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domingo, 22 de setembro de 2013

Museu da Imagem e do Som de Pitangui

 Rua Pe. Belchior na década de 1970.

Os fatos do passado registrados em forma textos, livros, imagens e áudios, tornam - se documentos e fontes de pesquisas sobre os nossos processos históricos. Assim como os registros dos acontecimentos, dos hábitos e costumes de hoje também serão história em um futuro próximo. Alinhado a este pensamento, o Pitanguiense William Santiago brinda a chegada da Primavera, compartilhando suas experiências e perspectivas a respeito do Museu da Imagem e do Som, rumo aos 300 anos de Pitangui.

 Clube Atlético Pitanguiense. Década de 1950.
Em pé: Sô Zé Emídio, Verinho, Lindolfo Giriza, Hermes, Arésio Palica, Sabará e Múcio do Cardoso. Agachados: Cate do Ildefonso, Silas, Divino, Messias e Tarcísio Palica.

Museu da Imagem e do Som de Pitangui, o passado provocando o futuro - Um presente para os 300 anos de Pitangui 

A ideia da criação do Museu da Imagem e do Som nasceu no Instituto Histórico de Pitangui, no velho sobrado da Rua José Gonçalves, entre 1989 e 1990. Senti que havia a necessidade de preservar a história da cidade em áudio, vídeo e fotografia. Via perderem-se documentos nessas mídias, a começar da minha própria casa, onde as fotos de família estavam se deteriorando, muitas já irreconhecíveis. Outra evidência de que era necessário fazer alguma coisa para a conservação desse passado foi o fato de saber que parte do arquivo do Fotocolor Kamargos tinha se perdido por causa da umidade. Nessa aí, perdi a única foto que tirei no primeiro quadro do Pitangui, contra o juvenil do poderoso Cruzeiro do pentacampeonato da década de 60. Daí, não posso contar papo pros mais novos de que joguei, além do CAP, também no PEC, onde encerrei minha carreira prematuramente, como frustrado astro do futebol. Já que as fotos em minha casa tinham sido um claro exemplo da casa de ferreiro e espeto de pau, parti para a reação. Comecei a propor a ideia do Museu, e o prefeito da época, Paulo Carvalho, deu o sinal verde para as primeiras aquisições de fotografias e a inauguração de fato do que então chamávamos MIS-Pitangui, iniciais de Museu da Imagem e do Som de Pitangui. Essa inauguração aconteceu com uma exposição permanente de fotos no 2º andar do Instituto Histórico, em uma estrutura móvel de madeira criada pelo Jonba (João Batista de Freitas). Não me lembro se houve uma ata de criação e nem qual a situação jurídica do MIS- Pitangui, mas creio que se pensava incluí-lo como um braço do Instituto Histórico. Isso aí há que ver, mas creio que existiu de fato e não de direito. As primeiras providências foram divulgar entre os interessados que estávamos solicitando colaborações em filmagens, fotografias, fitas cassete de áudio e outros documentos que tivessem a ver com a ideia e, principalmente, iniciar uma produção própria. Dessa produção própria, a mais imediata seria uma série de entrevistas com ex-prefeitos de Pitangui. Quanto às doações, a primeira pessoa a atender aos pedidos foi um senhor que tinha passado muitos anos fora de Pitangui, cujo nome não me lembro no momento, lamentavelmente. Só sei que era irmão do sr. Onofre Máximo de Rezende (Onofre Tatu). Esse senhor doou muitas fotografias coloridas, das quais sobressaíam as tiradas no Morro do Lavrado na década de 70 e que mostram as extraordinárias mudanças que sofria o bairro. O Instituto Histórico, por sua parte, adquiriu muitas fotografias do Fotocolor Kamargos para iniciar o acervo do MIS-Pitangui. Para começar a produção própria, as filmagens em VHS começaram com uma entrevista que fiz com o ex-prefeito Antônio dos Santos. A matéria foi feita em sua casa, com filmagem do jovem Marcos Pedra. A segunda filmagem destinada ao MIS-Pitangui foi com o também ex-prefeito Anthero Rocha, em sua fazenda, no caminho de Martinho Campos. Em companhia do arquiteto (e também ex-prefeito) Evandro Mendes, seu sobrinho, que se encarregou também da filmagem, entrevistamos o ex-prefeito. Evandro Mendes, além de filmar, se comprometeu, muito gentilmente, transferi-la para DVD e doar uma cópia ao Instituto Histórico. O objetivo, como mencionado acima, era entrevistar todos os ex-prefeitos vivos, mas não passou daí. Na época, eu já não vivia no Brasil e não pude prosseguir no projeto. Sugiro que a ideia seja retomada, porque são depoimentos históricos que, passadas as paixões políticas do momento, poderão ser uma referência histórica para as futuras gerações. O acervo também se constituía de fitas domésticas de áudio com shows, brincadeiras, vozes de pitanguienses, de personagens da história. Uma das doações foi do Wellington Oliveira Lima, o Kabrito, interpretando algumas canções.

 Abertura do Carnaval de rua em 1986, com locução do Zé Lacerda.
Fonte das imagens: Jornal Correio de Pitanguy.

Outra contribuição, se bem me recordo, foi a de José Raimundo Machado, que doou uma preciosidade ao MIS-Pitangui: uma entrevista, gravada em fita de áudio, que fez com o Professor Morato para uma das edições do Correio de Pitanguy. Seria sensacional reencontrá-la, passá-la a uma mídia moderna e fazê-la circular para que as novas gerações saibam de quem estamos falando. Todo esse acervo deixei a cargo do presidente do Instituto Histórico na época, José Messias Fernandes, quando me mudei de Pitangui para Brasília, por volta de 1994. Entendo que os passos a seguir para retomar a ideia seriam localizar esse pequeno e importantíssimo acervo, indez de uma grandiosa massa de informação que está por vir, organizá-lo e editar as filmagens já feitas. Uma providência imediata seria transferir tudo que for possível para as mídias modernas e acondicionar os originais de maneira a protegê-los da ação do tempo. As fotos existentes teriam, evidentemente, de ser digitalizadas e fariam parte de um futuro arquivo virtual. Lembro que haverá uma sede física para o MIS-Pitangui, que, sendo raro no interior, tornar-se-á um ponto de visitação turística obrigatória e um inevitável ponto de encontro de estudantes e pesquisadores. Em seguida, aproveitando as novas mídias e a internet, criar os canais de interatividade, como uma página, um correio eletrônico, um blog e o que mais vier por aí. Com esses novos recursos, as possibilidades são inimagináveis e as doações e trocas virão aos montes, criando um acervo interativo digitalizado de inimaginável utilidade pública, uma verdadeira enciclopédia pitanguiense na internet. É o passado provocando o futuro. Evidentemente, a produção própria tem de ser incentivada e planejada tendo em vista a valorização da História do município e o interesse público. Quanto à personalidade jurídica do MIS-Pitangui, se é que nada foi estabelecido na época, é algo a ser estudado, de acordo com o interesse público. Fica aqui o meu depoimento sobre o que foi feito e o que está por fazer, sob a minha ótica. Com a aproximação do Tricentenário da cidade, conclamo a todos para trabalharem em uníssono para a organização dos festejos. Não deve haver muitas festas, mas, sim, uma festa enorme, contínua e planejada. Não será um aniversário qualquer. De aqui até junho de 2015, será tempo de reflexão sobre o passado, conhecimento e aproveitamento dos recursos do presente e planejamento do futuro. A propósito dos recursos do presente, não se podem ignorar as mídias alternativas que tanto vêm fazendo pela cidade, como os blogs "daquidepitangui" e o "blogdocarlos", que já se tornaram verdadeiros museus virtuais de Pitangui. Por último, mas não em ordem de importância, mas só para fechar, deixo um pedido para que a atual diretoria do Instituto Histórico, as autoridades municipais, a iniciativa privada e a comunidade em geral se coordenem para levar avante, em parceria construtiva, uma iniciativa que, aperfeiçoada e modernizada, será um presente de valor inestimável para os 300 anos de Pitangui, o nosso Museu da Imagem e do Som. Ainda há tempo! (William Santiago, Brasília, 2013)

11 comentários:

  1. William, as fotos que se encontram no Instituto Histórico de Pitangui foram todas digitalizadas pelo fotógrafo Charles Aquino de Itaúna. O IHP já se encontra de posse do CD com a reprodução das fotos. Falta digitalizar as outras mídias mas desconheço a localização delas dentro do Instituto, caso a encontremos com certeza faremos a digitalização. Ano passado digitalizei uma fita VHS deixada por César Caldas onde ele retrata o passado recente de Pitangui: http://www.youtube.com/watch?v=7al478YxzD8

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    1. Que grande notícia você me dá. Acredito que o José Messias deverá saber. Segundo me disseram, ele não se encontra bem de saúde, mas vale a pena tentar entrar em contato com ele. O material era muito rico. O próprio Evandro Mendes não se negará a ajudar na localização desse material. Creio realmente que o momento é agora. Vai ser um "plus" em relação a outras cidades históricas, caso criemos um Museu da Imagem e do Som em Pitangui.
      Precisamos nos conhecer pessoalmente, quando eu estiver em Pitangui.

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  2. Apoio integralmente a proposta do MIS de Pitangui. O momento é agora, na comemoração dos 300 anos.
    Marcelo Freitas

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    1. Marcelo,

      muito importante o seu posicionamento. Creio que, com apoios desses tipo, poderemos nos unir e concretizar essa idéia.

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  3. Muito bom William, você como sempre, inovando e se preocupando com Pitangui... Esse resgate da história da cidade, e um local para o acervo é valioso para as novas gerações, e importante para nós, Pitanguienses... Parabéns!! Grande abraço

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    1. Obrigado pela força e elogios. Saí de Pitangui, mas Pitangui não sai de mim. No bom sentido. Espero que consigamos aperfeiçoar a ideia e concretizá-la antes do Tricentenário. Continue você também com seu trabalho, que acompanhei pelo Facebook.

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  4. É uma proposta muito promissora! Vamos unir forças e pôr as mãos na massa para idealizar o MIS-Pitangui. Contem com meu apoio no que eu puder ajudar! Abraços!

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    1. Ricardo, tenho boas referências do seu trabalho e, por isso, seus comentários são alentadores. Agora é sensibilizar autoridades municipais, iniciativa privada e obter o apoio de quem quiser somar. Quando for a Pitangui, vamos conversar sobre isso.

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    2. Conversaremos, sim. Meu e-mail é ricardowelbert@hotmail.com. Abraço!

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  5. William Santiago,
    a ideia é maravilhosa, ter registros de depoimentos de pessoas que foram testemunhas oculares do passado recente da cidade seria muito interessante, além de abrirmos a possibilidade de desenvolver um acervo de História Oral magnífico. Tem meu apoio total!

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  6. Grande Professor Licínio,

    Antes de mais nada, reiterando, tenho muito respeito pelo trabalho de vocês, Acho que vamos precisar muito do blog para tornar isso realidade. Também fico entusiasmadíssimo com a possibilidade de utilizar as mídias modernas para organizar nosso passado. Você, como historiador, sabe muito bem do que falo. Um grande abraço,

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