Seguidores

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Os nossos locais históricos



 O centenário cruzeiro da Penha.
Foto: Léo Morato.

O Blog enquanto espaço de manifestAÇÃO do pensamento aborda hoje sobre os nossos locais históricos e a sua relação com o turismo. O patrimônio cultural em suas várias formas de expressão torna-se matéria prima para as atividades turísiticas. E estas, trazem benefícios para o destino visitado (Pitangui), em forma de consumo de produtos e serviços locais, mas, principalmente, são estímulos às tradições culturais. Nos tempos atuais é comum a "invenção" dos empreendimentos turísticos (como parques temáticos, resorts, shoppings, lojas retrô, etc e tal) para serem comercializados como lazer e entretenimento. Portanto, nos preparativos dos 300 anos de Pitangui em 2015 nada mais justo do que revitalizar os locais históricos, que naturalmente são dotados de simbologia. Não se trata de vender o passado como mercadoria, mas de preservar e promover uma herança cultural que pertence a todos . Um exemplo desta afirmação é o cruzeiro no interior do bairro da Penha que merece “uma roupa nova”, pois além do cunho histórico, também representa a religiosidade do nosso povo. Independentemente de estarem inseridos ou não na área tombada (centro da cidade) os exemplares situados na nossa “periferia histórica” são fundamentais para ampliar a nossa oferta turística, como marco testemunhal do nosso passado, afinal uma cidade tricentenária precisa ter o que contar e o que mostrar.

Links relacionados:










Referências bibliográficas:

- BARBOSA, Ycarim Melgaço. O Despertar do Turismo – Um olhar crítico sobre os não-lugares. Série Turismo. Editora Aleph, 2ª Ed. São Paulo 2004.
- FREITAS, Marcelo. A construção do tombamento. Editora Comunicação de Fato. Pitangui 300 anos – vol. 1. Belo Horizonte 2012.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Beira de Balcão (3)

Enquanto ora batalhamos por mudanças, ora esperamos as boas novas..., no clima dos festejos juninos, vamos conferindo alguns causos do Jonba em mais um Beira de Balcão (segundo ele é com N pra ficar diferente). Os Santos que nos desculpem pela mistura do sagrado com o profano, é coisa de interior mesmo.


Beira de Balcão
Foto: arquivo do Blog
 
LINDOLFO GIRIZA E O FOGUETE





Sábado à noite. A turma foi se juntando na boate. Gente boa, rapaziada nova e ajuizada. Bocão, Catrepa, Xumbrega, Evandro Bananão, Lindolfo do Chico Giriza, Marreco, Totonho e outros. E tome golo, pinga, cerveja, o que viesse. Horas depois um fala: 
- “Tem festa em Cardosos, vamo lá?”
-Vamo, uai, mas no carro de quem? 
-Na rural do Bananão. 
-Mas primeiro vamo tomá uma pinga no bar do Zé Gordo.
 E tomaram, uma não, mas várias. Além da pinga conseguiram uma caixa de foguetes desses três tiros de canhão. Nove pessoas no carro, o Bocão no banco da frente, ao lado da janela ia soltando os foguetes a esmo, as bombas caindo nos quintais das casas, nas ruas, assustando muita gente. No banco traseiro o Lindolfo estava espremido entre mais quatro companheiros, tentando pacientemente riscar o foguete que tinha na mão. Difícil era acertar na caixa de fósforos. Até que consegue, o foguete chiou e ele tão rápido quanto pôde procurou a janela da direita - estava fechada -procurou a da esquerda - também fechada. O que lembram é só que ele soltou o foguete no chão do carro, levantou as pernas e tampou o rosto. O resto foi só barulho e fumaça.
---------------------------------------
As corruptelas dos nomes próprios criam muitas vezes histórias interessantes. É o caso do Sacramento, lugarejo aqui perto de Campo Grande, conhecido vulgarmente por Saco. Muitos dizem até: “Saco do Zé Cézar, em função de este ser dos mais antigos moradores de lá. Os pontos de referência são: “Pra cima do Saco, do lado do Saco, depois do Saco, etc...”
                   Como o estranho que, chegando lá, perguntou se sabiam onde morava fulano de tal e responderam: “_ Sinhô vai descendo Saco abaixo, vai descendo e logo incontra onde ele mora”.
                   Pois bem, era tempo de semear e um dos moradores descobriu à noite em casa que tinha pouco feijão e não daria tempo de vir a Pitangui comprar mais. Daí, falou com seu filho de uns 12 anos: “_Óia, fio, amanhã cedo eu vô plantá o resto de feijão que a gente tem. Enquanto isso ocê anda aí em fulano e sicrano e pedi emprestado duas arrobas até eu tê tempo de comprá outro”.
                   Saiu cedo no outro dia pra roça e o menino foi procurar as sementes. Na hora do almoço se encontraram e o pai cobra: “-Conseguiu o feijão, fio? O menino respondeu: “-Óia, pai, cortei o Saco inteiro e ninguém tem nem um bago”.
------------------------------------------

No
 Saco os moradores são muito religiosos e festeiros. A cachaça é de primeira qualidade, queijo bom, biscoitos...Era domingo, havia festa no Saco. O povo do Campo Grande, quase todo mundo parente, ia em peso. São uns dez quilômetros de distância percorridos a pé, de carro de boi, a cavalo, caminhão leiteiro, toda condução é válida. Sol quente de rachar, sapato novo apertando o pé, terno e gravata, é difícil percorrer a distância assim. Então o mais prático é ir de roupa comum e levar na sacola a roupa de festa. No córrego lá perto quase todos se preparam convenientemente. Um deles já pronto, todo vestido a rigor, observa o amigo que veste o terno, mas incompleto. Aí pergunta: “-Ô cumpadre, ocê num vai pô gravata não, sô?” A resposta veio calma; “_Ah, agora não, acho mió pô ela no Saco.”
---------------------------------------- 
O povo de Campo Grande, numa época esteve magoado com o prefeito de Pitangui, que passou trator no Saco, deixou o Saco lisinho e não passou no Campo Grande.
------------------------------------
O Miçanta era muito amigo da Nhã. A Nhã criava pombos. Tinha um carinho muito grande com os bichinhos e os tratava como filhos. Na muda de pena, uma das fêmeas mais antigas e queridas sofria muito. Perdera praticamente todas as penas, estava jururu e preocupava sua dona, que fazia promessas, além de pedir aos conhecidos e amigos que rezassem por sua pomba.
                   O Miçanta, numa noite, participava de uma reza na casa dos vizinhos. Rezaram terço, ladainha, oremos, e toda sorte de orações comuns naqueles momentos.
                   Aí, vieram os pedidos particulares: “ Um Pai-nosso e uma Ave Maria pra alma de fulano, Pai-nosso e Ave Maria pela cura de beltrano etc.”
                   Então o Miçanta, na sua vez, pediu humildemente:
                   - Um Pai-nosso e uma Ave Maria pra encabelar a pomba da Nhã.
----------------------------------------------


A festa do Congado estava no jeito, muita gente, fartura de comes e bebes, roupas cada qual mais colorida e bonita, o batuque certinho de ritmo e muita alegria. Folia de Reis, com vários grupos de vários lugares, todo mundo junto , comemorando a chegada dos Reis Magos, conforme a tradição e o folclore. A polícia, por uma questão de segurança e tranqüilidade, ficava mais de longe, para deixar o povo mais à vontade.
                    Como sempre acontece, sempre alguns acabam por abusar da bebida e se exaltam, provocando brigas e confusões.
                   Foi o que aconteceu com o Tõe Baiano, do Brumado, que, todo vestido a rigor, com máscara e tudo, acabou esquecendo de medir as doses tomadas e conseguiu uma bela duma briga.
                    Em pouco tempo o tendepá formado, socos, facas, ameaças de tiros e a polícia veio. Quando o Tõe Baiano viu os soldados chegando, sarou da tontura na hora, virou a máscara , presa por um elástico, para trás da cabeça e saiu correndo.
                    Um Soldado ameaçou correr atrás dele, mas o Cabo, que estava junto, aconselhou:
                   -Pode desistir, sô, se de fasto ele tá correndo desse jeito, quando ele virá de frente nem bala num pega!
 -----------------------------------

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Feijoada do Samba no Clube Pinheiros



Clube Esportivo Pinheiros.
Foto: Léo Morato.
No próximo domingo dia 23 de junho, acontece a Feijoada do Samba, a partir das 10 horas da manhã no Clube Esportivo Pinheiros (Praça de Esportes de Pitangui). 

 Dênio & Delan.
Foto: Facebook.
Prestigie esta iniciativa em prol do Pinheiros, na pessoa do Edílson Lopes, para reerguer o Clube que faz parte da história de várias gerações de Pitanguienses. A coordenação musical é do Dênio Caldas e do Delan e haverá a participação de muito músico bom.

 A Cruz do Monte vista do Pinheiros.
Foto: Léo Morato.
O resultado deste hibridismo cultural será música de qualidade ao vivo com uma deliciosa feijoada do Nino, além da oportunidade de rever amigos e de trocar boas ideias. Pitangui anda carente de espaços e eventos culturais com a cara da cidade, prestige, não deixe de participar!

Links relacionados:
http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2012/09/menino-e-na-areia.html
http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2012/09/ii-encontro-do-grupo-pracinha-do-colegio.html

domingo, 16 de junho de 2013

A olaria dos tijolos de ouro na casa de Mãe Joana


          Durante este último feriado diversas pessoas me indagaram sobre o funcionamento da “olaria” no pasto do Toin Benedito, que nos últimos meses vem trabalhando em um ritmo frenético dia e noite produzindo até então para a população pitanguiense somente poluição sonora.  Mesmo com o alvará de funcionamento e a licença ambiental cassados a empresa não se intimida e de forma atrevida mantém a destruição do sítio arqueológico do Batatal.  Percebe-se que o ritmo acelerado visa a retirada de todo o ouro possível para depois vestirem a carapuça de olaria e começar a produzir os tais tijolos ecológicos.

Os arqueólogos Warley Delgado e Marta de Castro sobre um monte de rejeitos do século 18 no Batatal
 que muito provavelmente já não existe. Percebe-se que Waley faz uso de um GPS, futuramente 
será possível ver como ficou este exato local depois da destruição.

        Amigos, eu não sou o prefeito de Pitangui, não sou secretário de pasta alguma, muito menos ocupo um cargo no Justiça, minha relação com a cidade se limita a ser sócio do Instituto Histórico já que estudo a fundo a história da cidade e a participação de minha família nela desde os idos do século 18. Tenho por Pitangui uma consideração que talvez 90% dos seus filhos não tem e talvez nunca terão. Minha preocupação com a cidade vai além da politicagem podre que sempre atrasou o seu progresso, vai além da visão mercenária de uma oligarquia que nunca valorizou o passado da cidade, vai muito, muito além da inércia daqueles que poderiam fazer muito mais por Pitangui do que tem feito até agora, PRINCIPALMENTE no caso do Batatal.

          Um ex-funcionário da Jaguar Mining me disse que a empresa tem os resultados de duas prospecções que foram feitas no local (quando ainda era de concessão da Morro Velho), cujos resultados demonstraram TER OURO naquela área. Me disse ainda que na época das prospecções (década de 80) o diretor da Morro Velho sugeriu ao funcionário que procurasse o prefeito e propusesse a criação de um centro esportivo no local a troco da “limpeza” do terreno, exatamente o jogo de empresa boazinha que vemos agora.

        No jornal Estado de Minas do dia 11 de junho, terça-feira, página 18, veio com uma matéria sob o título: Mineração Clandestina, que aborda a atividade de uma empresa, também boazinha, que a pretexto de estar contendo a erosão em um barranco às margens da BR 040 estava retirando minério de ferro e transportando para uma siderúrgica de Divinópolis. Na matéria há o seguinte trecho:

Jornal Estado de Minas, 11/06/13, página 18

      Aí está o exemplo de quando a coisa é tratada de forma séria e por pessoas competentes. Mediante uma ação de investigação e posterior tomada de ação a exploração irregular foi interrompida. E quanto a Pitangui, o que EFETIVAMENTE foi feito até o momento para interromper o processo de destruição do nosso sítio arqueológico? O advogado Dr. Mario Lúcio Campos, com experiência ma área de extração mineral disse em conversa com Marcos Antônio Faria (Barrica) que resolveria o problema em poucas horas tendo em vista os absurdos ilegais que se observam no local. Estaria o Dr. Mario Lúcio delirando ou estamos diante de um festival de incompetência?

          O mesmo ex-funcionário da Jaguar, um geólogo, não compreende como a empresa está em atividade extrativista em plena área urbana, situação que já desanimou até a própria Jaguar, isto porque sendo uma empresa séria não pensou na “viabilidades” promovida por sedutores royaltes conforme se vê no celular corporativo que pertenceu a um secretário da administração passada.  Ele ainda afirma que ao questionar a situação com o atual prefeito, ouviu do mesmo de forma enérgica que no dia seguinte providenciaria a prisão dos responsáveis, promessas falidas como essa ouvi diversas vezes, que viria a PM, O GATE, A Força de Segurança Nacional, o Exército, etc., só faltaram falar que a Cuca, o Boitatá e a Mula sem Cabeça viriam em socorro ao nosso sítio arqueológico.

          Aí está o problema, a prefeitura e o poder público NÃO fizeram o bastante, de forma alguma esgotaram todos os recursos ou mergulharam de cabeça no problema. O Batatal é a origem da colonização de todo o centro-oeste e trata-se de um sítio arqueológico importantíssimo para a região, mas tem gente que não está, ou não quer estar, consciente disso. Penso no que até o momento impediu o prefeito de assinar o tombamento provisório aprovado pelo Conselho do Patrimônio Histórico da cidade. Qual o(s) interesse(s) no atraso desta assinatura?

         Para piorar a situação a notícia de que um empresário do ramo imobiliário estaria envolvido no negócio lançou nuvens mais negras ainda sobre o Batatal. Uma vez destruído o sítio arqueológico a área seria alvo da especulação imobiliária já que as atuais atividades estariam “aplainando” o terreno que é muito irregular por se tratar de uma área com características extrativistas do século 18. Seria a pá de cal no Batatal.

         Assim como a maioria dos casarões, o Batatal se tornará pó, primeiro de ouro, depois de rejeito e posteriormente tijolo, que será utilizado para transformar, nos seus 300 anos,  a Sétima Vila do ouro na Primeira Casa de Mãe Joana das Minas Gerais.

Vandeir Alves dos Santos


Para os que quiserem se lembrar do Batatal tal como era antes da destruição, basta acessar o endereço: www.triangulodasgeraes.blogspot.com.br  e procurar pela postagem de segunda-feira, 21 de janeiro de 2013 e assistir ao vídeo do 2º bloco, onde alternadamente são exibidas cenas do Batatal ainda intacto.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Copa do Mundo de Pitangui

 Tricentenário de Pitangui - uma janela de possibilidades.
 Fotos: Leonardo Morato.

Neste último dia 9 de junho uma charmosa velhinha completou os seus 298 anos de história. É a nossa Pitangui que, enamorada com o flerte de seus admiradores, aos poucos vem recuperando a auto estima e despertando a vontade de aparecer na janela do cenário cultural e turístico de Minas Gerais e do Brasil. E a necessidade de se planejar as ações integradas para os festejos dos 300 anos em 2015 é a bola da vez. Importantes iniciativas foram e estão sendo realizadas para a recuperação do nosso patrimônio histórico, novas e boas iniciativas vem surgindo nos ares pitanguienses, mas muito ainda precisa ser feito. O pitanguiense é festivo, tem orgulho de sua terra e quer participar da construção coletiva do futuro da cidade, sem perder o passado como referência. Neste contexto o jornalista Marcelo Freitas nos apresenta um artigo bastante esclarecedor que reforça a perspectiva sobre os 300 anos de Pitangui. Boa leitura.


Um bate papo com os irmão Marcelo e Márcio Freitas (Pitangui, junho de 2013).

A Copa do Mundo de Pitangui

Por Marcelo Freitas*

Exatamente dentro de dois anos, Pitangui chegará aos seus 300 anos de fundação. Dois anos podem parecer muito tempo. Depende de onde se quer chegar. Eu entendo que uma comemoração de 300 anos é um privilégio do qual, ainda hoje, pouquíssimos municípios mineiros podem se dar ao luxo. Para ser mais preciso, além de Pitangui, apenas outros seis dos 853 que formam o Estado. Portanto, não se trata de um evento pouco significativo. Guardadas as devidas proporções, uma comemoração como essa é como se fosse uma olimpíada ou uma copa do mundo. Se o evento for bem sucedido, pode dar ao país anfitrião uma visibilidade de que antes não dispunha.

Pitangui, no rol das cidades históricas mineiras, ficou meio esquecida. O município não dispõe do prestígio que têm Ouro Preto, Mariana ou Diamantina, apenas para citar algumas dos mais conhecidos. A lenta destruição de seu patrimônio histórico do período colonial, ocorrida ao longo do século passado, retirou uma parte do brilho que tinha. Isso é inegável. Por outro lado, também é inegável que a cidade passa por um processo de redescobrimento de seu valor enquanto cidade histórica.

O ponto de partida desse processo foi o tombamento de seu centro histórico, ocorrido em 2008. A despeito das inúmeras críticas que recebeu na época, um fato não se pode negar. Os imóveis tombados que são de particulares, estão, com raras exceções, em estado muito bom de conservação. O mesmo se pode dizer dos bens de uso coletivo, como a Capela de São Francisco e o Museu – apenas para citar alguns – que estão em fase bem adiantada de restauração. Em resumo, Pitangui está, a meu ver, conseguindo dar a volta por cima.

Por isso, a comemoração dos 300 anos tem um significado especial. Mais do que um momento para se festejar, o tricentenário devem ser entendido como um evento que, se bem conduzido, pode vir a dar a Pitangui aquilo que os países que organizam copas do mundo ou olimpíadas também almejam: visibilidade e reconhecimento.

A Matriz do Pilar.

Porém, um evento à altura do que representa a cidade carece muito mais do que de boas intenções ou do simples desejo de realizá-lo. Requer planejamento, recursos e, mais importante do que tudo isso: união e humildade. Humildade para entender que a comemoração dos 300 anos é um evento da cidade como um todo e não de parte dela. Não é um evento somente da prefeitura, dos vereadores, dos empresários, das ONGs, ou apenas dos intelectuais. É um evento de todos estes setores, só que unidos em torno de um objetivo comum. A humildade é condição para a união.

Vejamos o meu caso, por exemplo. Estou desenvolvendo o projeto de lançar, até junho de 2015, mais 11 livros de bolso da coleção “Pitangui 300 anos” (www.comunicacaodefato.com.br). Já lancei o primeiro. Outros estão em fase de produção. Entendo que a coleção dos livros faz parte de um projeto maior, que é a comemoração dos 300 anos de Pitangui. É assim que eu o vejo. Essa seria a minha contribuição para este momento, da mesma forma que outras propostas, provenientes de outros segmentos da sociedade pitanguiense e do poder público, também virão. O importante é que se crie uma articulação de projetos para que não ocorra uma superposição de ações. Toda superposição, é bom se que se lembre, significa perda de tempo e de dinheiro. E, no final das contas, quem sai perdendo é a cidade.

O que eu defendo é que se forme uma comissão, da qual fariam parte todos os segmentos representativos da sociedade pitanguiense, que ficaria responsável por conduzir as comemorações dos 300 anos, distribuindo funções e cobrando resultados. Caberia a essa comissão receber sugestões e dar a elas um encaminhamento profissional. Digo isso porque é importante não ter ilusões. Uma comemoração do porte que a cidade merece exige planejamento e, mais do que isso, recursos. Apenas boas intenções não bastam.

Vamos a alguns exemplos: o tombamento do centro histórico foi importante porque impediu que novos casarões fossem ao chão. Porém, entendo que é preciso avançar no sentido de se refinar o aspecto visual da área tombada. Para isso, duas medidas são, a meu ver, de fundamental importância: implantação da rede subterrânea de distribuição de energia elétrica e a retirada da cobertura asfáltica, voltando com os paralelepípedos. É preciso, também, que todos os bens que compõem seu patrimônio histórico estejam, integralmente, restaurados e estejam disponíveis para visitação.

Um outro olhar sobre a cidade.

Outro exemplo a merecer atenção é o do turismo. Pitangui tem o que mostrar enquanto roteiro turístico. Tem o patrimônio arquitetônico, que, é bom que se frise, não é composto apenas pelos imóveis do período colonial. Há também um rico acervo do início do século passado, com as casas em estilo eclético que fazem parte do conjunto tombado da praça Governador Benedito Valadares. Há também o patrimônio ambiental, formado pela Mata da Pedreira e pela Mata do Céu, que também poderia merecer um tratamento como roteiros turísticos. Do ponto de vista da gastronomia, há em Pitangui um movimento nascente, que também deveria ser potencializado para as comemorações dos 300 anos. Em uma modesta avaliação de quem não é do ramo, Pitangui reúne todas as condições para conseguir realizar uma combinação do turismo histórico, com a gastronomia, a cultura e turismo ambiental. Para que isso ocorra, é preciso que entrem em cena os profissionais do ramo. Insisto: não tarefa para amadores.

Por fim, uma última reflexão: Pitangui precisa deixar de lado o acanhamento e se mostrar para o mundo, utilizando todas as ferramentas possíveis: jornais, rádios, redes sociais, etc. Porém, para que isso ocorra, é preciso que se tenha um projeto estratégico de comunicação para os 300 anos, no qual todas as estratégias e ferramentas estariam previstas. É preciso que se crie um marca dos 300 anos, da mesma forma que se tem uma marca da Copa de 2014 ou das Olimpíadas de 2016. E isso não é trabalho para amadores. É para profissionais. Tal como no turismo: vai muito além das boas intenções.

Em suma, entendo que estamos diante de um cenário no qual várias oportunidades estão se abrindo. Cabe a nós aproveitá-las. Mas, é preciso estar atento ao momento. Dois anos não é muito tempo. Pelo contrário: é um tempo muito curto para que se possa ter uma comemoração à altura do que a cidade merece. Dos atuais moradores de Pitangui, pode-se contar nos dedos de uma só mão, aqueles que presenciaram as comemorações dos 200 anos, em 1915. Os que irão comemorar os 400 anos ainda não nasceram. Por isso, trata-se de um evento muito especial. Temos que dar o sinal de partida antes que essa janela se feche.

 Patrimônio restaurado.

(*) Marcelo Freitas é jornalista com mestrado em Gestão de Cidades pela PUC Minas. É autor do livro A construção do tombamento, que conta a história do tombamento do centro histórico de Pitangui.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Beira de Balcão (2)

Conforme combinado, pois num faiamos no trato, seguem mais uns causos do Beira de Balcão (seção periódica no jornal Correio de Pitangui, que circulou na década de 1980). Por falar nisso, encontramos o JoNba - autor do Beira de Balcão - no sábado 1º de junho lá pelo largo do São Francisco e, em uma prosa rápida, tivemos tempo para uma foto e a certeza de que muitos causos virão.


O JoNba descendo o morro dessa cidade desse Pitangui.
Foto: Léo Morato.


Na região do Frazão, caminho do Rio do Peixe, o terreno é rico em quartzo, fornecendo bons cristais. Muitos garimpeiros exploram este mineral e para isso, cavam cisternas de dois, até quatro metros de profundidade, não tendo, no entanto, o cuidado de voltar a terra ao lugar. Dessa maneira, a área é toda cheia de buracos e se constitui num perigo, mesmo à luz do dia. Imaginem à noite.Vai que, exatamente numa noite, passam por este terreno o Fernando (não digo o sobrenome) e o Juca (idem), com uma meia dúzia de goles na cabeça, meio abraçados, meio escornados um no outro. Até que de repente o Fernando sumiu, caiu no buraco. O Juca, assustado, só ouvia uns gemidos fracos vindos lá do fundo. Então, com todo cuidado se deitou no chão e foi se arrastando até a beira. Aí falou o seguinte:
- Fernando, se ocê morrê ocê fala.
Lá de dentro, responde o ofegante Fernando.
-Ô Juca, morrê eu não morri não, mas perdi a fala”.
---------------------------------------
Zé Samuá é uma das maiores contribuições folclóricas que possuímos. Conta as suas histórias com uma convicção tamanha que é bem capaz de ele próprio acredita no que diz. E, numa conversa entre cachorros zangados, ele falou de quando um de seus cachorros estava assim, de sua preocupação em amarrá-lo para evitar problemas. Pois bem. Amarrou o cachorro num pé de mamão que havia no fundo do quintal. O animal passou a morder, com raiva (ou hidrófobo), o inocente mamoeiro, que não tinha nada a ver com a história. Vendo esta situação, o Zé não teve outra alternativa a não ser sacrificar o animal. Passados alguns dias, sua mulher, assustada, o chamou para ver um absurdo. Era o mamoeiro carregado de laranjas e abacates. “Zé, é o fim do mundo!”. E ele ,calmamente, explicou:
- Fim do mundo que nada, mulher, não se preocupe. Isso é normal. O cachorro tava doido? Pois é. Ele mordeu o mamoeiro e o mamoeiro ficou doido também.
--------------------------------------

No bar:
-Lilico, me vende uma pinga fiado?
-Não,
-Mas eu sou o Lico, seu amigo.
-E daí, você é o Lico, eu sou o Lilico; mais que você
Então, o terceiro personagem:
-Lilico, me vende uma pinga fiado?
-Claro, quantas você quiser.
O Lico se magoa:
-Pô, Lilico, pra mim você não vende, mas vende pro Bilico.
-Veja bem, você é só Lico, eu já sou Lilico e ele é o Bilico, mais que nós dois.
------------------------------------

As cidades do interior têm na tradição religiosa uma força muito grande. Pitangui nunca foi diferente. A fé predomina nas datas religiosas. Pois que há vários anos, durante as celebrações da Semana Santa, as procissões acontecendo toda noite, Passos, Encontro, Paixão, o silêncio respeitoso, a participação piedosa de todos e o costume de se ajoelhar no momento quando passa o andor da imagem venerada. É um gesto coletivo e rotineiro. Lá estava o Zé B., ainda menino, junto com os pais, participando das procissões. Durante toda a semana ele esteve presente, em todas elas. No sábado era o dia da Ressurreição, dia da alegria, dia do Judas, a farra de sair com o boneco cheio de bombas pela cidade até à noite, quando era queimado em praça pública. O Zé B. assistia o cortejo, junto com o pai, via a procissão de pessoas acompanhando Judas. Quando passaram por eles ninguém ajoelhou, mas ele não deixou por menos; cutucou o pai:
- Juéia, pai, que o Juda invém.
--------------------------------------

O Zeca do Cambota “queimou a orelha” de um grupo de rapazes chegados ao “fuminho”. De noite, já mais tarde eles chegaram no bar, nervosos, agitados e o Zeca, percebendo, chegou neles. “- Cês tão a fim de puxar um fuminho?” Claro, responderam logo, já esfregando as mãos de alegria. “- Pois eu tenho um fuminho comigo, já preparado e posso ceder a vocês, mas eu quero puxar primeiro; sei que não tenho cara, mas sempre gostei. Me acompanhem até o fundo do bar.”. Todos os seguiram ansiosos e o viram, muito sério, tirar do bolsinho da calça um pedacinho de fumo amarrado em um barbante, desenrolar, colocar no chão e sair puxando o fuminho, enquanto dizia: “_Vem cá, fuminho, vem cá!”
-------------------------------------

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Leonardo Morato, parabéns procê

Fazer aniversário anualmente é mais que normal,
mas aniversariar junto com o 
Pitangui, é para poucos !!!!!
Léo, João Miguel e Juliana ... família candanga reunida !!!!!

domingo, 9 de junho de 2013

298 anos. Parabéns, Pitangui!


Pitangui completa hoje 298 anos, a sétima "Vila do Ouro" marca no tempo sua história quase tricentenária.  História iniciada com os desbravadores dos sertões do oeste das Minas Gerais. O ouro trouxe os pioneiros, que aqui se fixaram e também seguiram desbravando o território.


Assim, foi se erguendo a Pitangui colonial, berço de motins, que deixavam em alerta as autoridades portuguesas desafiadas pelos potentados locais, como Domingos Rodrigues do Prado. A atividade mineradora deixou suas marcas, como pode-se comprovar percorrendo alguns pontos da cidade, onde bocas de minas ainda aguardam exploradores.


Um pouco do período colonial ainda resiste ao tempo e ao descaso, mas resiste. Podemos observar que as ações dos gestores municipais avançam, no sentido de se preservar o patrimônio histórico local. Afinal, uma cidade prestes a completar 300 anos deve sim ter história para contar e mostrar.


Como presente à aniversariante mantemos sua história viva. Nós ao nosso jeito, alimentando este blog de informações, outros através das redes sociais, escrevendo livros, publicando artigos em jornais, mantendo programas em emissoras de rádios, produzindo matérias para a TV, etc.. Mas todos têm em comum o respeito e o desejo de valorizá-la, cidade mãe do oeste mineiro. Que o apelo cego à modernidade não ofusque a sua história.

Parabéns Pitangui!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Comemorações dos 298 anos de Pitangui

 Programação oficial - Prefeitura Municipal de Pitangui.

Pitangui - a Cidade Mãe do Centro Oeste Mineiro - está prestes a completar 298 anos no dia 9 de junho de 2013. Confira aqui a programação oficial das solenidades e eventos festivos na cidade, com destaque para o Desfile Cívico  no dia 8/6, com a participação das escolas de Pitangui e para a Alvorada, na madrugada do dia 9/6. Participe, prestigie e faça o seu registro!

Clique nas imagens para ampliá-las.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pitangui na madrugada

Pitangui por Ênio Lacerda.
Sob luzes e ângulos diferenciados o Pitanguiense Ênio Lacerda Vilaça nos presenteia com essas belas imagens. Pitangui na madrugada de sexta (31/5/13).  Este é o tema dado pelo próprio autor das fotos clicadas na Praça Governador Benedito Valadares, conhecida também como Praça do Jardim ou Praça do Cinema.

Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, parabenizamos o Ênio pela "temática verde" sobre a praça e esperamos ver novos clicks em breve.




Fotos: Ênio Lacerda.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Festa de São João Batista, em Campo Grande

Este é o mês das grandes festas em homenagem à Santo Antônio, São João e São Pedro. No município de Pitangui estas festas ocorrem por toda parte, além das fogueiras e forrós nas fazendas. Tá todo mundo convidado para participar.





segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Capela no espelho d'água


Na postagem de hoje lançamos um outro olhar sobre a Igreja de São Francisco de Assis, refletida em um espelho d'água, após a chuva da madrugada de quarta para quinta e chamamos a uma reflexão: com o advento dos 300 anos de Pitangui em 2015, como estão os preparativos? A cidade está se mobilizando de forma conjunta em prol deste importante acontecimento?


Quais as estratégias que precisam ser empreendidas para que Pitangui seja promovida cultural e turisticamente e para que a cidade continue a ser visitada após os 300 anos?

 Capela de São Francisco. Fotos: Leonardo Morato.

Os movimentos de insubordinação contra as imposições da Coroa e as revoltas ocorridas na Sétima Vila de Minas nos séculos passados merecem ser destacados. Penso que intensificar o ensino da nossa história nas escolas; estimular a pesquisa e a publicação de livros; capacitar a população para prestar informações e receber bem o visitante; e valorizar ações como o "Caminhando com a História", a "Lavagem do Bandeirante", entre outras, é o nosso diferencial para provomer a cidade rumo aos 300 anos. Acredito que todas as ações e eventos de agora para frente devem vestir essa importante roupagem dos trezentos anos da Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui.