Seguidores

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ao redor do templo nasceu a cidade


 Antiga Capela de N.S. da Penha
Autor desconhecido.

Sob a luz da História os hábitos, as práticas, os costumes e as expressões verbais passadas de geração a geração têm uma origem, uma razão de ser. Também com base na historiografia as igrejas seculares devem ser interpretadas não só como templos religiosos ou locais de nossa fé, mas também como patrimônio cultural. As capelas e igrejas antigas são marcos testemunhais dos primórdios da cidade, como podemos comprovar no relato abaixo, sobre a ocupação do solo mineiro:

 Capela da Cruz  do Monte.
Foto: Léo Morato.

“A penetração e o povoamento se fizeram à custa de sacrifícios e soluções fugazes. No início as lavras deram origem a ranchos e casebres de sapé. Sítios e fazendas foram sendo instaladas. Depois, formaram-se pequenos povoados e arraiais, que então, mais devagar, se transformaram em vilas e cidades. Começando por modesta capelinha, segundo a primitiva tradição romana, os moradores construíram no decorrer dos anos belíssimas igrejas, orgulho ainda hoje das novas gerações. (...) Foi essa, igualmente, a gênese das futuras cidades de Sabará e Ouro Preto, onde laboraram Manoel de Borba Gato, os Pedroso de Barros e os Silva Bueno, e também em Pitangui. Esta, graças aos descobrimentos de Antônio Rodrigues de Arzão e dos irmãos Campos Bicudo, um dos quais, José, foi Juiz Ordinário da Vila. (...) Ao lado da função religiosa, recebiam depois o marco civil, representado pelo Pelorinho, sendo oficializado, então”. (SALVADOR, pág. 21. 1992).

Fonte: SALVADOR, José Gonçalves. Os Cristãos-Novos em Minas Gerais durante o Ciclo do Ouro (1695 – 1755) – Relações com a Inglaterra. Bibliotca Pioneira de Estudos Brasileiros. São Paulo 1992.

Igreja de São Francisco de Assis.

9 comentários:

  1. Melancólica a igreja na poça dágua. O muro gasto pelo tempo. Inspira. Além do lugar e do tempo. Coisas da poesia. Mas não há igreja mais bela que a igreja da minha terra, só porque é a igreja da minha terra, parafraseando Fernando Pessoa e voltando à foto da Igreja de São Francisco. Em torno dela se faziam as barraquinhas, acho que de São Sebastião. As barraquinhas enchiam a praça de vida. Continuem nos inspirando.

    ResponderExcluir
  2. William e suas belas pontuações pitanguienses. O "continuem nos inspirando" me soa como a ordem de um General da ativa, do qual devo minha continência. Parabenizo o compadre Leonardo, que a cada postagem, sempre exprimindo seu sentimento pitanguiense, nos presenteia com pérolas.

    Somos por ti Pitangui ...

    ResponderExcluir
  3. Postagem bacana, Léo!
    Assino embaixo, Dênio!
    Abraços.

    ResponderExcluir
  4. Meus caros, seja no resgate histórico ou nos relatos do cotidiano em fatos, prosa e verso o DaquidePitangui vem fazendo a sua parte. Continuemos o nosso making off para colocar Pitangui no palco principal!!!!!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  5. É muito interessante observar como, nos tempos históricos, o pessoal se preocupava mais em erguer capela/templo religioso do que a própria casa. Li, em algum lugar, que muitos dedicavam mais tempo e esforço à construção dos templos do que em suas próprias propriedades.

    ResponderExcluir
  6. Belíssima foto Leo Morato. Adoro admirar esta imponente Igreja.
    O que entristece é ter que ver também aquele enorme muro enferrujado, desgastado, impróprio, inoportuno, imprestável e mal conservado, envólucro do Clube Pinheiros. A propósito, permita-me reproduzir comentário já feito outrora sobre a minha opinião quanto a este muro de Berlim:
    "
    DEMOROU.
    A algum tempo vinha esperando que este blog postasse algo sobre o Clube Pinheiros. Vou pegar um gancho, aproveitar para comentar e expressar um outro ponto de vista sobre o lugar na tentativa de fazer pegar, ou desapegar aqueles que teimam em viver (ou não enxergar) o agonizar a cada dia este importante espaço que deveria estar sendo melhor aproveitado.

    Sugiro que quem se interessar, ou melhor, quem duvidar do que vou dizer, acesse o site do Google Earth, (quem não tiver baixe o aplicativo pois é fácil, rápido e de graça) e procure ter uma visão aérea do bairro São Francisco, incluindo aí a recém restaurada Igreja de São Francisco, o Clube Pinheiros, as construções centenárias, a Santa Casa, o Asilo, o Cemitério e outros prédios públicos que atendem a população naquela que podemos chamar de região hospitalar de Pitangui.

    Se isto não for possível ao amigo leitor, que este observe atentamente as fotografias acima e circule, oportunamente, pelos lugares que mencionei tentando ter uma visão de conjunto. Vai ser impossível não deixar de andar na sombra do muro de mais de 3,0 metros de altura que embala o Clube Pinheiros (sombra por dentro e por fora). Aquele hoje invólucro, em outros tempos, já significou muito para muitos pitanguieses e para nós outros, mas hoje é um tropeço para a harmonia da região.

    Em que pese, SMJ*, o esforço, a dedicação e a criatividade de pitanguienses como o João Quiqui e atualmente o Edilson e suas então diretorias para darem uma sobrevida àquele lugar, os dias de hoje , a realidade de hoje e as aspirações de hoje exigem uma mudança radical daquele espaço para tornar-se verdadeiramente público, útil, agradável e contextualizado com a região.

    Politicos, Adm. Públicos, a Diocese e pessoas de visão e iniciativa poderiam se informar melhor sobre a real situação daquela imensa área, na raiz, por exemplo, ir ao CRI da Comarca e verificar qual a cadeia de proprietários (Estado, Município, Igreja, particulares, Entidades públicas ou privadas, etc., etc), verificar os convênios existentes e suas validades, procurar a atual Diretoria do Pinheiros e pedir informações detalhadas sobre os aspectos legais da agremiação.

    Prá quê tudo isto? Ora, para encontrar uma forma de derrubar aqueles muros que não estão tombados, deixar ali só o poliesportivo e o campo de futebol, mudar os demais equipamentos para uma outra área, por exemplo, mais próxima da AABB.
    ABSURDO? Creio que não. Absurdo é manter aqueles muros, é bombear água cristalina e rara de quilômetros de distância para uma vez por semana refrescar meia dúzia de pessoas, absurdo é dar às costas com muita feiura à imponente e secular Igreja de São Francisco, absurdo é se fazer de bobo e não dar valor ao conjunto arquitetônico existente na área hospitalar, absurdo é, em última análise, ficar servindo para quase nada a um público que precisa estar sendo fisgado aqui e acolá para frequentar o lugar. Falo com propriedade. A Isabel minha patroa e as minhas filhas são sócias creio que a primeira a mais de 25 anos e as outras desde que nasceram. Falo por mim, não falo por elas nem por ninguém mais desta querida cidade.

    Pensemos nisso, não custa nada sonhar e tudo de concreto nasce de um simples sonho. O que precisamos é encontrar uma forma (possível, viável, bem planejada e inteligente) para melhorar a nossa cidade para nós e os nossos filhos.

    Respeito e peço desculpas aos que por ventura pensarem diferente.
    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiúza
    Pitangui/MG

    *SMJ (Salvo Melhor Juízo)"

    ResponderExcluir
  7. Ricardo, seu comentário procede! Fui buscar mais informações e desta pesquisa sairá a 2ª parte da postagem sobre a relação igreja e povoamente. Obrigado pela participaçao. Abraço.

    ResponderExcluir
  8. Caro Geraldo,
    de fato é uma questão complexa, pois envolve as lembranças pessoais de várias gerações de pitanguienses; a probabilidade de o local voltar a sediar grandes eventos; o direito sobre a propriedade versus a desapropriação (quem é o dono?);etc. Mas do ponto de vista da mobilidade urbana e dos usos, desusos e reutilizações dos espaços, a sua hipótese merece ser pensada.

    Quanto a beleza da Igreja, indiscutível! Também gosto de apreciá-la. Li em algum lugar que as igrejas mineiras vieram do espaço, trazidas por discos voadores. Será? Um abraço.

    ResponderExcluir
  9. Lamentáveis as mudanças na arquitetura desta cidade! à noite, então, nem se fala, com uma iluminação lúgubre, de luz vermelha de vapor de sódio! Dá medo! Arrancaram os belos casarões para edificação de prédios do mais ridículo estilo. Ah! a Pitangui onde vivemos... dela só restam alguns fragmentos. Você quer coisa pior do que a falta de senso, de percepção estética, que norteou a famigerada reforma da praça da igreja do São Francisco??? Precisa de outra reforma, urgente! Só dá para aproveitar os postes coloniais. Mataram a praça. E para uma cidade que teve até arquiteto como prefeito...no último dos estertores, ''tombou'' alguns poucos imóveis, que vão se deteriorando a cada dia. Pitangui, Pitangui....

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar nossa postagem. Ah... não se esqueça de se identificar.