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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Beira de Balcão (3)

Enquanto ora batalhamos por mudanças, ora esperamos as boas novas..., no clima dos festejos juninos, vamos conferindo alguns causos do Jonba em mais um Beira de Balcão (segundo ele é com N pra ficar diferente). Os Santos que nos desculpem pela mistura do sagrado com o profano, é coisa de interior mesmo.


Beira de Balcão
Foto: arquivo do Blog
 
LINDOLFO GIRIZA E O FOGUETE





Sábado à noite. A turma foi se juntando na boate. Gente boa, rapaziada nova e ajuizada. Bocão, Catrepa, Xumbrega, Evandro Bananão, Lindolfo do Chico Giriza, Marreco, Totonho e outros. E tome golo, pinga, cerveja, o que viesse. Horas depois um fala: 
- “Tem festa em Cardosos, vamo lá?”
-Vamo, uai, mas no carro de quem? 
-Na rural do Bananão. 
-Mas primeiro vamo tomá uma pinga no bar do Zé Gordo.
 E tomaram, uma não, mas várias. Além da pinga conseguiram uma caixa de foguetes desses três tiros de canhão. Nove pessoas no carro, o Bocão no banco da frente, ao lado da janela ia soltando os foguetes a esmo, as bombas caindo nos quintais das casas, nas ruas, assustando muita gente. No banco traseiro o Lindolfo estava espremido entre mais quatro companheiros, tentando pacientemente riscar o foguete que tinha na mão. Difícil era acertar na caixa de fósforos. Até que consegue, o foguete chiou e ele tão rápido quanto pôde procurou a janela da direita - estava fechada -procurou a da esquerda - também fechada. O que lembram é só que ele soltou o foguete no chão do carro, levantou as pernas e tampou o rosto. O resto foi só barulho e fumaça.
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As corruptelas dos nomes próprios criam muitas vezes histórias interessantes. É o caso do Sacramento, lugarejo aqui perto de Campo Grande, conhecido vulgarmente por Saco. Muitos dizem até: “Saco do Zé Cézar, em função de este ser dos mais antigos moradores de lá. Os pontos de referência são: “Pra cima do Saco, do lado do Saco, depois do Saco, etc...”
                   Como o estranho que, chegando lá, perguntou se sabiam onde morava fulano de tal e responderam: “_ Sinhô vai descendo Saco abaixo, vai descendo e logo incontra onde ele mora”.
                   Pois bem, era tempo de semear e um dos moradores descobriu à noite em casa que tinha pouco feijão e não daria tempo de vir a Pitangui comprar mais. Daí, falou com seu filho de uns 12 anos: “_Óia, fio, amanhã cedo eu vô plantá o resto de feijão que a gente tem. Enquanto isso ocê anda aí em fulano e sicrano e pedi emprestado duas arrobas até eu tê tempo de comprá outro”.
                   Saiu cedo no outro dia pra roça e o menino foi procurar as sementes. Na hora do almoço se encontraram e o pai cobra: “-Conseguiu o feijão, fio? O menino respondeu: “-Óia, pai, cortei o Saco inteiro e ninguém tem nem um bago”.
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No
 Saco os moradores são muito religiosos e festeiros. A cachaça é de primeira qualidade, queijo bom, biscoitos...Era domingo, havia festa no Saco. O povo do Campo Grande, quase todo mundo parente, ia em peso. São uns dez quilômetros de distância percorridos a pé, de carro de boi, a cavalo, caminhão leiteiro, toda condução é válida. Sol quente de rachar, sapato novo apertando o pé, terno e gravata, é difícil percorrer a distância assim. Então o mais prático é ir de roupa comum e levar na sacola a roupa de festa. No córrego lá perto quase todos se preparam convenientemente. Um deles já pronto, todo vestido a rigor, observa o amigo que veste o terno, mas incompleto. Aí pergunta: “-Ô cumpadre, ocê num vai pô gravata não, sô?” A resposta veio calma; “_Ah, agora não, acho mió pô ela no Saco.”
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O povo de Campo Grande, numa época esteve magoado com o prefeito de Pitangui, que passou trator no Saco, deixou o Saco lisinho e não passou no Campo Grande.
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O Miçanta era muito amigo da Nhã. A Nhã criava pombos. Tinha um carinho muito grande com os bichinhos e os tratava como filhos. Na muda de pena, uma das fêmeas mais antigas e queridas sofria muito. Perdera praticamente todas as penas, estava jururu e preocupava sua dona, que fazia promessas, além de pedir aos conhecidos e amigos que rezassem por sua pomba.
                   O Miçanta, numa noite, participava de uma reza na casa dos vizinhos. Rezaram terço, ladainha, oremos, e toda sorte de orações comuns naqueles momentos.
                   Aí, vieram os pedidos particulares: “ Um Pai-nosso e uma Ave Maria pra alma de fulano, Pai-nosso e Ave Maria pela cura de beltrano etc.”
                   Então o Miçanta, na sua vez, pediu humildemente:
                   - Um Pai-nosso e uma Ave Maria pra encabelar a pomba da Nhã.
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A festa do Congado estava no jeito, muita gente, fartura de comes e bebes, roupas cada qual mais colorida e bonita, o batuque certinho de ritmo e muita alegria. Folia de Reis, com vários grupos de vários lugares, todo mundo junto , comemorando a chegada dos Reis Magos, conforme a tradição e o folclore. A polícia, por uma questão de segurança e tranqüilidade, ficava mais de longe, para deixar o povo mais à vontade.
                    Como sempre acontece, sempre alguns acabam por abusar da bebida e se exaltam, provocando brigas e confusões.
                   Foi o que aconteceu com o Tõe Baiano, do Brumado, que, todo vestido a rigor, com máscara e tudo, acabou esquecendo de medir as doses tomadas e conseguiu uma bela duma briga.
                    Em pouco tempo o tendepá formado, socos, facas, ameaças de tiros e a polícia veio. Quando o Tõe Baiano viu os soldados chegando, sarou da tontura na hora, virou a máscara , presa por um elástico, para trás da cabeça e saiu correndo.
                    Um Soldado ameaçou correr atrás dele, mas o Cabo, que estava junto, aconselhou:
                   -Pode desistir, sô, se de fasto ele tá correndo desse jeito, quando ele virá de frente nem bala num pega!
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6 comentários:

  1. To aqui chorando de rir! É sempre bom ler os causos de Pitangui estando longe da terra e lembrar dos personagens. Melhor ainda é ouvir ao vivo isso tudo com o Tio Jonba e o Juca! Abraço!

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  2. Essas histórias registradas no Saco foram ótimas (sensacionais!). Eu, que agora me envolvo com mulher de lá (e mulher de saco que não é), já perdi a conta de quantas vezes me perguntaram se agora eu só fico no Saco.

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  3. Diletos amigos, acesso o site todos os dias, parabéns pela vitalidade e dinamismo. Meu saudoso Pai, José Eulário dos Santos, nasceu em Pitangui e por isso mesmo me identifico muito com a cultura e "pensamento" do lugar. Um abraço para todos. (Resido em São José do Rio Preto/SP mas nasci e fui criado em Belo Horizonte,MG)
    Osmar dos Santos

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  4. Muito bom Léo! Cada causo mais engraçado que o outro. Rindo sem parar aqui...kkkkk...
    Abraço.

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  5. Léo, maravilha. Cultura, patrimônio, memória - o que você nos brinda neste post é isso tudo. E da melhor qualidade. Obrigado e grande abraço!

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  6. Existe um lugar entre Pitangui e Conceiçao do Para denominado CASQUILHO.
    Gostaria que o autor destes causos selecionasse algum caso envolvendo as pessoas daquela regiao ou mesmo o proprio lugar.

    Obrigado.
    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiuza
    Pitangui

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