas do Batatal, irá resistir? O que pensa o Ministério Público, o IPHAN, A Câmara Municipal, a SAP e demais entidades de defesa dos interesses de Pitangui?

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  3. Espero que os amigos do blog daquidepitangui não fiquem de braços cruzados, com a mão no queixo como as inúmeras namoradeiras que vemos nas janelas de algumas casas de Pitangui (nada contra aquelas estatuetas), não deixemos mais este bonde passar.

    Se o blog não assumir uma postura mais contundente em relação a certas questões, vai ver da janela o bonde dos 300 anos passar, com um olhar perdido no horizonte.
    Esperamos todos que seja dada mais visibilidade e espaço ao Vandeir com relação as questões que ele traz a lume neste blog.

    É o caso por exemplo do lenga lenga envolvendo a bendita (o seria maldita) mineradora que atua no terreno do Toe Benedito, vejamos:
    Agora veio a público outro fato novo: Nos calcanhares dos depredadores, além dos já conhecidos, como o Judiciário, o MP e a Polícia, agora surgiu também um outro ator até então misturado como letra miúda no meio do texto da história, é um outro braço, acreditemos, vindo de Barcelona, na Espanha. Quer este outro braço receber dos depredadores (seus sócios?)“3.000 euros por dia”... Entrou agora, pasme-mos-nos, um outro País no lenga lenga. Seria agora também o caso do MPF ser acionado?

    Como disse um certo político corrupto para outro colega igualmente corrupto em dado momento da história recente da República: "Sai daí fulano, enquanto pode”. Arreda peão.
    Estou anexando, para conhecimento de vocês, um arquivo contendo mais uma matéria corajosa do JORNAL O INDEPENDENTE, edição quentinha nº 383 de julho/2013 sobre os depredadores/mineradores.

    Há! Como manifestação pública está em moda atualmente, se se reunirem manifestantes para ir protestar no pasto do “Toe Benedito”, nem que seja para ouvir os rosnados dos cachorros pitbul dos depredadores, me avisem que eu vou.

    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiúza
    Pitangui/MG

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  4. Caro Geraldo Wagner, obrigado por mais uma participação nas páginas deste Daqui de Pitangui, opinando com veemência como poucos sobre as questões Pitanguienses. Porém, gostaria que fosse mais claro sobre sua abordagem com relação ao Blog. Pois, não temos e nem pretendemos ter Poder de Polícia, não fazemos parte da Administração Municipal ou partido político, sequer temos acesso ao planejamento de ações na cidade. O que fazemos desde agosto de 2009 (como poucos) é resgatar, divulgar e estimular a valorização dos patrimônios Pitanguienses, buscando somar forças por Pitangui. O que é “assumir uma postura mais contundente”? Qual a sua contrapartida a esse respeito? Dentro do que nos propomos e podemos fazer voluntariamente, não estamos “de braços cruzados com a mão no queixo” e o nosso olhar “não está perdido no horizonte” pelo contrário, continua muito focado.

    Respeitosamente,

    Leonardo Morato
    Blog Daqui de Pitangui

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  5. O texto abaixo foi extraído do blog oindependentedepitangui.blogspot.com:

    "Pode estar perto do fim a exploração praticada de forma irregular por uma mineradora no terreno conhecido como Pasto do Antônio Benedito, no bairro Penha. Protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o local abriga a entrada de uma galeria subterrânea aberta por bandeirantes entre os séculos 17 e 18, para retirada de ouro.

    O caso tem sido acompanhado de perto pelo INDEPENDENTE, que, em suas duas últimas edições impressas, mostrou argumentos do Ministério Público (MP), da Prefeitura e da própria empresa acusada de criar uma espécie de negócio de fachada (fábrica de tijolos) para encobrir um interesse maior: retirar o ouro que ainda pode haver no Morro do Batatal.

    Na manhã desta terça-feira (23/7), funcionários da Prefeitura, do MP, da Prefeitura, do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e da Polícia Militar (PM) entraram no terreno alugado pela empresa e apreenderam várias ferramentas e máquinas pesadas, reconhecidamente usadas para extração mineral.

    "Há cerca de três meses, o município revogou o alvará de funcionamento pelo motivo de a área estar inserida em zona de patrimônio histórico tombada pelo Iphan. A empresa desobedeceu à suspensão do alvará pelo município e a Superintendência Regional de Meio Ambiente também optou por cassar a licença ambiental, após saber da relevância da área. Eles [os mineradores] continuaram explorando, o juiz entrou com uma ordem judicial e determinou, na última quinta-feira (18/7), a busca, apreensão e remoção de qualquer equipamento que haja aqui. No momento, o município não dispõe de pessoal e estrutura para remover rodas as máquinas pesadas que encontramos no local, mas isso deve ter concluído nos próximos dias", disse o assessor municipal de meio ambiente.

    Por e-mail, O INDEPENDENTE pediu novas explicações à Soberana Mineração e Empreendimentos Ltda., mas ainda não obteve retorno."

    Em homenagem ao Vandeir, "o Bandeirante de Pitangui nos seus 300 anos", desbravador e resgatador da história da cidade, implacável combatente daquilo que possam querer se valer os anti-preservacionistas, os anti-pitanguieses e os depredadores do patrimonio artistico e cultural da cidade de Pitangui, transcrevi o desfecho, o bater em retirada daqueles que pensavam que Pitanguiense é bobo.
    Que o episódio sirva de exemplo para desestimular eventuais que queiram se aventurar em coisas semelhantes por aqui.
    Agora resta aguardar as consquencias para os que circundam a dita "casa de mãe joana".

    Parabens Vandeir, nada disto teria acontecido se vc não tivesse tido a corajem de denunciar e de alertar a sociedade pitanguiense sobre o grande engodo, sobre a tentativa daqueles de nos induzirem a erro.

    É so acessar em o blog "oindependentedepitangui.blogspot.com e ver as imagens impressionantes do flagrante na casa de mãe joana.
    Agora vamos aguardar o rescaldo.

    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiúza,
    Pitangui

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  6. Belo texto. Parabéns... quem sabe as autoridades possam tomar alguma providência.

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