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sábado, 14 de dezembro de 2013

Maestro Juversino Mariano

Maestro Juversino.

Por meio da pesquisa e do relacionamento com os leitores, o blog exerce a prática de transformar o conhecimento tácito (informal, empírico, passado entre gerações) em conhecimento explícito (documental, registrado, sistematizado) para ser compartilhado e difundido como fonte de informações históricas. Na postagem de hoje falamos sobre o Maestro Juvercino Antônio Mariano, um dos precursores da música em Pitangui, cuja história pessoal entrelaça-se com a história da cidade no século XX. Quem nos conta é o seu neto Igor Araújo, pitanguiense que trabalha na Rádio Ativa FM. Ao Igor, parabéns pela homenagem ao avô e obrigado por contribuir com o resgate histórico de Pitangui. Boa viagem ao passado, ou melhor, boa leitura!


 Uma das primeiras formações da Banda de Música em Pitangui.
Fotos: Fornecidas pelo Igor Araújo.

“Meu avô Juvercino Antônio Mariano  é natural de Cardosos (Conceição do Pará). Foi para Belo Horizonte servir o Exército e entrou para a Banda de Música e em 1945, por estar na Banda, não foi convocado para a guerra. Com a Banda do Exército ele tocou na Rádio Inconfidência e nas praças de BH, nesta época conheceu Aurelina da Fonseca Mariano (a minha avó), tocando na banda. Depois de ter deixado o Exército, ele veio para Pitangui e trabalhou na Fazenda do Estado. Depois de um tempo, saiu da Fazenda e trabalhou na Prefeitura Municipal e depois na Companhia de Tecidos Pitanguiense. Casou-se com Aurelina e teve os filhos: José da Fonseca Mariano, Juversino Fonseca Mariano (meu pai), Maria da Conceição Mariano, Maria do Carmo Fonseca Mariano. Neste período ele entrou para a banda de música da Fábrica de Tecidos Pitanguiense, a Cetepense. O regente ia sair e teve que escolher um novo regente, entre os músicos ele (meu avô) se saiu melhor e foi o escolhido. A Fábrica de Tecidos tinha um time de futebol e um cine teatro. Com a morte do gerente da Fábrica daquela época , o time acabou e o cine teatro caiu em decadência também, ficando só a Banda Cetepense Juversino foi regente por quase 20 anos, saindo da Cetepense em 1965. Então ele conversou e conseguiu que a Paróquia de Pitangui comprasse os instrumentos da antiga banda e fundou a Lira Musical Santa Cecília (que é a padroeira dos músicos) na qual foi regente por 17 anos. Quando a Lira Santa Cecíliaentrou em decadência ele teve a ideia de renovar, foi até o Ginásio (Escola Estadual Monsenhor Arthur de Oliveira)  que na época tinha alguns garotos que queriam aprender música e escolheu os que se destacaram mais como o Nayder advogado, o Pêque do Zé Norberto, o Raimundo Santana, irmão do Nelinho e outros. Depois de um tempo no colégio ensinou os garotos a tocar os instrumentos, mas a banda não foi formada. Então levou os meninos para a Lira Santa Cecília, mesclando com o pessoal antigo, dando um gás novo à banda. Ele foi regente da banda até 1978 quando se aposentou por invalidez, após ficar doente. Juversino foi um Maestro que compôs vários Dobrados, tocou com a banda em várias cidades vizinhas como:  Martinho Campos, Papagaios, Maravilhas, Nova Serrana, Morada Nova de Minas, Pompéu e em várias comunidades rurais como: Campo Grande, Rio do Peixe, Sacramento, Coqueiro, Catita. Neste período uma pessoa que esteve lado a lado com ele desde o começo da Banda da Fábrica de Tecidos até quando ele adoeceu, foi o Sr. Francisco Teófilo Filho (Cimeão). Meu avô mesmo doente, depois de um derrame, conseguiu montar uma banda de música em Conceição do Pará. Lá surgiu mais um músico profissional que foi para a Banda do 7º Batalhão da PMMG em Bom Despacho. Depois de sua doença ele ainda ficou por um tempo na regência da Lira Santa Cecília, até que ele teve outros pequenos derrames e não podendo mais prosseguir. Neste tempo todo teve uma grande mulher que sempre estava ali o apoiando, lavando e passando o seu uniforme, minha avó Dona Aurelina que faleceu com 99 anos. Algumas pessoas que já passaram e aprenderam com meu avô: José Afrânio Dias, Mauro Alves Franco, João Teófilo Batista, José Nazareno (Banda da PM em Bom Despacho); Antonio Coutinho Franco (Banda da PM de Patos de Minas); Antônio do Sô Juca (pai do Roberto fotógrafo). Meu avô tocava todos os instrumentos de sopro,o que ele mais sobresaia era trombone e no bombardino  depois então com o falecimento dele a surgiu a banda  Viriato Bahia”.
(Texto de Igor Araújo).

4 comentários:

  1. Que bacana! Que memória e homenagem interessantes! Parabéns, meu amigo Igor Araújo e, claro, aos editores do blog. Abraços!

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  2. Também gostei muito da história do Maestro Juversino, contada pelo Igor. Ficamos felizes em publicar um capítulo importante da música em Pitangui. Valeu Welbert!

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  3. Belíssimo relato. A história é a testemunha do tempo. Para compreender a trajetória atual da família do Maestro Juversino é necessário conhecer esse passado. Chamou-me a atenção a menção feita ao nome do nobre colega Dr. Nayder
    Xavier Nunes. Gostaria de poder identificá-lo na fotografia acima.
    O Dr. Nayder teve para comigo uma imensa generosidade quando eu mais precisava. É alguém com quem sempre pude contar.

    Geraldo Wagner Gonçalves
    Praça Antonio Fiúza, Pitangui/MG

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  4. Caro Geraldo,
    também não identifiquei o amigo nesta imagem da Banda. Mas no link abaixo tem uma foto dos primórdios da Banda Santa Cecília e do Nayder em seus primeiros acordes. Um abraço.

    http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2011/01/pitangui-de-outros-tempos.html

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