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quinta-feira, 18 de julho de 2013

E o drama virou comédia


     Era sábado, dia do último ensaio da peça O segredo do Padre Jeremias e como era de costume os atores da Companhia de Teatro Cetepense chamaram o gerente da empresa , Dr. José Lima Guimarães, para assistir o ensaio e dar o seu parecer. Ao fim da apresentação o gerente só fez um comentário, a parte onde o sacristão dizia “ Eu saquei da minha pistola e dei um tiro na cabeça dele”  tinha ficado muito pesada, seria melhor suavizar o texto mudando o termo “pistola” por outro como “arma” ou “revólver”.


ATORES DO GRUPO DE TEATRO CETEPENSE


     O intérprete do sacristão, João Rios, teria ficado preocupado com a mudança do texto, afinal era uma recomendação do gerente da empresa e ficou com aquilo na cabeça, “ − não posso falar pistola, tenho de falar revólver, não posso falar pistola, tenho de falar arma...”.

     Eis que chega, no dia seguinte, o momento da apresentação da peça, o nervosismo era geral, particularmente o de João Rios com a recomendação que recebera e no momento crucial este sentimento não poderia ter sido mais cruel, enchendo o peito e dando ao personagem a postura que o texto exigia, João Rios solta em alto e bom som:

     “ – Eu saquei do meu revólver e dei um tiro na cabeça da pistola dele!”

     E assim,  o que era drama virou comédia.

Vandeir Santos

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