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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Dica de Leitura

     A dica de leitura desta postagem não diz respeito a uma obra mas a uma parte dela, neste caso trata-se de fragmentos relacionados a história de Pitangui que estão dentro do livro Documentos do Arquivo da Casa dos Contos de autoria de José Afonso Mendonça de Azevedo. O autor teve o primeiro contato com estes documentos através do pai que trabalhava como chefe de seção dos correios quando a administração desta instituição se instalou na Casa dos Contos em Ouro Preto.
     Somente muitos anos após este contato, quando então já era funcionário do fisco mineiro o autor foi ao encontro dos papéis e não encontrou um sequer. Funcionários federais haviam arrecadado todo o acervo para a Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional e para o Arquivo Público Nacional e ao saber que o restante que havia sido declarado inútil e doado a instituição de caridade que por sua vez vendeu a uma fábrica de papelão de Juiz de Fora, José Azevedo correu atrás e recuperou para o Arquivo Público Mineiro 59 sacos de papéis dentre eles documentos firmados por personagens de vulto de nossa história como Tiradentes, Bárbara Heliodora e outros relacionados ao processo da Inconfidência Mineira. Tudo declarado como imprestável e prestes a virara papelão!
    Voltando ao Rio de Janeiro e tendo acesso ao restante do material o autor pode então finalmente começar a organização dos documentos para a elaboração de sua obra, que sai editada no ano de 1945. O que torna esta publicação especial para a história de Pitangui são as transcrições de documentos relativos a devassa que foi instaurada na Vila após o motim de 1720. Nestas transcrições é possível verificar quais as penas sofridas pelos envolvidos na revolta que no caso se resumem a perda do patrimônio já que os responsáveis fugiram e se mantiveram longe do alcance das tropas enviadas pelo Conde de Assumar, desta forma, NÃO houve enforcamentos como tanto queria o governador. Outros dois detalhes são interessantes:

1º - Em momento algum é citada a pessoa de Alexandre Afonso como pessoa ligada a revolta e muito menos a ocorrência de alguma batalha em suas terras, ao contrário, é comentado que esta se deu a quatro léguas da Vila, duas a mais do que menciona o governador em carta ao rei ("...e chegando todos ao Rio de São João, a duas léguas antes de entrar em Pitangui..."). Silvio Gabriel Diniz ao descrever os povoadores da Vila e o motim, também em momento algum cita Alexandre Afonso. Creio se tratar de uma "agripada".


2º - No auto de sequestro dos bens de Antônio Rodrigues de Andrade e de Bento Paes as 20 braças sequestradas no Morro do Batatal fazem divisa, na parte de cima, com outra área cujo dono era o brigadeiro João Lobo de Macedo. Esta informação pode parecer irrelevante mas se considerarmos que João Lobo de Macedo foi impedido de entrar em Pitangui quando este é enviado pelo governador para por ordem na Vila a coisa passa a ficar estranha, ainda mais quando se sabe que o governador advertiu o brigadeiro de forma muito rígida pelo fato deste ter dado perdão aos envolvidos em recentes rebeliões após sua entrada ser finalmente consentida pelos paulistas. Tudo leva a crer que houve um certo “acordo” entre os paulistas e o brigadeiro onde este último sai ganhando uma lavra em uma das áreas de garimpo mais importantes da Vila que era o Morro do Batatal. Pelo visto não é de hoje que aquela área está envolvida em “negócios suspeitos”. Teria o brigadeiro montado a primeira olaria de Pitangui no Batatal? Afinal de contas aquela área dá excelentes tijolos.

     Outras referências a Pitangui constantes na obra são uma solicitação do governador a Borba Gato para que este fosse até a Vila e acalmasse os ânimos dos moradores e uma relação de professores e suas respectivas matérias na província de Minas onde é possível saber quem eram os professores de Pitangui na segunda metade do século 18

     Tendo sido editado em 1945, o livro só é encontrado em sebos ou no site da estante virtual (www.estantevirtual.com.br). Aos que se interessarem somente pelas referências a Pitangui, informo que fiz a digitalização dos trechos e disponibilizo através de solicitação pelo e-mail vandeir.santos@yahoo.com.br

Vandeir Santos


Nos seus 300 anos, as histórias e estradas de Pitangui também são Reais

2 comentários:

  1. Gostei do texto,Vandeir. Tenho consultado o excelente material aos poucos, vale a pena conferir.
    Valeu.

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