Seguidores

sábado, 3 de agosto de 2013

Lembranças & causos

Atores do grupo de Teatro no Cine Cetepense. Acervo do William Santiago.
 
Neste sábado que antecede o 4º aniversário do Blog a programação vai ser leve e irreverente, vamos de lembranças e causos. Iniciamos como uma foto poesia, na qual o amigo William Santiago homenageia o pai, o saudoso Dininho. Na sequência, vai  um causo baseado em uma cena do Cine Cetepense (também em homenagem ao Dininho) e já que hoje é sábado, para finalizar seguem uns causos de pinga, todos contados pelo Jonba, no Beira de Balcão.

 
 
CHEIRO DE PAPEL

 Houve um tempo em que, em Pitangui, havia um grupo de teatro. Muita gente boa se revelou: Dininho, Zé Mosquito, João Rios, Bené e tantos outros. Infelizmente, o fogo apagou e hoje ficam as recordações e o apelo para que se volte à arte da cena.E foi numa das peças levadas em cena no antigo Cine Cetepense, na rua da Fábrica, quando contracenavam num ato o João Rios e o Zé Mosquito. O Zé tinha em mãos uma carta que incriminava o seu personagem e tinha que queimá-la. Nesse momento, chegava o João que dizia: - “ Sinto cheiro de papel queimado ”. Acontece que o isqueiro falhou e negou fogo. Veio o pânico, e a única solução, naquela hora de improviso, foi rasgar a carta. O João Rios percebeu o lance e se saiu muito bem: - “Sinto cheiro de papel rasgado”...
--------------------------------------------
APOLOGIA DA PINGA

 O Chico Pitanga, na venda do Martinho, em Velho da Taipa é que comentava:
                   - Num tem nada no mundo mió que pinga. Faiz muié feia ficá bunita, faiz cabôco bravo ficá manso e o manso ficá bravo, faiz preguiçoso trabaiá, faiz triste cantá.
                   E mais uma ladainha de vantagens sobre a velha pinguinha.
                   E contou um caso seu pra confirmar:
                   - Martinho, eu comprei cem grama de arsênico pra mistura cum fubá e dá os rato pra eles morrê. Mais no dia chegô meus neto, mininada piquena e incapetada; aí, pra sigurança, iscundí o pacutim do veneno em cima do teiado, no pau da cumieira.
                   Os neto ficaro lá em casa uma semana e quando foram imbora, procurei o arsênico por todo lado e num achei. Pus a culpa na muié ,ela brigô cumigo, me xingô e nóis, depois de quarenta ano de casado, tava quais separado.
                   Aí eu pensei: vô bebê uma pinga que tudo vai se resorvê.
                   E fui lá na cozinha. Peguei o litro dibaixo do fugão, pus uma dose boa no copo e joguei na goela.
                   Foi quando aconteceu.
                   Na hora que virei a cabeça pra cima pra bebê a pinga, acabei vendo o pacutim do arsênico lá no cantim da cumieira.
                   Pinga é ô num é coisa de Deus?
-----------------------------------------------------
DENTADURA

 
Quem viu foi o Fernando Catita. Ele estava com a turma no bar do Lilico, tomando umas cervejas, comendo uns peixinhos. De repente, chegou um estranho, tímido, simples e pediu:
                   - Ô moço, põe pra mim uma pinga e corta cem  grama de salame em “taiada”.
                   Lilico, na época ainda “pobre”, atendeu de boa vontade. Serviu a pinga, cortou o salame, colocou num papel e deixou sobre o balcão .Conversa vai, conversa vem, a turma jogando conversa fora, e o moço lá, bebia uma pinga, comia uma “taiada” e jogava pra um cachorro alí na porta a casca. Pedia outra pinga, outra “taiada”, outra pinga, ...
                   Mas tudo tem limite, muito salame e muita pinga acabam não se combinando. Foi o que aconteceu. O rapaz se levantou, cambaleou até a porta e acabou vomitando, no passeio, tudo o que comera e, de quebra, a própria dentadura.
                   O cachorro, assustado, saltou de lado, mas depois veio cheirando aquela porcaria e deve ter confundido a dentadura com salame. Tanto que a apanhou e saiu com ela na boca, atravessada, “rindo”...
                   E o rapaz, dono da dentadura, atrás, correndo, cambaleando, chamando:
                   - Vorta cá, titiu, titiu, titiu, vem cá...
------------------------------------------------------
O PREJUÍZO
O João Biléu estava no bar do Alarico conversando e bebendo como sempre, contando vantagens sobre o tanto que comia e bebia. Dizia que tomava quatrocentas cervejas e comia cinqüenta bisnagas de salame, coisas desse tipo.
                   Aí ,o Alarico resolveu tirar a prova. Apanhou uma bisnaga inteira de uns dois quilos, pegou uma faca e entregou a ele dizendo:
                   - Taí, Biléu, cê diz que come muito, intão prova. Se comer tudo não precisa pagar.
                   - Isso é mole pra nós! respondeu o João.
                   E foi de mansinho, fatia após fatia, devorando o salame, até que, quando já ultrapassava a metade, o Alarico pegou a bisnaga e disse:
                   - Pode pará, Biléu, eu acredito. Mas deixa eu sarvá uma parte do prejuízo.
 ----------------------------------------------------

OPÇÃO
 Cansado de ser preso todos os dias por causa de cachaçada e arruaças, o Biléu pediu ao Delegado:
                   - Ô Dotôr, o sinhôr pudia fazê uma coisa por mim: ou mudar a cadeia pra perto da minha casa ou trazer minha casa pra perto da cadeia, purquê minha muié tá ficando de perna fina de tanto vim aqui pra trazê cumida e me visita.
------------------------------------------------------------
VELÓRIO II
O João Albino chegou no velório, cumprimentou rápido os parentes e se sentou junto com o Bocão e a turma. Perguntou de cara:
                    - Cadê?
                   Bocão respondeu:
                    - Tá lá debaixo do fogão, mas num bebe muito, heim!
                   João Albino voltou pouco depois com um bafo terrível e xingou o Bocão:
                    - Ocê é disgraçado, heim! Me deu foi querosene.
                   A resposta:
                    - Não, sô, a pinga tá mais escondida no canto, atrás da garrafa do querosene.

 
 

Um comentário:

  1. Oi Léo,
    Fui ao YouTube e localizei "Tecendo Memórias" e assisti. Realmente quando Terezinha esposa do Zé Mosquito diz que a menina de anjo é filha de Altair, ela deveria ter dito, irmã de Altair. E também a mulher a quem ela chamou de "Zinha" e que mora em Nova Lima, é na realidade a minha tia Letícia. Abraços e obrigado. Zé Carlos

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar nossa postagem. Ah... não se esqueça de se identificar.